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Grupo 2 de Astronautas da NASA

artigo de lista da Wikimedia
Os astronautas em 17 de setembro de 1962 junto com miniaturas das espaçonaves Mercury, Gemini e Apollo. Em pé: See, McDivitt, Lovell, White e Stafford. Agachados: Conrad, Borman, Armstrong e Young.

O Grupo 2 de Astronautas da NASA, também chamado de Novos Nove, Próximos Nove ou Nove Bacanas, foi um grupo de astronautas selecionado pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) para integrarem o programa espacial dos Estados Unidos. Foi o segundo grupo de astronautas da NASA e foram anunciados no dia 17 de setembro de 1962. Os nove eram Neil Armstrong, Frank Borman, Pete Conrad, Jim Lovell, James McDivitt, Elliot See, Thomas Stafford, Edward White e John Young. Seus membros voaram nos programas Gemini, Apollo e Ônibus Espacial.

A necessidade de um segundo grupo de astronautas a fim de complementar os Sete Originais veio com o anúncio do Projeto Gemini em preparação para o Programa Apollo. Seu processo de seleção começou em abril de 1962. Enquanto os astronautas originais foram selecionados para o simples objetivo de um voo orbital, os novos escolhidos precisariam realizar tarefas mais desafiadoras como, encontro orbital, acoplagem espacial e alunissagem, assim necessitavam de uma formação de engenharia mais qualificada, além do mesmo pré-requisito que tivessem ampla experiência como pilotos de teste.

O Grupo 2 foi considerado como o melhor já escolhido pela NASA, com seus membros tendo realizando ao todo 25 voos espaciais, comandado dezoito missões e estado presente em todos os lançamentos do Projeto Gemini. Além disso, seis voaram para a Lua, Lovell e Young duas vezes, com Armstrong, Conrad e Young caminhando sobre sua superfície. Sete foram premiados com a Medalha de Honra Espacial do Congresso, a mais alta condecoração por mérito espacial dos Estados Unidos. O grupo também incluía os dois primeiros astronautas civis da NASA, Armstrong e See.

AntecedentesEditar

O lançamento em 4 de outubro de 1957 do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da história, pela União Soviética em meio à Guerra Fria iniciou uma competição tecnológica e ideológica contra os Estados Unidos que ficou conhecida como Corrida Espacial. Tal demonstração aparente da inferioridade tecnológica norte-americana causou um choque e temor profundo no povo dos Estados Unidos.[1] O presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower, em resposta ao que ficou conhecido como a Crise do Sputnik, decidiu criar uma nova agência espacial civil, a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), com o objetivo de supervisionar o programa espacial dos Estados Unidos.[2] O Grupo de Tarefas Espaciais (STG) do Centro de Pesquisa Langley em Hampton, Virgínia, criou o primeiro programa espacial tripulado norte-americano, o Projeto Mercury.[3][4] A seleção dos primeiros astronautas, chamados de "Sete da Mercury" ou "Sete Originais",[5] foram anunciados em 9 de abril de 1959.[6]

O STG estava confiante em 1961 que o Projeto Mercury tinha superado suas dificuldades iniciais e que os Estados Unidos tinham superado a União Soviética como o país mais avançado no espaço, mesmo com nenhum lançamento tripulado tendo ocorrido até então. O STG começou a considerar a Mercury Marco II, o sucessor com dois tripulantes da espaçonave Mercury original. Entretanto, esta confiança foi despedaçada em 12 de abril de 1961 quando os soviéticos lançaram a Vostok 1 tripulada com o cosmonauta Iuri Gagarin, que tornou-se o primeiro humano no espaço e o primeiro a orbitar a Terra. Em resposta, o presidente John F. Kennedy anunciou em 25 de maio de 1961 um objetivo mais ambicioso: um pouso tripulado na Lua até o final da década.[7] Este esforço já tinha um nome: Programa Apollo.[8] O conceito da Mercury II não foi abandonado; Robert Gilruth, o diretor da STG, anunciou sua existência em 7 de dezembro de 1961 e o nomeou oficialmente de Projeto Gemini em 3 de janeiro de 1962.[9]

A NASA anunciou formalmente em 18 de abril de 1962 que estava aberta para receber candidaturas para um novo grupo de astronautas que iriam ajudar os Sete Originais com o Projeto Mercury e juntariam-se a eles nos voos do Projeto Gemini. Foi antecipado que esses novos candidatos também comandariam missões Apollo. Diferentemente da seleção do primeiro grupo, que foi realizada totalmente em segredo, esta seleção foi amplamente divulgada pela mídia, com anúncios públicos e os critérios mínimos sendo repassados para empresas de aeronaves, agências governamentais e para Sociedade de Pilotos de Teste Experimentais.[10]

