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Bedeteca

Biblioteca de banda desenhada
(Redirecionado de Gibiteca)
Edifício da Bedeteca municipal de Lisboa.[1]

Uma bedeteca (pt) ou gibiteca (pt-BR) é um edifício que funciona como biblioteca, mas que está vocacionada para banda desenhada (pt) ou histórias em quadrinhos (pt-BR).[2][3] bibliotecas com mangas (banda desenhada japonesa) são chamadas de "mangatecas",[4] as bibliotecas de fanzines são chamadas de fanzinotecas[5][3] ou fanzinetecas[6] e as bibliotecas de folhetos de cordel são chamadas de cordeltecas.[7]

Índice

DefiniçãoEditar

Uma bedeteca é uma biblioteca de banda desenhada, local destinado ao armazenamento, organização e disponibilização de bandas desenhadas. Podendo ser pública ou não. Ambiente alternativo de leitura e lazer, pois no local encontramos diferentes tipos de eventos, seja cultural, artístico e educacional, tem como um dos objetivos estimular a leitura de crianças e adolescentes.

O gibi é apresentado como uma excelente alternativa de literatura que associa imagens às palavras de maneira simples, rápida e espontânea. Elas vêm se afirmando como um vantajoso auxílio na formação de leitores. Por ser um elemento lúdico que prende atenção dos jovens fazendo que sua criatividade seja estimulada.

HistóricoEditar

No início da década de 1970, a Editora Brasil-América [8] inaugurou o Museu Permanente de Histórias em Quadrinhos com títulos de exemplares de vários lugares do mundo.[9] A primeira bedeteca pública inaugurada no Brasil foi a Gibiteca de Curitiba,[10] criada em 1982, conta com um acervo de revistas infantis, super-heróis, humor, terror, cartoons, fanzines, mangas, exemplares estrangeiros e também as primeiras edições de "O Tico Tico" e "O Globo Juvenil".

Em São Paulo está a Gibiteca Henfil,[11] Órgão do Departamento de Bibliotecas Infanto-Juvenis da Secretária de Cultura do município de São Paulo, é mantida por um organismo do Estado. Desenvolve atividades como, oficinas, palestras, exposições entre outros.

Na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro há um grande acervo de banda desenhadas antigas, incluindo o acervo da Editora Brasil-América.[12][13]

Em 2012 a instituição anunciou a digitalização da revista brasileira O Tico-Tico.[14][15]


Considerava a biblioteca de livros em japonês no Brasil, a biblioteca da colônia japonesa de São Miguel Arcanjo (São Paulo) possui uma grande acervos de mangas.[16]

A banda desenhada enfrentaram dificuldades nas bibliotecas públicas, sendo relegados a segundo plano, visto que alguns profissionais bibliotecários não deram o devido tratamento técnico como, catalogação, indexação e classificação para essas obras. Mas com o surgimento da bedeteca e a compreensão de que a banda desenhada é uma fonte riquíssima de informação esse panorama começou a mudar. A bedeteca passou a ser um anexo da biblioteca ou ganhou um espaço próprio e começou a desenvolver atividades independentes.

Bedeteca escolarEditar

A inserção de uma bedeteca na escola, como uma forma básica de grande valia para o melhor aprendizado do aluno, que tem como foco incentivar o hábito da leitura e escrita entre crianças e adolescentes, algo que é pouco difundido entre eles.

A leitura se estabelece como fator decisivo na moldagem de cidadãos críticos, capacitando-os a analisarem a construção de um texto, a terem espírito crítico, argumentar, e a terem a oportunidade de discutir e divulgar suas ideias elemento essencial para o exercício da cidadania. E essa construção se inicia ainda na fase infantil do ser humano, onde é vital a introdução de uma literatura atraente que possa garantir a produção de um leitor assíduo e respectivamente bem instruído no meio social. A bedeteca ou BDs nomeadas também como: histórias aos quadradinho é uma possibilidade de entretenimento para todas as faixas etárias. As bandas desenhadas podem servir para aproximar os jovens do universo da leitura, possibilitando a formação de novos leitores, desenvolver a criatividade abrindo caminho para a leitura de textos mais complexos. Também apontada como opção didática, que já vem sendo inserida em algumas escolas, auxiliando no processo de aprendizagem, pois os adeptos a essa feição reconhecem que o conteúdo transmitido muitas vezes com caráter divertido, viabiliza uma compreensão mais flexível do saber. Para se montar uma bedeteca os gastos são praticamente nulos, no entanto, é imprescindível o espaço, a boa vontade e criatividade.

