Grande Prêmio da Espanha de 1970

Grande Prêmio da Espanha
de Fórmula 1 de 1970
Circuito Permanente del Jarama 1980.svg
Terceiro GP da Espanha em Jarama
Detalhes da corrida
Categoria Fórmula 1
Data 19 de abril de 1970
Nome oficial XVI Gran Premio de España[nota 1]
Local Jarama, Madri, Espanha
Percurso 3.404 km
Total 90 voltas / 306.360 km
Condições do tempo Muito quente, seco
Pole
Piloto
Austrália Jack Brabham Brabham-Ford
Tempo 1:23.90
Volta mais rápida
Piloto
Austrália Jack Brabham Brabham-Ford
Tempo 1:24.3 (na volta 19)
Pódio
Primeiro
Reino Unido Jackie Stewart March-Ford
Segundo
Nova Zelândia Bruce McLaren McLaren-Ford
Terceiro
Estados Unidos Mario Andretti March-Ford

Resultados do Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1 realizado em Jarama em 19 de abril de 1970.[1] Segunda etapa da temporada, teve como vencedor o britânico Jackie Stewart, que neste dia conquistou a primeira vitória da March-Ford na categoria.[2][nota 2]

ResumoEditar

Outra vez em JaramaEditar

Projetado pelo neerlandês John Hugenholtz, o Circuito de Jarama recebeu uma edição extraoficial do Grande Prêmio da Espanha em 12 de novembro de 1967 e nele a vitória coube a Jim Clark com sua Lotus, mas a corrida espanhola entrou para a história em 1968 quando o time de Colin Chapman foi à pista utilizando a pintura vermelha e dourada de seu patrocinador, os cigarros Gold Leaf.[3] Comandada por Graham Hill, a Lotus venceu a prova e estabeleceu novos parâmetros publicitários no universo automobilístico.

Situado em San Sebastián de los Reyes, cidade próxima a Madri, a pista de Jarama teve que atender às vicissitudes espanholas e em 1969 a corrida foi realizada em Montjuïc, circuito existente em Barcelona numa disputa onde a vitória de Jackie Stewart com a Matra quase foi eclipsada pela quebra das asas traseiras nas Lotus de Graham Hill e Jochen Rindt. Embora os pilotos tenham saído ilesos dos respectivos acidentes, um fiscal quebrou a perna e outro perdeu o olho ao ser atingido pelos destroços.[4] Nos anos seguintes Jarama e Montjuïc alternaram-se como sede do evento, mas em 1975 cinco pessoas morreram numa tragédia no circuito catalão[5] e Jarama tornou-se a casa do Grande Prêmio da Espanha a partir do ano seguinte.[6]

Confusão no gridEditar

Antes da prova, os organizadores do Grande Prêmio da Espanha surpreenderam os membros da Associação dos Construtores da Fórmula 1 (FOCA) ao limitarem em dezesseis o número de participantes da corrida e para aumentar o caos, nenhuma das voltas marcadas na sexta-feira valeu para a qualificação. Na manhã anterior à corrida o assunto parecia resolvido e os organizadores inicialmente reverteram sua decisão e os que não se classificaram pareciam ter permissão para largar, entretanto a Comissão Esportiva Internacional interveio e obrigou os organizadores espanhóis a restabelecer o limite original de dezesseis participantes, e assim os carros que não se classificaram foram retirados do grid.[7] Dentre os bólidos presentes em Jarama estava o modelo Lotus 72 que estreava na categoria sob os cuidados de Jochen Rindt (nono colocado) e John Miles, sendo que este último não se classificou.[8]

Encerrado o treino de classificação a pole position ficou nas mãos do australiano Jack Brabham num carro de sua equipe, a Brabham, enquanto Denny Hulme veio a seguir com a McLaren e Jackie Stewart assegurou o terceiro lugar com a March. Para a decepção dos espanhóis seu compatriota, o estreante Alex Soler-Roig, não classificou seu Lotus 49 para o grid,[8] assim como não participaram da corrida outros nomes vetados pela Comissão Esportiva Internacional (CSI), a saber: Andrea de Adamich, John Miles, George Eaton e Jo Siffert, este último retirado à força da pista pela Guarda Real da Espanha.[9]

