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Granja do Tedo

freguesia de Tabuaço, Portugal

A freguesia mais histórica do concelho de Tabuaço.

Portugal Portugal Granja do Tedo 
  Freguesia  
Localização
Localização no concelho de Tabuaço
Localização no concelho de Tabuaço
Granja do Tedo está localizado em: Portugal Continental
Granja do Tedo
Localização de Granja do Tedo em Portugal
Coordenadas 41° 04' 03" N 7° 36' 52" O
País Portugal Portugal
Concelho TBC.png Tabuaço
Administração
Tipo Junta de freguesia
Presidente José António Veiga Lopes (PPD/PSD.CDS-PP)
Características geográficas
Área total 4,67 km²
População total (2011) 214 hab.
Densidade 45,8 hab./km²
Código postal 5120

Granja do Tedo é uma freguesia portuguesa do concelho de Tabuaço, com 4,67 km² de área e 214 habitantes (2011). A sua densidade populacional é 45,8 hab/km².

Foi sede de concelho até 1834, quando foi integrada no também já extinto concelho de São Cosmado. Era constituído apenas pela freguesia da sede.

PopulaçãoEditar

População da freguesia de Granja do Tedo [1]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
449 435 458 463 496 434 453 487 510 496 412 396 316 227 214
Distribuição da População por Grupos Etários
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 28 32 107 60 12,3% 14,1% 47,1% 26,4%
2011 24 21 117 52 11,2% 9,8% 54,7% 24,3%

Média do País no censo de 2001: 0/14 Anos-16,0%; 15/24 Anos-14,3%; 25/64 Anos-53,4%; 65 e mais Anos-16,4%

Média do País no censo de 2011: 0/14 Anos-14,9%; 15/24 Anos-10,9%; 25/64 Anos-55,2%; 65 e mais Anos-19,0%

HistóriaEditar

A fundação da povoação de Granja do Tedo encontra-se envolta em lendas que se entrelaçam com factos históricos, sendo difícil destrinçar a realidade. Com efeito, segundo o Pe. Carvalho da Costa, a sua fundação é atribuída a "Dom Tedon, filho de D. Ermigio Albumazar Ramires, que era filho illegitimo de D. Ramiro o Segundo Rey de Leão, depois de haver alcançado grandes vitorias dos Mouros, & lhe pôs e o deu nome pelos anos de 1030".

No entanto, o topónimo «Granja», segundo Almeida Fernandes, apenas terá começado a ser utilizado em Portugal aquando da entrada da Ordem de Cister em Portugal – primeiro em Tarouca entre 1138 e 1143, e depois em São Pedro das Águias, tratando-se pois de um topónimo de origem monástica referente ao latino «granu-», adaptado para a língua franco-francesa, e que designa as quintas fundadas dentro dos coutos dos mosteiros de Cister.

Assim, facilmente se aceitará a existência, no tempo de D. Afonso Henriques, de um mosteirinho de monges beneditinos na actual Granja do Tedo, dedicado a «São Fraústo», e que D. Dordia Gomes (esposa de Garcia Rodrigues, Senhor de Leomil) e seus filhos terão beneficiado com carta de herdade, dentro do Couto de Leomil, "aos que na ermida de São Fraústo vivem ou viverem", e que acabou, pouco depois, por ser anexado ao Mosteiro de São Pedro das Águias por falta de rendas suficientes para o seu sustento, continuando estes religiosos, no entanto, a administrar os sacramentos aos moradores do lugar até os confiarem ao pároco da Abadia de São Cosmado, à qual a paróquia andou anexa até ao século XIX.

Em 1527, de acordo com o Cadastro do Reyno, Granja do Tedo aparece já referida como vila e concelho, contando apenas com 31 fogos habitacionais, não possuindo "ouutro lugar nem quymta no termo". O Censual da Sé de Lamego, do 2.º terço do século XVI, não menciona a paróquia de S. Faustino, mas apenas a paroquial de S. Cosmado à qual estaria anexa, e cujo padroado pertencia então aos Condes de Marialva, Senhores de Leomil.

