Getúlio (filme)

Filme brasileiro de 2014 dirigido por João Jardim

Getúlio é um filme brasileiro de 2014, do gênero drama histórico-biográfico, dirigido por João Jardim, com roteiro de George Moura.

Getúlio
Getúlio (filme)
Pôster oficial do filme.
 Brasil
2014 •  140 min 
Gênero drama histórico-biográfico
Direção João Jardim
Produção Pedro Borges
Carla Camurati
Carlos Diegues
Roteiro George Moura
Elenco Tony Ramos
Drica Moraes
Alexandre Borges
Distribuição Copacabana Filmes
Lançamento Brasil 1 de maio de 2014
Idioma português

O filme percorre a intimidade dos 19 últimos dias de vida de Getúlio Vargas, período em que ele fica isolado no palácio do Catete, enquanto seus opositores o acusam de ser o mandante do atentado da rua Tonelero contra o jornalista Carlos Lacerda. Lançado em 1.º de maio de 2014,[1] Getúlio é estrelado por Tony Ramos como Getúlio e Drica Moraes como Alzira Vargas, filha do ex-presidente.

A trama dialoga com momentos importantes da vida de Getúlio Vargas, bem como do Brasil mediante acontecimentos da vida final de Vargas e o seu governo. O protagonista Vargas representado pela atuação de Tony Ramos faz um papel que traz muitos detalhes pessoais que cercavam o ex -presidente. A sua forma de se vestir, o seu toque no sapato, e os seus discursos em meio às pessoas buscam trazer representações que Getúlio carregava.

Mas não obstante a narrativa do filme traz um enredo de acordo com situações que pressionavam Vargas na época. Em um dos momentos que representam o apogeu da crise estabelecida vemos a fatídica reunião constatada no Palácio do catete onde Getúlio Vargas termina dizendo para seus ministros buscarem manter a ordem pública e finaliza dizendo que "os revoltosos encontrariam o seu cadáver´´

Contudo isso ocorreria após o cansaço de Vargas. Com o passar dos anos a trama vai apontando os sofrimentos de Getúlio. Com as sucessivas pressões sofridas mediantes críticas cada vez mais incisivas a oposição apontava argumentos contrários e ao mesmo tempo buscava o seu enfraquecimento. É nesse sentido que Carlos Lacerda, o antagonista de Getúlio Vargas ganharia cada vez mais a atenção. Se por um lado as pressões sobre Vargas se multiplicavam, Carlos Lacerda viria a ser um algoz de Vargas enfatizando até mesmo crimes cometidos por Getúlio.

Em determinado momento o filme mostra uma tv preto e branco denunciando as más condutas de Getúlio. O Principal enfoque do filme se passa por quem matou o major-aviador Rubens Vaz um crime que faz referência direta ao crime de toneleros onde Carlos Lacerda estava presente conseguindo se manter vivo, contudo Getúlio também passaria por pressões dos militares que o pressionavam em busca de saber a autoria do assassinato do Major Rubens.

A situação ganha novo teor quando os brigadeiros da Aeronáutica redigiram e enviaram um documento a Vargas exigindo sua renúncia, e depois a alta oficialidade da marinha declarava apoio aos brigadeiros, nesse contexto o filme retrata o desgaste que Getúlio passava. Este aliás é um aspecto a ser elogiado no filme; fica perceptível que houve uma notável preocupação em trazer ao telespectador maiores tons de realidades na trama. Houve diligências sobre a estrutura dos cenários que o filme apresenta. Os papéis possuem a forma da época; o palácio do catete possui detalhes que se assemelha ao usado na época dentre outros fatores.

Alzira Vargas representada no filme pela a atriz Drica de Moraes aparece na atuação sendo mais que uma simples familiar, na verdade ela era uma conselheira e ia de encontro ao papel de uma secretária ou uma ajudante do pai. Tal fator apontado é muito importante devido a uma política no contexto do século XX restrita às mulheres. Por fim, as pressões ficam cada vez mais fortes ao presidente, o filme faz uma menção importante ao papel da imprensa quando Getúlio aparece em determinada cena lendo um jornal impresso com críticas a ele e Alzira o rechaça tentando demonstrar a força do pai. Alguns jornais passaram a criticar Getúlio, eles apontavam irregularidades, defeitos e até mesmo atacavam a figura do presidente se somando a uma oposição cada vez mais feroz.

O apogeu de todo o filme não poderia ser diferente; Um dos momentos mais importantes da história brasileira teria um final melancólico; A partida de Vargas chegaria, mas não antes de sua famosa carta. Nesse ponto o filme destaca a escrita da carta como sendo feita a base de tinta destacando as mãos de Vargas que de maneira consternada escrevia as letras momentos antes da sua partida.

O final do filme então tenta reproduzir uma das cenas mais importantes da política na História brasileira, a partida de Getúlio. E então que o famoso líder populista saca uma arma que estava ao seu alcance e põe fim às inúmeras pressões que o via carregando. No final do filme é possível ver imagens reais que demonstram o choro de pessoas junto a multidões que ao redor do seu caixão prestaram uma última homenagem ao presidente que governou por longos anos o Brasil. No final da trama aparece também uma nota na tela, que diz que Carlos Lacerda, o antagonista de Getúlio, acabou sendo eleito mais a frente um deputado federal. Herói ou vilão, pai dos pobres ou extremamente populista são adjetivos constantes ligados a história de Vargas, mas fato unânime é a sua importância e o seu marco para a história brasileira.

