Abrir menu principal

Guerras Médicas

série de conflitos entre o império Aquemênidas Persa e os Gregos durante o século V a.C.
(Redirecionado de Guerras Persas)
Text document with red question mark.svg
Este artigo ou secção contém fontes no fim do texto, mas que não são citadas no corpo do artigo, o que compromete a confiabilidade das informações (desde agosto de 2009). Ajude a melhorar este artigo inserindo fontes.
Guerras Médicas
Greek-Persian duel.jpg
Um soldado persa (esquerda) lutando contra um hoplita grego (direita), mostrada numa cílice datada do século V antes de Cristo.
Data 499 a.C.449 a.C.
Local Grécia, Trácia, Ilhas Egeias, Ásia Menor, Chipre e Egito
Desfecho Vitória Grega
Mudanças territoriais Macedônia, Trácia e Jônia conquistam independência da Pérsia
Beligerantes
Grécia Antiga
Chipre
Liga de Delos
Forças pró-gregas na Grécia e na Ásia
Império Persa
Forças pró-persas na Grécia e na Ásia
   

Guerras Médicas, Guerras Greco-Persas, Guerras Persas ou Guerras Medas são designações dadas aos conflitos bélicos entre os antigos gregos e o Império Aquemênida durante o século V a.C., de 499 até 449 a.C. A colisão entre o mundo político fragmentado dos gregos (aqueus, jônios, dórios e eólios) e o enorme império dos persas começara pela disputa sobre a Jônia na Ásia Menor, quando as colônias gregas da região, especialmente Mileto, tentaram livrar-se do domínio persa.

Esta região da Jônia era colonizada pela Grécia, mas durante a expansão persa em direção ao Ocidente, Ciro, o Grande conquistou-a em 547 a.C. Lutando para governar as cidades independentes jônicas, os persas nomearam tiranos para governar cada uma delas. Isso provaria ser a fonte de muitos problemas tanto para os gregos quanto para os persas.

Em 499 a.C., o tirano de Mileto, Aristágoras, embarcou em uma expedição para conquistar a ilha de Naxos com o apoio dos persas. [1] Fracassando no seu intento, e antecipando a sua remoção do cargo, Aristágoras incitou toda a Ásia Menor helênica a entrar em rebelião contra os persas. As colônias, lideradas por Mileto e contando com a ajuda de Atenas e Erétria, promoveram uma revolta, dando início à revolta jônica, que duraria até 493 a.C., e progressivamente atraindo mais regiões para o conflito.

Essas revoltas levaram o xá aquemênida Dario, o Grande, a lançar seu poderoso exército sobre a Grécia continental, dando início às Guerras Médicas. O que estava em jogo era o controle do comércio marítimo na região.

Império Aquemênida em seu apogeu em 500 a.C.

Aplacando a insurreição e buscando assegurar a integridade de seu império de novas revoltas e da interferência dos gregos continentais, Dario esquematizou uma expedição punitiva à Grécia continental. A primeira invasão persa da Grécia começou em 492 a.C., com o general persa Mardônio subjugando a Trácia e a Macedônia antes que vários contratempos o obrigassem a pôr um fim prematuro ao resto da campanha. [2]

Em 490 a.C., uma segunda força foi enviada para a Grécia, desta vez pelo interior do Mar Egeu, sob o comando de Dátis e Artafernes. Essa expedição agrilhoou as Cíclades e arrasou Erétria. Contudo, a caminho para atacar Atenas, as tropas persas, de mais de vinte mil homens ( como alguns autores falam em 50 mil, outros em 250 mil, não se sabe precisamente o efetivo persa), foram decisivamente rechaçadas por cerca de dez mil gregos chefiados pelo ateniense Milcíades, na Batalha de Maratona.