Todavia, deveria existir já uma ermida dedicada aos, ao tempo, padroeiros São Gonçalo e Santo Estêvão, a Norte do Lugar de Baixo, no sítio a que actualmente chamam o «Santo» ou «Mártir», e que cumpriria as funções de uma capelania que no século XVIII já se achava dedicada a S. Sebastião, com a tradição de ter sido a antiga matriz.

Apenas em 1623, por ordem do Pe. Lic. José Francisco, Abade de São Cosmado, passou a vila de Granja do Tedo a ter uma Igreja Paroquial construída de raiz (cujas obras se iniciaram em 1621), dedicada a São Faustino e São Jovita, vindo desse modo substituir a antiga ermida. A sua Irmandade das Almas terá sido constituída logo a seguir, em 1626, conforme se pode ver por um banco, actualmente guardado na sacristia, que ostenta aquela data e uma inscrição alusiva ao Sacramento.

Em 1708, segundo o Pe. Carvalho da Costa, aparece referida como vila com 150 vizinhos (fogos habitacionais) e igreja paroquial da invocação de São Faustino, curato anexo da Abadia de São Cosmado.

Nas "Memórias Paroquiais de 1758" o vigário, padre Heitor de Miranda, informa a existência do seu Juiz Ordinário e respectiva Câmara, cujo concelho viria a ser extinto em 6 de Novembro de 1836, passando a freguesia do concelho de São Cosmado, por sua vez extinto em 24 de Outubro de 1855, data em que foi transferida para o concelho de Tabuaço.

Bastante rica em termos de história e património cultural, existem no seu território vestígios arqueológicos que nos fazem recuar ao período romano, nomeadamente os troços de viação antiga que ligam a Granja do Tedo a Longa e a Leomil, e talvez as fundações das actuais pontes que atravessam o Tedo e o Tedinho, provavelmente recuperadas na Idade Média, se tivermos em consideração os cavaletes pronunciados, e depois reedificadas no século XVII, conforme documentação da época.

Do período medieval existirão as ruínas do antigo Mosteiro beneditino de São Fraústo e do templo que serviu de paroquial, depois capela de São Sebastião, nos lugares do Santo e Mártir, bem como um fragmento de tampa de sepultura medieval cristã, actualmente guardada no pátio do Solar Oliveira Rebelo.

Do século XVII subsistem as ruínas do Hospício dos Frades que se achava ligado à Capela da Senhora do Socorro, e que foi erigido para convalescença dos frades doentes de Salzedas, administradores da referida Capela. Referência, também, para a denominada Casa dos Mouros, ainda sem estudo e datação que a atribua a um período histórico específico, e o conhecido e enigmático Poço de Ferro, no leito da ribeira de Leomil.

No que concerne ao património religioso é de referir a excelsa Igreja Matriz da Granja do Tedo, com excelente altar-mor joanino, a Capela das Chagas de São Francisco (com a qual se instituiu o Morgadio da Granja do Tedo), a Capela de Nossa Senhora do Socorro, concluída em 1615, e a rocaille Capela de Nossa Senhora das Mercês, da 2.ª metade do século XVIII, incorporada no solar dos Oliveira Rebelo, ou ainda o Cruzeiro no Largo do Adro, do século XVIII, os Passos da Via-sacra, espalhados pelas ruas da povoação, e o pequeno Nicho de Santo António, à entrada do lugar do Povo de Baixo.

No plano da arquitectura civil privada poderão ser observados, além de uma grande variedade de outros imóveis habitacionais edificados entre os sécs. XVI e XIX, diversos edifícios solarengos, designadamente o majestoso solar dos Oliveira Rebelo (Morgados da Granja do Tedo) e um Palacete seiscentista, ambos no Povo de Cima, ou ainda o palacete da família dos Lucenas e Mergulhões, no Povo de Baixo, no seio da qual foi instituído, por ordem real, o título de Visconde da Granja do Tedo.

Destaque, também, para a «Arca da Aliança», também conhecida como «Casa dos Santos Custódios», onde Maria Coroada estabeleceu, no 2.º quartel do século XIX, uma seita religiosa que deu origem ao famoso Cisma da Granja do Tedo.

