Grupo Galaico de Arte Rupestre

representação gravada sobre uma pedra ou rocha

Um petróglifo é uma representação gravada sobre uma pedra ou rocha. O Grupo Galaico de Arte Rupestre está constituído pelos gravuras galegas realizados em pedra em tempos pré-históricos. A denominação vêem-se usando já desde 1993 por arqueólogos como De La Peña Santos ou Rey García.

Petróglifo de Mogor.

CaracterísticasEditar

O conjunto de petróglifos galegos é um dos mais ricos e peculiares dentro do marco europeu e inclusive mundial.[1] Os petróglifos do Grupo Galaico de Arte Rupestre estão realizados sobre granito, excepto os mais primitivos, que estão gravadas sobre lousa, e em Sarria e Samos sobre xisto. Não se sabe se esta foi uma escolha intencional ou se é que se trata simplesmente do material mais duradouro, e por esse motivo chegaram até aos nossos dias. Os petróglifos galegos apresentam uma elevada erosão e, em certas ocasiões, são difíceis de observar.

Os conjuntos de petróglifos situam-se nas abas das serras, e em certas alturas encontram-se rodeando terrenos húmidos e montes baixos, assim como nas linhas de trânsito que comunicam estas zonas com os lugares onde se encontram os povoamento, como demarcando um território. Durante a Idade do Bronze os povoamentos eram estabelecidos em zonas com fácil acesso à água. Nas sociedades pre-históricas a arte provavelmente esteva relacionada com actividades de carácter ritual e religioso, que também servia como marca territorial, os petróglifos puderam funcionar como lugares de agregação de guerreiros e como indicadores de sítios com uma especial carga simbolica.

CronologiaEditar

 
Petróglifo de Teo

Os petróglifos abrangem três períodos:

Tradicionalmente os petróglifos galegos foram datados na Idade do Bronze, ainda que alguns investigadores cingem à mudança do III ao II milénio a.C., no início da Idade do Bronze.[2] Em alguns casos aparecem gravuras de datação posteriores misturados com os existentes anteriormente, em algumas ocasiões perseguindo a finalidade de cristianizar os símbolos considerados pagãs, a imagem do que sucedeu com muitos castros nos que se erigiram ermidas, igrejas ou cruzeiros no lugar que ocupavam como processo de cristianização de lugares que eram objecto de lendas (com os mouros de protagonistas na sua maioria) e cultos pagãs por parte do povo.

TemáticaEditar

 
Petróglifo da Colina do Cogoludo, que representa uma manda de cervos

Existem dois tipos de desenhos: naturalistas ou figurativos, que são respectivamente aqueles nos que é possível adivinhar que representam, como por exemplo os cervos, os cavalos, figuras humanas e armas; e os geométricos ou abstractos, aqueles que não sabemos que representam, como são as combinações circulares. Os petróglifos naturalistas são os mais característicos da arte rupestre galaica ao ar livre (apesar de ser menos abundantes que os geométricos), por causa da sua orixinalidade que a diferença de outras zonas atlânticas.[1] Ao invés, os geométricos ou abstractos são os mais abundantes e os que estão mais espalhados geograficamente.

Nas representações naturalistas destacam as representações zoomorfas, antropomorfas e de verdadeiras armas:

  • Nas representações zoomorfas, os cervos atingem 95% do total de figuras deste tipo, o que fala da importância deste animal na sociedade da época (tanto alimentária, como o seu uso de peles ou ossos e como animal simbólico do seu mundo mítico). Há numerosas cenas do ciclo reprodutivo dos cervos, como machos adultos a fazer a berrea (em grandes laxes em costa, desde as quais o berro se expandiria melhor) e fêmeas acompanhando as criações. Ademais também são representados cavalos (geralmente montados por uma figura humana) e serpentes.
  • As representações antropomorfas adoptam ir associadas a figuras animais, assim principalmente a figura humana aparece representada em cenas de caça, pastoreo ou, como se disse antes, de cavalo. As representações humanas são muito esquemáticas e simples.
  • Nas representações de armas distinguem-se sobretudo as espadas curtas, os puñais, as alabardas e os escudos. Porém, em alguns casos, é difícil distinguir se se pretende debuxar um arma ou distinguir qual é. É o caso de diversos desenhos, tanto circulares coma triangulares, que podem sugerir um escudo.

As representações geométricas ou abstractas são as mais abundantes, com exemplos com os círculos concéntricos, desenhos labirínticos (salientando o Labirinto de Mogor), desenhos reticulados, espirais, pontos e covinhas. Todas estas representações possuem um significado simbólico, ainda que é difícil interpretar o autêntico significado.

