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Disambig grey.svg Nota: ""Betinho"" redireciona para este artigo. Para outros significados, veja Betinho (desambiguação).
Betinho
Nome completo Herbert José de Souza
Nascimento 3 de novembro de 1935
Bocaiúva, Minas Gerais, Brasil
Morte 9 de agosto de 1997 (61 anos)
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade Brasileira
Ocupação Sociólogo, ativista dos direitos humanos
Religião Nenhuma (Agnosticismo),[1][2]Catolicismo romano

Herbert José de Sousa, conhecido como Betinho, (Bocaiúva, 3 de novembro de 1935Rio de Janeiro, 9 de agosto de 1997) foi um sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiro. Concebeu e dedicou-se ao projeto Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida.

Índice

BiografiaEditar

Infância e juventudeEditar

Herbert José de Sousa nasceu no norte de Minas Gerais e, junto com seus dois irmãos - o cartunista Henfil e o músico Chico Mário, herdou da mãe a hemofilia, e desde a infância sofreu com outros problemas, como a tuberculose. Foi criado em ambientes inusitados: a penitenciária e a funerária, onde o pai trabalhava. Mas sua formação teve grande influência dos padres dominicanos, com os quais travou contato na década de 1950. Integrou a JEC (Juventude Estudantil Católica), a JUC (Juventude Universitária Católica). Foi um dos fundadores em 1962, da AP (Ação Popular), junto de José Serra, Aldo Arantes, Vinícius Caldeira Brant, entre outros líderes estudantis. Atuou como coordenador da entidade nos anos de 1963 e 1964.

CarreiraEditar

Graduou-se em 1962 em Sociologia na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)[3]. Durante o governo de João Goulart assessorou o MEC, chefiou a Assessoria do Ministro Paulo de Tarso Santos, e defendeu as Reformas de base, sobretudo a reforma agrária.

Com o golpe militar, em 1964, mobilizou-se contra a ditadura, sem nunca esquecer as causas sociais. Porém, com o aumento da repressão, foi obrigado a se exilar no Chile, em 1971. Lá assessorou Salvador Allende, até sua deposição em 1973. Conseguiu escapar do golpe de Pinochet refugiando-se na embaixada panamenha. Posteriormente morou no Canadá e no México. Durante esse período foram reforçadas as suas convicções sobre a democracia - que ele julgava ser incompatível com o sistema capitalista.

Foi homenageado como "o irmão do Henfil" na canção "O Bêbado e a Equilibrista", de João Bosco e Aldir Blanc, gravada por Elis Regina - "Meu Brasil / que sonha com a volta do irmão do Henfil / com tanta gente que partiu…" - à época da Campanha pela Anistia aos presos e exilados políticos. Anistiado em 1979, voltou ao Brasil.[4]

Em 1981, junto com os economistas Carlos Afonso e Marcos Arruda, fundou o IBASE - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas,[5] e passou a se dedicar à luta pela reforma agrária, sendo um de seus principais articuladores. Nesse sentido conseguiu reunir, em 1990, milhares de pessoas no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, em manifestação pela causa.

Betinho também integrou as forças que resultaram no impeachment do Presidente da República Fernando Collor de Mello. Mas o projeto pelo qual se imortalizou foi, provavelmente, a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, movimento em favor dos pobres e excluídos.

Doença e morteEditar

Em 1986 Betinho descobriu ter contraído o vírus da AIDS em uma das transfusões de sangue a que era obrigado a se submeter periodicamente devido à hemofilia. Em sua vida pública esse fato repercutiu na criação de movimentos de defesa dos direitos dos portadores do vírus. Junto com outros membros da sociedade civil, fundou e presidiu até a sua morte a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS. Dois dos seus irmãos, Henfil e Chico Mário, morreram em 1988 por consequência da mesma doença. Mesmo assim, não deixou de ser ativo até o final de sua vida, dizendo que a sua condição de soropositivo o forçava a "comemorar a vida todas as manhãs".[6]

Betinho morreu em 1997, já bastante debilitado pela AIDS. Deixou dois filhos: Daniel, filho do seu primeiro casamento com Irles Carvalho, e Henrique, filho do segundo casamento com Maria Nakano, com quem viveu por 27 anos.

