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Gervásio Lobato
Nome completo Gervásio Jorge Gonçalves Lobato
Nascimento 23 de maio de 1850
Lisboa, Portugal
Morte 26 de maio de 1895 (45 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portugal Portuguesa
Ocupação Escritor, dramaturgo e jornalista
Magnum opus Lisboa em Camisa

Gervásio Jorge Gonçalves Lobato (Lisboa, 23 de Maio de 1850 — Lisboa, 26 de Maio de 1895) foi um escritor, dramaturgo, jornalista, comediógrafo, tradutor, romancista[1] e professor de declamação português da viragem do final do século XIX. As suas obras retratam a vida na capital portuguesa nessa época, da qual se destaca "Lisboa em Camisa", passado ao cinema em 1960.

BiografiaEditar

Filho de Gervásio Gonçalves Lobato, empregado público e de D. Maria das Dores Leite Lobato. Gervásio Lobato foi segundo oficial da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino. Exerceu o cargo de professor de declamação na escola dramática do Conservatório de Lisboa. Com o fim de chegar a diplomata, tirou o Curso Superior de Letras e a cadeira de Direito Internacional da Escola Naval, mas acabou por fazer carreira no campo das letras.

A vocação para a escrita já vinha da juventude: aos 15 anos fundou, com alguns condiscípulos, “A Voz Académica”, jornal literário, depois publicou um folhetim no “Diário Popular”, foi diretor da revista O Occidente [2] (1878-1915) e passou a colaborar noutros periódicos, a saber: Braz Tizana, “Gazeta de Portugal”, “Gazeta Literária”, “Recreio”, “Jornal da Noite” (fundado por si, por Teixeira de Vasconcelos e outros), “Diário Ilustrado”, “Progresso”, “Correio da Noite”, “Século”, “Diário de Notícias”, O Pantheon [3] (1880-1881), Ribaltas e Gambiarras [4] (1881), Jornal do domingo [5] (1881-1883), A Illustração Portuguesa [6] (1884-1890), A semana de Lisboa[7] (1893-1895), Branco e Negro [8] (1896-1898) e Brasil-Portugal[9] (1899-1914), etc.[1] Ainda fundou, com Pinheiro Chagas, “A Discussão”, depois “Diário da Manhã” e, mais tarde, “Correio da Manhã” e “O Contemporâneo”, com Salvador Marques e Sousa Bastos. Também se encontra colaboração póstuma da sua autoria na Revista de turismo [10] iniciada em 1916.

Dedicou-se à escrita dramática e escreveu O Rapto de um Noivo, com Maximiliano de Azevedo, comédia em 1 acto que foi representada no Teatro Dona Maria II. Depois foram duas comédias para o Ginásio: No Campo e Debaixo da Máscara (1873).

Seguiram-se numerosas peças originais ou traduzidas e adaptadas, representadas em todos os teatros portugueses: “As Noivas do Eneias” (1892), “Medicina de Balzac”, “Sua Excelência” (1884), “O Comissário de Polícia” (1890), etc.; algumas operetas como "Cocó , Ranheta e Facada" e também novelas.Há quem diga que estas operetas de Gervásio Lobato estão na origem da "revista á portuguesa" com a sua certeira e caustica cronica de costumes.

Por altura da representação d’O Festim de Baltasar (1892), com fins caritativos, foi agraciado pelo Rei com o oficialato da Ordem de Santiago. Têm ainda relevância actual as suas novelas e romances: A Comédia de Lisboa (1878), “A Primeira Confessada” (1881), Os Invisíveis de Lisboa” (1886-1887), Os Mistérios do Porto (1890-1891), A Comédia do Teatro, “O Grande Circo” (1893). “Nelas (comédias e farsas) e nos romances que escreveu se faz o processo bem-humorado, mas certeiro, da pequena e média burguesia lisboeta do fim do século, captada nos seus ridículos e manias, na sua vacuidade e mesquinhez de ambições políticas e mundanas.”

É ainda célebre (talvez a mais célebre) a sua novela Lisboa em Camisa (1890), sobre uma família burguesa de Lisboa. É uma descrição bem-humorada de uma certa classe burguesa que aspira a voos mais altos e se fica invariavelmente pelos negócios comezinhos, pelo "parecer", já que lhe falta a fibra autêntica dos homens dinâmicos.

Casou com Maria das Dores Pereira d'Eça Albuquerque, de quem teve filhos e é antepassado do humorista Nuno Markl. Faleceu com 45 anos, na Rua das Amoreiras, número 102, freguesia de São Mamede, de Lisboa, sendo sepultado no Cemitério dos Prazeres.

Tem uma rua com o seu nome em Campo de Ourique, Lisboa[11]. No Brasil, também é homenageado em ruas do Rio de Janeiro[12] e do Recife[13].

ObrasEditar

Referências

  1. a b «Gervásio Lobato». Infopédia. Consultado em 2 de Fevereiro de 2011 
  2. Rita Correia (16 de Março de 2012). «Ficha histórica:O occidente : revista illustrada de Portugal e do estrangeiro (1878-1915)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 04 de Janeiro de 2015  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. Helena Roldão (25 de Maio de 2013). «Ficha histórica: O pantheon: revista de sciencias e lettras (1880-1881)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 09 de Fevereiro de 2015  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. Pedro Mesquita (26 de março de 2013). «Ficha histórica: Ribaltas e gambiarras (1881)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 19 de junho de 2015 
  5. Rita Correia (06 de Setembro de 2007). «Ficha histórica: Jornal do domingo : revista universal (1881-1883).» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 01 de Dezembro de 2014  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  6. Rita Correia. «Ficha histórica: Ilustração Portuguesa (1884-1890)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 27 de Janeiro de 2015 
  7. A semana de Lisboa : supplemento do Jornal do Commercio (cópia digital, Hemeroteca Digital]
  8. Rita Correia (01 de Fevereiro de 2012). «Ficha histórica: Branco e Negro : semanario illustrado (1896-1898)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 21 de Janeiro de 2015  Verifique data em: |data= (ajuda)
  9. Rita Correia (29 de Abril de 2009). «Ficha histórica: Brasil-Portugal : revista quinzenal illustrada (1899-1914).» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 26 de Junho de 2014 
  10. Jorge Mangorrinha (16 de janeiro de 2012). «Ficha histórica:Revista de Turismo: publicação quinzenal de turismo, propaganda, viagens, navegação, arte e literatura (1916-1924)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 13 de Maio de 2015 
  11. Gervásio Lobato em Lisboa
  12. Gervásio Lobato no Rio de Janeiro
  13. Gervásio Lobato no Recife