Giorgia Meloni

Giorgia Meloni
Giorgia Meloni em 2018.
Presidente do Partido Fratelli d'Italia
Período 8 de março de 2014 até a atualidade
Antecessor Ignazio La Russa
Presidente do Partido Conservador e Reformista Europeu
Período 29 de setembro de 2020 até a atualidade
Antecessor Jan Zahradil
Membro da Câmara dos deputados da Itália
Período 28 de abril de 2006 até a atualidade
Ministra da Juventude da Itália
Período 8 de maio de 2008 a 16 de novembro de 2011
Primeiro-Ministro Silvio Berlusconi
Antecessor Giovanna Melandri
Sucessor Andrea Riccardi
Dados pessoais
Nascimento 15 de janeiro de 1977 (44 anos)
Roma, Itália
Nacionalidade italiana
Esposo Andrea Giambruno
Filhos 1
Partido Fratelli d'Italia
Religião Católico Romano
Profissão Política

Giorgia Meloni (Roma, 15 de janeiro de 1977) é uma jornalista e política italiana, presidente do Fratelli d'Italia, um partido conservador nacional da Itália, e presidente do Partido Conservador e Reformista Europeu. Foi também ministra da Juventude no quarto governo de Silvio Berlusconi e presidente da Jovem Itália, a seção juvenil de O Povo da Liberdade.

É cofundadora do partido de direita Fratelli d'Italia, junto com Guido Crosetto e Ignazio La Russa, e a 8 de março de 2014 foi eleita presidente do partido. É membro da Câmara dos Deputados da Itália desde 2006.[1] Foi eleita Presidente do Partido Conservador e Reformista Europeu.[2] Meloni defende um forte controlo na migração,[3] e tem posições politicas bastantes conservadoras e cristãs, sendo o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan e o Papa São João Paulo II as suas grandes referências culturais.[4] Devido ao seu posicionamento, foi abertamente insultada numa rádio, por um professor académico, o que levou a receber palavras de apresso do presidente Sergio Mattarella e do primeiro-ministro Mario Draghi.[5]

Infância e juventudeEditar

Giorgia Meloni nasceu em Roma em 1977. Seu pai veio da Sardenha e a sua mãe de Sicília. Seu pai, sendo um conselheiro fiscal, deixou a família quando Giorgia Meloni tinha onze anos. Ela cresceu no distrito de Garbatella.[6]

Em 1992, aos 15 anos de idade, juntou-se à Frente Juvenil, a ala jovem do Movimento Social Italiano neofascista (MSI). Nestes anos fundou a coordenação estudantil Gli Antenati (Os Ancestrais), que participou do protesto contra a reforma da educação pública promovido pela ministra Rosa Russo Iervolino. Em 1996, ela tornou-se a líder nacional da Student Action, o movimento estudantil da National Alliance a herdeira de direita do MSI, representando esse movimento no Fórum de Associações de Estudantes estabelecido pelo Ministério da Educação italiano. No mesmo ano, ela se formou no Instituto Amerigo Vespucci.[7]

Durante esses anos, ela também trabalhou como babysitter, garçonete e bartender no Piper Club, uma das casas noturnas mais famosas de Roma.[8]

Obteve o diploma do ensino médio em línguas no Instituto "Amerigo Vespucci" de Roma, com a nota final de 60/60.[9]

Em 1998, depois de vencer as eleições primárias, foi eleita membro da Província de Roma, ocupando esse cargo até 2002. Em 2000 foi eleita diretora nacional e em 2004 foi a primeira mulher presidente da Ação Juvenil, a ala jovem do partido.[10]

Carreira PolíticaEditar

 
Retrato de Giorgia Meloni para a Câmara dos Deputados em 2006.

Ministra da JuventudeEditar

Nas eleições gerais de 2006, Meloni foi eleita para a Câmara dos Deputados italiana; posteriormente, ela tornou-se a mais jovem vice-presidente da Câmara.[11]

Em 2008, ela foi nomeada ministra de Políticas para a Juventude no quarto gabinete liderado pelo magnata da mídia Silvio Berlusconi, cargo que ocupou até 16 de novembro de 2011, quando o primeiro foi forçado a renunciar ao cargo de primeiro-ministro a meio de uma crise financeira e vários protestos públicos. Ela foi a ministra mais jovem de todos os tempos na história da República Italiana.[12] Em agosto de 2008, Meloni convidou atletas italianos para boicotar a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim em desacordo com a política chinesa implementada em relação ao Tibete; no entanto, esta declaração foi criticada por Berlusconi e pelo ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini.[13]

