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Guerra da Quádrupla Aliança

Guerra da Quádrupla Aliança
The Battle of Cape Passaro.jpg
A Batalha do Cabo Passero, em 11 de agosto de 1718, por Richard Paton (óleo em tela, 1767)
Data 17 de Dezembro de 1718 – 17 de Fevereiro de 1720 (1 ano e 2 meses)
Local Sicília, Sardenha, Espanha, Escócia, América do Norte
Desfecho Vitória da Quádrupla Aliança, Tratado de Hague
Beligerantes
Espanha Espanha  Grã-Bretanha
 França
Sacro Império Romano-Germânico Sacro Império Romano-Germânico
Países Baixos República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos
 Ducado de Saboia
Comandantes
Espanha Marquis de Lede

Espanha Duque de Montemar
Espanha Duque de Ormonde

Espanha Antonio Castañeta
Reino da França Duque de Berwick

Sacro Império Romano-Germânico Conde de Mercy
Reino da Grã-Bretanha Lorde Cobham
Reino da Grã-Bretanha Senhor George Byng

Ducado de Saboia Duque de Saboia
Forças
~15,000 - 20,000 35,000

A Guerra da Quádrupla Aliança (1718-1720) foi o resultado da ambição por parte do Rei Filipe V da Espanha, sua esposa Isabel Farnésio, e seu ministro Giulio Alberoni, de reconquistar territórios na Itália e reivindicar o trono francês.[1] O conflito foi disputado pela Espanha contra as forças da Quádrupla Aliança da Grã Bretanha, França, Áustria (na época um estado do Sacro Império Romano-Germânico) e a República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos. O Ducado de Saboia entrou na guerra como parte da Aliança como um quinto aliado. Apesar de a guerra ter sido declarada apenas em dezembro de 1718, agressões já tinham começado desde 1717.[2] A guerra foi encerrada em 1720 pelo Tratado de Hague.

CausasEditar

Carlos II da Espanha morreu em 1700 sem deixar herdeiros para o suceder. Ele nomeou Filipe, Duque de Anjou, neto de Luís XIV da França, como seu sucessor. Isso desencadeou a Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), na qual ao final Filipe, Duque de Anjou, foi reconhecido como Rei Filipe V da Espanha, mas na condição de que ele seja removido da linha de sucessão francesa, então prevenindo que as coroas francesas e espanholas se unissem.[2] Tal restrição acalmou os ânimos dos políticos britânicos contrários à união das duas coroas, conhecidos pelo bordão "Sem a Espanha Não Há Paz".

Pelo Tratado de Utrecht (1713), a Espanha perdeu todas suas posses na Itália e Países Baixos. Os Países Baixos Espanhóis, o Ducado de Milão, o Reino de Nápoles, e a Saboia foram dadas para Carlos VI, imperador do Império Austríaco da Casa de Habsburgo.[2] A Sicília foi dada ao Duque de Saboia e a Prússia recebeu as Gueldres Espanholas. Esses territórios haviam estado sob controle da Espanha Habsburga por quase dois séculos, e a perda dessas terras foi um grande impacto ao país, em termos práticos e de prestígio.

No entanto, a primeira prioridade da Espanha era a restauração do país após 13 anos de guerra, que haviam sido lutadas parcialmente em território espanhol. O principal arquiteto dessa operação foi Giulio Alberoni. Alberoni era um cardeal italiano e administrador do arcebispo de Plasencia. Em 1714, Alberani organizou o casamento do viúvo Filipe V e da italiana Isabel Farnésio.[2] No processo, Alberoni se tornou o conselheiro pessoal da nova rainha. Em 1715, Alberoni se tornou primeiro ministro, estabilizou a economia espanhola e reformou as finanças. Ele iniciou a reconstrução da frota espanhola (com 50 navios de linha construídos em 1718) e reformou o exército. Em 1717, Alberonia se tornou cardinal da Igreja Católica.

A rainha, ajudada por Alberoni, estimulou a ambição de seu marido e filhos sobre terras italianas.

