Grande Prêmio da Áustria de 1980

Resultados do Grande Prêmio da Áustria de Fórmula 1 realizado em Österreichring em 17 de agosto de 1980.[1] Décima etapa da temporada, teve como vencedor o francês Jean-Pierre Jabouille, da Renault, que subiu ao pódio ladeado por Alan Jones e Carlos Reutemann, pilotos da Williams-Ford.[2] Esta corrida marcou a estreia do futuro campeão mundial, Nigel Mansell.[3][nota 1]

Grande Prêmio da Áustria
de Fórmula 1 de 1980
Österreichring 1977-1987.svg
11ª GP da Áustria em Österreichring
Detalhes da corrida
Categoria Fórmula 1
Data 17 de agosto de 1980
Nome oficial XIII Großer Preis von Österreich
Local Österreichring, Spielberg, Estíria, Áustria
Percurso 5.942 km
Total 54 voltas / 320.868 km
Condições do tempo Seco
Pole
Piloto
França René Arnoux Renault
Tempo 1:30.27
Volta mais rápida
Piloto
França René Arnoux Renault
Tempo 1:32.53 (na volta 50)
Pódio
Primeiro
França Jean-Pierre Jabouille Renault
Segundo
Austrália Alan Jones Williams-Ford
Terceiro
Argentina Carlos Reutemann Williams-Ford

ResumoEditar

Sustos em ÖsterreichringEditar

Os treinos de sexta-feira transcorriam normalmente em Österreichring e nos bastidores ainda repercutia o comunicado emitido pela FOCA durante o Grande Prêmio da Alemanha, onde os construtores de Fórmula 1 cobravam publicamente a FISA a respeito das regras a serem firmadas para 1981 cuja não apresentação é vista como tergiversação. Ao saber disso, "Balestre disse que a nota foi mais uma manobra de Ecclestone e que a FISA determina o regulamento que melhor se adaptar a segurança".[4]

Enquanto os burocratas maldiziam uns aos outros, os pilotos desempenhavam suas funções na pista e dentre eles estava o neerlandês Jan Lammers cuja Ensign derramou óleo na altura da curva Texaco. Quando Alain Prost cruzou o local foi surpreendido pela falta de sinalização e sua McLaren derrapou sem maiores consequências, todavia o mesmo não aconteceu com Jochen Mass. Sem perceber as condições perigosas da curva, o alemão veio a toda velocidade e derrapou na Texaco. Para evitar uma batida frontal o germânico virou o volante capotando algumas vezes até parar com as rodas para cima.[5][6] Neste momento, Alain Prost, Jean-Pierre Jarier, Jody Scheckter e René Arnoux acudiram o piloto da Arrows que estava consciente e ileso graças ao santantônio, a não ser por dores na nuca e na região lombar. Examinado num hospital em Knittelfeld, Mass não sofreu lesões na coluna e sentia-se apto para voltar a correr. Antes do acidente de Jochen Mass, um rodopio de Nelson Piquet na curva Bosch o fez destruir seu carro ao bater no guard rail com violência, mas felizmente o piloto da Brabham nada sofreu.[7]

No fim do dia a Renault aproveitou os 500 metros de altitude de Österreichring em relação ao mar e colocou René Arnoux e Jean-Pierre Jabouille na primeira fila deixando a Williams de Alan Jones em terceiro entre os vinte e cinco pilotos que treinaram, dentre eles o estreante Nigel Mansell, terceiro piloto da Lotus.[7][3]

Renault no topo do mundoEditar

Favorecida pela geografia, a Renault manteve intacta a primeira fila para a satisfação de Jean Sage, diretor da montadoraː "Tudo contribuiu para que houvesse uma circunstância excepcional. O recorde de Arnoux deveu-se à temperatura um pouco quente, mas seca, e às perfeitas condições da pista de Zeltweg, que está mais de 500 metros acima do nível do mar",[8] disse ele ao enunciar um cenário perfeito para os turbocomprimidos da equipe francesa. Com os melhores lugares fora de alcance, o treino resumiu-se a um duelo entre Williams e Ligier, com Alan Jones e Carlos Reutemann na frente de Jacques Laffite e Didier Pironi. A seguir classificaram-se Nelson Piquet numa Brabham depauperada e Bruno Giacomelli pela Alfa Romeo, equipe que ainda não escolheu o substituto do falecido Patrick Depailler.[9][3]