Em 2009, o seu partido fundiu-se com o Forza Italia, e ela assumiu a presidência da seção juvenil do partido. No mesmo ano, ela votou a favor do decreto-lei contra a eutanásia.[14] Em novembro de 2012, ela anunciou a sua candidatura para contestar a liderança do partido Povo da Liberdade contra Angelino Alfano, em oposição ao apoio do partido ao Gabinete Monti. Após o cancelamento das primárias, ela juntou-se aos seus colegas políticos Ignazio La Russa e Guido Crosetto para definir uma política anti-Monti, pedindo a renovação dentro do partido e criticando a liderança de Silvio Berlusconi.[15][16]

Presidente do Fratelli d'italiaEditar

 
Giorgia Meloni com Guido Crosetto durante um comício do Fratelli d'Italia em 2014.

Em dezembro de 2012, Meloni, La Russa e Crosetto fundaram um novo movimento político, Fratelli d'italia (FdI), cujo nome vem da letra do Hino Nacional Italiano.[17] Na eleição geral de fevereiro de 2013, ela candidatou-se como parte da coalizão de centro-direita de Berlusconi e recebeu 2,0% dos votos e 9 cadeiras na câmara dos deputados.[18] Meloni foi reeleita para a câmara dos Deputados pela Lombardia e posteriormente foi nomeada a líder do partido na Câmara, cargo que ocupou até 2014, quando renunciou para dedicar-se ao partido. Ela foi sucedida por Fabio Rampelli.[19]

Em março de 2014 ela tornou-se presidente do Fratelli d'italia e em abril foi nomeada para as eleições europeias de 2014 como líder do Fratelli d'italia em todos os cinco círculos eleitorais, mas o seu partido obteve apenas 3,7% dos votos, não ultrapassando o limite de 4%, e portanto, não tornou-se deputada do Parlamento Europeu, apesar de receber 348.700 votos.[20]

Em agosto de 2014, o partido de Giorgia Meloni utilizou uma fotografia de Oliviero Toscani sem informar o autor que, ao tomar conhecimento do ocorrido, apresentou queixa. Originalmente tomada em favor de diferentes tipos de famílias, descontextualizada tornou-se parte de um manifesto de adoção anti- gay. Além disso, o mesmo fotógrafo definiu o póster como homofóbico.[21]

Como presidente do partido, ela decidiu formar a aliança com a Lega Nord de Matteo Salvini, lançando várias campanhas políticas com ele contra o governo de centro-esquerda de Matteo Renzi, colocando a FdI em posições eurocéticas e populistas.[22] A 4 de novembro de 2015, ela fundou a Nossa Terra - Italianos com Giorgia Meloni, um comité político conservador em apoio às suas campanhas. Nossa Terra era uma organização paralela à FdI e visava ampliar a base popular do partido.[23] A 30 de janeiro de 2016 ela participou do Family Day, uma manifestação anti- direitos LGBT, declarando-se contra a adoção de crianças por casais LGBT. No mesmo Dia da Família, Meloni anunciou que estava grávida; sua filha Ginevra nasceu a 16 de setembro.[24]

Em 2016, na eleição municipal em Roma, Meloni concorreu à prefeitura com o apoio de Nos com Salvini, mas em oposição ao candidato apoiado pela Forza Italia de Berlusconi. Meloni obteve 20,6% dos votos, quase o dobro do candidato da FI, mas não se classificou para o segundo turno, enquanto a FdI obteve convincentes 12,3%.[25] Durante o referendo constitucional de dezembro do mesmo ano sobre a reforma promovida pelo governo de Renzi, Meloni fundou o comité "Não, Obrigado" e participou de vários debates na televisão, incluindo um contra o primeiro-ministro Renzi. Quando o "Não" ganhou com quase 60% dos votos, Meloni convocou eleições antecipadas, e quando Renzi renunciou, ela manteve a confiança no próximo governo liderado por Paolo Gentiloni.[26][27] Um ano mais tarde, nos dias 2 e 3 de dezembro de 2017, em Trieste , o congresso do Fratelli d'italia viu a reeleição de Meloni como presidente do partido, bem como a renovação da logomarca do partido.[28]

Durante a campanha eleitoral para as eleições políticas italianas de 2018, Giorgia Meloni anunciou um protesto contra o museu egípcio de Turim, acusando-o de ter organizado uma campanha promocional dirigida a pessoas de religião islâmica e discriminatória contra os cristãos.[29] Durante o protesto, que decorreu sob o museu, o diretor Christian Greco foi falar com Meloni e explicou que a iniciativa não tem uma conotação anti-italiano, como era apenas uma maneira de promover a cultura egípcia entre as pessoas.[30][31]

 
Meloni com Matteo Salvini e Silvio Berlusconi em 2018.