CritériosEditar

Os critérios mínimos de seleção estalecidos pelo STG para os possíveis candidatos eram: serem pilotos de teste experientes com pelo menos 1500 horas de voo na função, terem se formado de uma escola militar de pilotos de teste ou terem ima experiência equivalente na função trabalhando para a NASA ou para alguma indústria de aeronaves, terem voado em aviões a jato de alta performance, terem conquistado um diploma em engenharia ou em ciências físicas ou biológicas, serem cidadãos norte-americanos, terem no máximo 35 anos de idade, uma altura máxima de 1,83 metros e terem sido recomendados por um empregador anterior.[10][11]

Estes critérios diferiam em vários aspectos da seleção do primeiro grupo de astronautas. O requerimento de altura foi relaxado um pouco pois esperava-se que a espaçonave Gemini fosse mais espaçosa que a Mercury; isto permitiu que Thomas Stafford fosse elegível. Um diploma universitário passou a ser uma exigência, porém ele poderia ser de alguma ciência biológica. Pilotos de teste civis passaram a ser elegíveis, porém a necessidade de experiência em jatos de alta performance favorecia aqueles com experiência recente, além de pilotos de caça sobre aqueles com experiência em vários tipos de motores diferentes. A mudança mais importante foi a diminuição da idade limite de quarenta para 35 anos. Isto ocorreu porque o Projeto Mercury era uma empreitada de curta-duração, enquanto o Programa Apollo deveria continuar até pelo menos o final da década. Estas mudanças impediram que o painel simplesmente escolhesse outro grupo dos finalistas recusados dos Sete Originais.[11][12]

