Helena Cidade Moura

deputada no parlamento português, pedagoga, investigadora, poetisa, activista e membro destacado da luta anti-fascista em Portugal. Nasceu em 1924, faleceu em 2012

Helena Cidade Moura ou Helena Tâmega Cidade Moura GO • (192420 de julho de 2012) foi uma deputada à Assembleia da República nas I, II e III legislaturas, pedagoga, investigadora, poetisa, activista e membro destacado da luta anti-fascista, tendo sido uma das principais dirigentes do Movimento Democrático Português / Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE), pelo qual foi eleita deputada.

Helena Cidade Moura
Nome completo Helena Tâmega Cidade Moura
Nascimento 1924
Morte 20 de julho de 2012 (88 anos)
Lisboa
Residência Lisboa
Nacionalidade Portuguesa
Progenitores Mãe: Aida Tâmega
Pai: Hernâni Cidade
Parentesco Francisco Pereira de Moura - (Cunhada)
Amílcar Theias - (Sogra)
Alma mater Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Ocupação Deputada
Pedagoga
Investigadora
Poetisa
Activista
Magnum opus "Manual de Alfabetização" ed. Caminho, 1979

Filha de Hernâni Cidade e Aida Tâmega nasceu em 1924 e morreu a 20 de julho de 2012, aos 88 anos de idade.[1] Foi casada com um irmão de Francisco Pereira de Moura[2] e teve 6 filhos.[3]

Foi agraciada com o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade em 15 de Janeiro de 1998.[4]

Vida e ObraEditar

Actividade políticaEditar

Antes do 25 de Abril esteve sempre ligada a instituições e iniciativas dos chamados católicos progressistas e afins. Subscreveu manifestos importantes, entre os quais, um longo texto de 101 católicos, em 1965, e todos os protestos contra o encerramento da cooperativa Pragma, em 1967.[2]

Com José Manuel Tengarrinha, Luís Catarino e António Mota Redol[5], Helena Cidade Moura foi uma das principais dirigentes do MDP/CDE, organização política fundada em 1969 com o objectivo de concorrer às eleições legislativas.[6]

Helena Cidade Moura foi deputada à Assembleia da República nas I, II e III legislaturas. Nos registos da Assembleia da República, o seu nome aparece nos debates parlamentares em 1580 páginas de 515 diários.[7]

A deputada do CDS-PP Maria José Nogueira Pinto, sua opositora política portanto, retrata as qualidades de Helena Cidade Moura, e também de Natália Correia, numa intervenção na Assembleia da República que ocorreu na VII legislatura a 17/07/1997 que se encontra transcrita nos Diários da Assembleia:

"Sr. Presidente, Srs. Deputados: Depois desta última intervenção da bancada do PSD, não resisto a começar por dizer que é com muita pena que não estive aqui como Deputada quando se ouviam as vozes de Helena Cidade Moura e Natália Correia. Muita pena por não ter estado aqui quando esta Câmara era capaz de discutir os problemas como uma Câmara política e não como um conjunto de técnicos. Esta questão não é técnica, é política. Infelizmente, para mim, a minha voz não é a de Helena Cidade Moura nem de Natália Correia...
 
Maria José Nogueira Pinto, Deputada[8].

Como pedagogaEditar

Helena Cidade Moura dedicou a maior parte da sua vida à Educação[3] em especial na luta contra o analfabetismo e na promoção da Educação para todos. Distinguiu-se não apenas pelo combate que travou no âmbito da Educação e da Formação permanentes, mas também pelo papel de direcção que teve na maior campanha de alfabetização realizada no País após a Revolução do 25 de Abril, acompanhando então mais de 400 cursos.[9]

Como investigadoraEditar

Helena Cidade Moura foi uma estudiosa da obra de Eça de Queiroz[10] e por esse motivo foi convidada a representar o Ministério da Educação nas comemorações no ano do centenário da morte do escritor.[11]

Como escritora e poetisaEditar

A primeira publicação de Helena Cidade Moura é de 1954 (Ed. da Autora, Lisboa, brochado, 47 pgs.), com o título "O Mundo sem Limites".[12]