Jochen Mass não treinou por causa de fortes dores que ainda o afligiam no ombro direito e assim Riccardo Patrese defendeu sozinho as cores da Arrows, mas a classificação para a etapa austríaca não transcorreu sem sustos, pois os últimos lugares foram capturados pelo bicampeão mundial Emerson Fittipaldi, em sua equipe homônima, e por Nigel Mansell, da Lotus. Tal formação tornou Jan Lammers o único piloto a ficar fora da corrida, para desalento da Ensign.[10]

Última vitória de JabouilleEditar

No domingo, Alan Jones tomou a liderança na largada mantendo-a até ser ultrapassado por René Arnoux no terceiro giro em plena reta e a seguir o australiano perdeu o segundo lugar para Jean-Pierre Jabouille na volta seguinte com Bruno Giacomelli em quarto lugar enquanto Carlos Reutemann e Nelson Piquet completavam a zona de pontuação. Mais combativo do grupo, o brasileiro ultrapassou Reutemann na curva Hella-Licht e Giacomelli na curva Jochen Rindt na décima primeira volta.[2] Em certo instante o piloto da Brabham ascendeu ao terceiro lugar, porém "os técnicos da equipe culparam a fragilidade dos pneus escolhidos"[11] como causa da perda de rendimento do BT49, fazendo-o retornar ao quinto posto na volta vinte e quatro com Reutemann e Giacomelli de novo na sua frente.

O grupo dos primeiros colocados sofreu modificações na vigésima primeira volta quando René Arnoux estragou o pneu ao passar em cima de uma zebra na curva Bosch, obrigando-o a ir aos boxes numa operação repetida mais duas vezes, afinal os novos calços não se adaptaram ao carro do francês devido às bolhas que impediam o contato ideal da borracha com o asfalto.[12] Sete giros mais tarde um problema na roda eliminou Bruno Giacomelli enquanto Jabouille mantinha uma liderança tranquila ante Jones e Reutemann com Piquet em quarto. A situação da Brabham não permitiu sossego ao brasileiro, afinal na volta trinta e seis Jacques Laffite o derrubou para o quinto lugar enquanto Elio de Angelis estava em sexto.[3] Quatro voltas mais tarde a corrida de Nigel Mansell terminou por quebra de motor e ele deixou a etapa austríaca com queimaduras em seu corpo devido à gasolina borrifada acidentalmente sobre ele antes da largada numa trapalhada inacreditável de sua equipe, a Lotus.[3]

Com apenas um terço de prova a cumprir, a missão de Jabouille parecia simplesː poupar o carro, esperar o tempo correr e comemorar a vitória. A dez voltas do final sua vantagem sobre Jones era de aproximadamente oito segundos, mas uma tocada feroz do corredor australiano reduzia o maneio de seu rival em um segundo por volta em média. Ao saber disso, Jabouille diria o seguinte no final da provaː "Quando comecei a ser informado da carga de Jones, a partir da 46ª volta, ao ver que minha vantagem começava a desaparecer, temi que também este Grande Prêmio me fugisse das mãos".[12] Devido ao mau estado dos pneus Michelin, o piloto da Renault redobrou a concentração a fim de não sofrer um acidente por conta da pressão de Jones e nas três últimas voltas empenhou-se em manter o carro da Williams atrás de si, vencendo a etapa da Áustria com míseros oitenta e dois centésimos de segundo num triunfo aguardado por Jean-Pierre Jabouille desde o Grande Prêmio da França de 1979.[13] Junto a Alan Jones e Carlos Reutemann no pódio austríaco, Jabouille revelaria mais tarde sua visão quanto ao embate com Jonesː "Sinceramente, acredito que não podia perder esta corrida nas últimas voltas, pois ainda tinha um resto de potência do motor que acabei não utilizando",[12] disse o francês da Renault ao enaltecer aquela que seria a última vitória de sua carreira. Por fim, a zona de pontuação contou ainda com a Ligier de Jacques Laffite, a Brabham de Nelson Piquet e a Lotus de Elio de Angelis.

