Abrir menu principal
Guntárico
Nacionalidade Império Bizantino
Ocupação General

Guntárico, Guntário, Guntaro ou Gundaro foi um oficial bizantino durante o reinado do imperador Justiniano (r. 527–565) que esteve envolvido na luta contra as tribos mouras revoltosas na Prefeitura Pretoriana da África. Primeiro um oficial subordinado do general Salomão, após a morte do último foi elevado aos postos de mestre titular dos soldados (magister militum vacans) e duque da Numídia e rebelou-se contra o mestre dos soldados Areobindo. Com ajuda dos líderes tribais mouros, invadiu Cartago, matou Areobindo e proclamou-se governante autônomo da África até que foi morto em um complô arquitetado por Artabanes e Atanásio.

BiografiaEditar

 
Africa romana, com as províncias de Bizacena, Zeugitânia e Numídia

Guntárico aparece pela primeira nas fontes no ano 540 quando serviu como guarda-costas do general Salomão. Quando Salomão preparou uma expedição contra os mouros do monte Aurásio naquele ano, foi enviado contra eles com uma pequena força. Após montar acampamento próximo de Begas, no rio Abigas, confrontou-os, mas foi derrotado e forçado a fugir para seu acampamento, onde foi sitiado. Para facilitar o cerco, os mouros desviaram o rio Abigas, provocando uma inundação no acampamento, o que quase custou outra derrota aos bizantinos, que acabaram salvos por reforços enviados por Salomão. Em 544, Guntárico, talvez ainda como guarda-costas de Salomão, participou na Batalha de Cílio, que resultou numa pesada derrota, bem como a morte de Salomão.[1]

No final de 545 foi nomeado mestre titular dos soldados e duque da Numídia, sendo então comandante das tropas regulares da Numídia. No mesmo período, dois meses após Sérgio deixar a África, Guntárico organizou uma rebelião e incitou os mouros a atacarem Cartago. Quando convocado à capital pelo mestre dos soldados Areobindo, recebeu o comando das tropas contra os mouros. Aproveitando-se da oportunidade, fez um acordo secreto com o líder mouro Antalas no qual se comprometeu a matar Areobindo e repartir a África, deixando Antalas com metade da riqueza de Areobindo e como líder de Bizacena com 1 500 soldados bizantinos, enquanto ele mesmo comandaria o restante da região a partir de Cartago. Alguns soldados imperiais, sediados no acampamento de "Ao Décimo" (Ad Decimum), casualmente encontraram os mouros e confrontaram-os, matando alguns deles. Tal evento enfureceu Guntárico, pois pôs em risco seus planos.[2]

 
Justiniano em detalhe dum mosaico da Basílica de São Vital

Enquanto mantinha seu aliado Antalas informado, Guntárico secretamente aliou-se com os líderes tribais Iaudas e Cutzinas. Pretendia matar Areobindo em batalha, para que não fosse necessário declarar uma rebelião aberta, no entanto, dada a relutância do oficial bizantino, Guntárico foi forçado a declarar uma rebelião. Em março de 546, marchou junto de Cutzinas e Iaudas para Cartago, enquanto Antalas saqueou Bizacena. Na cidade, abriu e emperrou os portões e dispôs um grande contingente nas ameias. Seu objetivo era amedrontar Areobindo e forçá-lo a voltar para Constantinopla, porém, o mal tempo impediu isso.[3]

Então, Guntárico incitou o ódio de suas tropas contra ele e Atanásio, o prefeito pretoriano, tendo acusado ambos de deliberadamente privarem as tropas de seu devido pagamento. Uma batalha se seguiu no entorno dos portões e a guarnição da cidade foi derrotada. Guntárico entrou no palácio de Cartago, dispôs tropas no porto e nos portões e convenceu Areobindo a abandonar seu santuário num mosteiro local e dirigir-se ao palácio do governador. Ali, festejou e tratou-lo com grande honra, porém ordenou que fosse morto em seus aposentes quanto dormia. A cabeça de Areobindo foi enviada para Antalas, mas recusou-se a dar-lhe as tropas e o dinheiro prometidos.[4]

Durante seu breve reinado, planejou casar-se com Prejecta, viúva de Areobindo e sobrinha do imperador Justiniano (r. 527–565), de modo a assegurar seu poder, e enviou um exército liderado pelo oficial Artabanes e Cutzinas contra Antalas, que estava se organizando contra Guntárico.[5] Segundo as fontes, seu reinado durou por apenas 36 dias, terminando possivelmente em maio quando foi assassinado por um complô arquitetado por Artabanes e possivelmente Atanásio.[6]

Ver tambémEditar

Precedido por
Desconhecido
(Último citado: Marcelo)
Duque da Numídia
545
Sucedido por
Desconhecido
(Próximo citado: João)

Referências

  1. Martindale 1992, p. 574.
  2. Martindale 1992, p. 575.
  3. Martindale 1992, p. 575-576.
  4. Martindale 1992, p. 109; 575-576.
  5. Martindale 1992, p. 87, 818.
  6. Martindale 1992, p. 576.

BibliografiaEditar

  • Martindale, John Robert; Arnold Hugh Martin Jones; J. Morris (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire, Volume III: A.D. 527–641. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-20160-5