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História dos Camarões

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PrimórdiosEditar

Provavelmente os primeiros habitantes dos Camarões foram os Bakas, tribos de Pigmeus que ainda vivem nas florestas do sudeste do país. A língua Bantu teve a sua origem nas terras altas dos Camarões, mas a muitos dos falantes partiram antes da chegada dos primeiros invasores.

Entre os finais da década de 1770 e o início de 1800, os Fula, um povo islâmico conquistou a maior parte das terras que atualmente constituem o norte dos Camarões, subjugando ou desalojando os habitantes, na maioria não muçulmanos.

O nome do país deriva do nome lusófono antigo do rio Wouri, rio dos Camarões, devido à grande quantidade do crustáceo[1]. Apesar do nome do rio ter modificado para uma palavra de origem local, o termo Camarões permaneceu mesmo em outras línguas para designar a região[2].

Apesar da chegada dos portugueses à costa dos Camarões datar do século XV, a malária impediu os europeus de se instalarem e conquistarem os territórios do interior até ao final da década de 1870, quando grandes quantidades de quinino se tornaram disponíveis. No início, os europeus estavam sobretudo interessados em comerciar, o que faziam na zona costeira, e adquirir escravos. O comércio de escravos foi reprimido a meio do século XIX, ainda na parte final deste século instalaram-se nos Camarões missões cristãs, as quais continuam a desempenhar um papel na vida do país.

ColonizaçãoEditar

 
Camarões ao longo do tempo
  Kamerun alemão
  República de Camarões

No dia 5 de Julho de 1884 a totalidade do território camaronês e alguns territórios vizinhos tornaram-se a colónia alemã de Kamerun, com a capital situada primeiramente em Buea e depois em Yaoundé. Após o final da Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido e a França dividiram esta colónia, cabendo à França a maior área, sendo as zonas mais distantes transferidas para o domínio de outras colónias francesas, e governando o restante a partir de Yaoundé.

Em 1955, a União do Povo Camaronês (tradução literal do inglês, Union of Cameroonian Peoples), UPC, um grupo rebelde onde os grupos étnicos dominantes eram os Bamileke e os Bassa, iniciaram a luta armada pela independência dos Camarões franceses. Esta revolta continuou, com cada vez menor intensidade, mesmo após a independência. As estimativas do número de mortos deste conflito variam entre as dezenas e as centenas de milhares de pessoas.

Pós-independênciaEditar

Os Camarões franceses alcançaram a independência em 1960 sob a denominação de República dos Camarões. No ano seguinte, a maioria muçulmana do norte, que dominava dois terços dos Camarões britânicos, votou pela adesão à Nigéria, enquanto que no sul a maioria cristã, votou de forma que o outro terço dos Camarões britânicos aderisse à República dos Camarões, formando a República Federal dos Camarões.

Ahmadou Ahidjo, um Fula educado na França, foi escolhido para presidente da federação em 1961. Ahidjo, suportado pelas forças de segurança internas, ilegalizou todos os partidos políticos, à excepção do seu, em 1966. Conseguiu suprimir a rebelião da UPC, sendo a captura do último líder rebelde importante ocorrido em 1970. Em 1972, uma nova constituição substituiu a federação por um estado unitário.

Ahidjo abdicou do cargo de presidente em 1982 e foi sucedido, como indicava a constituição, pelo seu primeiro-ministro, Paul Biya, um oficial de carreira do grupo étnico Bei-Pahuin. Ahidjo acabou por se arrepender da sua escolha, mas os seus apoiantes não conseguiram derrubar Biya numa tentativa de golpe levada a cabo a 6 de Abril de 1984. Biya venceu as eleições, onde era o único candidato, em 1983 e 1984 e as eleições multipartidárias, mas fraudulentas, de 1992 e 1997. O seu partido tem uma maioria considerável.

Em 1 de outubro de 2017, Sisiku Ayuk declara simbolicamente a independência da república da Ambazônia, desencadeando uma repressão pela força policial, resultando em mortes, ferimentos, motins, barricadas, manifestações, toque de recolher, etc. [7]. Em janeiro de 2018, a Nigéria tem entre 7.000 e 30.000 refugiados relacionados a conflitos e repressão após esta declaração de independência. [8]

Em 5 de janeiro de 2018, membros do governo interino da Ambazonia, incluindo o presidente Sisiku Julius Ayuk Tabe, foram presos na Nigéria e deportados para Camarões. Mais tarde, eles foram presos e passaram 10 meses em uma sede da gendarmaria antes de serem transferidos para uma prisão de segurança máxima em Yaoundé. Um julgamento começou em dezembro de 2018.

Em 4 de fevereiro de 2018, foi anunciado que Samuel Ikome Sako se tornaria presidente interino da República Federal da Ambazônia, sucedendo temporariamente a Tabé. Sua presidência viu a escalada da guerra e sua propagação em todo o sul dos Camarões. Em 31 de dezembro de 2018, Ikome Sako declarou que 2019 assistiria à transição de uma guerra defensiva para uma guerra ofensiva e que os separatistas lutariam pela independência de fato no terreno.

Referências