Fogo e pavorEditar

Logo nos primeiros metros da prova um acidente entre a BRM do britânico Jackie Oliver e a Ferrari do belga Jacky Ickx resultou num incêndio de grandes proporções onde não havia bombeiros próximos ao local da batida. Oliver saiu do carro rapidamente enquanto Ickx permaneceu dentro de seu carro em chamas por cerca de 30 segundos até ser resgatado. Felizmente este sofreu apenas queimaduras sem gravidade, mas o horror persistia: os bombeiros não dispunham de extintores e usavam mangueiras despressurizadas para combater o fogo.[9] Insensível, a direção da prova não interrompeu a disputa e assim os pilotos corriam em meio aos destroços fumegantes, alguns dos quais rodaram na curva do acidente devido ao combustível derramado sobre o asfalto e pior: numa atitude temerária, espectadores reuniram-se num alambrado próximo ao local do acidente para observar os acontecimentos e não foram removidos de lá.[9]

Em relação à prova cabe dizer que Jack Brabham não aproveitou sua derradeira pole, afinal Jackie Stewart assumiu a liderança tão logo ocorreu a largada trazendo Denny Hulme consigo, embora o tricampeão Brabham tenha tomado o segundo posto na décima volta, contudo a Matra de Jean-Pierre Beltoise o superou no décimo sexto giro até ser vitimado por uma quebra de motor na trigésima primeira volta, quando Brabham retornou à vice-liderança, mas já longe de Stewart. Com a quebra de seu carro após sessenta e uma voltas, Brabham deixou o caminho livre para que Jackie Stewart vencesse a etapa espanhola com uma volta de vantagem sobre Bruce McLaren e Mario Andretti enquanto Graham Hill e Johnny Servoz-Gavin vieram a seguir, não havendo ninguém para ocupar o sexto lugar e assim fechar a zona de pontuação.[1][8]

Além de repetir o triunfo obtido em 1969, Jackie Stewat fez história ao assinalar tanto a primeira vitória de um chassis construído pela March Engineering quanto a última vitória de um construtor particular, pois seu March 701 pertencia à Tyrrell Racing Organisation, uma equipe liderada por Ken Tyrrell.[10] Ato contínuo presenciamos o último pódio na carreira de Bruce McLaren e o primeiro conquistado por Mario Andretti, mas enquanto McLaren guiava um carro com seu nome, Andretti dirigia um March comprado pelo magnata do petróleo Andy Granatelli, presidente da STP.[2] Nesse ínterim cabe registar que o carro de Graham Hill (um modelo Lotus 49 concebido em 1967) pertencia à Rob Walker Racing Team e a March de Johnny Servoz-Gavin também era propriedade de Ken Tyrrell.[11]

Graças às regras vigentes na categoria, os 13 pontos acumulados por Jackie Stewart garantiam-lhe o primeiro lugar no mundial de pilotos e faziam da March/Tyrrell a líder do mundial de construtores.