O papel do bibliotecário como mediador da bedetecaEditar

Senhora de idade, óculos na ponta do nariz, coque na cabeça, saia longa, imagem taciturna pedindo silêncio, guardando livros, figura distante e sem possibilidade de interação, uma verdadeira guardiã do acervo, essas representações contribuem para a formação de rótulos e percepções a respeito dos bibliotecários, gerando na sociedade visões generalizadas, interpretações indevidas e negativas. Essas visões são representações das relações sociais, muitas vezes constituídas pela sociedade que desconhece a dimensão social do trabalho desse profissional, ou por ter a compreensão de que o bibliotecário é apenas um guardador de livros, não reconhecendo sua relevância e contribuição no processo de democratização da informação e do conhecimento. A profissão de bibliotecário está bem mais dinâmica, principalmente por a crescente explosão de informação, crescimento das novas tecnologias de informação e comunicação. O papel do bibliotecário como mediador da bedetecapode quebrar de uma vez por todas esse paradigma de assustar os usuários.

A iniciativa da bedetecas possui dois perfis, algumas são empreendidas por amantes de banda desenhada, oferecendo atividades dinâmicas, porém não possui os conhecimentos técnicos da biblioteconomia afetando a recuperação precisa da informação. Em contraposição o acervo organizado por bibliotecário deixa a desejar na questão do dinamismo e entusiasmos. Muitas vezes nem o trabalho de recuperação da informação é tão competente, visto que alguns profissionais não consideram a banda desenhada, como fonte de informação, não merecendo sua atenção dando o menor tratamento técnico possível, pois seu precioso tempo de trabalho exercendo atividades de catalogação, indexação, classificação não poderia ser desperdiçado em vão. Assim as bandas desenhadas ficavam com restos de tempo e atenção, a maioria dos bibliotecários contentando-se apenas em espalha-los em cestas ao longo do ambiente da biblioteca. Mas é claro que isso não é um padrão, existem casos de bibliotecários que fizeram um trabalho dinâmico nessa área. Como é o caso da Gibiteca de Curitiba e da Gibiteca Henfil [17] em São Paulo.

O bibliotecário pode e deve trabalhar para construir um ambiente atraente e desenvolver a mentalidade dos usuários. A biblioteca é um espaço propício para a construção do senso crítico dos leitores podendo assim gerar mudanças no comportamento em relação à sociedade. A bedeteca pode ter a função de intermediar, ser uma conexão no questionamento dos leitores. E insere-se no contexto do entendimento. Pontuando o papel do bibliotecário educador, não aquele que irá competir com o professor, e sim como agente transformador de realidade. Então cabe ao bibliotecário se desfazer dos seus preconceitos e arriscar. Servir a comunidade, propagando conhecimento, orientando os caminhos para o acesso à informação. Até ajudando a romper com o abismo existente entre a elite e as classes mais abastardas da sociedade.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Bedeteca - Acessado em 03/11/2014.
  2. José Aguiar (16 de Agosto de 2000). «Gibiteca, a maioridade dos quadrinhos». Omelete 
  3. a b Rodrigues, Felipe (junho de 2019). «Glossário de publicações alternativas» (PDF). Marca de Fantasia. Imaginário! (16): 136-161. ISSN 2237-6933 
  4. «Exposição "transforma" personagens de Monteiro Lobato em mangá». Folha Online. 29 de abril de 2008 
  5. Henrique Magalhães (2013). Marca da Fantasia, ed. O rebuliço apaixonante dos fanzines. 3. [S.l.: s.n.] ISBN 978-85-7999-077-9 
  6. Amadora investe numa Bedeteca e numa Fanzineteca
  7. Escola pública arrecada doações para implantação de gibiteca e cordelteca em Araripina
  8. Série Memória das Editoras: Editora Brasil-América Limitada – Ebal - Parte II
  9. Toni Rodrigues (31 de março de 2005). «Ebal 60 anos: uma celebração». Universo HQ. Consultado em 18 de março de 2010 
  10. Gibiteca de Curitiba - Fundação Cultural de Curitiba. Acessado em 03/11/2014.
  11. Gibiteca Henfil - Site do Centro Cultural São Paulo. Acessado em 03/11/2014.
  12. Heitor Pitombo (7 de novembro de 2002). «O mundo mágico dos quadrinhos invade a Biblioteca Nacional». Universo HQ 
  13. O quadrinho brasileiro ganha mostra na Biblioteca Nacional
  14. Biblioteca Nacional disponibiliza leitura online de O Tico-Tico
  15. Uma coleção de raridades a alguns cliques
  16. Caio Gomes Silveira (9 de abril de 2015). «Maior biblioteca japonesa no Brasil tem de mangás cômicos a eróticos». G1 
  17. Gibiteca Henfil - 20 anos da Gibiteca Henfil: um novo acervo, um novo público, um novo espaço de convivência. Site do Centro Cultural São Paulo. Acessado em 03/11/2014.
Web

BibliografiaEditar


Ligações externasEditar

 
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