Abrir menu principal

Gilles de Rais

Nobre , soldado e assassino em série.
Question book-4.svg
Esta página cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde maio de 2010). Ajude a inserir referências. Conteúdo não verificável poderá ser removido.—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

Gilles de Montmorency-Laval, Gilles de Rais, ou Gilles de Retz (Setembro de 1405 ? - 26 de Outubro de 1440)[1], foi um nobre, soldado e assassino serial francês que lutou em diversas batalhas ao lado de Joana D'Arc contra os ingleses.

Gilles de Rais - Barão de Retz
Gillesderais1835.jpg
Nascimento Setembro de 1405 ? (Champtocé-sur-Loire, Anjou)
Morte 26 de Outubro de 1440 (Nantes, Bretanha)
Pai Guy de Montmorency-Laval
Mãe Marie de Craon

Ficou conhecido por ser acusado e condenado por torturar e estuprar um grande número de crianças. Juntamente com Isabel Bathory, aristocrata húngara que agiria no século seguinte, ele é considerado por alguns historiadores como precursor do assassino em série moderno.

HistóriaEditar

[2]O sobrenome de Rais veio de uma tia-avó de seu pai, que se chamava Jeanne Chabot, uma senhora muito rica e sem descendentes que tinha de passar seu título adiante. Então tem a ideia de adotar Guy de Laval que seria o pai de Gilles de Rais. Essa senhora tem a ideia de adotá-lo e se oferece, ao que ele aceita de bom grado. No entanto, ela tinha um sobrinho que se chamava Jean Craon, muito ganancioso e rico, com a ideia de juntar o clã dele com o dela para aumentar, multiplicar. Ele pede que ela deserde Guy de Laval, porque este não seria um bom representante a esse título e porque ele tem representantes melhores, que são seu filho Amaury e a filha Marie. Ela aceita e decide deserdar Guy de Laval, ele não aceita isto e recorre na justiça; então Jean de Craon tem a ideia de casar a filha Marie com Guy de Laval. Eles se casam e assim ele poderia controlar de perto a fortuna do Guy de Laval. Em 1405 nasce Gilles de Rais em Champtocé-sur-Loire, muito abastado devido à riqueza de seus pais. Gilles é muito mimado, criado como todo fidalgo, aprende línguas, estuda e brinca normalmente com as outras crianças, mas exerce forte autoridade sobre os servos do castelo. Tinha um irmão, René de Susset, com o qual foi muito unido em sua infância. Aos onze anos de idade, Gilles e o irmão ficam órfãos. Seu pai, Guy de Montmorency-Laval e, a mãe, Marie de Craon. Após a morte desta e, posteriormente, a trágica morte do pai, os irmãos ficam sob a tutela do avô materno, Jean de Craon, apesar do pai ter deixado um testamento em que consta que queria que os filhos ficassem com Jean de Torleine. Jean de Craon via essa adoção como um bom negócio. Quando consegue a guarda de Gilles e seu irmão, ensina-os o narcisismo, a soberba, o poder, o orgulho, o que fez com que moldasse a personalidade de Gilles, que passa a ser agressivo. Mas no começo, Jean dava muito mais atenção ao irmão de Gilles, o que fez com que esse vivesse fechado na biblioteca da casa. Lá ele encontraria seu alter ego e heróis em livros sobre a Roma antiga, entre eles o Cetônio. Ele via como os antigos imperadores romanos eram poderosos, ricos e matavam sem dever explicações a ninguém, o que liberta a sua violência. Então, ele começar a praticar brincadeiras brutais com as crianças do castelo.

Aos 14 anos, seu avô lhe deu uma grande armadura milanesa e o proclamou cavaleiro. Logo já manejava uma espada e destruía seus bonecos de treino e já demonstrava sua agressividade. Primeiramente com animais, mas logo com seres humanos. Aos 15 anos, cometeria seu primeiro assassinato. Ele chamou seu amigo Antoin para um duelo, que este pensava ser inofensivo. No entanto Gilles levou o duelo a sério e acabou atingindo Antoin com a espada, que agonizou até a morte. Nessa ocasião ele não foi sequer acusado, pois era nobre e Antoin por sua vez, era de origem humilde.

[3]O avô Jean Craon decide casá-lo e para isso procura uma menina rica. A primeira delas, Jeanne Paynel, era uma criança de apenas 4 anos e o parlamento impede essa união. A segunda menina, também muito rica e com prestígio político, pois era sobrinha de Duque de Bretanha, chama-se Beatrix de Roland, porém ela morre.

