Gravidez ectópica

complicação da gravidez em que o embrião se forma fora do útero

Gravidez ectópica é uma complicação da gravidez em que o embrião se forma fora do útero.[4] Os sinais e sintomas clássicos incluem dor abdominal e hemorragia vaginal, embora apenas menos de metade das mulheres é que apresentem ambos os sintomas. Esta dor pode ser descrita como cortante e localizada, ou dor persistente e difusa, ou ainda semelhante a cãibras. A dor pode ainda espalhar-se para o ombro no caso de ocorrer hemorragia para o abdómen.[1] As hemorragias graves podem causar ritmo cardíaco acelerado, desmaio ou choque circulatório.[4][1] Exceto em situações muito raras, o feto de uma gravidez ectópica é incapaz de sobreviver.[5]

Gravidez ectópica
Fotografia laparoscópica, olhando para baixo em direção ao útero (assinalado pelas setas azuis). Na trompa de Falópio esquerda está em desenvolvimento uma gravidez ectópica (assinalada pelas setas vermelhas). A trompa direita encontra-se normal.
Sinónimos Gravidez extra-uterina
Especialidade Obstetrícia e ginecologia
Sintomas Dor abdominal, hemorragia vaginal[1]
Fatores de risco Doença inflamatória pélvica, fumar, antecedentes de cirurgia às trompas de Falópio, antecedentes de infertilidade, reprodução medicamente assistida[2]
Método de diagnóstico Análises ao sangue para deteção de gonadotrofina coriónica humana, ecografia[1]
Condições semelhantes Aborto espontâneo, torção do ovário, apendicite[1]
Tratamento Metotrexato, cirurgia[2]
Prognóstico Mortalidade 0,2% (países desenvolvidos), 2% (em vias de desenvolvimento)[3]
Frequência ~1,5% das gravidezes (países desenvolvidos)[4]
Classificação e recursos externos
CID-10 O00
CID-9 633
DiseasesDB 4089
MedlinePlus 000895
eMedicine med/3212 emerg/478 radio/231
MeSH D011271
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Entre os fatores de risco para uma gravidez ectópica estão a doença inflamatória pélvica, em muitos casos originada por clamídia, fumar, antecedentes de cirurgia às trompas de Falópio, antecedentes de infertilidade e uso de reprodução medicamente assistida. As mulheres que anteriormente tiveram uma gravidez ectópica apresentam um risco muito maior de vir a ter outra. 90% das gravidezes ectópicas desenvolvem-se nas trompas de Falópio e são denominadas gravidezes tubárias.[2] A nidação pode também ocorrer no colo do útero, ovários ou no abdómen.[1] Uma gravidez ectópica é geralmente diagnostica com recurso a ecografia e análises ao sangue para deteção de gonadotrofina coriónica humana. Para confirmar o diagnóstico pode ser necessária a repetição dos exames em diversos momentos. A ecografia vaginal apresenta maior precisão. Entre outras condições que apresentam sintomas semelhantes estão o aborto espontâneo, a torção do ovário e a apendicite.[1]

A prevenção consiste em diminuir os fatores de risco, como tratar as infeções por clamídia.[6] Embora algumas gravidezes ectópicas se resolvam sem tratamento, à data de 2014 esta abordagem ainda não estava bem estudada. O tratamento pode consistir em medicamentos ou cirurgia. Pode ser administrado metotrexato, que é mais eficaz quando os níveis de gonadotrofina coriónica humana são baixos e o embrião é ainda pequeno. A cirurgia é recomendada quando existe rutura da trompa, quando existe batimento cardíaco fetal ou quando os sinais vitais da mãe são instáveis.[2] A cirurgia pode ser laparoscópica, com uma incisão mínima, ou laparotómica, através de uma incisão maior.[4] Com tratamento, o prognóstico é geralmente bom.[2]

Em países desenvolvidos, a taxa de gravidezes ectópicas é de 1–2%, embora possa chegar aos 4% entre pessoas em programas de reprodução medicamente assistida.[4] É a causa mais comum de morte durante o primeiro trimestre de gravidez, sendo responsável por 10% do total de mortes.[2] Embora nos países desenvolvidos o prognóstico tenha vindo a melhorar, nos países em desenvolvimento ainda são insatisfatórios.[6] O risco de morte entre países desenvolvidos é de 0,1–0,3%, enquanto nos países em desenvolvimento é de 1–3%.[3] A primeira descrição conhecida de uma gravidez ectópica foi feita pelo médico andaluz Abulcasis no século XI.[6] O termo "ectópico" significa "fora do local".[7]

Sinais e sintomasEditar

Por vezes a gravidez ectópica pode não ser notada, e os primeiros sintomas podem incluir:

  • Atraso menstrual;
  • Sangramento vaginal e;
  • Dor pélvica.