Em 480 a.C., dez anos depois, Xerxes I, filho de Dario, comandou pessoalmente a segunda invasão com um dos maiores exércitos antigos já reunidos. Algumas cidades gregas, lideradas por Atenas e Esparta, formaram uma coalização para enfrentar o invasor. Outras, como Tebas, submeteram-se aos persas.

Mapa das Guerras Médicas. A campanha de Dátis e Artafernes é a linha marrom; os vassalos persas estão em amarelo, estados neutros, em cinza e inimigos gregos, em laranja.

Inicialmente, os persas venceram os gregos na Batalha das Termópilas e na Batalha de Artemísio, permitindo-os invadir a maior parte da Hélade e incendiar Atenas. A frota ateniense, porém, comandada por Temístocles, conseguiu destruir a frota persa na Batalha de Salamina e mudou o rumo da guerra. No ano seguinte, comandado pelo espartano Pausânias, a confederação helênica entrou na ofensiva, derrotando decisivamente o exército persa na Batalha de Plateias e pondo fim à invasão. Os gregos aliados abateram o resto da marinha de guerra aquemênida na Batalha de Mícale e expulsaram as guarnições pérsicas de Sestos (479 a.C.) e Bizâncio (478 a.C.).

Após a retirada persa da Europa e da vitória grega em Mícale, a Macedônia e os estados da cidade da Jónia recuperaram sua autonomia. Com o decorrer do tempo e das ações do general Pausânias no cerco de Bizâncio, muitas das cidades-estado gregas reconstituíram a aliança anti-persa em torno da liderança ateniense, denominada de Liga de Delos. Esta continuou com a série de operações militares contra a Pérsia pelas próximas três décadas, começando com a expulsão das guarnições adversárias restantes no continente europeu. Na Batalha do Eurimedonte, em 466 a.C., a Liga ganhou uma dupla vitória à qual finalmente garantiu a liberdade para todas as cidades jônicas. No entanto, o seu envolvimento na revolta egípcia por Inaro II contra Artaxerxes I resultou em uma derrota desastrosa, e novas campanhas foram suspensas. Uma frota grega foi enviada para Chipre em 451 a.C., mas pouco foi conquistado, e, quando esta se retirou, as guerras greco-persas chegaram ao fim. Algumas fontes históricas sugerem que o fim das hostilidades foi marcado por um tratado de paz entre Atenas e o Império Aquemênida: a Paz de Cálias.

Índice

Antecedentes e origens do conflitoEditar

Os gregos do período clássico acreditavam que, na idade das trevas que se seguiu ao colapso da civilização micênica, um número significativo de gregos fugiu e emigrou para a Ásia Menor. [3] [4] Esses colonos eram de três grupos tribais: os éolios, dóricos e jônios. Estes assentaram-se sobre as costas de Lídia e Cária, fundando as doze cidades que compuseram a Jônia: Mileto, Mios, Priene, Éfeso, Colofão, Lebedos, Teos, Clazômenas , Foceia, Erythrae, Samos e Quios [3][5] Embora as cidades jônicas fossem independentes umas das outras, elas reconheciam sua herança compartilhada e supostamente tinham um templo comum e um ponto de encontro, o Panionion. Formavam assim uma "liga cultural", a qual não admitiam outras cidades, nem mesmo outros jônios tribais. [6] [7]

Guerras Médicas
ÉfesoLadeMaratonaTermópilas
ArtemísioSalaminaPlateiasMícale
EurimedonteSalamina do Chipre
[editar]

Nas costas ocidentais da Ásia Menor, colônias gregas se dedicavam ao comércio, desejando substituir os fenícios. A independência dessas cidades jônicas perdurou até serem conquistadas pelos lídios do oeste da Ásia Menor, quando elas caíram uma após a outra nas mãos do rei Creso.

