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A hermenêutica da reapropriação.

Para Scott Lash viveríamos hoje na alta modernidade ou modernidade reflexiva, numa sociedade pós-tradicional. Para ele, a sensibilidade da baixa modernidade, tanto analítica quanto hermenêutica, teria se difundido para as massas da população em cada aspecto e detalhe da vida social e estaria desligada das estruturas e instituições tradicionais. Contudo, se para Anthony Giddens e Ulrich Beck, a modernidade reflexiva é oriunda das idéias científicas de indeterminação e das consequências não intencionais das intervenções da ciência, para Lash a sensibilidade reflexiva se encontra na vida cotidiana e é derivada da sensibilidade estética ou hermenêutica. Por isso, ele elabora a hermenêutica da reapropriação.

Contrapondo-se à teoria da reflexividade estética que desconstrói o universal do ponto de vista do particular e à reflexividade cognitiva que coloca o sujeito calculador versus a contingência, o conceitual versus o mimético, Scott Lash propõe a hermenêutica da reapropriação que dá um crédito substancial ao fenômeno da comunidade na modernidade reflexiva. O que o autor faz é transformar a teoria da reflexividade estética em uma direção mais hermenêutica.

A hermenêutica da reapropriação não questionaria a noção de bens substantivos, propondo em seu lugar a noção de bens de caráter procedural, como faz a reflexividade cognitiva, e nem afasta essas duas noções como faz a reflexividade estética. Ela busca designar um conjunto de bens substantivos como base de qualquer tipo de ética comunal. A hermenêutica da reapropriação tenta obter acesso às atividades de rotina e aos significados compartilhados que, para Scott Lash, são as condições de existência do nós, são as bases ontológicas do fenômeno da comunidade. Para tanto, o autor se baseia na teoria de Boudieu, mais precisamente, nos conceitos de habitus, que fala de categorias impensadas que só existem quando situadas em seu mundo, e de campo, que daria limitação às comunidades modernas. Ao proceder desse modo, Scott Lash possui uma preocupação não com o barulho incessante do significante do discurso ou da desconstrução, mas com as coisas e com as pessoas em um mundo compartilhado; com os já compartilhados significados das práticas sociais do cotidiano, que tornam possível o acesso à comunidade.

Scott Lash opta pela hermenêutica da reapropriação porque considera que a realidade social se tornou abstrata demais, muito invasivamente interpenetrada pelos sistemas especialistas e pelos discursos legitimadores. Por isso, para ele, nem o discurso incessante do conceito da reflexividade cognitiva e nem a desconstrução interminável da mimese da reflexividade estética poderiam propiciar o melhor acesso à verdade. O sociólogo justifica a sua concentração na dimensão hermenêutica ou comunitária pelo fato da contemporaneidade é muito marcada pelo individualismo cognitivo-utilitarista e estético-expressivo e, por isso, a comunidade precisaria de uma operação de recuperação.

Referência BibligráficaEditar

LASH, S. (1997). A reflexividade e seus duplos: estrutura, estética, comunidade. In: BECK, U.; GIDDENS, A. ; LASH, S. (orgs). Modernização reflexiva: política, tradição e estética na ordem social moderna. São Paulo: Editora da Unesp.