Gilbert Elliot Murray-Kynynmond

Gilbert Elliot
Sir Gilbert Elliot Murray-Kynynmond, 1.º marquês de Minto.
Vice-rei da Córsega
Período 17 de junho de 1794
a 19 de outubro de 1796
Monarca britânico Jorge III
Antecessor Cargo criado
Sucessor Cargo abolido
Governador-geral da Índia
Período 31 de julho de 1807
a 4 de outubro de 1813
Monarca britânico Jorge III
Antecessor George Barlow
Sucessor Francis Rawdon-Hastings
Dados pessoais
Nascimento 23 de abril de 1751
Edimburgo, Escócia, Reino da Grã-Bretanha
Morte 21 de junho de 1814 (63 anos)
Stevenage, Inglaterra, Reino Unido
Nacionalidade Reino da Grã-Bretanha britânico
Alma mater Universidade de Edimburgo
Christ Church
Esposa Anna Maria Amyand
Partido Whig
Títulos nobiliárquicos
Marquês de Minto 1777 - 1813
Conde de Minto 1813 - 1814

Sir Gilbert Elliot Murray-Kynynmond (Edimburgo, Escócia, 23 de Abril de 1751Stevenage, Inglaterra, 21 de Junho de 1814), conhecido também como o 1º marquês de Minto, foi um político, diplomata e administrador colonial britânico de origem escocesa. Dotado de uma esmerada educação, orientada por David Hume, que incluiu estudos feitos em Paris sob Joseph-Louis de Lagrange e uma passagem pela Universidade de Oxford, foi simultaneamente um intelectual de grande carreira. Exerceu, entre outros cargos, o de vice-rei da Córsega durante o efémero Reino Anglo-Corso fundado por Pasquale Paoli e o de governador-geral da Índia Britânica durante o período crítico das Guerras Napoleónicas.

Primeiros anosEditar

Gilbert Elliot nasceu em Edimburgo, Escócia, em 23 de Abril de 1751, filho de sir Gilbert Elliot, 3º barão de Minto, um poeta de mérito e membro da câmara dos Comuns, e de Agnes Dalrymple-Murray-Kynynmound. Era sobrinho de John Elliott, governador da Terra Nova e de Jean Elliot, autora de um celebrado poema lírico intitulado The Flowers of the Forest. A família possuía, desde há algumas gerações, uma larga propriedade rural e um solar em Minto, no Roxburghshire, Escócia.

Os anos formativosEditar

Nascido numa família privilegiada de proprietários rurais, neto de um estudioso da cultura italiana e filho e sobrinho de poetas e políticos, Gilbert Elliot estava destinado a seguir estudos na área do direito. Foi educado sob a supervisão do filósofo escocês David Hume, depois de estudos preparatórios, e como forma de melhorar os seu conhecimentos linguísticos e culturais, em 1763 Gilbert Elliot e o seu irmão Hugh Elliot foram enviados para Paris, onde estudaram como pensionistas de um colégio interno. Lá foram companheiros e amigos íntimos de Honoré Gabriel Riqueti de Mirabeau e estudaram sob a orientação do célebre matemático Joseph-Louis de Lagrange.

Depois de três anos em Paris, regressaram à Grã-Bretanha para prosseguirem os estudos. Passaram os invernos de 1766 e de 1767 a frequentar a Universidade de Edimburgo. Gilbert entrou no ano seguinte para o colégio de Christ Church, frequentando a Universidade de Oxford, onde estudou Direito. Ao deixar a universidade, em 1772, iniciou a sua carreira como advogado.

A presença parlamentarEditar

Em 1776, beneficiando da experiência política do pai, Gilbert Elliot foi eleito para o parlamento britânico como independente associado ao Partido Whig. Tornou-se amigo de Edmund Burke, a quem ajudou na sua disputa com Warren Hastingse e Elijah Impey. Quando o seu partido assumiu o governo, em 1793 foi nomeado membro do ‘’Privy Council’’, o conselho privado do monarca britânico, um conselho de Estado cujos membros gozavam de grande influência política.