ReparaçãoEditar

Em 18 de agosto de 2010, a Comissão de Anistia concedeu à família de Betinho uma indenização mensal, além de um montante retroativo, em razão da perseguição política sofrida por ele durante a ditadura militar, comprovada por documentos encontrados nos arquivos do antigo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Sua viúva, Maria Nakano, também recebeu o direito a uma pensão vitalícia.[7]

Livros publicadosEditar

  • Estreitos Nós (crônicas). Editora Garamond
  • Em Defesa do Interesse Nacional (coletânea de textos de vários autores, incluindo Barbosa Lima Sobrinho e Fernando Henrique Cardoso). Editora Paz e Terra.
  • No Fio da Navalha (biografia). Editora Revan.
  • A Cura da Aids (ensaios sobre AIDS e Política de Saúde). Editora Relume Dumará.
  • Ética e Cidadania (entrevista). Editora Moderna.
  • A Lista de Alice (crônicas). Editora Companhia das Letras.
  • Como Se Faz Análise de Conjuntura. Editora Vozes.
  • O Estado e o Desenvolvimento Capitalista no Brasil (em co-autoria com Carlos A. Afonso). Editora Paz e Terra.
  • A zeropéia (infanto-juvenil). Editora Moderna.
  • A Centopéia que Pensava (infanto-juvenil). Editora Moderna.
  • A Centopéia Que Sonhava (infanto-juvenil). Editora Salamandra.
  • A Centopéia Que Cantava (infanto-juvenil). Editora Salamandra

FilmeEditar

Em 2006 foi lançado o filme Três Irmãos de Sangue, sobre a vida dos irmãos Betinho, Henfil e Chico Mário. Idealizado pelo músico Marcos Souza, filho de Chico Mário, o filme teve direção e roteiro de Ângela Patrícia Reiniger.[8]

Referências

  1. Transcrição do programa Roda Viva de 23/12/1996. Acesso em 06/08/2016. "(...) eu já fui católico apostólico romano durante oito anos, de comunhão diária. E eu acho que já fiz todas as confissões e todas as comunhões que um homem tem direito a fazer. Mas, houve um momento em minha vida que a estrutura religiosa foi minada por um psiquiatra louco. Eu estava fazendo um tratamento e ele virou para mim, interpretando um sonho, e disse: “você tem uma fixação com Cristo”. Eu falei: “claro, eu sou da Ação Católica, toda pessoa da Ação Católica está fixada com Cristo” e ele falou assim: “é, mas o Cristo é uma figura ambígua, ele é homem, mas se veste de mulher. Ele é homem, mas tem cabelos compridos” e eu falei: “ih, danou tudo”. Nesse momento, a minha estrutura religiosa tradicional todinha caiu por terra, ruiu e com isso desapareceu o problema da existência ou não existência de Deus."
  2. Transcrição do programa Roda Viva de 23/12/1996. Acesso em 14/07/2019. "Eu acho que passei a ter uma visão muito natural da morte. Ela, para mim, não está associada a nenhum fato extraordinário. Eu não tenho nenhuma expectativa, não faço especulação sobre o além. Se ele existir, para mim vai ser uma tremenda surpresa. Aí eu vou encontrar com o Henfil, com o Chico, eu vou saber quem está no céu, quem está no inferno, que vai ser um prazer... Aí eu vou fazer a lista completa. Mas isso não é uma coisa que me preocupa. Eu não me preocupo em provar que exista ou não exista Deus. Acho que a vida é que é a coisa fundamental, viver é que é fundamental, e só existe mudança enquanto existe vida. Para mim a morte é o fim da mudança."
  3. «Perfil - Herbert José de Souza». IPEA. Desafios do Desenvolvimento. 10 de fevereiro de 2011. Consultado em 5 de janeiro de 2018 
  4. «Os exilados voltam ao Brasil». O Globo. Consultado em 9 de agosto de 2019 
  5. «IBASE». Ibase.br 
  6. «Jornal do Brasil sobre a morte de Betinho». Jblog.com.br. Arquivado do original em 16 de dezembro de 2011 
  7. «Comissão de Anistia concede indenização à família de Betinho». Globo.com 
  8. «3 Irmãos de Sangue, site do filme». 3irmaosdesangue.com.br 

Ligações externasEditar