Elenco editar

Ator Papel
Tony Ramos Getúlio Vargas
Drica Moraes Alzira Vargas
Alexandre Borges Carlos Lacerda
Adriano Garib General Zenóbio da Costa
Marcelo Médici Lutero Vargas
Thiago Justino Gregório Fortunato
Alexandre Nero Coronel Adhemar Scaffa
Jackson Antunes Café Filho
Clarice Abujamra Darcy Vargas
Fernando Luís Benjamim Vargas
Michel Bercovitch Tancredo Neves
Paulo Giardini Brigadeiro Eduardo Gomes
Leonardo Medeiros General Aguinaldo Caiado
Fernando Eiras José Soares Maciel Filho
Daniel Dantas Deputado Afonso Arinos
Silvio Matos General Carneiro de Menezes
José Raposo Nero Moura
Luciano Chirolli General Tavares
Murilo Elbas Mordomo João Zaratimi
Gillray Coutinho Almirante Roberto Guilhobel
Cláudio Tovar Deputado Gustavo Capanema
Murilo Grossi Major Hernani Fittipaldi
Paula Braun Viúva
Caco Baresi Investigador
Nicolas Freitas Sergio Lacerda
AC Costa Alcino João do Nascimento
Álcaro Diniz Nelson

Produção editar

O longa Os Últimos Dias de Getúlio foi dirigido por João Jardim, co-diretor de Lixo Extraordinário, documentário indicado ao Oscar em 2011.[2] De acordo com o cronograma oficial, o filme entrou em fase de pré-produção ainda em março, com as filmagens começando em junho.[3]

Em novembro de 2011, foi realizado uma comissão de seleção de projetos apresentados para Ancine para receber apoio financeiro. Vários pontos foram analisados e foi decidido apoiar o projeto com 150 mil dólares americanos[4] e em julho de 2012, a RioFilme anuncia que receberão investimentos, pelo Programa de Fomento ao Audiovisual Carioca (FAC), que prevê um investimento de R$ 400 mil através de cinco linhas em produções audiovisuais. O filme recebeu um apoio financeiro de R$ 400 mil reais.[5]

Em março de 2013, a produtora Copacabana Filmes confirmou o ator Tony Ramos no filme. O ator interpreta o ex-presidente Getúlio Vargas, e Drica Moraes interpreta Alzira Vargas, filha do ex-presidente.[6][2]

Prêmios e indicações editar

Ano Prêmio Categoria Indicados Resultado Ref.
2015 Prêmio Sophia Melhor Som Pedro Melo, Alessandra Laroca e Branko Neskov Indicado [7][8]
Grande Prêmio do Cinema Brasileiro [9]
Melhor Longa-Metragem de Ficção João Jardim e Carla Camurati
Melhor Direção João Jardim
Melhor Atriz Drica Moraes
Melhor Ator Coadjuvante Adriano Garib
Melhor Direção de Fotografia Walter Carvalho
Melhor Figurino Marcelo Pies
Melhor Roteiro Original George Moura
Melhor Montagem de Ficção Joana Ventura e Pedro Bronz
Melhor Trilha Sonora Original Federico Jusid
Melhor Ator Tony Ramos Venceu
Melhor Direção de Arte Tiago Marques
Melhor Maquiagem Martín Macias Trujillo

Referências

  1. Pedro Martins Freire (5 de julho de 2013). «OS ÚLTIMOS DIAS DE GETÚLIO – primeiras imagens». Diário do Nordeste. Verdes Mares Ltda. Consultado em 4 de agosto de 2013 
  2. a b João Vitor Figueira (14 de março de 2013). «Tony Ramos vai interpretar Getúlio Vargas em novo filme». AdoroCinema. Consultado em 15 de março de 2013 
  3. «Os Últimos Dias de Getúlio - Cronograma». Copacabana Filmes. Consultado em 15 de março de 2013 
  4. «Seleção de projetos Brasileiros» (PDF). Ancine. 10 de novembro de 2011. Consultado em 15 de março de 2013 
  5. Lucas Salgado (4 de julho de 2012). «RioFilme anuncia filmes que receberão investimentos em 2012». AdoroCinema. Consultado em 15 de março de 2013 
  6. «Tony Ramos viverá Getúlio Vargas no cinema; Drica Moraes será filha do presidente». UOL Cinema. 12 de março de 2013. Consultado em 15 de março de 2013 
  7. «Prémios Sophia 2015 – os melhores do cinema português». Rádio e Televisão de Portugal. 4 de março de 2015. Consultado em 31 de março de 2021 
  8. Hugo Gomes (3 de abril de 2015). «"Os Gatos não têm Vertigens" triunfam nos prémios Sophia». c7nema. Consultado em 31 de março de 2021 
  9. «Veja os vencedores do 14º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro». G1. Globo.com. 1 de setembro de 2015. Consultado em 31 de março de 2021 
  Este artigo sobre um filme brasileiro é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.