Vice-reinado na CórsegaEditar

Pouco tempo depois foi nomeado enviado à Córsega, então um reino independente sob o governo de Pasquale Paoli, mas sob ataque francês. Com a sua ajuda e conselho, em junho de 1794 a Córsega é transformada em protetorado britânico, o Reino Anglo-Corso, tendo como rei Jorge III do Reino Unido. Nessa ocasião, apesar da oposição de Pasquale Paoli, o líder corso, que pretendia ser nomeado para o cargo, Gilbert é feito vice-rei da Córsega. Pouco depois entra em ruptura com Paoli, que é forçado a exilar-se em Londres.

Esta posição foi contusa e efémera, pois teve de se retirar da ilha após o desembarque de uma força francesa em finais de 1796. A partir dessa data a ilha ficou integrada na França. Após a anexação da ilha por parte da França, transferiu-se para Nápoles, onde passou a exercer as funções de enviado britânico junto da corte de Fernando I das Duas Sicílias.

A carreira diplomáticaEditar

 
Retrato de Gilbert, por W. Joseph Edwards

Iniciando-se na diplomacia com a sua passagem pela corte de Nápoles, Gilbert Elliot ganhou reputação de bom diplomata, passando a ser visto em Londres como um potencial enviado, até porque o seu domínio perfeito do francês, a língua franca da diplomacia da época, o faziam particularmente habilitado para tais missões. Em 1797 adicionou ao seu nome os apelidos Murray-Kynynmond, da família de sua mãe, e em outubro de 1797 foi elevado à dignidade de barão de Minto, passando com isso a ter assento na Câmara dos Lordes.

Entre 1799 e 1801, ano da saída de William Pitt das funções de primeiro-ministro, foi enviado extraordinário da Grã-Bretanha e posteriormente Reino Unido à corte de Viena, então um dos principais postos diplomáticos da Europa.

Governador-Geral da ÍndiaEditar

Depois de alguns meses como membro da administração colonial britânica na Índia, em finais de 1806 foi nomeado governador-geral, sucedendo no cargo a sir George Hilario Barlow. Ocupou então, com o acordo do governo de Portugal, o Estado da Índia, estacionando tropas britânicas em Goa. Pouco depois ocupou a pequena colônia dinamarquesa de Trankebar e anexou os restantes centros coloniais dinamarqueses na Índia.

No verão de 1809, no âmbito das Guerras Napoleónicas, organizou uma expedição que conquistou e ocupou as ilhas Bourbon e de France, as atuais ilhas da Reunião e Maurícia, então territórios insulares franceses do Oceano Índico. A ilha da Reunião foi devolvida à França, mas a ilha Maurícia permaneceu sob soberania britânica até à sua independência em 1968.

No mesmo contexto, no ano de 1810 tomou os estabelecimentos neerlandeses das Molucas, Celebes e Ceilão, em 1811 a ilha de Java e em 1812 as colônias de Samatra e Bornéu. Governou também estes novos territórios sob administração britânica, partir de 1811, sendo interinamente também governador-geral das antigas Índias Orientais Neerlandesas, a atual Indonésia. Foi sido sucedido nesse posto por Thomas Stamford Raffles, o fundador de Singapura.

Governou a Índia com grande sucesso até 1813, quando problemas de saúde o obrigaram a regressar ao Reino Unido. Foi-lhe então concedido o título de visconde de Melgund e de marquês de Minto.

Os anos finaisEditar

Faleceu em Stevenage a 21 de Junho de 1814 e foi sepultado na abadia de Westminster.

O segundo filho de George Elliot, foi o almirante Sir George Elliot (1784-1863), que na sua juventude participou na batalha do Cabo de São Vicente e na batalha do Nilo. Este seu filho foi mais tarde um destacado político, chegando a Secretário do Almirantado britânico entre 1830 e 1834.

Um seu sobrinho foi o almirante Sir Charles Elliot (1801-1875), que teve um importante papel na guerra contra a China em 1840. Foi depois governador da Bermuda, de Trinidad e da ilha de Santa Helena.

A sua irmã Eleanor Elliot, falecida em 1818, foi casada com William Eden, um dos mais proeminentes políticos britânicos da época.

ReferênciasEditar

  • Emma Eleanor Elizabeth Hislop, Life and Letters of Sir Gilbert Elliot, first Earl of Minto
  • Emma Eleanor Elizabeth Hislop, Lord Minto in India

Ligações externasEditar