Os petróglifos não reflectem a vida quotidiana das pessoas que os gravaram. As comunidades da Idade de Bronze praticavam a agricultura e a pecuária como base da sua subsistência, mas nas gravuras os únicos temas representados são os relacionados com a caça e a guerra. Supõem-se que os petróglifos estavam relacionados com as actividades que, possivelmente, a sociedade da Idade do Bronze considerava mais prestigiosas. Nas cenas cinegéticas o único animal caçado é o cervo, o que pode estar relacionado com a importância simbólica que este animal devia possuir. No mundo imaginário destas comunidades a caça parece ser algo mais que uma função lúdica ou subministradora de alimento e provavelmente teria um forte conteúdo ritual ou iniciático.

Estações arqueológicasEditar

A maior parte dos petróglifos descobertos e que chegaram aos nossos dias dão como resultado que é no sul da Galiza, na província de Pontevedra, na zona costeira que abrange desde a ria de Muros até à desembocadura do rio Minho, e concretamente no vale do rio Lérez, onde se conservam a maior parte das gravuras. Quanto mais nos afastamos deste lugar para o norte ou às províncias de interior encontramos um número muito inferior e quase sempre relacionados com os vales dos rios.

  • Parque arqueológico de Campo Lameiro (Pontevedra) (conjunto considerado por muitos autores como a "Capela Sistina" dos petróglifos galegos).
  • Labirintos de Mogor (Marín, Pontevedra).
  • Vigo, destacando o da Pedra Moura ou petróglifo do Fragoselo, em Coruxo ou o petróglifo das Millaradas.
  • Castriño de Conxo, na câmara municipal de Santiago de Compostela.
  • Água da Laxe, na câmara municipal de Gondomar.
  • Petróglifos de Fontemoureira, lugar do Freixo, câmara municipal de Outes.
  • Petróglifos do Monte Farelo, na câmara municipal de Antas de Ulla.
  • Coto do Corno, na câmara municipal de Teo.
  • Pedra Redonda na câmara municipal de Cerdedo-Cotobade.
  • Várias estações em Ouça, na Serra da Groba.

ConservaçãoEditar

Quando se visita uma "estação" com petróglifos não se devem tocar e muito menos pintar com giz ou ceras escolares para que saiam bem na foto. Isto deteriora-os. Os especialistas podem-no fazer contando sempre com uma permissão prévia da Direcção-Geral de Património e utilizam técnicas não destrutivas. Se se quer obter boas fotos suficiente com esperar às últimas luzes do dia, quando os raios do sol incidem lateralmente sobre os sulcos e ressaltam o seu traçado.

Galeria de imagensEditar

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b CAAMAÑO GESTO, José Manuel: A gran historia de Galicia. Prehistoria de Galicia. Volume 2: O Calcolítico e a Idade de Bronce. ISBN 978-84-96931-02-2
  2. Os petroglifos galegos

BibliografiaEditar

  • Costas Goberna, F. J., Hidalgo Cuñarro, José Manuel e Peña Santos, Antonio de la (1999). Arte rupestre no sur da Ría de Vigo. [S.l.]: Vigo. Instituto de Estudios Vigueses. ISBN 84-89599-13-0 
  • Peña Santos, A. de la (1999). Os petroglifos galegos. [S.l.]: A NOSA TERRA. ISBN 84-89976-68-6 
  • Peña Santos, A. de la e Vázquez Varela, J. M. (1996). Los petroglifos gallegos. Grabados rupestres prehistóricos al aire libre en Galicia. [S.l.]: Sada. Ediciós do Castro. ISBN 84-85134-99-0  (3ª edición)
  • García Alén, Alfredo e Peña Santos, A. de la (1981). Grabados rupestres de la provincia de Pontevedra. [S.l.]: Fundación Pedro Barrié de la Maza. ISBN 84-85728-04-1 
  • Guitián Castromil, Jorge e Xoán Guitián Rivera (2001). Arte rupestre do Barbanza. [S.l.]: Noia. Editorial Toxosoutos. ISBN 84-95622-21-1 
  • Sobrino Buhigas, Ramón (2000). Corpus Petroglyphorum Gallaeciae. [S.l.]: Sada: Ediciós do Castro. ISBN 84-7492-956-3  (orixinal de 1935)
  • Vázquez Varela, J. M. (1990). Petroglifos de Galicia. [S.l.]: Santiago de Compostela. Universidade de Santiago de Compostela. ISBN 84-7191-655-X 
  • Vázquez Rozas, Roberto (1997). Petroglifos de las Rías Baixas gallegas. [S.l.]: Pontevedra. Deputación de Pontevedra. ISBN 84-89690-00-6 
 
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Ligações externasEditar