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Guerra Civil da Nigéria

Guerra Civil Nigeriana
Biafra independent state map-en.svg
O Estado independente da República de Biafra em junho de 1967.
Data 6 de Julho de 196715 de Janeiro de 1970
(2 anos, 6 meses, 1 semana e 2 dias)
Local Nigéria meridional
Desfecho
  • Vitória do governo nigeriano
  • Biafra reintegrado ao território nigeriano
Combatentes
Nigéria (governo federal) Flag of Biafra.svg República do Biafra
Líderes e comandantes
Nigéria Yakubu Gowon
Nigéria Murtala Mohammed
Nigéria Benjamin Adekunle
Nigéria Olusegun Obasanjo
Nigéria Mohammed Shuwa
Flag of Biafra.svg Odumegwu Ojukwu
Flag of Biafra.svg Philip Effiong
Forças
250 000 50 000 – 100 000

Mortes militares: 45 000[1] – 100 000[2][3]

Civis mortos de inanição: 2 000 000[4]


Civis deslocados internamente: 2 000 000 – 4 500 000[5]


Refugiados: 500 000[6] – 3 000 000[carece de fontes?]

Uma mulher, na região de Biafra, sofrendo de inanição aguda.

A Guerra Civil da Nigéria, também conhecida como Guerra Civil Nigeriana, Guerra Nigéria-Biafra ou ainda Guerra do Biafra que durou de 6 de julho de 1967 a 13 de janeiro de 1970, foi um conflito político causado pela tentativa de separação das províncias ao Sudeste da Nigéria, como a República autoproclamada do Biafra.

Teve início após uma desavença entre Hauçás e Ibos. Hauçás eram muçulmanos originários do Norte do País e viviam em um sistema semi-feudal. Os Ibos eram considerados a elite nigeriana, possuíam melhores cargos e melhores salários, provinham das tribos ao leste. Em 1966, soldados da etnia Igbo tomaram o poder do país em um golpe de estado. No entanto, os Hauçás tomaram o poder seis meses depois em um contra golpe de estado e iniciaram um massacre aos Ibos em todo país. Estima-se que cerca de 30.000 Igbos tenham sofrido nesse primeiro ataque. Os sobreviventes se refugiaram nas terras ao leste e proclamaram a República de Biafra. Embora as tensões culturais, étnicas e religiosas tenham sido alguns dos principais instigadores do conflito, a questão econômica acabou sendo um dos fatores mais importantes, com o controle do Delta do Níger (região rica em recursos naturais, como petróleo) tendo um significado estratégico gigantesco.[7]

Com apenas um ano de guerra, tropas do governo federal nigeriano tinham Biafra completamente sob cerco, capturando as instalações de petróleo da costa e a cidade de Porto Harcourt. Com o conflito se alastrando num impasse, o bloqueio imposto pelo governo nigeriano levou a uma fome em massa.[8] Durante a guerra, mais de 100 mil baixas foram reportadas entre forças militares devido a inanição, com entre 500 000 e 2 milhões de civis da região de Biafra morrendo de vido a falta de comida.[9]

Em meados de 1968, imagens de crianças mal nutridas sofrendo com a fome chegaram as mídias ocidentais. A comunidade internacional se dividiu com relação ao conflito. Os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética apoiavam o governo central nigeriano, enquanto França, Israel e China apoiavam a República de Biafra. A guerra acabou em janeiro de 1970, após uma ofensiva de três semanas do exército nigeriano. O presidente de Biafra, Odumegwu Ojukwu, partiu para o exílio e a resistência armada se desfez após a tomada de Owerri por tropas nigerianas.[10]

O impacto na população civilEditar

Com as tropas nigerianas a isolarem a província rebelde, limitando a quantidade de produtos de fora que aí podiam chegar, a curto prazo a escassez de alimentos tornou-se crónica, e em breve a fome em grande escala assola a população. Pela primeira vez, através da televisão, as imagens de populações inteiras literalmente a morrer de fome pelos caminhos chegam em directo e com todo o impacto ao Ocidente. O choque que causam levam a que um pouco por todo lado apareçam movimentos, muitos enquadrados pela Igreja, tanto católica como protestante, para o envio de alimentos. Foi a primeira vez que a exibição das imagens de uma catástrofe humana pela televisão gerou resposta popular, obrigando várias instituições e governos a intervir pela pressão da opinião pública.

Um fato muito curioso foi que, entre as datas ja citadas houve um jogo amistoso do Santos Futebol Clube e a Seleção local. E toda a população, junto da guerra parou para assistir o tão famoso time de Pelé. Esta partida terminou com um placar de 2 a 1 para o time da baixada santista.[carece de fontes?]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Phillips, Charles, & Alan Axelrod (2005). "Nigerian-Biafran War". Encyclopedia of Wars. Tomo II. New York: Facts On File, Inc., ISBN 978-0-8160-2853-5.
  2. Paul R. Bartrop (2012). A Biographical Encyclopedia of Contemporary Genocide. Santa Bárbara: ABC-CLIO, pp. 107. ISBN 978-0-313-38679-4.
  3. Bridgette Kasuka (2012). Prominent African Leaders Since Independence. Bankole Kamara Taylor, pp. 331. ISBN 978-1-4700-4358-2.
  4. Stevenson, "Capitol Gains" (2014), p. 314.
  5. Godfrey Mwakikagile (2001). Ethnic Politics in Kenya and Nigeria. Huntington: Nova Publishers, pp. 176. ISBN 978-1-56072-967-9.
  6. DeRouen & Heo, 2007: 570
  7. Diamond, Larry. Class, Ethnicity and Democracy in Nigeria: The Failure of the First Republic. Basingstroke, UK: Macmillan Press, 1988. ISBN 0-333-39435-6
  8. Njoku, H. M. A Tragedy Without Heroes: The Nigeria—Biafra War. Enugu: Fourth Dimension Publishing Co., Ltd., 1987. ISBN 978-156-238-2
  9. «ICE Case Studies: The Biafran War». American University: ICE Case Studies. American University. 1997. Consultado em 6 de novembro de 2016. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2017 
  10. Ekwe-Ekwe, Herbert. The Biafra War: Nigeria and the Aftermath. African Studies, Volume 17. Lewiston, NY: Edwin Mellen Press, 1990. ISBN 0-88946-235-6

Ligações externasEditar