Harry Crowl

compositor brasileiro

Harry Lamott Crowl Junior (Belo Horizonte, 6 de outubro de 1958) é um compositor, musicólogo e professor brasileiro.

BiografiaEditar

Perdeu cedo os pais e foi criado pelos avós maternos, que eram musicais e despertaram seu amor pela música erudita. Começou a estudar violino aos 15 anos e a partir de 1977 se aperfeiçoou nos Estados Unidos, mudando seu instrumento para a viola na Westport School of Music de Connecticut, e depois continuou os estudos na Juilliard School de Nova Iorque, além de estudar composição privadamente com o compositor Charles Jones.[1][2]

De volta ao Brasil em 1980, foi violista na orquestra jovem da Fundação Clóvis Salgado, e em 1983 era violista da Orquestra Sinfônica de Brasília. Em 1984, mudou-se para Ouro Preto, onde passou a trabalhar na Universidade Federal de Ouro Preto, participando de projetos de pesquisa e resgate da música colonial brasileira, sendo o responsável pela descoberta da Abertura em Ré maior do padre João de Deus de Castro Lobo, de obras do compositor José Rodrigues Domingues de Meireles, e pela reconstrução de várias obras de Inácio Parreiras Neves, Jerônimo de Souza Queiroz, Domingues de Meireles, Castro Lobo, Francisco Gomes da Rocha e Francisco Barreto Falcão.[2]

Em 1994 transferiu-se para Curitiba, e lá passou a dar aulas de História da Música e Composição na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, hoje Universidade Estadual do Paraná, e coordenou o Curso de Composição e Regência. Desde 2001 é diretor artístico da Orquestra Filarmônica da Universidade Federal do Paraná, cujos programas dinamizou, tornando-a uma importante escola de novos profissionais.[1] Continuando atividades como musicólogo, reconstruiu o Ofício de Domingo de Ramos de Lobo de Mesquita e orquestrou o Te Deum de Luís Álvares Pinto, para a Camerata Antiqua de Curitiba, juntamente com Ricardo Bernardes, em 1995. A partir de 1997 passou a colaborar com a Rádio Educativa do Paraná, produzindo programas de música. O programa Música do Século XX recebeu o Prêmio Saul Trumpet 97, como melhor programa radiofônico do Paraná.[2]

ReconhecimentoEditar

Sua obra composta lhe valeu grande prestígio no Brasil e no exterior.[1][2][3] Em 1990 recebeu uma encomenda da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, resultando na Sinfonia nº 1 para banda sinfônica, estreada sob a regência de Roberto Farias no Memorial da América Latina, em 1992. A obra também foi apresentada na Xª Bienal de Música Contemporânea Brasileira da Funarte. Em 2002 foi eleito presidente da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea,[2] e foi delegado do Brasil na Sociedade Internacional de Música Contemporânea entre 2002 e 2006.[1] A trilha sonora para o curta metragem Visionários, de Fernando Severo, recebeu o prêmio de Melhor Música do Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba.[2] Recebeu prêmios de composição na XX e na XXI Bienal de Música Contemporânea Brasileira.[4] Sua obra Aetherius abriu a XIV Bienal de Música Contemporânea Brasileira. Em outubro de 2004 recebeu a Ordem do Barão do Cerro Azul, outorgada pelo Clube Curitibano e a Secretaria de Cultura do Paraná. Sua obra Cerrados abriu o VI Festival Internacional de Música Contemporânea da Universidade do Chile.[2] Em 2020 foi escolhido para representar a América do Sul em um projeto internacional desenvolvido pela Universidade de Tübingen, na Alemanha, para a composição de uma obra sobre a pandemia do novo coronavírus.[5]

Participou de vários festivais internacionais,[2] e suas composições vêm sendo executadas por conjuntos renomados de vários países, como o Trio Fibonacci do Canadá, o Ensemble Recherche da Alemanha, a Orchestre de Flutes Français, o Ensemble 2E2M, também da França, o Moyzes Quartet da Eslováquia, The George Crumb Trio da Áustria, o Cvartetul Florilegium da Romênia, a Orquestra de Câmara da Rádio Romena, bem como orquestras nacionais como as sinfônicas do Paraná, Minas Gerais e Campinas, Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, Brasília,[1][2][6] e a Orquestra Filarmônica de Goiás. Segundo Rodrigo Choinski, Crowl tem "uma obra reconhecida internacionalmente e figura na vanguarda da produção musical da atualidade. [...] A qualidade de sua obra, interpretada por grandes orquestras e músicos mundo afora, e a contínua produção, chegando à composição de número 172, refletem uma dedicação incansável à música".[1] Nas palavras do pesquisador Luiz Guilherme Pozzi, "Harry Crowl vem efetivamente marcando seu nome entre os grandes compositores brasileiros. Suas obras são executadas mundo afora, intensificando a produção e ajudando a sedimentar qualidade da música brasileira contemporânea. [...] O compositor exerce intensa atividade não somente como compositor, mas também como pesquisador, responsável pela descoberta e restauração de várias obras do período colonial brasileiro, e como professor, dando aulas e ministrando palestras por todo mundo".[7]

Referências

  1. a b c d e f Choinski, Rodrigo. "Diretor artístico da Orquestra Filarmônica da UFPR, Harry Crowl, completa 60 anos". Universidade Federal do Paraná, 31/08/2018
  2. a b c d e f g h i Pozzi, Luiz Guilherme. Harry Crowl: Marinas para Piano – Aspectos da Construção da Performance nas Peças Guaratuba e Antonina, Cabo da Roca e Piran e Portorož. Mestrado. Universidade Estadual de Campinas, 2011, pp. 5-14
  3. Biblioteca Pública do Paraná. "Perfil do leitor – Harry Crowl: O leitor (in) comum".
  4. "Harry Crowl recebe prêmio da FUNARTE". Escola de Música e Belas Artes do Paraná, 26/03/2014
  5. Miranda, Amanda. "Diretor artístico da Filarmônica da UFPR representa América do Sul em projeto internacional". Universidade Federal do Paraná, 21/07/2020
  6. "Compositor Harry Crowl participa do Música e Músicos do Brasil". Rádio EBC — Empresa Brasil de Comunicação, 06/10/2018
  7. Pozzi, p. 1

Ligações externasEditar