Após isso, Gilles de Rais vai para a sua primeira batalha, entre Montemor e Patay, pelo ducado de Bretanha. Ele tinha apenas 16 anos e luta em favor do Duque de Bretanha. Eles vencem e Jean de Craon ganha uma grande recompensa com isso. Este não desiste de casar o neto e tem a ideia de casar Guilles com sua prima, Catherine de Troir, de 16 anos, que era muito rica e possuía terras que passavam pelas terra pelas de Craon. Porém, a igreja proibia casamentos consanguíneos, então Craon sequestra Catherine e faz com que Gilles e ela passem a noite juntos para consumar o fato. A igreja, dessa forma, é obrigada a aceitar, mas o bispo Engels sabe do rapto e do crime e intervém. Craon vai até a embaixada de Roma pedindo indulgências e se dispõe a pagar uma multa, então o papa concede a benção. Gilles gostava de morte e sangue. Em uma das batalhas ele mata o capitão Blackburck, ele sente prazer em matar, apesar de ter medo que alguém o mate. Apesar de casado, ele gastava muito com festas e orgias.

Ao conhecer Joana D'arc, uma bela guerreira corajosa e forte de 17 anos, ele começa a protegê-la nas batalhas e se apaixona por ela. Eles ganham muitas batalhas e são condecorados por isso. Quando ela morre, ele se entrega aos prazeres da carne e fica muito triste.

Carreira MilitarEditar

Sua enorme agressividade levou-o a entrar para a carreira militar, na qual poderia descontar a fúria nos inimigos. Lutava sempre na vanguarda dos soldados (tropas pagas por ele) contra os ingleses, e parecia outra pessoa quando lutava, tamanha era sua habilidade.

Após uma das campanhas ele se casou com Catherine, que era de uma casa nobre da Bretanha, em 1420. Em 1429, Catherine daria à luz a única filha do casal, Marie. Porém Gilles dizia não amar a esposa e posteriormente, ficou evidente o caráter de sua bissexualidade.

Mais tarde, Gilles lutaria ao lado de Joana D'Arc, pela qual possuía uma estima muito grande, novamente contra os ingleses, retornando vitorioso a Paris.

Investigação e execuçãoEditar

Com o passar do tempo, as derrotas contra os ingleses (na batalha de Patay) e, posteriormente a morte de sua 'deusa' Joana D'Arc, tornaram Gilles cada vez mais triste e sombrio. Ele chegou a declarar que não tinha mais vontade de viver, pois essa morrera com Joana D'Arc. Ele se entrega aos prazeres carnais e seu avô morre triste pela vida que ele estava levando e dá as honras ao seu neto mais novo.[4]>

Deixou a vida militar e refugiou-se na Bretanha Francesa, mais precisamente no castelo de Tiffauges, onde seus demônios e sentimentos mais perversos afloraram. A mente do ex-comandante ficara ainda mais confusa com as tragédias da guerra e a morte de seus camaradas. Nessa altura ele já havia se separado de sua esposa Catherine.

Entre 1432 e 1440, chegaram a contabilizar o desaparecimento de mais de 1.000 meninos entre 8 e 10 anos na Bretanha. Em seu castelo, Gilles estava rodeado de uma corte grotesca de bruxas, alquimistas e sadistas. Gastava toda a fortuna em obras artísticas que lhe recordavam as campanhas com Joana D'Arc e em festas para seus estranhos amigos e conselheiros. As bizarrices, porém, ocorriam ao cair da noite, quando ele dedicava-se a torturar, estuprar e assassinar meninos, previamente sequestrados por 'bruxas'. Para defender-se de acusações de que os meninos sequestrados eram levados ao seu Castelo, Gilles dizia que os entregava a Inglaterra para se converterem em padres.

Ele utilizou, além do castelo de Tiffauges, o castelo de Machecoul e a casa de Suze para cometer seus delitos.

Tudo acabaria em outubro de 1440, quando uma investigação levou até Gilles de Rais. [5]Gilles é acusado pelo Bispo de Nantes de heresia, violação dos privilégios eclesiásticos, sodomia, dentre outros. A heresia era o mais grave, pois não permitia ao réu a chance de defesa, o que dificultava a sua absolvição. Acrescido a isso, alguns cidadãos procuraram as autoridades para fazer acusações de que Gilles tinha raptado suas crianças, assassinado, praticado sodomia, entre outras coisas. Houve espetacularização de seu julgamento e Gilles acusava os juízes de imparcialidade, de julgarem de acordo com a raiva e ressentimento que tinham dele. Ele questiona o fato de estar sendo julgado no civil e no eclesiástico. O julgamento é dividido em três partes: crime contra as crianças, magia e feitiçaria (heresia) e violação das imunidades eclesiásticas. Em seu julgamento (altamente detalhado nas escritas do século XV), ele se declarou, a princípio, inocente. Porém, entre um julgamento e outro ele escreve uma carta ao rei com teor de confissão, na qual ele diz se sentir culpado pelos erros que cometeu, que merecia a morte, pede por clemência e declara que pretende "deixar o mundo e suas vaidades". Afirma também que matou crianças por "tentação do diabo". Ele fala que pretende ir ao monastério e se tornar monge para se desfazer de seus pecados. No final da investigação, ele confessa os seus crimes. O tribunal o declara culpado e o sentencia à morte por enforcamento e depois é queimado.

Em um de seus transtornos de personalidade, dos quais já sofria há anos, ele assumiu a culpa, dizendo estar arrependido. Gilles documentou todos os assassinatos e ações conturbadas. As declarações chocaram a França, pois era considerado um herói pelo povo. Chegaram a contabilizar 200 vítimas, porém é certo que este número seja bem maior.