Na França, Luís XIV morreu em 1715 deixando apenas um bisneto, Luís XV, ainda criança, como seu sucessor, enquanto Filipe V, o único neto sobrevivente de Luís XIV, e seus filhos foram excluídos da linha de sucessão da coroa da França pelo Tratado de Utrecht.

Apesar disso, Filipe V continuou reivindicando o trono Francês, no evento da morte de Luís XV. A oposição às ambições de Filipe levaram a França (onde o sobrinho de Luís XIV, Duque D'Orleães, servia como regente), a Grã-Bretanha, e a República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos a se unirem na Tríplice Aliança em 4 de janeiro de 1717.

A Grã-Bretanha, em particular, estava preocupada com as ambições espanholas do Mar Mediterrâneo e a expansão Russa no Báltico, enviando frotas contras ambos, preventivamente. A Marinha Francesa estava muito enfraquecida com a guerra recente, e não pode oferecer suporte.

Eclosão do conflitoEditar

Mais tarde no ano, para reforçar o Tratado de Utrecht, a Grã-Bretanha, França, e Áustria consideraram conceder a Sicília a Carlos VI do Sacro Império Romano. Esse arranjo foi mal recebido pela Espanha, que desejava obter a ilha.

Em agosto de 1717 Filipe iniciou hostilidades contra a Áustria, invadindo a ilha de Sardenha, tomando vantagem do fato de que a Áustria estava envolvida na Guerra Austro-Turca (1716-1718). Uma frota de 100 embarcações de transporte, protegidas por 15 navios de guerra, carregaram 9000 soldados sob o comando de Marquis de Lede. A frota partiu de Barcelona para Sardenha, mas foram subjugados em novembro do mesmo ano.

A reação inicial por parte da Áustria foi limitada, já que o Comandante Supremo Austríaco Eugénio de Saboia buscava evitar uma grande guerra na Itália, devido ao conflitos nos Balcãs, que já consumiam as tropas e recursos austríacos. Finalmente, em 21 de julho de 1718, o Tratado de Passarowitz terminou a guerra com o Império Otomano, e em 2 de agosto a Áustria se juntou a Tríplice Aliança, formando a Quádrupla Aliança.

A GuerraEditar

Enquanto isso, em Julho de 1718, os espanhóis, dessa vez com 30.000 homens de novo liderados pelo Marquês de Lede, também invadiram a Sicília, território que tinha sido concedido ao Duque de Sabóia. Eles tomaram Palermo em 7 de Julho e então dividiram seu exército em dois. O Marquês de Lede seguiu pela costa para cercar Messina entre 18 de Julho e 30 de Setembro, enquanto o Duque de Montemar conquistou o resto da ilha.

Os franceses, austríacos, e britânicos agora exigiam a retirada espanhola da Sicília e Sardenha. A atitude de Vitor Amadeus II de Savoy foi ambígua, ele concordou em negociar com o Cardeal Alberoni de uma aliança anti-austríaca.

Em 11 de agosto, na Batalha do Cabo Passero, uma frota britânica, liderada por Sir George Byng, eliminou efetivamente as tropas espanholas estabelecidas na Sicília. Este foi seguido por terra de uma pequena armada austríaca, montada em Nápoles pelo vice-rei austríaco, Conde Wirich Philipp von Daun, próximo a Messina, para fechar o cerco contra as forças espanholas. Os austríacos foram derrotados na Primeira Batalha de Milazzo, em 15 de outubro, e somente bloquearam a cabeceira de uma pequena ponte nas redondezas de Milazzo.

Em 1718, o Cardial Alberoni começou a conspirar contra o Duc d'Orléans. Essa conspiração ficou conhecida como a Conspiração Cellamare. Depois que a conspiração foi descoberta, Alberoni foi expulso da França, que declarou guerra a Espanha. A Holanda juntou-se mais tarde, em agosto de 1719.

