História da Literatura Ocidental

História da Literatura Ocidental é uma obra de crítica literária editada ora em quatro volumes, ora em dez, do austro-brasileiro Otto Maria Carpeaux no princípio da década de 1940 e lançada em 1959. Escrita em pouco mais de um ano e meio, é uma das mais importantes obras de história da literatura publicadas no Brasil.[1]

História da Literatura Ocidental
História da Literatura Ocidental (PT)
Autor(es) Otto Maria Carpeaux
Idioma português
País Brasil
Gênero Crítica Literária
Linha temporal segunda metade do século XX
Editora Edições O Cruzeiro, Editorial Alhambra, Senado Federal, Editora Leya com a Livraria Cultura
Lançamento São Paulo, 1959
Edição portuguesa
Lançamento 1959
Páginas 4032

Crítica e premiaçõesEditar

No final do século XX, o jornal Folha de S.Paulo reuniu especialistas para escolher as cem melhores obras de não-ficção do século XX e a História da Literatura Ocidental de Carpeaux alcançou o 18.º lugar, sendo o único livro escrito por um brasileiro, além de Os Sertões, de Euclides da Cunha, a fazer parte da lista.[2] A obra recebeu o prêmio Jabuti de melhor livro de crítica literária.[3]

EdiçõesEditar

A obra foi publicada primeiramente em 1959 em nove volumes, pela Edições O Cruzeiro, lançada por Herberto Sales.[4] A segunda edição, revisada e atualizada pelo próprio autor, foi lançada pela Editorial Alhambra em 1978.[5] Em 2008 o Senado Federal publicou em formato físico e digital a terceira edição, dividida em 4 volumes,[6] e por fim, em 2011, História da Literatura Ocidental teve uma edição de bolso, relançada em uma parceria entre a Editora Leya e a Livraria Cultura.[4]

ConteúdoEditar

Tomando como referência e edição lançada pelo Senado Federal em 4 tomos, na primeira parte de sua História da Literatura Ocidental, Carpeaux parte da Antiguidade greco-latina, passando pela Idade Média e analisando o Renascimento e a Reforma.[7]

A segunda parte foi chamada, pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, “livro-chave essencial", e abrange barroco, classicismo, neobarroco, classicismo racionalista e o pré-romantismo ocidentais. Carpeaux analisa a poesia, o teatro, a epopeia e o romance picaresco de autores como Cervantes, Góngora, Shakespeare e Molière.[7]

A terceira parte refere-se ao romantismo e segue até os tempos atuais. Nele Carpeaux analisa também os brasileiros como José de Alencar, Castro Alves, Álvares de Azevedo e Machado de Assis, além do realismo e o naturalismo. Aqui Carpeaux ainda abrange Balzac, Machado, Eça, Tolstoi, Zola, Dostoievski, Melville, Baudelaire, e mais Aluísio Azevedo, Augusto dos Anjos, Graça Aranha e Mário de Andrade, entre tantos autores; bem como a transformação social com o aparecimento do marxismo.[7]

O último e quarto volume traz uma densa análise sobre a atmosfera intelectual, social e literária do fim do século XX com o surgimento do simbolismo, além de um esboço das tendências contemporâneas. Carpeaux encerra dessa forma sua magnum opus, com uma extensa analise em profundidade dos demais diversos autores.[7]

CapítulosEditar

PARTE I - A Herança
Capítulo I - A literatura grega
Capítulo II - O mundo romano
Capítulo III - O cristianismo e o mundo (os Padres da Igreja e a liturgia)

PARTE II - O Mundo Cristão
Capítulo I - A fundação da Europa (Literatura anglo-saxônica. A literatura edda. Epopeias e “matières”. Literatura monacal)
Capítulo II - O universalismo cristão (Literatura latina medieval)
Capítulo III - A literatura dos castelos e das aldeias (Canções e baladas populares. Poesias das cortes. O mundo dos “romances”)
Capítulo IV - Oposição, burguesa e eclesiástica (Literatura satírica. Os franciscanos)

PARTE III - A Transição
Capítulo I - O “Trecento” (Dante, Petrarca, Boccaccio)
Capítulo II - Realismo e misticismo (“Roman de la rose”. Chaucer. Crônicas. Místicos. O teatro medieval)
Capítulo III - O outono da Idade Média (Literatura “flamboyant”)