AstronautasEditar

Imagem Nome Nascimento Falecimento Carreira refs
  Neil A. Armstrong 5 de agosto de 1930 25 de agosto de 2012 Nascido em Wapakoneta, Ohio, entrou na Marinha em 1949 e lutou na Guerra da Coreia. Deixou a Marinha em 1952 e formou-se na Universidade Purdue em 1955 com um bacharelato de engenharia aeroespacial. No mesmo ano tornou-se piloto de teste para a NACA. Fez seu primeiro voo espacial em março de 1966 como comandante da Gemini VIII, realizando a primeira acoplagem espacial da história, porém a missão foi abortada por falha nos propulsores. Voltou para o espaço em julho de 1969 como comandante da Apollo 11, quando pilotou a primeira alunissagem tripulada da história e tornou-se o primeiro homem a pisar na superfície da Lua. Se aposentou da NASA em 1971, depois servindo nas comissões de inquérito dos acidentes da Apollo 13 e do ônibus espacial Challenger. [13][14]
  Frank F. Borman II 14 de março de 1928 Nascido em Gary, Indiana, formou-se em 1950 com um bacharelato na Academia Militar dos Estados Unidos e entrou na Força Aérea. Conquistou um mestrado em engenharia aeroespacial no Instituto de Tecnologia da Califórnia em 1957. Cursou em 1960 a Escola Experimental de Pilotos de Teste da Força Aérea e depois na Escola de Pilotos de Pesquisa Aeroespaciais. Fez seu primeiro voo espacial em dezembro de 1965 na Gemini VII, passando duas semanas no espaço e realizando um encontro com a Gemini VI-A. Foi o representante dos astronautas na comissão de inquérito do incêndio da Apollo 1. Fez seu segundo e último voo espacial em dezembro de 1968 como comandante da Apollo 8, a primeira missão a orbitar a Lua. Se aposentou em 1970 da NASA e da Força Aérea. [13][15]
  Charles Conrad Jr. 2 de junho de 1930 8 de julho de 1999 Nascido na Filadélfia, Pensilvânia, formou-se na Universidade de Princeton em 1953 com um bacharelato em engenharia aeroespacial e entrou na Marinha. Formou-se da Escola de Pilotos de Teste Navais em 1958. Foi para o espaço a primeira vez por oito dias em agosto de 1965 como piloto da Gemini V, estabelecendo em setembro seguinte o recorde de altura orbital como comandante da Gemini XI. Tornou-se a terceira pessoa a pisar na Lua em novembro de 1969 como comandante da Apollo 12. Também foi comandante da Skylab 2 em maio de 1973, passando 28 dias no espaço e realizando grandes reparos na estação espacial Skylab. Se aposentou da NASA e da Marinha pouco depois no mesmo ano. [13][15]
[16]
  James A. Lovell Jr. 25 de março de 1928 Nascido em Cleveland, Ohio, formou-se na Academia Naval dos Estados Unidos em 1952 e entrou na Marinha. Tornou-se piloto de teste em 1958 depois de cursar a Escola de Pilotos de Teste Navais. Fez seu primeiro voo espacial em dezembro de 1965 como piloto da Gemini VII, passando duas semanas no espaço e realizando um encontro com a Gemini VI-A. Voltou ao espaço em novembro de 1966 como comandante da Gemini XII, o último voo tripulado do Projeto Gemini. Depois foi piloto do módulo de comando da Apollo 8, a primeira missão a orbitar a Lua. Tornou-se em abril de 1970 a primeira pessoa a ir ao espaço quatro vezes como comandante da Apollo 13, porém a alunissagem foi abortada por uma explosão nos tanques de oxigênio. Se aposentou da NASA e da Marinha em 1973. [13][17]
  James A. McDivitt 10 de junho de 1929 Nascido em Chicago, Illinois, entrou para a Força Aérea em 1951 e lutou na Guerra da Coreia. Formou-se engenheiro aeroespacial em 1959 pela Universidade de Michigan e no mesmo ano tornou-se piloto de teste após finalizar a Escola Experimental de Pilotos de Teste da Força Aérea, no ano seguinte completando a Escola de Pilotos de Pesquisa Aeroespaciais. Foi para o espaço pela primeira vez em junho de 1965 como comandante da Gemini IV. Voltou ao espaço em março de 1969 como comandante da Apollo 9, o primeiro voo tripulado do módulo de comando e serviço e do módulo lunar juntos. Depois foi nomeado Gerente de Operações de Alunissagem e Gerente do Programa da Espaçonave Apollo entre 1969 e 1972. Se aposentou da NASA e Força Aérea no mesmo ano. [13][18]
  Elliot M. See Jr. 23 de julho de 1927 28 de fevereiro de 1966 Nascido em Dallas, Texas, formou-se em 1949 da Academia da Marinha Mercante com um bacharelato em engenharia marítima e foi comissionado na Reserva Naval. Entrou no mesmo ano para a General Electric. Serviu ativamente na Marinha entre 1953 e 1956 até retornar para a General Electric como piloto de teste. Conquistou um mestrado em engenharia pela Universidade da Califórnia em Los Angeles em 1962. Foi nomeado comandante da Gemini IX, porém morreu em um acidente aéreo quatro meses antes. [13][19]
  Thomas P. Stafford 17 de setembro de 1930 Nascido em Weatherford, Oklahoma, formou-se da Academia Naval dos Estados Unidos em 1952 e entrou para a Força Aérea. Tornou-se piloto de teste em 1958 depois de completar a Escola Experimental de Pilotos de Teste da Força Aérea. Fez sua primeira viagem espacial em dezembro de 1965 como piloto da Gemini VI-A, em que realizou um encontro orbital com a Gemini VII. Depois foi em maio de 1969 o comandante da Apollo 10, a segunda missão tripulada a orbitar a Lua e a primeira a operar o módulo lunar em órbita lunar. Depois atuou como Chefe do Escritório dos Astronautas entre 1969 e 1971. Foi para o espaço uma terceira vez em julho de 1975 como comandante da parte norte-americana da Apollo–Soyuz, a primeira missão espacial conjunta entre Estados Unidos e União Soviética. Se aposentou da NASA no mesmo ano e da Força Aérea em 1979. [13][20]
  Edward H. White II 14 de novembro de 1930 27 de janeiro de 1967 Nascido em San Antonio, Texas, formou-se em 1952 na Academia Militar dos Estados Unidos com um bacharelato e entrou da Força Aérea. Conquistou um mestrado em engenharia aeroespacial em 1959 da Universidade de Michigan. Cursou no mesmo ano a Escola Experimental de Pilotos de Teste da Força Aérea e começou a atuar como piloto de teste. Fez seu único voo espacial em junho de 1965 como piloto da Gemini IV, em que tornou-se o primeiro norte-americano a realizar uma atividade extraveicular. Foi designado piloto do módulo de comando da Apollo 1, porém morreu em um incêndio dentro da cápsula espacial um mês antes do lançamento. [13][21]
  John W. Young 24 de setembro de 1930 5 de janeiro de 2018 Nascido em São Francisco, Califórnia, e formou-se no Instituto de Tecnologia da Geórgia em 1952 com um bacharelato em engenharia aeroespacial. Entrou na Marinha no mesmo ano e cursou a Escola de Pilotos de Teste Navais em 1959. Foi ao espaço pela primeira vez em março de 1965 como piloto da Gemini III, a primeira missão tripulada do Projeto Gemini. Em seguida foi comandante da Gemini X em julho de 1966. Foi depois em maio de 1969 o piloto do módulo de comando da Apollo 10, a segunda missão tripulada a orbitar a Lua e a primeira a operar o módulo lunar em órbita lunar. Voltou para a Lua em abril de 1972 no comando da Apollo 16, tornando-se a nona pessoa a pisar na superfície lunar. Trabalhou como Chefe do Escritório dos Astronautas de 1974 a 1987 e se aposentou da Marinha em 1976. Em abril de 1981 comandou a STS-1, o primeiro voo espacial do Programa Ônibus Espacial. Foi a primeira pessoa a viajar ao espaço seis vezes em novembro de 1983, quando comandou a STS-9, a primeira missão Spacelab. Se aposentou da NASA em 2004. [13][22]

