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George Washington Williams

George Washington Williams
Nascimento 16 de outubro de 1849
Bedford
Morte 2 de agosto de 1891 (41 anos)
Blackpool
Cidadania Estados Unidos
Etnia afroamericano
Alma mater Universidade Howard
Ocupação soldado, historiador, diplomata, escritor, ministro, político, jornalista, teólogo, explorador
Religião Igreja Batista
Causa da morte tuberculose

George Washington Williams (Bedford, 16 de outubro de 1849Blackpool 2 de agosto de 1891) foi um soldado da Guerra de Secessão, pastor batista, político, advogado, jornalista e escritor sobre a história afro-americana estadunidense.

Willians tornou-se conhecido por haver sido a primeira pessoa a denunciar as barbáries cometidas no Estado Livre do Congo sob as ordens do rei Leopoldo II da Bélgica, e como pioneiro da historiografia afro-americana.

BiografiaEditar

Williams teve pouca instrução básica e, quase analfabeto, se alistou no 41º Batalhão dos Homens de Cor do Exército da União durante a Guerra Civil, havendo participado das batalhas de Richmond e de Petersburg, sendo finalmente ferido próximo do fim das lutas.[1]

Assim como muitos ex-combatentes após as lutas intestinas dos EUA, se alistou no exército do México na luta contra as pretensões de Maximiliano, cunhado do rei belga Leopoldo II; após esta aventura mexicana, de volta ao seu país se realistou, participando das lutas contra os indígenas.[1]

Em 1868 finalmente abandona a carreira militar e ingressou na Universidade de Howard onde fez rapidamente um curso no qual foi aluno brilhante; próximo a Boston matriculou-se a seguir no Instituto Teológico Newton, onde completou em apenas dois anos o curso de três, proferindo já na formatura um discurso em que prega a igualdade entre brancos e negros — tônica de seus escritos futuros, em que denuncia as desigualdades, os linchamentos, a Ku Klux Klan e controle do Sul pelos brancos.[1]

Em 1874, ano de sua formatura no seminário, assumiu a Igreja Batista de Boston (a principal congregação dos negros locais) e se casou; no ano seguinte resolvera se mudar para Washington, D.C.; na capital do país fundou o jornal Commoner, que recebeu o apoio de figuras como Frederick Douglass, mas que logo veio à falência; muda-se então para Cincinnati onde exerce o ministério e colabora com jornais da cidade, acabando por fundar um periódico próprio.[1]

Numa reviravolta, abandona a carreira eclesiástica e, estudando direito, passa a praticar a advocacia e ingressa na política, sendo o primeiro homem negro a ocupar o legislativo estadual de Ohio, onde fica somente um ano, no qual chocara a sociedade ao se opor com veemência a uma lei que impedia o casamento inter-racial.[1]

Dedica-se a seguir àquela que vem a ser sua maior contribuição: um livro publicado em dois volumes, o primeiro em 1882 e o segundo em 1883, intitulado "História da Raça Negra na América. Negros como escravos, soldados e cidadãos, juntamente com uma consideração preliminar da unidade da família humana, um esboço da história da África e um relato dos governos negros de Serra Leoa e Libéria", obra fruto de intensas pesquisas que o colocou como pioneiro na historiografia estadunidense; granjeou assim renome nacional, sendo um dos grandes palestrantes de seu tempo e conhecendo figuras da sociedade, dentre os quais dois presidentes.[1]

A despeito disto, Williams gastava mais do ganhava e tinha os credores a persegui-lo e diversificava seus projetos; escreveu novo livro sobre os negros na Guerra Civil, recebeu o título honorário de "coronel" por uma das principais associações de veteranos, planejou a aquisição de terras no Novo México para agricultores negros, vindo então a se aproximar do presidente Chester A. Arthur que, admirado com o jovem ativista, o nomeou embaixador do país no Haiti (cargo que nunca ocupou porque, findo o mandato de Arthur, sucumbiu aos boatos sobre suas dívidas).[1]

Na Casa Branca de Chester Arthur Williams foi apresentado ao lobista do rei Leopoldo II, o general Henry Shelton Sanford, que pretendia recrutar negros estadunidenses para o Congo, território onde o monarca europeu pretendia instalar uma colônia particular; iludido com as promessas de uma nova nação que proporcionasse aos negros a possibilidade de progresso, Williams passa a defender a instalação do Congo, então sob a falsa instituição criada por Leopoldo: Associação Internacional do Congo.[1]

Sob o patrocínio de Leopoldo segue para a Europa, de onde escreve sobre as manifestações anti-escravistas vividas em Bruxelas, e se apresentando como "coronel"; o rei belga causa-lhe as melhores impressões, e sobre suas intenções Williams escreve serem cristãs e desinteressadas; recebe apoio ao seu projeto de levar negros da América para África mas, nos Estados Unidos, seus compatriotas se mostraram céticos em relação à vida naquele continente; Williams então decide ser o momento de escrever sobre o Congo e, para custear a expedição, consegue um pequeno apoio do magnata Collis P. Huntington e um dúbio apoio do presidente Benjamin Harrison; passando antes por Bruxelas, entretanto, ali os emissários do rei tentam dissuadi-lo do propósito de visitar as terras africanas.[1]

Apesar disto, parte para a África em janeiro de 1890; ali percorre todo o continente, conhecendo figuras de proeminência como o vice-presidente do Transvaal ou o sultão de Zanzibar, vindo ali a se tornar membro honorário da "Sociedade Inglesa" local; demora-se, entretanto, no Congo, percorrendo a região das corredeiras do rio Congo a pé, e a seguir nos barcos a vapor ali instalados por Leopoldo; constata uma realidade bem diversa daquela descrita por exploradores brancos, como Henry Morton Stanley e descreve o lugar como "a Sibéria do continente africano", e redige um libelo acusatório contra o rei dos belgas, reportando a ilusão criada da qual ele próprio fora um dia defensor, através de uma "carta aberta" a Leopoldo.[1]

A seguir à carta, redige um relatório ao presidente dos Estados Unidos onde reporta casos de escravidão, assassinato de moradores ora para conseguir o trabalho servil ou mesmo por esporte, rapto de mulheres, dentre muitas outras atrocidades criminosas, em oposição a tudo quanto o rei Leopoldo pregava de seu "empreendimento humanitário" em África; em seus escritos Williams usa contra o monarca uma acusação até então inédita, e que viria a ser um delito internacional reconhecido: era Leopoldo autor de "crimes contra a humanidade".[1]

Leopoldo reagiu à repercussão dos escritos de Williams, denegrindo-lhe a imagem, sobretudo pelo fato de dizer-se "coronel" sem nunca haver ocupado tal posto. No começo de 1891 ele havia concluído sua jornada africana no Cairo onde, já sem recursos e padecendo de tuberculose, pede desesperadamente auxílio ao presidente dos Estados Unidos e a seus benfeitores, sem obter sucesso; ainda assim convence os ingleses a lhe enviarem um médico e parte da capital egípcia para Londres num vapor em que conhece uma governanta britânica que voltava da Índia e logo fica dela noivo; na capital do Reino Unido se instala em casa da noiva, onde a doença se agrava vindo finalmente a matá-lo, com apenas quarenta e um anos de idade.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l Adam Hochschild (1999). «O Primeiro Herege». O Fantasma do Rei Leopoldo: uma história de cobiça, terror e heroísmo na África Colonial. Traduzido por Beth Vieira. São Paulo: Companhia das Letras. 378 páginas. ISBN 8571649367. pp. 112-125