Classificação da provaEditar

Pos. Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos
1 1   Jackie Stewart March-Ford 90 1:10:58.2 3 9
2 11   Bruce McLaren McLaren-Ford 89 + 1 volta 11 6
3 18   Mario Andretti March-Ford 89 + 1 volta 16 4
4 6   Graham Hill Lotus-Ford 89 + 1 volta 15 3
5 16   Johnny Servoz-Gavin March-Ford 88 + 2 voltas 14 2
Ret 8   John Surtees McLaren-Alfa Romeo 76 Câmbio 12
Ret 7   Jack Brabham Brabham-Ford 61 Motor 1
Ret 24   Rolf Stommelen Brabham-Ford 43 Motor 17
Ret 22   Henri Pescarolo Matra 33 Motor 9
Ret 4   Jean-Pierre Beltoise Matra 31 Motor 4
Ret 5   Denny Hulme McLaren-Alfa Romeo 10 Ignição 2
Ret 9   Chris Amon March-Ford 10 Motor 6
Ret 3   Jochen Rindt Lotus-Ford 9 Ignição 8
WD 10   Pedro Rodríguez BRM 4 Retirou-se 5
Ret 2   Jacky Ickx Ferrari 0 Acidente 7
Ret 15   Jackie Oliver BRM 0 Acidente 10
DNS 12   Piers Courage De Tomaso-Ford 0 Não largou 13
DNQ 20   Andrea de Adamich McLaren-Alfa Romeo
DNQ 19   John Miles Lotus-Ford
DNQ 14   Jo Siffert March-Ford
DNQ 21   George Eaton BRM
DNQ 23   Alex Soler-Roig Lotus-Ford
Fonte:[1]

Tabela do campeonato após a corridaEditar

  • Nota: Somente as primeiras cinco posições estão listadas. Em 1970 os pilotos computariam seis resultados nas sete primeiras corridas do ano e cinco nas últimas seis. Neste ponto esclarecemos: na tabela dos construtores figurava somente o melhor colocado dentre os carros de um time.

Notas

  1. A denominação oficial do Grande Prêmio da Espanha inclui uma corrida além das efetivamente realizadas.
  2. Voltas na liderança: Jackie Stewart liderou as 90 voltas da prova.

Referências

  1. a b c «1970 Spanish Grand Prix - race result». Consultado em 21 de dezembro de 2018 
  2. a b Fred Sabino (19 de abril de 2020). «Há 50 anos, March conquistou primeira vitória na Fórmula 1, com Jackie Stewart». globoesporte.com. Globo Esporte. Consultado em 25 de abril de 2020 
  3. Fred Sabino (12 de maio de 2018). «Há 50 anos, Lotus inovava ao usar na F1 carro pintado nas cores de patrocinador». globoesporte.com. Globo Esporte. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  4. Fred Sabino (4 de maio de 2019). «Há 50 anos, colapso das asas traseiras enormes em Montjuich fez Fórmula 1 mudar regulamento». globoesporte.com. Globo Esporte. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  5. Fred Sabino (27 de abril de 2018). «Descaso, tragédia, vitória inédita e ponto feminino marcaram prova em Montjuich». globoesporte.com. Globo Esporte. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  6. Fred Sabino (2 de maio de 2018). «Primeiro embate entre Lauda e Hunt foi numa polêmica corrida na Espanha». globoesporte.com. Globo Esporte 
  7. «Poachers turned gamekeepers: how the FOCA became the new FIA - Part 1: Introduction and timeline (em inglês)». Forix.com. Consultado em 21 de novembro de 2007 
  8. a b c «Spanish GP, 1970 (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 25 de abril de 2020 
  9. a b c Fred Sabino (19 de abril de 2018). «O dia em que a Fórmula 1 teve de começar a abrir os olhos para a segurança». globoesporte.com. Globo Esporte. Consultado em 23 de dezembro de 2018 
  10. «Tyrrell Racing Organisation (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 25 de abril de 2020 
  11. Vitória de Stewart no Grande Prêmio da Espanha (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 22/04/1970. Caderno de Automóveis, p. 04. Página visitada em 25 de abril de 2020.
  12. a b «1970 Spanish GP – championships (em inglês) no Chicane F1». Consultado em 30 de julho de 2020 

Precedido por
Grande Prêmio da África do Sul de 1970
Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA
Ano de 1970
Sucedido por
Grande Prêmio de Mônaco de 1970
Precedido por
Grande Prêmio da Espanha de 1969
Grande Prêmio da Espanha
15ª edição
Sucedido por
Grande Prêmio da Espanha de 1971