Em 553 a. C., o príncipe persa Ciro liderou uma rebelião contra o último rei mediano Astíages. Neto de Astíages e apoiado por parte da aristocracia meda, a rebelião acabou em 550 a.C., e Ciro saiu vitorioso, fundando o Império Aquemênida no lugar do reino da Média. Com isso, Creso viu a ruptura no Império Mediano como uma oportunidade para estender seu reino e perguntou ao oráculo de Delfos se ele deveria atacá-los. O oráculo supostamente respondeu a famosa resposta ambígua de que "se Creso cruzasse o Hális, ele destruiria um grande império". [8] Cego para a ambiguidade dessa profecia, Creso atacou os persas, mas foi derrotado. [9] Atravessando o Hális, Creso de fato destruiu um grande império - o seu próprio.

Já obrigadas a pagar tributos nos tempos de Creso, a situação ficou ainda pior à Jônia quando o reino de Lídia caiu nas mãos dos aquemênidas em 546 a.C. Nos anos seguintes à sua conquista, os persas acharam os ionianos difíceis de governar. Os persas, portanto, decidiram patrocinar um tirano em cada cidade jônica. No passado, os estados gregos eram frequentemente dominados por tiranos, mas essa forma de governo estava em declínio. Os tiranos de outrora precisavam ser líderes fortes e capazes, enquanto que os governantes designados pelos persas eram simplesmente homens de status. Apoiados pelo poderio militar persa, esses tiranos não precisavam do apoio da população e, portanto, podiam governar absolutamente. [10] Na véspera das guerras greco-persas, é provável que a população jônica tivesse ficado descontente e estivesse pronta para insurrecionar-se. [11] Além disto, os jônios sofreram mais golpes, como a conquista de seu florescente subúrbio de Náucratis no Egito, a conquista de Bizâncio, chave do mar Negro e a queda de Sibaris, um de seus maiores mercados de tecidos e ponto de apoio vital para o comércio.

Destas acções, surgiu um ressentimento contra o opressor persa, sentimento que foi aproveitado pelo ambicioso tirano de Mileto, Aristágoras, para mobilizar as cidades jônicas contra o Império Aquemênida, em 499 a.C.

Aristágoras pediu ajuda às metrópoles de Hélade, mas somente Atenas (que enviou vinte barcos – provavelmente a metade de sua frota) e Erétria (na ilha de Eubeia – que aportou cinco navios), acudiram o pedido. Esparta não ofereceu nenhuma ajuda. O exército grego dirigiu-se a Sárdis, capital da satrapia persa da Lídia, e reduziu-a a cinzas, enquanto que a frota recuperava Bizâncio. Dario I, enfurecido, mandou seu exército, que destruiu o exército grego em Éfeso, e afundou a frota helênica na batalha naval de Lade. Depois,os persas reconquistaram, uma após outra, as cidades jônias e, após longo assédio, arrasaram Mileto, dizimand o parte da população na batalha e escravizando os sobreviventes, que foram deportados para a Mesopotâmia.

Primeira Guerra MédicaEditar

Após o duro golpe dado às cidades jônicas, Dario I decidiu castigar aqueles que haviam auxiliado os rebeldes, encarregando a represália a seu sobrinho Artafernes e a um nobre chamado Datis.

Em Atenas, alguns homens já viam os sinais do iminente perigo. O primeiro deles foi Temístocles, eleito arconte em 493 a.C. Temístocles acreditava que em Hélade não teria salvação em caso de um ataque persa, se Atenas não desenvolvesse antes uma poderosa marinha.

Dessa forma, fortificou o porto de Pireu, convertendo-o em uma poderosa base naval, mas logo surgiria um rival político que impediria o resto de suas reformas. Era Milcíades, membro de uma grande família ateniense das costas da Ásia Menor. Opunha-se a Temístocles, porque considerava que os gregos deviam defender-se primeiro por terra, acreditando na supremacia das largas lanças gregas contra os arqueiros persas. Os atenienses decidiram por em suas mãos a situação, enfrentando assim a invasão persa.