Ocorrendo a ruptura da gravidez ectópica, há hemorragia dentro da cavidade abdominal, com ocorrência de dor abdominal de intensidades variáveis, além de tonturas, dor no pescoço, ombro e desmaio.[8]

CausasEditar

As causas mais comuns são todos os fatores que impedem a passagem do óvulo para a cavidade uterina como[8] como:

Fatores de riscoEditar

Um histórico de abortos anteriores, tanto naturais quanto induzidos, aumenta o risco de gravidez ectópica. Fazer outras cirurgias abdominais também aumenta o risco, especialmente quando há complicações. É comum ter múltiplas gravidezes ectópicas, com um nível de re-incidência de mais de 30%. Também é mais comum antes dos 20 anos e depois dos 40. A maioria das gestações ectópicas ocorre nas trompas em porções distais, principalmente na ampola.[9]

ComplicaçõesEditar

A gravidez ectópica geralmente sofre interrupção (ruptura) entre 6 e 12 semanas dependendo do local onde está implantada. Os exames solicitados são exames de sangue para determinar a perda sanguínea e a presença de infecção e a ecografia pélvica transvaginal além do próprio exame de gravidez e laparoscopia.[8]

PrevençãoEditar

Prevenção da gravidez ectópica esta diretamente ligada ao tratamento das doenças sexualmente transmissíveis, o uso de camisinha e planejar a gravidez para entre os 20 e 40 anos. Caso já esteja grávida é importante fazer um exame para verificar as condições do feto logo nos primeiros meses.

TratamentoEditar

No início da gravidez existe a possibilidade de usar medicamentos como metotrexato para que o embrião seja re-absorvido pela mãe ou expelido na menstruação. Complicações como hemorragia interna precisam ser tratadas com cirurgia de emergência e são risco para a vida da mãe. O tratamento cirúrgico em casos leves, pode ser convencional, envolvendo a retirada apenas da gravidez ou pode ser mais radical e retirar todo o tubo afetado, reduzindo os riscos de outra gravidez ectópica, mas também reduzindo as chances de uma nova gravidez. Geralmente é realizado por laparoscopia com laparotomia.[8]

Em raríssimos casos, antes do primeiro mês de gravidez, pode ser possível transplantar com sucesso o embrião ao útero, mas é raro descobrir uma gravidez antes do primeiro mês. Porém apenas dois casos foram bem sucedidos e frequentemente envolvem maiores riscos para a vida da mãe.[10]

Referências

  1. a b c d e f g Crochet JR, Bastian LA, Chireau MV (2013). «Does this woman have an ectopic pregnancy?: the rational clinical examination systematic review». JAMA. 309 (16): 1722–9. PMID 23613077. doi:10.1001/jama.2013.3914 
  2. a b c d e f Cecchino, GN; Araujo Júnior, E; Elito Júnior, J (setembro de 2014). «Methotrexate for ectopic pregnancy: when and how.». Archives of gynecology and obstetrics. 290 (3): 417–23. PMID 24791968. doi:10.1007/s00404-014-3266-9 
  3. a b Mignini L (26 de setembro de 2007). «Interventions for tubal ectopic pregnancy». who.int. The WHO Reproductive Health Library. Consultado em 12 de março de 2015. Cópia arquivada em 2 de abril de 2015 
  4. a b c d e Kirk E, Bottomley C, Bourne T (2014). «Diagnosing ectopic pregnancy and current concepts in the management of pregnancy of unknown location». Hum. Reprod. Update. 20 (2): 250–61. PMID 24101604. doi:10.1093/humupd/dmt047 
  5. Zhang, J; Li, F; Sheng, Q (2008). «Full-term abdominal pregnancy: a case report and review of the literature.». Gynecologic and obstetric investigation. 65 (2): 139–41. PMID 17957101. doi:10.1159/000110015 
  6. a b c Nama, V; Manyonda, I (abril de 2009). «Tubal ectopic pregnancy: diagnosis and management.». Archives of gynecology and obstetrics. 279 (4): 443–53. PMID 18665380. doi:10.1007/s00404-008-0731-3 
  7. Cornog, Mary Wood (1998). Merriam-Webster's vocabulary uilder. Springfield, Mass.: Merriam-Webster. p. 313. ISBN 9780877799108 
  8. a b c d ABC da saúde
  9. http://www.bestbets.org/bets/bet.php?id=921
  10. C J Wallace (1917). "Transplantations of Ectopic Pregnancy from Fallopian Tube to Cavity of the Uterus". Surgery, Gynecology, and Obstetrics with International Abstract of Surgery 24 (1).
 
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