Referências

  1. Swenson, Grimwood & Alexander 1966, pp. 28–29
  2. Swenson, Grimwood & Alexander 1966, p. 82
  3. Burgess 2011, pp. 29–30
  4. Swenson, Grimwood & Alexander 1966, pp. 131–132
  5. «All 'Original Seven' American astronauts now dead». Phys.org. 8 de dezembro de 2016. Consultado em 14 de maio de 2019 
  6. «Mercury - April 1959». NASA. Consultado em 14 de maio de 2019 
  7. Burgess 2013, pp. 3–4
  8. Brooks, Grimwood & Swenson 1979, p. 15
  9. Hacker & Grimwood 2010, pp. 1–5
  10. a b Burgess 2013, pp. 5–6
  11. a b Atkinson & Shafritz 1985, p. 10
  12. Slayton & Cassutt 1994, pp. 118–119
  13. a b c d e f g h i «MSC Names Nine New Pilot Trainees» (PDF). Houston: Centro de Espaçonaves Tripuladas. Space News Roundup. 1 (24): 1, 4–5. 19 de setembro de 1962 
  14. Burgess 2013, pp. 145–147
  15. a b Burgess 2013, pp. 147–149
  16. Conrad & Klausner 2005, pp. 113–118
  17. Burgess 2013, pp. 150–152
  18. Burgess 2013, pp. 152–153
  19. Burgess 2013, pp. 154–155
  20. Burgess 2013, pp. 155–156
  21. Burgess 2013, pp. 156–158
  22. Burgess 2013, pp. 158–159

BibliografiaEditar

  • Atkinson, Joseph D.; Shafritz, Jay M. (1985). The Real Stuff: A History of NASA's Astronaut Recruitment Program. Nova Iorque: Praeger. ISBN 978-0-03-005187-6 
  • Brooks, Courtney G.; Grimwood, James M.; Swenson, Loyd S., Jr. (1979). Chariots for Apollo: A History of Manned Lunar Spacecraft. Col: The NASA History Series. Washington, D.C.: Scientific and Technical Information Branch. ISBN 978-0-486-46756-6 
  • Burgess, Colin (2011). Selecting the Mercury Seven: The Search for America's First Astronauts. Nova Iorque & Londres: Springer. ISBN 978-1-4419-8405-0 
  • Burgess, Colin (2013). Moon Bound: Choosing and Preparing NASA's Lunar Astronauts. Nova Iorque & Londres: Springer. ISBN 978-1-4614-3854-0 
  • Conrad, Nancy; Klausner, Howard (2005). Rocketman: Astronaut Pete Conrad's Incredible Ride to the Moon and Beyond. Nova Iorque: New American Library. ISBN 0-451-21509-5 
  • Hacker, Barton C.; Grimwood, James M. (2010) [1977]. On the Shoulders of Titans: A History of Project Gemini (PDF). Col: The NASA History Series. Washington, D.C.: NASA History Division, Office of Policy and Plans. ISBN 978-0-16-067157-9 
  • Slayton, Donald; Cassutt, Michael (1994). Deke! U.S. Manned Space: From Mercury to the Shuttle. Nova Iorque: Forge. ISBN 978-0-312-85503-1 
  • Swenson, Loyd S., Jr.; Grimwood, James M.; Alexander, Charles C. (1966). This New Ocean: A History of Project Mercury. Col: The NASA History Series. Washington, D.C.: NASA. OCLC 569889