Relativamente à arquitectura civil pública política e judicial, recordando a antiga qualidade de concelho, preserva-se o seu interessante Pelourinho, a antiga Casa da Câmara e Tribunal e a antiga Cadeia, todos no Povo de Cima, sendo de referir, no plano da arquitectura comemorativa, o Cruzeiro dos Centenários no sítio da Portelada.

Como elementos de arquitectura civil de equipamento conservam-se uma Azenha Hidráulica, junto à Ponte do Tedo, a Azenha Artesanal da Lameira, junto ao Ribeiro de Meixide, o Forno Comunitário, na Rua da Laje, a Eira comunitária e construções conexas, no Povo de Cima, as Poldras, no rio Tedo, um Moinho na ribeira de Leomil, junto à praia fluvial, e a Fonte do Largo da Praça, de pendor seiscentista, no Povo de Cima.

Recentemente, a Granja do Tedo foi beneficiada, no âmbito das actividades do Centro Rural de São Martinho das Chãs, em que se insere, com um parque de merendas, uma praia fluvial e um jardim histórico que pretende recordar o amor de D. Thedon e da princesa árabe Ardínia.

Fonte: Site da Câmara de Tabuaço Por: Gisele Camacho Aznar

Origens ToponímicasEditar

Dados Bibliográficos: A. Almeida Fernandes

Granja do Tedo: Gr. do T. Granjinha: Granj: Evidentes: locais do couto do mosteiro cisterciense de S. Pedro das Águias (desde os meados do século XII), onde o mosteiro fundou granjas. A palavra «granja» é de origem franco-francesa (mas do lat. granu-), e não foi introduzida entre nós antes de 1138-1139, quando os Cistercienses se estabeleceram em Portugal (em Tarouca).

ArqueologiaEditar

  • Sítio Arqueológico do Santo e Mártir (fundações da antiga igreja paroquial / Ruínas da antiga capela de S. Sebastião e do Mosteiro beneditino de São Fraústo)
  • Troço de via romana Arcos/Longa/Granja do Tedo
  • Troço de viação antiga Granja do Tedo/Leomil
  • Fragmento de tampa de sepultura medieval cristã, guardada no pátio do Solar Oliveira Rebelo
  • Casa dos Mouros

Imóveis Com Interesse ArquitectónicoEditar

  • Igreja Matriz de Granja do Tedo / Igreja de São Faustino e São Jovita, classificação em estudo
  • Capela das Chagas de São Francisco, Incluída na Zona de Protecção do Pelourinho de Granja do Tedo, classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 23122, de 11 de outubro de 1933
  • Capela de Nossa Senhora do Socorro
  • Cruzeiro setecentista no Largo do Adro
  • Passos da Via-sacra da Granja do Tedo
  • Ruínas do Hospício dos Frades, no Lugar de Cima
  • Pelourinho de Granja do Tedo, classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 23122, de 11 de outubro de 1933
  • Antigos Tribunal e Câmara da Granja do Tedo, sitos na Rua do Arco do Tribunal, Incluído na Zona de Protecção do Pelourinho de Granja do Tedo, classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 23122, de 11 de outubro de 1933
  • Antiga Cadeia de Granja do Tedo, no Lugar da Eira
  • Cruzeiro dos Centenários da Granja do Tedo, no sítio da Portelada
  • Ponte do rio Tedo, classificação em estudo
  • Ponte sobre o rio Tedinho
  • Fonte do Largo da Praça, no Lugar de Cima, Incluída na Zona de Protecção do Pelourinho de Granja do Tedo, classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 23122, de 11 de outubro de 1933
  • Azenha artesanal da Lameira, junto ao Ribeiro de Meixide
  • Azenha hidráulica da Ponte
  • Eira comunitária e construções conexas, de arquitectura vernácula, no sítio da Eira, Povo de Cima
  • Forno comunitário, na Rua da Laje
  • Moinho do rio Tedo, junto à praia fluvial
  • Poço de Ferro, no leito da ribeira de Leomil
  • Solar Oliveira Rebelo e Capela de Nossa Senhora das Mercês, Incluído parcialmente na Zona de Protecção do Pelourinho de Granja do Tedo, classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 23122, de 11 de outubro de 1933
  • Solar dos Lucenas e Mergulhões / Palacete do Visconde da Granja do Tedo
  • Palacete seiscentista no sítio da Eira, Incluído na Zona de Protecção do Pelourinho de Granja do Tedo, classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 23122, de 11 de outubro de 1933
  • Casa de Átrio, junto à Ponte do Rio Tedo
  • Casa do Passadiço, na Rua de Maria Coroada
  • Casa de Maria Coroada / Casa dos "Santos Custódios"
  • Casa seiscentista / setecentista na Carreira de Santo António
  • Casa seiscentista / setecentista na Rua Abel Barradas
  • Casa seiscentista / setecentista na Rua da Fonte
  • Casa seiscentista / setecentista na Rua de Maria Coroada
  • Conjunto de casas seiscentistas e setecentistas no Largo do Rossio
  • Conjuntos de casas de arquitectura vernácula, nas Ruas Abel Barradas, de Maria Coroada, da Senhora do Socorro e no sítio da Lameira
  • Conjunto de casas quinhentistas / seiscentistas no Largo da Praça, Lugar do Povo de Cima, Incluído parcialmente na Zona de Protecção do Pelourinho de Granja do Tedo, classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 23122, de 11 de outubro de 1933

