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Hashomer Hatzair (hebraico: "jovem guarda" ou "jovem guardião") é um movimento juvenil (em hebraico, "Tnuat Noar") escoteiro, judaico, sionista e socialista, fundado em 1913 na Galícia (Europa Central) a partir da junção de dois grupos, Hashomer (hebraico: "Guardião"), um grupo sionista escoteiro, e Tzerei Tzion (hebraico: "Filhos de Sião" ou "Juventude de Sião"), um movimento ideológico que estudava o sionismo, o socialismo e história judaica.

Além de Israel, o Hashomer Hatzair está presente em várias partes do mundo, com atividades semanais para jovens judeus. No Brasil, o Hashomer Hatzair está em Florianópolis, Rio de Janeiro (Negba e Beit), São Paulo e em Brasília.

Entre muitos nomes famosos, passaram pelo Hashomer Hatzair Arik Einstein, Tony Cliff, Ernest Mandel, Mordechaj Anielewicz, Tosia Altman, Leopold Trepper, Benny Morris e Bussunda[1].

Como ativista no movimento sionista, o Hashomer Hatzair lança-se à criação de seu primeiro kibutz (denominado Beit Alfa) em 1921. Os jovens passam então a compor as forças do Palmach, exercendo papel vital na defesa das colônias judaicas. Logo após a independência do Estado de Israel, o Palmach será uma das forças formadoras do Tzahal (Forças de Defesa de Israel).

Índice

SímbolosEditar

O semel (hebraico: "símbolo") do Hashomer Hatzair é composto pelos seguintes itens:

  • Estrela de David (Tradução do hebraico Maguen David), representando o judaísmo do Movimento
  • Flor de Lis, representando o lado do escautismo
  • Parreira (planta apresentada no lado direito do Semel), representando o sionismo
  • Oliveira (planta apresentada no lado esquerdo do Semel), representando o pacifismo do Movimento
  • Fundo Vermelho (apesar de poucas vezes apresentado deste modo, o Semel possui um fundo vermelho), representando o socialismo. Muitas vezes o fundo vemelho é substituído por uma fita vermelha (como ocorre no semel ao lado), tendo a mesma simbologia.
  • A inscrição Chazak Ve'Ematz (Hebraico: "Força e Coragem"), a "frase lema" do Hashomer Hatzair, que tem origem na Torá.
  • Laço e Nó, representam a união de todos os elementos do Semel.

Ken NegbaEditar

O Ken Negba foi a primeira sede do Hashomer Hatzair no Rio de Janeiro. Este foi fundado em 1947 no bairro Tijuca por jovens da comunidade judaica que buscavam um espaço para debater ideais. Incentivados por ex-membros vindos da Polônia por conta da Segunda Guerra Mundial, fundaram o ken (sede). Em seu começo, as atividades ocorreram no Colégio Hebreu Brasileiro, o que atraiu muitos jovens que frequentavam o local. Porém, logo após a estruturação eles se mudaram para uma casa na rua Carlos Vasconcelos.

Com uma grande quantidade de chanichim (educandos) e madrichim (educadores), o Hashomer era a maior tnua do Rio. Sua as atividades funcionavam aos sábados, porém as sextas era realizado o shabat, no domingo, muitas vezes, havia um passeio além de atividades variadas durante a semana. Tinham machanot (acampamentos) junto aos outros keinim da cidade além de uma fazenda em São Paulo para capacitar jovens que iriam fazer Aliah (ir morar em Israel), tendo em vista a necessidade desta mão de obra para a formação do Estado de Israel. As Shichavot (turmas) eram divididas em Kvutzot (grupos) e estas separadas entre homens e mulheres. As atividades se destinavam a crianças desde os 7 anos até os 16 ou 17 anos, quando estes se tornavam madrichim. Um fato interessante é que os madrichim muitas vezes buscavam os chanichim em casa, para leva-los as atividades.

Com um número menor de chanichim o Ken se mudou para uma outra casa na Barão de São Francisco, ainda no bairro da Tijuca. Continuavam realizando atividades nos sábados e uma vez ao mês ocorriam atividades em conjunto com o ken Beit Mordechai Anielewicz no bairro de Botafogo. Em 1993 surgiu uma oportunidade de utilizar o espaço do Colégio Sholem, que na época estava inativo e então se mudaram para lá em 1994. Ainda dando atividades apenas aos sábados, conseguiram ter até 50 chanichim por sábado, com idades entre 10 e 12 anos. Uma vez a cada 2 meses iam ao Beit, pra manter a tradição de juntar os kenim. Porém esta última sede só durou cerca de um ano, encerrando as atividades do Ken Negba na Tijuca.

