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Hipérpiro[1] (em grego: νόμισμα ὑπέρπυρον; transl.: hyperpyron; plural: hyperpyra) foi uma moeda bizantina em uso durante o final da Idade Média, substituindo o soldo como a cunhagem de ouro do Império Bizantino.

HistóriaEditar

 
Hipérpiro de João II Comneno (r. 1118–1141)
 
Hipérpiro de Manuel I Comneno (r. 1143–1180) com a típica forma escifato

A tradicional moeda de ouro do Império Bizantino foi o soldo ou nomisma, cujo teor de ouro tinha permanecido estável em 24 quilates por sete séculos e foi consequentemente altamente valorizada. Dos anos 1030, contudo, a moeda estava cada vez mais desvalorizada, até nos anos 1080, seguindo os desastres militares e guerras civis da década anterior, seu teor de ouro foi reduzido a quase zero.[2] Consequentemente, em 1092, o imperador Aleixo I Comneno (r. 1081–1118) realizou uma drástica revisão do sistema de cunhagem bizantina e introduziu uma nova moeda de ouro, o hipérpiro (significa "super-refinada"). Este era do mesmo padrão de peso (4.45 gramas) do soldo, mas de menor teor de ouro (20.5 quilates ao invés de 24) devido à reciclagem de moedas anteriores degradadas.[3][4]

O hipérpiro permaneceu o padrão da moeda de ouro até as moedas de ouro deixarem de ser cunhadas pelos bizantinos em meados do século XIV. Também, contudo, esteve sujeita a gradual degradação: sob o Império de Niceia (1204-1261), seu teor de ouro caiu gradualmente de 18 quilates, sob Miguel VIII Paleólogo (r. 1285–1328) para 12 quilates. Ao mesmo tempo, a qualidade das moedas declinou também, e no século XIV, o peso delas estava longe de ser uniforme.[5] Os últimos hipérpiros, e assim as últimas moedas de ouro bizantinas, foram cunhadas pelo imperador João VI Cantacuzeno (r. 1347–1352). O nome permaneceu em uso depois disso apenas como unidade de conta, dividido em 24 quilates.[6][7]

O nome foi adotado de várias formas pelos europeus ocidentais (em latim: perperum; em italiano: perpero) e países eslavos dos Bálcãs (perper, iperpero, etc.) designando várias moedas, geralmente de prata, bem como unidades de conta.[8] Mais frequentemente no ocidente o hipérpiro foi chamado de besante, especialmente entre os mercadores italianos. No começo do período Comneno, o hipérpiro foi o equivalente de três traqueia de eletro, 48 traqueia de bilhão ou 864 tetarteros de cobre, embora com a degradação dos traqueia eventualmente veio a valer 12 traqueia de eletro e 288 para 384 traqueia de bilhão.[9] No século XIV, o hipérpiro equivalia 12 das novas basílicos de prata, 96 torneses, 384 traqueia de cobre e 768 assaria de cobre.[10]

Referências

  1. Egea, p. 488.
  2. Grierson 1999, p. 10.
  3. Grierson 1999, p. 11.
  4. Kazhdan 1991, p. 964.
  5. Grierson 1999, p. 11–12.
  6. Grierson 1999, p. 12.
  7. Kazhdan 1991, p. 964–965.
  8. Kazhdan 1991, p. 965.
  9. Grierson 1999, p. 44.
  10. Grierson 1999, p. 45.

BibliografiaEditar

  • Egea, José M. La crónica de Morea. [S.l.]: Editorial CSIC - CSIC Press. ISBN 840007615X 
  • Grierson, Philip (1999). Byzantine Coinage. Washington, Distrito de Colúmbia: Dumbarton Oaks. ISBN 978-0-88402-274-9