Nas eleições gerais de 2018, o Fratelli d'italia fez parte da coligação de centro-direita, com a Forza Italia de Berlusconi, a Liga de Salvini e os Nós Com a Itália de Raffaele Fitto. O partido de Meloni obteve 4,4% dos votos e mais de três vezes os assentos conquistados em 2013. Ela foi eleita para a Câmara dos Deputados pelo círculo eleitoral uninominal de Latina com 41% dos votos.[32] A aliança de centro-direita, na qual a Liga emergiu como a principal força política, ganhou uma pluralidade de assentos na Câmara dos Deputados; no entanto, nenhum grupo político ou partido obteve uma maioria absoluta, resultando em um parlamento suspenso.[33][34]

Em outubro de 2018, por meio do Twitter, Giorgia Meloni "atacou" um colégio de Pescheria Borromeo, pois, segundo ela, "havia sido eliminada a carne de porco para dar lugar ao cuscuz, comida típica do norte da África", julgando injusto para "os filhos dos italianos". A este ataque, o jornalista Selvaggia Lucarelli afirma que "o cuscuz está disponível uma vez por mês ", considerando a polémica de Meloni inútil e extrema.[35]

Em novembro de 2018, Giorgia Meloni propôs restaurar o feriado nacional de 4 de novembro (aniversário da vitória da Grande Guerra) afirmando que " é um feriado muito mais unificador do que outros feriados que hoje são feriados nacionais", considerando que o 25 de abril e o 2 de junho, respetivamente o Dia da Libertação do Nazi-Fascismo e o Dia da República, seriam em vez "mais dois dias divisionistas".[36]

Na frente da política externa, Meloni fortaleceu a visão pró-EUA do seu partido, abrindo uma linha de comunicação entre o Fratelli d'Italia e o Partido Republicano do presidente Donald Trump.[37] A 5 de fevereiro ela foi a única italiana a participar do principal evento dos conservadores americanos, o "Café da Manhã de Oração Nacional" em Washington.[38] A abordagem aos Estados Unidos não a impediu de assumir posições cautelosas por ocasião de crises importantes na política internacional, como a morte numa operação dos EUA do general iraniano Qasem Soleimani, ocorrida no Iraque perto de Bagdá a 3 de janeiro de 2020, após o qual o secretário do Fratelli d'Italia pediu cautela e desaceleração, enquanto o aliado Matteo Salvini declarou que aprovava totalmente a ação de Washington.[39]

 
Giorgia Meloni discursando na presidência da república.

Em outubro de 2019, o seu discurso num comício de direita em Roma, onde deixou bastante clara os seus principios "Somos pessoas, não códigos, e vamos defender nossa identidade. Eu sou Giorgia: sou mulher, sou mãe, sou italiana, sou cristã [...]. Tenho vergonha de um Estado que nada faz pelas famílias italianas. Tenho vergonha de um Estado que defende os direitos dos homossexuais [...]. Um Estado justo cuida dos mais fracos, daqueles que não podem defender-se".[40] Ela falou contra a paternidade do mesmo sexo, tornou-se viral nas plataformas da mídia social italiana e tornou-se objeto de muitas paródias.[41] Ela é contra qualquer lei que reconheça parcerias civis ou casamentos gays e é contra uma lei anti-homofobia, declarando que na Itália não há homofobia.[42] Devido a este tipo de declarações é muitas vezes considerada como xenófoba.[43]

Durante a emergência ligada à explosão da pandemia de COVID-19 na Itália, Giorgia Meloni chamou repetidamente o governo Conte de "inadequado para administrar a emergência" e o atacou duramente várias vezes para definir a atitude "criminosa".[44][45]

A 7 de março de 2020, assina com os dirigentes da Lega Nord e da Forza Italia a desconfiança do Ministro da Justiça, Alfonso Bonafede.[46]

