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Henrique Dias

Herói da Pátria, líder da Insurreição Pernambucana
Disambig grey.svg Nota: Se procura o jogador de futebol, veja Henrique Dias de Carvalho.
Henrique Dias
Morte 1662
Cidadania Brasil
Ocupação militar

Henrique Dias (Capitania de Pernambuco, princípios do século XVIIRecife, 7 ou 8 de junho de 1662) foi um militar brasileiro, filho de escravos africanos libertos.

Índice

BiografiaEditar

 
Henrique Dias.

Negro liberto, foi mestre-de-campo e cavaleiro da Ordem de Cristo.

No contexto das Invasões holandesas do Brasil, ofereceu-se como voluntário a Matias de Albuquerque para lutar contra os holandeses, tendo recrutado um grande efetivo de africanos oriundos dos engenhos conquistados pelos invasores.

Participou de inúmeros combates, distinguindo-se por bravura nos combates de Igaraçu, onde foi ferido duas vezes; participou ainda da reconquista de Goiana e, notoriamente, em Porto Calvo, em 1637, quando teve a mão esquerda estraçalhada por um tiro de arcabuz. Sem abandonar o combate, decidiu a vitória na ocasião.

Estando Portugal em trégua com a Holanda, Dom João IV desautorizara a Insurreição Pernambucana contra o domínio holandês, do que estes muito se valiam espalhando a notícia. Henrique Dias, no entanto, sem autorização superior escreveu-lhes:

Títulos de FidalgoEditar

 
Henrique Dias.

Devido aos serviços prestados, recebeu títulos de fidalgo, a mercê do Hábito da Ordem de Cristo e a patente de Mestre de campo. Conhecido como Governador dos crioulos, pretos e mulatos do Brasil, envolveu-se ainda na repressão a quilombos, tendo sido cogitado pelo vice-rei Marquês de Montalvão, em novembro de 1640, para combater um quilombo no sertão da Bahia, o que foi recusado pelos vereadores de Salvador.

Como mestre-de-campo, comandou o Terço de Homens Pretos e Mulatos do Exército Patriota, também denominados Henriques, nas duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649), vindo a falecer em 1662, oito anos após a vitória sobre os holandeses. Pela criação desse Terço, pode ser considerado o "pai" das milícias negras no Brasil.

Patrono de uma Organização Militar do ExércitoEditar

 
Retrato de Henrique Dias, de autor anônimo, acervo do Museu do Estado de Pernambuco.

Pela sua dedicação, coragem e liderança, foi escolhido, no ano de 1992, patrono do então 28.º Batalhão de Infantaria Blindada (28.º BIB), atualmente 28.º Batalhão de Infantaria Leve (28.º BIL), localizado em Campinas - SP.

FamíliaEditar

Seu genro Pedro de Val herdou os títulos de Henrique Dias, que incluíam a Comenda de Soure e o título deo . Sua outra filha, Benta Henriques, casou com o Capitão do Terço de Homens Pretos e Mulatos, Amaro Cardigo, que também era negro. Cardigo cobrou da coroa o título de cavaleiro da Ordem de Santiago que foi prometida por Luísa de Gusmão aos genros de Henrique Dias. Este pedido foi negado pela Ordem após três apelações.[1][2]

Herói da PátriaEditar

A Lei nº 12.701, de 06 de agosto de 2012, reconhecendo sua importância na história do país, determinou que o nome de Henrique Dias fosse incrito no Livro de Heróis da Pátria (conhecido como "Livro de Aço"), depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, um cenotáfio que homenageia os heróis nacionais localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Falta apenas o respectivo cunhamento do nome no Livro.

Referências

  1. MATTOS, HEBE, Pretos and Pardos between the Cross and the Sword, 2006 Revista Europea de Estudios Latinoamericanos y del Caribe disponível em: http://www.cedla.uva.nl/60_publications/PDF_files_publications/80RevistaEuropea/80Mattos-ISSN-0924-0608.pdf[ligação inativa]
  2. MATTOS, HEBE, Da Guerra Preta as hierarquias de cor no Atlântico Português disponível em: http://snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Hebe%20Mattos.pdf

Ligações externasEditar