Giovanni Giocondo

Frade Giovanni Giocondo, O.F.M, (Verona, c. 1433-1515) foi um arquiteto, arqueólogo e estudioso da antiguidade clássica italiana.

Giovanni Giocondo
Nascimento 1433
Verona
Morte 1 de julho de 1515 (81–82 anos)
Roma
Cidadania República de Veneza
Ocupação arquiteto, restaurador, erudito clássico, engenheiro, arqueólogo clássico, filósofo, escritor
Obras destacadas Ponte de Notre Dame
Religião Igreja Católica

BiografiaEditar

 
Porta Borsari, Verona.

Giovanni Giocondo nasceu em Verona por volta de 1433. Entrou na Ordem Dominicana com dezoito anos e tornou-se um dos muitos membros da ordem, pioneiros do Renascimento. No entanto, mais tarde veio a fazer parte da Ordem dos Franciscanos. Começou a sua carreira como professor de latim e grego em Verona onde teve como aluno Júlio César Scaliger.

O jovem monge, arqueólogo e com jeito para o desenho, visitou Roma onde desenhou s edifícios da antiguidade, escreveu a história dos seus grandes monumentos e completou e interpretou várias inscrições já bastante deterioradas. Estimulou o Renascimento do estudo clássico através de coleções de antigos manuscritos, uma das quais foi concluída em 1492, e oferecida a Lorenzo de Medici. Depois regressou à sua cidade natal, onde construiu pontes e projetou fortificações para Treviso, enquanto arquiteto e engenheiro e até mesmo coordenador das obras dos seus projetos.

ObrasEditar

Giovanni Giocondo projetou o Palazzo del Consiglio dei Dodici para Maximiliano I de Habsburgo. Este é considerado um dos mais belos edifícios de Verona, famoso pelas decorações das lógias. Thomas de Quincey atribuiu-lhe também a Santa Maria della Scala. Assim, Veneza convoco-o na companhia de outros arquitetos famosos para discutir sobre a proteção da lagoa frente aos rios. O projeto de Giocondo para alterar o curso do rio Brenta, direccionando-o para o mar, foi aceito pelos venezianos e a obra foi um completo sucesso.

Entre 1496 e 1499, Giocondo foi convidado para França por Louis XII, e foi nomeado arquiteto real. Ele construiu uma bela ponte, a Ponte Notre-Dame (1500-1512), em Paris. Projetou o palácio Chambre des Comptes, o Golden Hall do Parlamento e o Chateau of Gaillon (Normandia). Projetou um portada que foi transferida para Paris, onde permaneceu durante anos no pátio da École des Beaux-Arts que serviu como modelo aos estudantes de arquitetura, e foi devolvido ao seu lugar original em 1977.

VitruvioEditar

Entre 1506 e 1508, Giocondo regressou a Itália, escreveu quatro dissertações sobre as águas e canais de Veneza e construiu o esplêndido Fondaco dei Tedeschi (1508), decorado por Ticiano e por Giorgione. Em 1511, em Veneza, realizou uma nova edição De architectura, do clássico escritor romano Vitruvio, ilustrada com desenhos e dedicado ao Papa Júlio II. Este livro teve grande influência sobre o desenvolvimento da arquitetura renascentista. Quando se queimou Rialto por volta de 1513, Giocondo foi um dos arquitetos que apresentou projetos para a nova ponte e as infraestruturas adjacentes, porém deixou Veneza e partiu para Roma quando a república elegeu os projetos de um dos seus rivais. O Vaticano saudou-o no ano 1514, e após a morte de Donato Bramante supervisionou (na companhia de Rafael Sanzio e Giuliano da Sangallo) a construção da Basílica de São Pedro; foi o Frade Giocondo quem aperfeiçoou e reforçou as fundações do edifício e os pilares que não haviam sido correctamente projetados para suportar a enorme cúpula.

BibliografiaEditar

  • Catholic Enciclopaedia
  • Miron mislis: Die überbaute Brücke: Puente Notre Dame. Baugestalt und Sozialstruktur, Haag + Herchen Verlag, Frankfurt, 1982, Foreword: Julius Posener, ISBN 3-88129-450-3
  • Miron mislis: The Planning and Building Process of two Paris Bridges in the Sixteenth and Seventeenth Century, in: Proceedings of the Second International Congress on Construction History, Vol.2, Cambridge, 2006, p.2223 - 2239
  • Storia dell'architettura italiana. Il primo Cinquecento, a cura di Arnaldo Bruschi, Milano, Electa, 2002

Referências