PARTE IV - Renascença e Reforma
Capítulo I - O “Quattrocento” (Os humanistas italianos)
Capítulo II - O “Cinquecento” (A literatura italiana do século XVI)
Capítulo III - Renascença internacional (Renascença na França, Espanha, Inglaterra e outros países)
Capítulo IV - Renascença cristã (Erasmo e os humanistas cristãos. A reforma. Literatura protestante e anglicana)

PARTE V - Barroco e Classicismo
Capítulo I - O problema da literatura barroca
Capítulo II - Poesia e teatro da Contra-Reforma (Marinismo e gongorismo. Os jesuítas. Teatro espanhol)
Capítulo III - Pastorais, epopeias, epopeia herói-cômica e romance picaresco
Capítulo IV - O barroco protestante (Teatro elisabetano e jacobeu. Barroco luterano. Poesia metafísica. Literatura puritana)
Capítulo V - Misticismo e moralismo (Místicos espanhóis e franceses. Classicismo francês)
Capítulo VI - Antibarroco (Literatura oposicionista na Espanha e na França: de Cervantes até Molière)

PARTE VI - Ilustração e Revolução
Capítulo I - Origens neobarrocas (A arcádia e a poesia anacreôntica. Teatro da restauração. A ópera. Libertinismo literário. Livres-pensadores e racionalismo)
Capítulo II - Classicismo racionalista (Época augustiana. O século de Voltaire)
Capítulo III - O pré-romantismo (Nova poesia pastoril. Poesia da noite e dos túmulos. Metodismo. Romance epistolar e “gótico”. Ossian. Sentimentalismo e anti-sentimentalismo. Os enciclopedistas. Rousseau.)
Capítulo IV - O último classicismo (Classicismo alemão. Alfieri, Chénier, Jane Austen)

PARTE VII - O Romantismo
Capítulo I - Origens do romantismo (Primeiro romantismo alemão. Chateaubriand. Os poetas ingleses dos “lagos”. Lamartine)
Capítulo II - Romantismo e evasão (Scott e o romance histórico. Medievalismo e folclore. Poesia “pura”. Romantismo nórdico e russo)
Capítulo III - Romantismo em oposição (Byronismo. Radicais e utopistas. Transcendentalismo americano. (o século de Hugo. A época de Dickens)
Capítulo IV - O fim do romantismo (O movimento de Oxford. Os radicais franceses. Heine. Os começos do marxismo)

PARTE VIII - A Época da Classe Média
Capítulo I - Literatura burguesa (Balzac e o romance burguês. Literatura vitoriana. Os parnasianos)
Capítulo II - O naturalismo (A época de Zola. Darwinismo e fatalismo. Baudelaire e poesia de desespero)
Capítulo III - A conversão do naturalismo (Teatro escandinavo e romance russo. Movimento misticista. Romance psicológico)

PARTE IX - “Fin de Siècle” e depois
Capítulo I - O simbolismo (Esteticismo. Poesia simbolista. Modernismo espanhol. Nietzsche)
Capítulo II - A época do equilíbrio europeu (Epigonismo literário entre 1900 e 1914)

PARTE X - Literatura e Realidade
Capítulo I - As revoltas modernistas (Boêmia internacional. Cubismo e modernismo francês. Imagismo. Futurismo. Expressionismo alemão. A Guerra Mundial. Freud, Joyce, Proust e O’Neil. Radicalismo espanhol. Dadaísmo e surrealismo).
Capítulo II - Tendências contemporâneas (Renascença do romance histórico. O movimento católico. Poesia pura. Existencialismo. Literatura proletária. Os russos soviéticos. A II Guerra Mundial e suas consequências).[7]

Referências

  1. «História da literatura ocidental (vol. 107)» (PDF). Senado Federal. Consultado em 16 de maio de 2017 
  2. «Os Cem Mais». Folha de S.Paulo. Consultado em 16 de maio de 2017 [ligação inativa]
  3. Prêmio Jabuti. 50 anos. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. 2008. ISBN 978-85-7060-647-1 
  4. a b «A volta de Otto Maria Carpeaux». O Estado de São Paulo. Consultado em 16 de maio de 2017 
  5. «Uma história da esperteza editorial». Revista Época. Consultado em 16 de maio de 2017. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2017 
  6. «História da Literatura Ocidental». Biblioteca do Senado Federal. Consultado em 16 de maio de 2017 
  7. a b c d e Carpeaux, Otto Maria. História da Literatura Ocidental. São Paulo: Senado. p. 22. ISBN 9788544101179 

Ligações externasEditar