Em 1961 publicou "O Tempo e a Esperança", com desenhos de Nuno Siqueira e "Retrato" da Autora, por José Maria Amaro.[13]

Em 1963 publicou Memória e Ritual[14] e em 1979 publica o "Manual de Alfabetização".[15][16]

Como activista e cidadãEditar

No Centro Nacional de Cultura, do qual viria a ser presidente,[2] [17] foi impulsionadora, em 1961, das conferências de quinta-feira com convidados ilustres.[18]

Foi co-fundadora da CIVITAS - Associação de Defesa e Promoção dos Direitos dos Cidadãos em 1989 tendo discursado em nome da Comissão Instaladora conjuntamente com Vítor Alves. A CIVITAS realizou a sua 1ª Assembleia-Geral na Sociedade Nacional das Belas Artes, presidida por Magalhães Mota, secretariado por Vasco Lourenço e Sá Machado.[19]

Fez parte do Conselho Geral da Fundação Mário Soares.[20]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Público, ed. (21 de Julho de 2012). «Reacções à morte de Helena Cidade Moura». Consultado em 25 janeiro 2020 
  2. a b c Esquerda, ed. (21 de Julho de 2012). «Helena Cidade Moura (1924-2012)». Consultado em 25 janeiro 2020 
  3. a b Público, ed. (26 de Julho de 2012). «Helena Cidade Moura (1924-2012) A altiva senhora que queria ensinar a ler». Consultado em 25 de janeiro 2020 
  4. Presidência da República Portuguesa (ed.). «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da pesquisa de "Helena Cidade Moura". Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  5. Centro de Documentação 25 de Abril - Universidade de Coimbra (ed.). «Espólio António Mota Redol». Resultado da pesquisa "António Mota Redol". Consultado em 28 de janeiro de 2020 
  6. Centro de Documentação 25 de Abril - Universidade de Coimbra (ed.). «Sistema Político Português - Informação Político Partidária - MDP/CDE». Resultado da pesquisa "MDP/CDE". Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  7. Assembleia da República Portuguesa (ed.). «Debates Parlamentares Catálogos Gerais». Resultado da pesquisa "Helena Cidade Moura". Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  8. Assembleia da República Portuguesa (ed.). «Debates Parlamentares Página 3448». Resultado da pesquisa "Helena Cidade Moura". Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  9. Portugal Digital, ed. (11 Novembro 2013). «Centro Nacional de Cultura homenageia Helena Cidade Moura». Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  10. Bibliografia Nacional Portuguesa (ed.). «Resultado de pesquisa Autor:"MOURA, HELENA CIDADE, 1924-2012"». Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  11. Público, ed. (3 fevereiro 2000). «Eça ilustre». Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  12. Loja do Cão Preto (ed.). «MOURA, HELENA CIDADE Mundo sem limites». Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  13. estantevirtual (ed.). «O Tempo e a Esperança Helena Cidade Moura». Ed. Livros de Portugal - RJ, formato 17X11cm, 71 pp. Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  14. Loja do Cão Preto (ed.). «MOURA, HELENA CIDADE Memória e Ritual». Ed. Ática, Lisboa, brochado, 65/7 pgs. Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  15. Câmara Municipal de Lisboa, ed. (5 julho 2017). «Homenagem a Helena Cidade Moura». Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  16. 1.bp.blogspot.com (ed.). «Manual de Alfabetização». Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  17. Centro Nacional de Cultura, ed. (22 julho 2012). «Faleceu Helena Cidade Moura». Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  18. Centro Nacional de Cultura (ed.). «História CNC: Liberdade, Raiz, Utopia e Futuro». Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  19. Liga Portuguesa dos Direitos Humanos – Civitas (ed.). «Sobre nós História da LPDHC – Liga Portuguesa dos Direitos Humanos – Civitas». Consultado em 25 de janeiro de 2020 
  20. Fundação Mário Soares (ed.). «Membros do Conselho Geral da Fundação Mário Soares» 

Ligações externasEditar