A frota persa chegou por mar no verão de 490 a.C., dirigidos por Artafernes, conquistando as ilhas Cíclades e posteriormente Eubeia, como represália por sua intervenção na revolta jônica. Posteriormente, o exército persa, comandado por Datis, desembarcou na costa oriental da Ática, em Maratona, lugar recomendado por Hípias (anterior tirano de Atenas) por ser considerada o melhor lugar.

Batalha de MaratonaEditar

 Ver artigo principal: Batalha de Maratona

Segunda Guerra MédicaEditar

Temístocles retoma o mando em AtenasEditar

 
Soldados gregos do tempo das Guerras Médicas: um fundeiro (esquerda) e dois hoplitas. O hoplita do meio possui um cortinado em seu escudo para proteção contra flechas.

O vitorioso Milcíades quis aproveitar o momento de glória para expandir o poder de Atenas no mar Egeu, e logo depois da batalha em Maratona enviou uma parte da frota contra as Cíclades, submetidas pelos persas.

Atacou a ilha de Paros, exigindo aos seus habitantes um tributo de 100 talentos, que foram negados, então a cidade foi ocupada, mas a defesa foi tão árdua que os gregos tiveram que contentar-se com uns poucos saques. Este pobre resultado começou a desiludi-los com relação a Milcíades, chegando inclusive a vê-lo como um tirano que depreciava as leis.

Os inimigos de Milcíades o acusaram de ter enganado o povo e o submeteram a um processo, o qual não pode se defender por ter sido ferido em um acidente e estar prostrado em uma cama. Ele foi declarado culpado, sendo salvo da pena capital comum nestes casos pelos serviços prestados anteriormente à pátria, mas foi condenado a pagar a elevada soma de 50 talentos. Pouco depois morreu por causa de suas feridas. Seria agora Temístocles quem tomaria o comando de Atenas.

Em 481 a.C., os representantes de diferentes polis, liderados por Atenas e Esparta, firmaram um pacto militar (simmaquia) para protegerem-se de um possível ataque do Império Aquemênida. Segundo este pacto, em caso de invasão, corresponderia a Esparta a tarefa de comandar o exército helênico, em uma trégua geral, que inclusive propiciou o retorno de alguns exilados.

"Terão toda a terra e a água que quiserem"Editar

 Ver artigo principal: Terra e água

Após a morte de Dario I, seu filho Xerxes I subiu ao poder na Pérsia, ocupando-se nos primeiros anos de seu reinado de reprimir revoltas no Egito e na Babilônia e continuando a preparação para atacar os gregos. Antes, havia enviado à Grécia embaixadores a todas as cidades para pedir-lhes terra e água, símbolos de submissão. Muitas ilhas e cidades aceitaram, mas Atenas e Esparta não.[12] Conta-se que Esparta respondeu aos embaixadores "Terão toda a terra e água que quiserem", jogando-os em um poço. Era uma declaração de intenções definitiva.

Em Esparta, começaram a ocorrer problemas nefastos, que seriam causados pela ira dos deuses devido a este ato de insolência. Os cidadãos espartanos foram chamados para solicitar se algum deles seria capaz de se sacrificar para satisfazer os deuses e aplacar sua ira. Dois ricos espartanos ofereceram-se para se entregar ao rei persa, e se dirigiram para Susa, onde Xerxes os recebeu. Os emissários espartanos lhe disseram: "Rei dos Medos, fomos enviados para que possas vingar a morte dada a vossos embaixadores em Esparta". Xerxes lhes respondeu que não ia cometer o mesmo crime e que nem com sua morte os libertaria da desonra.

As TermópilasEditar

 Ver artigo principal: Batalha das Termópilas
 
Invasão persa da Grécia (480–479 a.C.)