Resignado pelo desempenho de um carro impossível de melhorar,[14] Nelson Piquet estacionou nos 36 pontos enquanto Alan Jones ponteava o mundial de pilotos com 47, a maior diferença entre eles desde o início do campeonato de 1980. No tocante ao mundial de construtores a Williams exibia 77 pontos e liderava a disputa à frente da Ligier com 51 pontos enquanto a Brabham seguia em sua anômala condição de equipe onde apenas um carro pontua, afinal Hector Rebaque mosta-se tão improdutivo quanto Ricardo Zunino.[15]

ClassificaçãoEditar

TreinosEditar

Pos. Piloto Construtor Tempo Dif.
1 16   René Arnoux Renault 1:30.27 -
2 15   Jean-Pierre Jabouille Renault 1:31.48 + 1.21
3 27   Alan Jones Williams-Ford 1:32.95 + 2.68
4 28   Carlos Reutemann Williams-Ford 1:33.07 + 2.80
5 26   Jacques Laffite Ligier-Ford 1:33.16 + 2.89
6 25   Didier Pironi Ligier-Ford 1:33.22 + 2.95
7 5   Nelson Piquet Brabham-Ford 1:33.39 + 3.12
8 23   Bruno Giacomelli Alfa Romeo 1:33.64 + 3.37
9 12   Elio de Angelis Lotus-Ford 1:33.76 + 3.49
10 4   Derek Daly Tyrrell-Ford 1:34.17 + 3.90
11 21   Keke Rosberg Fittipaldi-Ford 1:34.33 + 4.06
12 8   Alain Prost McLaren-Ford 1:34.35 + 4.08
13 3   Jean-Pierre Jarier Tyrrell-Ford 1:34.63 + 4.36
14 6   Hector Rebaque Brabham-Ford 1:34.86 + 4.59
15 2   Gilles Villeneuve Ferrari 1:34.87 + 4.60
16 9   Marc Surer ATS-Ford 1:35.10 + 4.83
17 11   Mario Andretti Lotus-Ford 1:35.20 + 4.93
18 29   Riccardo Patrese Arrows-Ford 1:35.29 + 5.02
19 31   Eddie Cheever Osella-Ford 1:35.40 + 5.13
20 50   Rupert Keegan Williams-Ford 1:35.53 + 5.26
21 7   John Watson McLaren-Ford 1:35.56 + 5.29
22 1   Jody Scheckter Ferrari 1:35.61 + 5.34
23 20   Emerson Fittipaldi Fittipaldi-Ford 1:35.67 + 5.40
24 43   Nigel Mansell Lotus-Ford 1:35.71 + 5.44
25 14   Jan Lammers Ensign-Ford 1:36.04 + 5.77
Fonte:[16]

CorridaEditar

Pos. Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos
1 15   Jean-Pierre Jabouille Renault 54 1:26:15.73 2 9
2 27   Alan Jones Williams-Ford 54 + 0.82 3 6
3 28   Carlos Reutemann Williams-Ford 54 + 19.36 4 4
4 26   Jacques Laffite Ligier-Ford 54 + 42.02 5 3
5 5   Nelson Piquet Brabham-Ford 54 + 1:02.81 7 2
6 12   Elio de Angelis Lotus-Ford 54 + 1:14.97 9 1
7 8   Alain Prost McLaren-Ford 54 + 1:33.41 12
8 2   Gilles Villeneuve Ferrari 53 + 1 volta 15
9 16   René Arnoux Renault 53 + 1 volta 1
10 6   Hector Rebaque Brabham-Ford 53 + 1 volta 14
11 20   Emerson Fittipaldi Fittipaldi-Ford 53 + 1 volta 23
12 9   Marc Surer ATS-Ford 53 + 1 volta 16
13 1   Jody Scheckter Ferrari 53 + 1 volta 22
14 29   Riccardo Patrese Arrows-Ford 53 + 1 volta 18
15 50   Rupert Keegan Williams-Ford 52 + 2 voltas 20
16 21   Keke Rosberg Fittipaldi-Ford 52 + 2 voltas 11
Ret 43   Nigel Mansell Lotus-Ford 40 Motor 24
Ret 7   John Watson McLaren-Ford 34 Motor 21
Ret 23   Bruno Giacomelli Alfa Romeo 28 Roda 8
Ret 25   Didier Pironi Ligier-Ford 25 Handling 13
Ret 3   Jean-Pierre Jarier Tyrrell-Ford 25 Pane elétrica 6
Ret 31   Eddie Cheever Osella-Ford 23 Rolamento de roda 19
Ret 4   Derek Daly Tyrrell-Ford 12 Freios 10
Ret 11   Mario Andretti Lotus-Ford 6 Motor 17
DNQ 14   Jan Lammers Ensign-Ford
DNS 30   Jochen Mass Arrows-Ford Piloto machucado
Fonte:[1]

Tabela do campeonato após a corridaEditar

  • Nota: Somente as primeiras cinco posições estão listadas. As quatorze etapas de 1980 foram divididas em dois blocos de sete e neles cada piloto podia computar cinco resultados válidos não havendo descartes no mundial de construtores.