A 19 de fevereiro de 2021, o professor universitário de Siena, Giovanni Gozzini, insultou Meloni caracterizando-a com nomes vulgares de numa rádio: o presidente Sergio Mattarella e o primeiro-ministro Mario Draghi ligaram para Meloni para condenar o professor que foi suspenso pelo conselho da universidade e expressar a sua solidariedade pelos insultos obscenos, que recebeu.[47][48]

Posições politicasEditar

Ela declara-se contrária ao crime de tortura do sistema jurídico italiano,[49][50] considerando que este "impede os agentes de fazerem seu trabalho " e propõe, de facto, a sua abolição. Também é contrária à lei Mancino (lei que contrasta racismo e fascismo), propondo a sua abolição.[51][52][53] É também a favor da remoção do pacto orçamentário europeu da constituição italiana, mas opôs-se à remoção de um orçamento equilibrado.[54]

Meloni apoia a existência da “ideologia de género ” e opõe-se à divulgação dos estudos de género nas escolas, atacando as medidas de consciencialização das escolas junto da comunidade LGBT (que têm a função de prevenir a discriminação relacionada à orientação sexual e identidade de género), porque na sua opinião eles não iriam lutar contra a discriminação sexual, mas dariam aos jovens "uma interpretação enganosa da sua identidade sexual".[55][56] Ela defende a existência da "teoria de género", que é uma crença nascida em meados da década de 1990 nos círculos do Opus Dei para condenar qualquer posição social diferente da conservadora da Igreja apostólica romana, opondo-se aos estudos de género.[57][58][59][60]

Ela apoia a existência da "conspiração Kalergi", desenvolvida pela negação do 'Holocausto Gerd Honsik, que é uma crença de que há um projeto de migração em massa planejado pela' África para a 'Itália para a destruição do povo italiano".[61][62][63][64] Sendo assim, a respeito às políticas de migração, além de ser extremamente oposto ao ius soli (puro e temperado e "cultura"),[65][66][67][68] opõe-se firmemente a acolher os migrantes[69][70] e a uma sociedade multicultural, argumentando que está em andamento um esquema para “desconstruir a nossa sociedade e privar-nos da nossa identidade”.[71] É a favor do bloqueio naval no Mediterrâneo[72][73][74] e da condenação do crime de fundamentalismo islâmico.[75][76][77] Por essas e outras razões, ela também foi frequentemente acusada de xenofobia[78][79][80] e islamofobia.[81][82][83]

Em fevereiro de 2020, Meloni atacou, através do Twitter, as aulas de educação sexual de um colégio em Bolonha, porque para ela tratava-se de uma “ditadura de gênero” e que os alunos haviam sido “obrigados a sofrer propaganda ideológica”.[84] A diretora do Liceu, entretanto, explicou que na realidade a obrigação não foi imposta pela direção ou pelos professores, mas que foi uma iniciativa espontânea dos próprios alunos decidida através das assembleias estudantis democráticas. Essa versão também foi confirmada pelos representantes docentes que acrescentaram ainda que “ as atividades foram variadas, em temas como educação sexual para cada orientação sexual, identidade de gênero, sexismo nas escolas e feminismo”.[85]

Também opõe-se fortemente ao casamento homossexual,[86][87] às uniões civis gays,[88] à adoção por casais gays[89][90] e também às medidas para combater e prevenir a homossexualidade - transfobia (considerando que "Os homossexuais não são discriminados").[91][92][93] Entre os seus principais projetos de lei estão: a eleição direta do Presidente da República, regras para limitar a disseminação do jogo, a abolição dos senadores vitalícios e o tecto de impostos da Constituição.[94] Ela também se opõe firmemente à legalização da cannabis light,[95] à eutanásia[96][97] e à mãe de aluguer, propondo para este último caso uma lei para torná-lo um "crime universal", que também puniria os cidadãos italianos que usam este mecanismo no exterior.[98][99]

Por ocasião da conferência Deus, Honra, País: Presidente Ronald Reagan, Papa João Paulo II e a Liberdade das Nações organizada em Roma a 3 de fevereiro de 2020 numa ampla rede de organizações conservadoras, Meloni indicou duas das suas referências culturais fundamentais nas figuras de Ronald Reagan e do Papa São João Paulo II, a quem o evento foi batizado, elogiando o impulso de fundir "a democracia nacional dentro do princípio da soberania popular" típica da ideologia do presidente americano e a intensificação do vínculo entre o cristianismo raízes da Europa próprias da ação do pontífice polaco.[100]

Vida pessoalEditar

Meloni tem uma filha com o companheiro Andrea Giambruno, mas não é casada.[101]

Referências

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