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Gramscismo é uma ideologia baseada nas teorias do político Antonio Gramsci, líder e co-fundador do PCI (Partido Comunista da Itália).[1] A ideologia política de Gramsci não foi difundida apenas na Itália; de fato, com o passar do tempo, através da tradução de suas obras, espalhou-se pelo resto da Europa, América Latina, países de línguas germânicas e do Extremo Oriente.[2]

Filosofia políticaEditar

A doutrina política de Antonio Gramsci visava compreender a verdadeira situação italiana da época na certeza de poder transformá-la numa sociedade orientada para o socialismo.[3] Gramsci acreditava que o fascismo, visto como uma ditadura do capital, era o auge da crise da sociedade burguesa, uma vez que a possibilidade de um regime repressivo permanecia apenas com a classe dominante, que escapara à hegemonia cultural. De fato, segundo o gramscismo, conquistar a maioria política de um país significa que as forças sociais, que são a expressão dessa maioria, dirigem a política daquele país em particular e dominam as forças sociais que se opõem a essa política: significa obter hegemonia.

O PCd'I (Partito Comunista d'Italia) e o PCI referiam-se principalmente ao gramscismo, enquanto entre os atuais partidos políticos italianos PRC (Partido da Refundação Comunista), o Partito Comunista Italiano, o Partido Comunista e o MRS (Movimento RadicalSocialista do Poder para o Povo) são inspirados por ele. As políticas do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), de Hugo Chávez, são em parte inspiradas no pensamento de Gramsci,[4] uma vez que o líder socialista venezuelano era adepto deste.[5]

No Brasil, a esquerda afirma que esta doutrina, ou estratégia, de "guerra cultural" [3] (termo nunca usado por Gramsci) [6] seria uma teoria conspiratória criada pela direita.[6] [7] Já a direita política, defende a ideia de que o gramscismo teria começado já durante a ditadura militar brasileira [8] e, que ainda seria empregado de forma sistemática no país.[9]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Dizionario Italiano - 'Gramscianesimo'». Sapere.it. (em italiano) Consultado em 11 de agosto de 2019
  2. «Studi Gramsciani nel mondo». Fondazione Gramsci (em italiano). Consultado em 11 de agosto de 2019.
  3. a b Dauchas, Ivan (12 de agosto de 2015). «Precisamos de um gramscismo às avessas».
    "(...) Historicamente, a esquerda perdeu a batalha econômica, pois foi incapaz de produzir riqueza. Perdeu também a batalha política pois se mostrou incompatível com a democracia. Mas venceu a batalha cultural."
    "(...) A estratégia de Antonio Gramsci estava certa e tem funcionado de maneira eficiente: a instauração do socialismo em democracias consolidadas não pode se dar pela força. O socialismo deve ser introduzido de forma lenta e pacífica através da doutrinação ideológica subliminar".
    Instituto Liberal. Consultado em 11 de agosto de 2019.
  4. Benvenuti, Patrícia (15 de março de 2013). «As conquistas de Chávez e da Venezuela». Brasil de Fato. Consultado em 11 de agosto de 2019.
  5. Telesur (17 de junho de 2013) «Hugo Chávez abrazó ideas de Gramsci desde joven: presidente Maduro». YouTube. (em castelhano) Consultado em 11 de agosto de 2019.
  6. a b Sorrilha Pinheiro, Marcos. (6 de dezembro de 2018. «Olavo de Carvalho ou o "maior gramscista" do Brasil».
    "(...) a teoria de Gramsci não funciona apenas para o comunismo, mas para a construção de qualquer tipo de hegemonia, o que faz com que os mecanismos de transmissão de cultura estejam sempre em disputa pelos espectros políticos (esquerda ou direita) dentro do campo democrático, ainda que uma das partes possa não ter a plena consciência disso. A esta disputa, deu-se correntemente o nome de 'guerra cultural', expressão jamais proferida pelo próprio Gamsci".
    "(...) Diante de tudo isso, torna-se inevitável a seguinte constatação: a 'teoria' de Olavo de Carvalho apenas funciona, pois ele se apropria dos paradigmas gramscianos de política. Ironicamente, é a noção de hegemonia em Gramsci que 'torna possível' a existência de uma 'Nova Era' enquanto um 'plano global' aos moldes propostos por Olavo".
    Medium. Consultado em 11 de agosto de 2019.
  7. Secco, Lincoln (10 de maio de 2019). «Gramscismo: uma ideologia da extrema-direita».
    "(...) Mas o problema está na própria extrema-direita. Ela se resume no fim das contas a uma manipulação racional da irracionalidade de seus seguidores. Isso impede qualquer sofisticação teórica. Seus ideólogos não podem ser profundos, apenas técnicos ou criadores de palavras de ordem simplórias, boatos e conspirações.
    "(...) Não existe 'gramscismo' em Gramsci, é óbvio. Ele é a auto-descrição dos seus próprios criadores. A caricatura do pensamento do outro existe porque as teorias conspiratórias são basicamente fetichistas.
    Carta Maior. Consultado em 11 de agosto de 2019.
  8. Gandolfe, Lucas (1 de setembro de 2015). «Revolução Gramsciana e a Pátria Educadora». Instituto Liberal. Consultado em 11 de agosto de 2019.
  9. Vélez Rodríguez, Ricardo «Gramscismo e Lulopetismo em ação». ECSBDefesa. Consultado em 11 de agosto de 2019.
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