1719Editar

O Duc d'Orléans ordenou um exército francês sob o comando do Duque de Berwick a invadir os Distritos Bascos Ocidentais da Espanha em abril de 1719, ainda sob o choque da intervenção militar de Filipe V contra eles. O exército do Duque enfrentou pouca resistência, mas foi forçado a recuar devido a massivas baixas por doenças. Tal situação se repetiu em um segundo ataque, ocorrido na Catalunha.

Na Sicília, os austríacos iniciaram uma nova ofensiva sob o comando do Conde Claude Florimond de Mercy. Eles primeiramente sofreram uma derrota na Batalha de Francavilla, no dia 20 de junho de 1719, mas após a derrota dos espanhóis no seu próprio território para a esquadra britânica a resistência italiana desmoronou. Por conta disso, o Conde Mercy conseguiu vencer a Segunda Batalha de Milazzo, abrindo caminho para em Outubro tomar Messina e cercar Palermo.

Foi também em 1719 que o exilado irlandês Duque de Ormonde organizou uma expedição com grande apoio espanhol para invadir o Reino Unido e substituir o Rei George I por James Stuart, o "Velho Pretendente" da linhagem jacobita. No entanto, sua frota foi dispersa por uma tempestade próxima à Galícia, e nunca chegou ao Reino Unido. Uma pequena força de 300 marinheiros sob o comando de George Keith, o Décimo Conde-Marechal da Escócia atracou perto de Eilean Donan, mas eles e os habitantes locais que os apoiaram foram rapidamente derrotados na Batalha de Eilean Donan em Maio de 1719 e na Batalha de Glen Shielum, ocorrida um mês depois, assim afastando as esperanças de uma rebelião pró-Espanha.

Em retaliação a esse ataque, uma frota britânica capturou Vigo e marchou até Pontevedra em Outubro de 1719. Esses ataques chocaram as autoridades espanholas, pois demonstraram a fragilidade dos espanhóis perante os ataques anfíbios dos Aliados, que possuíam nesse momento condições de abrir um novo fronte na Fronteira Espanha-França.

Os franceses capturaram a colônia espanhola de Pensacola, na Flórida, em Maio de 1719, acabando com as possibilidades de um ataque planejado pela Espanha à Carolina do Sul. As forças espanholas conseguiram tomar novamente a cidade em Agosto de 1719, mas a cidade foi reconquistada pelos franceses no final do ano, que a destruíram antes da retirada de suas forças.

Uma forte repartição de 1200 espanhóis partiu de Cuba com o intuito de tomar a colônia inglesa de Nassau, nas Bahamas. Após terem saqueado a cidade, eles foram retirados dela por milícias locais.

PazEditar

Descontente com a performance militar de seu reino, Filipe V demitiu Alberoni em Dezembro de 1719, e fez as pazes com os aliados do Tratado de Hague em 17 de fevereiro de 1720.

No tratado, Filipe renunciou a todos os territórios capturados na guerra. Entretanto, o direito do seu terceiro filho ao Ducado de Parma e Placência depois da morte do meio-primo sem filhos de Isabela, António Farnésio, foi reconhecido.

A França cedeu Pensacola e as demais conquistas no Norte da Espanha à Espanha por benefícios comerciais. Assim como colocado nos termos do Tratado, o Duque de Saboia foi obrigado a trocar seu trono na Sícilia pelo do menos prestigioso Reino da Sardenha.

LegadoEditar

A guerra se tornou o único exemplo durante o século XVIII em que o Reino Unido e a França estiveram no mesmo lado. Esse período ocorreu em um período entre 1716 e 1731, quando os dois países foram aliados. A Espanha mais tardiamente se juntaria à França no Segundo Pacto de Família, e os dois se tornariam mais uma vez inimigos da Inglaterra.

Referências

  1. «Quadruple Alliance» (em inglês). Consultado em 19 de março de 2015 
  2. a b c d Simmer, Mark (2 de junho de 2013). «The War Of The Quadruple Alliance» (em inglês). Consultado em 19 de março de 2015. Arquivado do original em 2 de abril de 2015