No dia 26 de outubro de 1440, Gilles de Rais e seus 'colaboradores' foram levados até Nantes, onde foram enforcados e depois queimados.

CulturaEditar

MúsicaEditar

A banda Suíça de Thrash/Black/Death Metal Celtic Frost possui uma música chamada Into the Crypts of Rays que faz referência à Gilles de Rais. Essa música pode ser encontrada no EP Morbid Tales de 1984.

Brodequin, uma banda de Brutal Death Metal dos Estados Unidos, fez uma música em seu tributo, no álbum "Festival of Death", por se tratar de assuntos medievais e sofrimento.

Uma banda belga de black metal chamada Ancient Rites fez uma música chamada Morbid Glory (Gilles de Rais 1404 - 1440), inspirada em Gilles de Rais e que pode ser encontrada no álbum The Diabolic Serenades, de 1994.

Outra banda dos anos 90, japonesa, neste caso, utilizou o nome Gilles de Rais para dar nome ao grupo.

Em Outubro de 2008, os ingleses Cradle Of Filth editaram o álbum "Godspeed On The Devil's Thunder" que se tornou numa espécie de biografia musical sobre Gilles de Rais.

Uma das faixas, "Tiffauges" é narrada por Doug Bradley.

A banda brasileira de Black/Thrash Metal, GomorraA lançou um EP denominado "Negro Culto de Rais" onde a faixa-título fala sobre os desejos sádicos de Gilles de Rais

Outras MídiasEditar

  • Na Light novel Fate/Zero, da Type-Moon, Gilles é um Servo do antagonista "Uryuu Ryuunosuke", que o invocou como seu familiar para vê-lo matar pessoas. Gilles é referido-se como "Caster" na série devido a sua classificação como Servo.
  • Gilles também é um dos personagens principais do jogo Jeanne D'Arc da Sony Computer Entertainment para o PSP, que apresenta uma história fantasiosa com monstros e magia baseado nas lutas de Joana D'Arc. Nele o personagem é um nobre de origem Bretã e com muitas virtudes, diferente de sua versão real.
  • Um dos personagens do jogo Castlevania chama-se Gilles de Rais. Este personagem pode ser visto no jogo Castlevania: Legacy of Darkness.
  • No cenário de rpg de Mago: A Cruzada dos Feiticeiros, Gilles de Rais é citado como um valoroso guerreiro que torna-se um mago depravado após a morte de Joana D'Arc. Mesmo após a sua morte, em 1440, seu castelo continuará sendo por vários anos uma das mais poderosas fortalezas mágicas infernais no mundo.
  • Ele também é encontrado no jogo Online Darkeden. Onde é o mais poderoso chefe vampiro.
  • Entra também no mangá Drifters de Kouta Hirano, onde desempenha o papel de guerreiro por um "Senhor da Escuridão", sob a classificação de "resíduo" (haikibutsu).
  • É encontrado no mangá Makai Ouji: Devils and Realist, no papel de um demônio que tem uma obsessão pela Santa Joana d'Arc, chegando a declarar sua vontade de violá-la para fazê-la abandonar o céu.
  • No romance frances, serie de 15 volumes, de Anne e Serge Golon, temos o primeiro volume, Angelica, a Marquesa dos Anjos, cuja introdução abre-se com o relato dos feitos de Gil de Retz, contado pela cozinheira do castelo a pequena Angelica e suas irmas, no seculo XVII. Este romance fez muio sucesso no Brasil e no mundo, principalmente nos anos 60 e iniciodos 70.

OutrosEditar

O conto "Barba Azul" de Charles Perrault foi baseado na história de Gilles de Rais.

Há referências de Gilles também em gibis, filmes, livros, etc.

No anime Fate/Zero o servo da classe Caster é a encarnação de Gilles de Rais, também se autodenominando como Barba Azul em alguns momentos. Porém em Fate: Apocrypha, Gilles é invocado por Shakespeare, através de seu fantasma nobre, nesta versão Gilles é da classe Saber, por prevalecer sua aura de cavaleiro aliado de Joana d'Arc.

Também aparece no anime Drifters.

Referências

  1. (em francês) Matei Cazacu, Gilles de Rais, Paris: Tallandier, 2005, pp.11 ; pp. 23–25
  2. BERTIN, Claude (1980). Os Grandes Julgamentos Da História: Gilles De Rais - Petiot. [S.l.]: Otto Pierre 
  3. BERTIN, Claude (1980). Os Grandes Julgamentos Da História: Gilles De Rais - Petiot. [S.l.]: Otto Pierre 
  4. BERTIN, Claude (1980). Os Grandes Julgamentos Da História: Gilles De Rais - Petiot. [S.l.]: Otto Pierre 
  5. BERTIN, Claude (1980). Os Grandes Julgamentos Da História: Gilles De Rais - Petiot. [S.l.]: Otto Pierre 

Ligações externasEditar