Germano Mathias

músico brasileiro

Germano Mathias (São Paulo, 2 de junho de 1934) é um cantor brasileiro, representante do samba paulistano.

Germano Mathias
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Germano Mathias, durante apresentação na Virada Cultural de São Paulo, em maio de 2008.
Informação geral
Também conhecido(a) como Catedrático do Samba[1]
Nascimento 2 de junho de 1934 (87 anos)
Origem São Paulo, SP
País  Brasil
Gênero(s) Samba paulista

Seu grande sucesso foi "Minha Nega na Janela", também seu samba de estreia. Chamou a atenção por causa do jeito peculiar de interpretar os sambas, sempre de forma sincopada, e acompanhá-los tocando com uma tampa de uma lata de graxa, herança dos engraxates da Praça da Sé, com quem conviveu no início da década de 1950. Germano também é conhecido por interpretar vários sambas de Zé Ketti.

A maioria de seus discos saíram nas décadas de 1950 e 1960. Depois disso seus lançamentos foram cada vez mais esporádicos.

Infância, adolescência e primeiros trabalhosEditar

Germano nasceu na Rua Santa Rita no bairro do Pari em 2 de julho de 1934, filho de Zulmira e Júlio Matias, ambos descendentes de imigrantes portugueses. Com os avós, aprendeu fados e viras na infância.[2]

Aos 14 anos, foi convidado a integrar a escola de samba Rosas Negras, juntando-se à ala das frigideiras na bateria. Em 1952, mudou para a Lavapés.[2]

Em seus primeiros empregos, trabalhou como camelô, marreteiro e vendedor de pomadas e sabão anticoceira.[2]

CarreiraEditar

Germano iniciou sua carreira no dia 26 de outubro de 1955, quando se apresentou no quadro "À Procura de um Astro", do programa Caravana da Alegria, que J. Silvestre, Cláudio Luna e Élcio Álvares tinham na Rádio Tupi de São Paulo. Na ocasião, ele cantou "Minha Nega na Janela" ao mesmo tempo em que tocava uma tampolina de gordura, composição sua com Firmo Jordão que mais tarde seria um dos seus sucessos em gravação pela Polydor.[3] Dentre os 300 candidatos, Germano se sagrou vencedor e ganhou um contrato com a Tupi, com duração de catorze meses e salário de três mil cruzeiros.[4]

Em 1957, ganhou o Troféu Roquette Pinto de revelação masculina (ao lado de Maysa, que ganhou o de revelação feminina), o que lhe deu um impulso na carreira, que deslanchou.[5]

Durante uma visita a Mangueira, conheceu Zé Keti, de quem gravaria diversas composições.[6]

Participou dos filmes O Preço da Vitória e Quem Roubou Meu Samba?.[6]

A partir dos anos 1950 e 1960, sua carreira decaiu e ele caiu no esquecimento. O ostracismo foi tamanho que ele não foi contatado quando Gilberto Gil lançou Antologia do Samba-Choro, um disco alternando gravações de Germano com interpretações de Gil. Em vez de convidá-lo a regravar as canções, a gravadora usou registros antigos. O disco fez sucesso e prontificou o relançamento de discos antigos de Germano por parte da RGE e da CID, mas Germano sentiu-se relegado ao segundo plano.[7]

Em dado momento, Germano teve de abandonar a carreira musical e trabalhar como oficial de justiça criminal.[7]

Foi convidado para atuar na novela Brasileiras e Brasileiros, exibida pelo SBT em 1990.[8] Em 2005 completou 50 anos de carreira e continua fazendo shows. Em 2004 lançou "Tributo a Caco Velho", em homenagem ao compositor gaúcho que tanto o influenciou, morto em 1971. Antes, em 2003, havia lançado Talento de Bamba. Em CD, pode-se encontrar: Ginga no Asfalto, de 1962; e 20 preferidas. Germano Mathias (Som Livre).

HomenagensEditar

Em 1967, recebeu o diploma de bacharel da Ordem da Palheta Dourada da X-9.[9]

Em 31 de agosto de 2010, foi agraciado pelo Governo do Estado de São Paulo com o oficialato da Ordem do Ipiranga.[10]

FilmografiaEditar

CinemaEditar

TelevisãoEditar

DiscografiaEditar

 
Germano Mathias durante show.

Adaptado das fontes.[14][15]

78 rpm / compactos simplesEditar

  • 1956 "Minha nega na janela"/ "Minha pretinha"
  • 1958 "Guarde a sandália dela"
  • 1959 "Malandro de araque"
  • 1959 "Malvadeza Durão"
  • 1964 "Nega Dina"
  • 1970 "Lê Lê" / "Dinheiro de jogo"

Álbuns/LPsEditar

  • 1957 Germano Matias, o sambista diferente
  • 1958 Em continência do samba
  • 1959 Hoje tem batucada
  • 1962 Ginga no asfalto
  • 1965 Samba de branco
  • 1968 O Catedrático do Samba
  • 1970 1970 Sambas pra seu governo (c/ Demônios da Garoa)
  • 1971 Samba é comigo mesmo
  • 1973 O Catedrático do samba 2
  • 1999 História do samba paulista (c/ Aldo Bueno, Thobias da Vai Vai e Osvaldinho da Cuíca)
  • 2002 MPB Especial
  • 2002 Talento de bamba
  • 2005 Tributo a Caco Velho
  • 2007 Ginga no asfalto

Referências

  1. Aguiar 2013, p. 326.
  2. a b c Aguiar 2013, p. 330.
  3. Aguiar 2013, p. 332.
  4. Aguiar 2013, p. 333.
  5. Aguiar 2013, p. 337.
  6. a b Aguiar 2013, p. 338.
  7. a b Aguiar 2013, p. 343.
  8. Aguiar 2013, p. 344.
  9. Aguiar 2013, p. 339.
  10. «Governo entrega Ordem do Ipiranga a personalidades». Portal do Governo do Estado de São Paulo. 31 de agosto de 2010. Consultado em 9 de março de 2018 
  11. a b Aguiar 2013, p. 338, 353.
  12. Aguiar 2013, p. 353.
  13. Vitor Moreno (20 de janeiro de 2015). «Terceira idade terá viés positivo em série da Globo». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de março de 2015 
  14. «Germano Mathias - Discografia». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 26 de dezembro de 2020 
  15. Aguiar 2013, p. 349-352.

BibliografiaEditar

  • RAMOS, Caio Silveira. Sambexplícito: as Vidas Desvairadas de Germano Mathias. São Paulo: Girafa.
  • Aguiar, Ronaldo Conde (2013). «Germano Mathias e Moreira da Silva - O Catedrático do Samba e O Tal». Os Reis da Voz. Rio de Janeiro: Casa da Palavra. ISBN 978-85-773-4398-0 

Ligações externasEditar