Notas

  1. Voltas na liderança: Alan Jones 2 voltas (1-2); René Arnoux 18 voltas (3-20); Jean-Pierre Jabouille 34 voltas (21-54).

Referências

  1. a b «1980 Austrian Grand Prix - race result». Consultado em 30 de setembro de 2018 
  2. a b Janos Lengyel (18 de agosto de 1980). «Jabouille vence o GP da Áustria. Matutina – Esportes, p. 06». acervo.oglobo.globo.com. O Globo. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  3. a b c d e «Austrian GP, 1980 (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 13 de março de 2021 
  4. Redação (11 de agosto de 1980). «Nova crise. Primeiro Caderno – Esporte, p. 08». bndigital.bn.gov.br. Jornal do Brasil. Consultado em 13 de março de 2021 
  5. Redação (16 de agosto de 1980). «No dia dos acidentes, Piquet bate e é 7º . Geral, p. 20». acervo.estadao.com.br. O Estado de S. Paulo. Consultado em 13 de março de 2021 
  6. Redação (16 de agosto de 1980). «Após o susto, Mass diz que ainda quer correr. Geral, p. 20». acervo.estadao.com.br. O Estado de S. Paulo. Consultado em 13 de março de 2021 
  7. a b Janos Lengyel (16 de agosto de 1980). «Piquet perde o carro em Zeltweg e Arnoux domina o treino. Matutina – Esportes, p. 22». acervo.oglobo.globo.com. O Globo. Consultado em 13 de março de 2021 
  8. Redação (17 de agosto de 1980). «Os Renault confirmam em Zeltweg e largam na frente. Esportes – Terceiro Caderno, p. 29». acervo.folha.com.br. Folha de S.Paulo. Consultado em 13 de março de 2021 
  9. Fred Sabino (1 de agosto de 2020). «Patrick Depailler sofreu acidente fatal há 40 anos, durante um teste em Hockenheim». globoesporte.com. Globo Esporte. Consultado em 1º de agosto de 2020 
  10. Janos Lengyel (17 de agosto de 1980). «Renault larga na frente na Áustria. Piquet em 7º. Matutina – Esportes, p. 39». acervo.oglobo.globo.com. O Globo. Consultado em 13 de março de 2021 
  11. Redação (18 de agosto de 1980). «Piquet reconhece falhas do Brabham. Primeiro Caderno – Amador, p. 05». bndigital.bn.gov.br. Jornal do Brasil. Consultado em 13 de março de 2021 
  12. a b c Redação (18 de agosto de 1980). «Jones quase tira vitória de Jabouille no final. Esportes, p. 13». acervo.folha.com.br. Folha de S.Paulo. Consultado em 13 de março de 2021 
  13. Fred Sabino (1 de outubro de 2018). «Jean-Pierre Jabouille, um engenheiro que virou piloto de F1 e foi primeiro a vencer com turbo». globoesporte.com. Globo Esporte. Consultado em 13 de março de 2021 
  14. Redação (19 de agosto de 1980). «Jabouille faz planos, Piquet reclama do carro. Geral, p. 24». acervo.estadao.com.br. O Estado de S. Paulo. Consultado em 13 de março de 2021 
  15. Fred Sabino (5 de fevereiro de 2019). «Hector Rebaque foi último a pontuar com equipe privada e teve chance ao lado de Piquet». globoesporte.com. Globo Esporte. Consultado em 13 de março de 2021 
  16. «1980 Austrian Grand Prix – starting grid». Consultado em 13 de março de 2021 
  17. a b «1980 Austrian GP – championships (em inglês) no Chicane F1». Consultado em 13 de março de 2021 

Precedido por
Grande Prêmio da Alemanha de 1980
Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA
Ano de 1980
Sucedido por
Grande Prêmio dos Países Baixos de 1980
Precedido por
Grande Prêmio da Áustria de 1979
Grande Prêmio da Áustria
13ª edição
Sucedido por
Grande Prêmio da Áustria de 1981