Granja do Tedo por Gisele Camacho AznarEditar

Esta Vila, uma das mais atractivas povoações que já conheci nestas margens do Rio Tedo. Contam que foi aqui que D. Thedon agradado do sítio onde está hoje a Granja do Tedo, assentou sua residência, e construiu uma casa de habitação e uma granja, que foi o princípio da povoação. Outros dizem que morou o fidalgo em Monte Rei, uma quinta que ainda pode ser visita e admirada, banhada pelo rio Tedinho, qual diz a tradição morreu afogado e foi sepultado um Rei Mouro. D. Thedon é irmão do progenitor da nobilíssima família dos Távora, cujos principais membros foram queimados e decapitados na praça de Belém, no dia 13 de Janeiro de 1759, por Marques do Pombal.

Granja do Tedo é a mais singular povoação de Tabuaço pela soma de lendas e de traços históricos que guarda. É constituída por dois povos: o Povo de Baixo, mais antigo e o Povo de Cima.

O Rio Tedo que se chama assim depois de reunidas, a montante, as águas do Rio Tedinho com uma ponte de porte medieval e as águas da Ribeira de Leomil, caudaloso apenas no inverno, rega os campos e antigamente movia moinhos e pisões.

Uma velha ponte de teor românico, do século XVII talvez, une os dois povos. O Povo de Baixo oferece, a quem olha do alto, durante as horas do sol, uma deslumbrante lição de organização urbana habilmente desenvolvida à volta da Igreja matriz entre o rio e a montanha. O Solar dos Lucenas e Mergulhões, na Rua Abel Barradas e outras casas de prestígio fixaram ao longo dos sécs. XVII e XVIII o alinhamento dos arruamentos.

A Igreja Matriz construída entre 1621 e 1623 pelo Abade José Francisco com fachada encimada por torre de dois sinos voltada a nascente, apresenta uma ampla nave da qual se sobe para a capela-mor por uma escadaria de nove degraus.

No Povo de Cima fica o Pelourinho, no Largo da Praça, testemunho da elevação a vila desta povoação que um dia foi de EI-Rei.

Ali se ergue arruinada uma Capela de 1665, que desde a sua fundação é propriedade particular dos herdeiros do Solar. Contam os mais antigos que esta capela foi deixada ao descaso e a cobertura já lhe faltava, chegando ao ponto de crescer um sabugueiro que ultrapassou a capela. Na sequência duma intenção da autarquia em transferir a capela para o cemitério, os proprietários, opondo-se a isso, pois tal decaracterizaria o centro histórico do Povo de Cima (ao amputá-lo do seu ex-libris), resolvem restaurar o telhado da capelinha, para o que mandam cortar o sabugueiro e limpar os lixos ali acumulados. Ainda da nobreza pode ver-se, no Povo de Cima, um solar setecentista (Solar dos Oliveira Rebelo) onde são perceptíveis dois corpos diferentes separados por uma Capela. Este nobre património pertence hoje à família Girão Osório, herdeira daquela. Assim como uma linda azenha, situada junto ao ribeiro de Mexido, na curva da Lameira, ainda no Povo de Cima, que se encontra bastante abandonada, sem telhado e a precisar de intervenção.

