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Germano II de Constantinopla

Germano II de Constantinopla (em grego: Γερμανός Β΄ Ναύπλιος), dito Náuplio (em latim: Nauplius), foi o patriarca grego ortodoxo de Constantinopla, exilado no Império de Niceia, entre 1223 e a sua morte em junho de 1240. Nasceu em Anáplo. Serviu como diácono em Santa Sofia até 1204, e quando da tomada de Constantinopla durante a Quarta Cruzada, partiu para um mosteiro. Em 1223, foi selecionado por João III Vatatzes (r. 1221–1257) como patriarca ecumênico em exílio, assumindo o trono em 4 de janeiro de 1223. Durante seu reinado, entrou em conflito com o prelado da Igreja do Épiro acerca de sua independência, bem como a independência política do Épiro sob o auto-declarado imperador Teodoro Comneno Ducas (r. 1216–1230). Reconheceu a Igreja da Bulgária como um patriarcado júnior por 1235 e abriu diálogo com a Sé de Roma para uma possível união das Igrejas.

Germano II de Constantinopla
Nascimento século XII
Anáplo
Morte junho de 1240
Nacionalidade Império Bizantino
Ocupação Patriarca ecumênico
Título
Religião Ortodoxia Oriental

Índice

BiografiaEditar

 
Iluminura do imperador de Niceia João III Vatatzes (r. 1221–1257)

Germano nasceu em Anáplo na segunda metade do século XII e, durante a Quarta Cruzada de 1204, servia como diácono em Santa Sofia. Logo depois do saque de Constantinopla, retirou-se para um mosteiro em Paleocastro. Em 1223, foi selecionado pelo imperador de Niceia, João III Vatatzes (r. 1221–1257), para preencher o posto de patriarca ecumênico, que tinha sido realocado para lá após a conquista de Constantinopla pelos venezianos e a criação do Patriarcado Latino de Constantinopla. Germano assumiu o trono em 4 de janeiro de 1223 e rapidamente se mostrou um valioso aliado de Vatatzes.[1]

Durante todo o seu patriarcado, Germano lutou para restabelecer a sua autoridade como líder do então espatifado mundo ortodoxo, ao mesmo tempo em que apoiava Vatatzes em sua luta para reconquistar a sua herança imperial perdida. Assim, Germano se chocou com os prelados do Despotado de Épiro por conta da da defesa deles aos governantes de Épiro e, especialmente, com o arcebispo de Ácrida, Demétrio Comateno, que tinha presidido a coroação de Teodoro Comneno Ducas (r. 1216–1230) como imperador em Tessalônica, em direto confronto com a posição de Niceia. Após a derrota de Épiro na Batalha de Klokotnitsa em 1230, porém, os bispos dali foram gradualmente conquistados pelo grupo de Germano. Em 1232, o cisma estava superado, com a Igreja de Épiro reconhecendo sua autoridade, ao que se seguiu uma viagem pela região por Germano em 1238.[1][2]

Por outro lado, Germano estava propenso a se curvar às realidades políticas na questão da Igreja da Bulgária, reconhecendo-a como um patriarcado júnior em 1235. Isso foi, em parte, o resultado de uma necessidade política, como condição para a aliança entre Vatatzes e o Segundo Império Búlgaro, do tsar João Asen II (r. 1218–1241), mas era também um movimento necessário para afastar a Igreja Búlgara de sua submissão pós-1204 à Igreja Católica. Movimento similar está por trás do reconhecimento por ele do estatuto autocéfalo da Igreja Sérvia.[3]

Mesmo sendo um feroz crítico dos "erros" que percebia na Igreja Católica e o autor de diversos tratados anticatólicos,[1] Germano foi, inicialmente, favorável a uma reaproximação com Roma. Em 1232, enviou um grupo de franciscanos, cuja postura e o desejo de reconciliação o haviam impressionado, como enviados ao papa. Germano propôs convocar um concílio ecumênico pleno para tentar a reconciliação das Igrejas.[4] Como resposta, uma delegação de franciscanos e dominicanos chegou em Niceia em 1234, mas com alçada limitada: eles não tinham autoridade para conduzir nenhum tipo de negociação, mas apenas para sondar o imperador e o patriarca. A delegação latina compareceu ao concílio realizado em Ninfeu, mas ele acabou se desfazendo em uma disputa entre os latinos e os gregos. Os enviados papais fugiram para Roma enquanto que os nicenos se juntaram ao ataque a Constantinopla em 1235.[5]

Ver tambémEditar

Germano II de Constantinopla
(No exílio em Niceia)

(1223 - 1240)
Precedido por:  
Lista dos patriarcas grego ortodoxos de Constantinopla
Sucedido por:
Manuel I 129.º Metódio II

Referências

  1. a b c Kazhdan 1991, p. 847.
  2. Angold 1999, p. 551–552.
  3. Angold 1999, p. 552.
  4. Angold 1999, p. 553.
  5. Angold 1999, p. 553-554.

BibliografiaEditar

  • Angold, Michael (1999). «Byzantium in exile». In: Abulafia, David. The New Cambridge Medieval History: Volume V, c. 1198–c. 1300. [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 543–568. ISBN 0-521-36289-X 
  • Kazhdan, Alexander Petrovich (1991). The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-504652-8 

Ligações externasEditar

  • «Germano II» (em grego). Site oficial do Ecumenical Patriarchate of Constantinople. Consultado em 4 de setembro de 2011