Em 2006 surgiu uma ideia desacreditada de se fazer um ken do Hashomer Hatzair na Barra da Tijuca. Bogrim (membro mais velho do movimento) que estavam finalizando seu ciclo tnuati foram incentivados por um ex-membro a concretiza-la. O sonho foi se desenvolvendo nos últimos anos, ganhando força e finalmente se realizou em uma parceria do movimento com uma sinagoga do bairro no ano de 2007. O novo ken veio a se chamar Negba em homenagem ao extinto ken da Tijuca aonde os seus fundadores iniciaram o seu ciclo shomrico. De maneira rápida o ken cresceu, tendo atividades aos sábados com uma divisão não muito clara de shichavot. Ao longos dos anos o Ken se fortaleceu e estruturou-se e teve seus primeiros madrichim de formação no ano de 2012. Em meados de 2012 sua sede foi transferida para um clube aonde reside atualmente, realizando atividades todos os sábados, para dez shichavot contando com mais de 100 chaverim.

“Ole Negba, Ole Ole,

Veod Paam Negba, Ole Ole”

"Se tudo der certo, hoje vai dar Negba, u Negba chegou, u u Negba chegou "

Yom HaatzmautEditar

No início do século XX, milhares de jovens deixaram suas casas e suas famílias na Europa para cumprir sua Hagshamá de construir um Estado para os judeus. Um exemplo histórico foi a Kvutzá Bitaniya, um grupo que conseguiu estabelecer uma Kvutzá de 20 pessoas, superando problemas existenciais e de identidade, muitas vezes perdendo membros, mas crescendo em seus laços e vínculos antes inimagináveis. Uma Kvutzá que construiu um lugar no mundo (um estabelecimento que durara 6 meses) contribuindo para Medinat Israel com suas próprias mãos e seu próprio suor. Ali a falta de regras facilitava a purificação, a criação de um novo humano mediante ao trabalho, numa busca por amor e liberdade verdadeira. Tempo depois essa mesma Kvutzá foi responsável por fundar o primeiro Kibbutz do HaShomer Hatzair: Beit Alfa.

Os Kibbutzim (comunidades agrícolas, autônomas e socialistas baseada no compartilhamento de bens, tanto materiais quanto vivenciais) vieram a ser a coluna vertebral do que futuramente se tornou o Estado de Israel, fiel retrato daqueles - e muitos outros - jovens. Geraram uma nova mentalidade onde o povo judeu poderia se consolidar como nação dentro de um território, dando à economia uma forma mais humana. Graças a essa atitude socialista o país alcançou um nível de trabalhos sociais sem pretendentes e que continua se destacando internacionalmente até hoje. Também se facilitou a criação de uma rede de comunicação dentro do jovem Estado baseando-lá na rede já existente dos Kibbutzim, além de ter aberto portas para a proliferação da economia colaborativa e da vida comunitária. Ainda assim, continuam existindo inúmeras Kvutzot Bitaniya que trabalham dentro e fora do Estado para que esse e o mundo sejam lugares cada vez melhores.

Neste Yom Haatzmaut de 2018, comemoramos os 70 anos do Estado de Israel e os milênios de anseio do povo judeu de alcançar esse sonho. Hoje, com o estado já fundado, nosso Sionismo busca a liberdade e igualdade e luta pela manifestação de nossos ideais dentro e fora de Israel. Como Hashomer Hatzair - movimento sem filiações a partidos, inspirado pelos ideias de Hess, Borochov, Gordon e Hertzel, influenciou diretamente na fundação do Estado, na defesa judaica e na educação Sionista democrática - reforçamos a busca por uma Israel igualitária e inclusiva perante os direitos e necessidades de todos seus habitantes, e que seja um exemplo para todos os países e nações que existem e que venham a existir. O Sonho sionista não acabou, apenas se converteu em algo muito maior.

Chazak Ve’Ematz

Texto escrito em conjunto pelos Kenim do Rio de Janeiro e Uruguai

Referências

  1. «Enterro de Bussunda deixa judeus inconformados». Consultado em 21 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 10 de setembro de 2007 

Ligações externasEditar