Vale a pena deambular pelas ruas desta povoação onde cachos de flores caem de muros e onde pode bater-se à porta de um cesteiro de verga trabalhando em seu ofício.

Esta gente revive a história em cantares e reinventa actos de tradição como na noite de Páscoa que por algum motivo tem mais evidência que o natal, nesta data à noite, os caminhos da aldeia são alumiados com milhares de candeias de lata cheias de azeite.

A cisma da Granja do Tedo por Gisele Camacho AznarEditar

Essa freguesia é de facto a mais pitoresca de todo concelho. Tento observar as suas paisagens e arquitectura, mas envolvo-me num ar sombrio que encontro em cada esquina, transportando-me para um tempo de trevas e escuridão.

Acredito que isso se deve ao facto de um episódio ocorrido em 1840, tempo em que despertava o sentido de liberdade de culto e credo em Portugal, neste pequeno e escondido povoado um senhor por nome de José Custódio - Mestre Régio reconhecido em carta de Registo Geral de Mercês, D. Luís I, incentivado por sua família praticava uma fé que não sabemos ao certo identificar mas certo é que foi bem recebida por todos daquela região e arredores.

Pinho Leal em suas acusações absurdas deixa escapar que era de pasmar, e incompreensível a tolerância do pároco durante os felizes oito anos desta liberdade de credo que historicamente acontecia na aldeia da Granja do Tedo. É d e reconhecer que o Sr. Custódio era munido de muita ousadia e contava com o respeito dos adeptos, ao assumir e conduzir uma crença em tempo pós inquisição, em que recentemente punidos eram todos que fossem contrário a fé estabelecida pela já falida monarquia.

Facto é que Sr. Custódio foi traído pelo sistema que anunciava o fim das perseguições religiosas e se viu difamado, humilhado, açoitado pelas ruas, divagando por diferentes terras do reino, vivendo da caridade publica, sofrendo fome, frio e toda qualidade de privações. Pinho Leal, um Militante Miguelista, que teve seu pai assassinado em 1834, coloca seu ódio pessoal nesta versão sarcástica sobre factos que arruinaram com a vida de uma família, ao ler seu volume, um bom entendedor apercebe-se que tratou-se de uma publicação para justificar actos tão cruéis de abuso de poder sem direito a julgamento nas actuais leis que já vigoravam neste país. Mesmo em tempos mais difíceis a inquisição dava ao réu algum direito de defesa.

A história é tão curiosa e sarcástica no ponto de vista de Pinho Leal que ao procuramos por evidências deste acontecimento, acabamos por encontrar tudo que contradiz esta sevícia de uso de poder do então administrador do concelho de São Cosmado. Seus admiradores Pinho Leal e Pedro Ferreira, fizeram-lhe o favor de usar a imaginação para tirar do acusador José Correia Sampaio o peso que lhe cairia sobre as costas quando a justiça lhe pedisse retratação. Vale a pena citar que tão reconhecidos escritores que assinaram o "Diccionário Chorografhico PORTUGAL ANTIGO E MODERNO", usaram pseudónimos ao escreverem essa Infamíssima história. Patrício Lusitano e Pantaleão Froilaz foram os pseudónimos alegóricos escolhidos para este drama que hoje tornam-se público. Deixo-lhes vos as engraçadas fantasias do Pantaleão Lusitano: (A Scisma da Granja do Tedo), para que tenhas a sua própria opinião sobre esta aldeia e seus sem dúvida corajosos habitantes do século XIX.

Sabemos que em consequência dessa desgraça as netas do Mestre Régio tiveram que vestir calças para garantirem algum trabalho e sustento. Surgindo então um novo facto que abalou o país: A HISTÓRIA DA MULHER HOMEM - Foi com um nome de mulher "Antônia" que todos os jornais anunciaram o facto, sua transgressão foi levada a julgamento. A sentença foi dada: É ESTA: Alguém que trocou suas vestes para trabalhar, mas foi posta em liberdade através do reconhecimento de sua boa conduta e pelo carácter de quem não se despiu do fato que trajava sua alma.

PatrimónioEditar

Referências

  1. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes

Ligações externasEditar