O poderoso exército de Xerxes I, estimado em 60 a 70 mil homens (a tradição grega diz que marchavam com milhões de homens), e melhor equipados que os anteriores, partiu em 480 a.C. "Levavam na cabeça uma espécie de sombreiro chamado tiara, de feltro de lã; ao redor do corpo, túnica; cobriam suas pernas com uma espécie de calças largas; em vez de escudos de metal levavam escudos de vime; lanças curtas, arcos grandes, flechas e punhais na cintura" (Homero).

Cruzaram o Helesponto e seguindo a rota da costa entraram na península. As tropas helênicas, que conheciam estes movimentos, decidiram detê-los ao máximo no desfiladeiro das Termópilas (que significa "portas quentes").

Neste lugar, o rei espartano Leônidas colocou cerca de trezentos soldados espartanos e mais mil de outras regiões. Xerxes enviou uma mensagem de aviso: "Entregue-se, espartano, minhas flechas serão tão numerosas que cobrirão o sol." Leônidas então respondeu: "Ótimo, então lutaremos na sombra". Após cinco dias de espera e vendo que sua superioridade numérica de dez a vinte vezes superior não intimidava o inimigo, os persas atacaram.[13]

Naquele desfiladeiro tão estreito os persas não podiam usar sua famosa cavalaria, e sua superioridade numérica estava bloqueada, visto que suas lanças eram mais curtas que as gregas. O estreito fazia com que o combate fosse com similaridade numérica de combatentes, e não lhes coube senão regressar depois de dois dias de batalha.

Mas ocorreu que os gregos foram traídos por Efíaltes, que conduziu Xerxes através dos bosques para chegar pela retaguarda à saída das Termópilas. A proteção do caminho havia sido encomendada a mil foceus, que tinham excelentes posições defensivas, mas se acovardaram ante o avanço persa e fugiram. Ao saber da notícia, alguns gregos viram o inútil de sua situação e para evitar uma matança, Leônidas decidiu então deixar partir quem quisesse, ficando ele e seus espartanos firmes em seus postos.

Atacados, os espartanos sucumbiram depois de derramar muito sangue persa. Posteriormente se levantaria nesse lugar a inscrição: "Viajante, vê e diz a Esparta que morremos por cumprir com suas sagradas leis".

Batalha de SalaminaEditar

 Ver artigo principal: Batalha de Salamina
 
Soldados gregos no tempo das Guerras Médicas. Um cavaleiro tessálio e soldado com dardo e bolsa com pedras.

Com o passo das Termópilas liberado, toda a Grécia central estava aos pés do rei persa. Após a derrota de Leônidas, a frota grega abandonou suas posições em Eubeia e evacuou Atenas, buscando refúgio para as mulheres e os filhos nos arredores da ilha de Salamina. Desse lugar presenciaram o saque e incêndio da Acrópole pelas tropas dirigidas por Mardônio. Apesar disto, Temístocles tinha um plano: atrair a frota persa e forçar o combate (a batalha da Salamina), o que foi uma estratégia que sairia vitoriosa. Conta a lenda que Temístocles se fez passar por traidor ante o rei da Persa, incitando-o a uma vitória segura em Salamina, esta atitude sábia de Temístocles fez com que a Grécia vencesse a guerra.

A batalha naval deu-se no estreito que separa Salamina da Ática, no mês de setembro de 480 a.C. Após as vitórias na Tessália e em Termópilas, a devastação da Beócia e da Ática, o rei persa Xerxes entrou em Atenas, destruindo inclusive os monumentos da Acrópole, desenvolvendo aquela que ficou conhecida pela Segunda Guerra Médica.

Enquanto os coríntios e os espartanos defendiam uma aglomeração militar no istmo, Temístocles concentrou a frota de 200 embarcações (trirremes) na baía de Salamina, enfrentando a frota persa, que, apesar do seu maior número, tinha dificuldades evidentes de maneabilidade no espaço exíguo do estreito, pelo que é completamente derrotada pelos gregos. Xerxes foi obrigado a regressar à Ásia Menor, deixando o comando das tropas restantes ao seu lugar-tenente Mardónio.

TemístoclesEditar

O certo é que Xerxes I decidiu entravar o combate naval, utilizando um grande número de barcos, muitos deles de seus súditos fenícios. A frota persa não tinha coordenação ao atacar, enquanto que os gregos tinham mostrado sua estratégia: suas alas envolveriam os navios persas e os empurrariam uns contra os outros para privá-los de movimento. Seu plano resultou em um caos entre a frota persa, com terrível resultado: Alexandre e seus barcos se chocaram entre si, indo a pique muitos deles e contando ainda que os persas não eram bons nadadores, enquanto os gregos ao cair ao mar podiam nadar até a praia. A noite pôs fim ao combate, do qual se retirou destruída a outrora poderosa armada persa. Xerxes presenciou impotente a batalha, do alto de uma colina.

"Os helenos sabiam que quando chega a hora do combate, nem o número nem a majestade dos barcos nem os gritos de guerra dos bárbaros podem atemorizar os homens que sabem se defender corpo a corpo, e têm o valor de atacar o inimigo" (Plutarco)

Fim das Guerras Médicas — batalhas de Plateias e MícaleEditar

 Ver artigos principais: Batalha de Plateias e Batalha de Mícale

Temístocles quis levar a guerra à Ásia Menor, enviando para lá a frota e sublevar as colônias jônicas contra o rei da Pérsia, mas Esparta se opôs, por temor de deixar desprotegido o Peloponeso.

Por estas razões, a guerra continuou na Europa, voltando o exército persa a invadir a Ática em 479 a.C.. Mardônio ofereceu a liberdade aos gregos se firmassem a paz, mas Licidas, o único membro do conselho de Atenas que votou por essa causa, foi apedrejado até a morte por seus companheiros.[14] Desta forma, os atenienses souberam buscar refúgio novamente em Salamina, sendo incendiada sua cidade pela segunda vez.

Ao saber que o exército espartano (ameaçado pelos atenienses para que lhes dessem ajuda) se dirigia contra eles, os persas se retiraram até o Oeste, em Platéias. Dirigidos por seu regente Pausânias, conhecido por seu sangue frio, os espartanos conseguiram em 479 a.C. outra estrondosa vitória sobre os persas, capturando de uma vez um grande barco que estava esperando no acampamento persa. Provavelmente no mesmo dia da vitória em Plateia, ocorreu a vitória grega na batalha naval de Mícale[15], que foi também um sinal para o levantamento dos jônios contra seus opressores. Os persas se retiraram da Hélade, pondo assim fim aos sonhos de Xerxes I de conquistar o mundo helênico. Desta forma as Guerras Médicas, em que se enfrentaram pela primeira vez o Oriente e o Ocidente, chegaram ao fim.

Após a vitória gregaEditar

Diante da necessidade de organizar a defesa e de equipar o exército, Atenas liderou a formação da Confederação de Delos, uma aliança entre várias cidades-estado gregas que deveriam contribuir com navios ou dinheiro nos gastos da guerra.

Notas e referências

  1. Ehrenberg, Victor. From Solon to Socrates: Greek History and Civilization During the 6th and 5th Centuries BC. [S.l.: s.n.] ISBN 978-0-41558487-6 
  2. Roisman & Worthington 2011, pp. 135-138.
  3. a b Heródoto I, 142–151
  4. Tucídides I, 12
  5. Heródoto I, 142
  6. Heródoto I, 143
  7. Heródoto I, 148
  8. Herodotus I, 53
  9. Holland, pp. 13–14.
  10. Fine, pp. 269–277.
  11. Holland, pp. 155–157.
  12. Herodotus' twenty-first logos: the Persians cross to Europe em www.livius.org]
  13. Obama - My combat Thierry Meyssan
  14. Heródoto, Histórias, Livro IX, Calíope, 5 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  15. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Camilo, 19.3

Ligações externasEditar

 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Guerras Médicas