Camarões

país na África Central
(Redirecionado de História dos Camarões)
République du Cameroun (francês)
Republic of Cameroon (inglês)

República dos Camarões
Bandeira dos Camarões
Brasão de armas dos Camarões
Bandeira Brasão de Armas
Lema: "Paix - Travail - Patrie" ("Paz, Trabalho, Pátria")
Hino nacional: "Chant de Ralliement"
Gentílico: camaronense, camaronês(a)[1]

Localização República dos Camarões

Capital Yaoundé
3° 52' N 11° 31' E
Cidade mais populosa Douala
Língua oficial Francês e Inglês
Governo República presidencialista
 - Presidente Paul Biya
 - Primeiro-ministro Joseph Ngute
Independência da França e do Reino Unido 
 - Independência da França 1º de janeiro de 1960 
 - Independência do Reino Unido 1º de outubro de 1961 
 - Unificação 1º de outubro de 1961 
Área  
 - Total 475.442 km² (52.º)
 - Água (%) 1,3
 Fronteira Nigéria (N e W), Chade, República Centro-Africana (E), República do Congo, Gabão, Guiné Equatorial (S)
População  
 - Estimativa para 2015 23 739 218 [2] hab. (53.º)
 - Densidade 49,9 hab./km² (97.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
 - Total US$ : 40,010 bilhões (90.º)
 - Per capita US$ : 2.088 (135.º)
IDH (2019) 0,563 (153.º) – médio[3]
Gini (2001) 44,6[4] 
Moeda Franco CFA (XAF)
Fuso horário (UTC+1)
 - Verão (DST) não observado (UTC+1)
Clima Tropical e semiárido
Org. internacionais ONU, UA, Francofonia, Comunidade das Nações, CEMAC
Cód. ISO CMR
Cód. Internet .cm
Cód. telef. +237
Website governamental http://www.prc.cm/

Mapa República dos Camarões

Camarões, oficialmente República dos Camarões (em francês: République du Cameroun; em inglês: Republic of Cameroon), é um país da região ocidental da África Central. Faz fronteira com a Nigéria a oeste; Chade a nordeste;[5] República Centro-Africana a leste; e Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo, ao sul. O litoral dos Camarões encontra-se no Golfo do Biafra, parte do Golfo da Guiné e do Oceano Atlântico. O país é muitas vezes referido como "África em miniatura", pela sua diversidade geológica e cultural. Recursos naturais incluem praias, desertos, montanhas, florestas tropicais e savanas. O ponto mais alto é o Monte Camarões no sudoeste, e as cidades mais populosas são Douala, a capital Iaundé (em francês, Yaoundé) e Garoua. Os Camarões são o lar de mais de 200 grupos linguísticos diferentes. O país é conhecido por seus estilos musicais nativos, especialmente makossa e bikutsi, e pela sua bem-sucedida seleção nacional de futebol. Francês e inglês são as línguas oficiais.

Os antigos habitantes do território incluem a civilização Sao em torno do Lago Chade e os caçadores-coletores Baka nas florestas tropicais do sudeste. Exploradores portugueses chegaram ao litoral no século XV e nomearam a área de Rio dos Camarões, que se tornou Cameroon em Inglês. Os soldados fulas fundaram o Emirado Adamawa, no norte, durante o século XIX, e vários grupos étnicos do oeste e noroeste estabeleceram tribos poderosas e fondoms. Os Camarões foram elevados à categoria de colônia alemã em 1884, sendo conhecidos então como "Kamerun" .

Após a Primeira Guerra Mundial, o território foi dividido entre a França e a Grã-Bretanha como mandatos da Liga das Nações. A Union des Populations du Cameroun (UPC) é um partido político que defendeu a independência, mas o partido foi proibido pela França em 1950. O país travou uma guerra contra as forças militantes franceses e da UPC até 1971. Em 1960, a parte dos Camarões administrada pelos franceses tornou-se independente como a República dos Camarões sob a presidência de Ahmadou Ahidjo. A parte sul dos Camarões Britânicos fundiu-se com o Camarões francês em 1961 para formar a República Federal dos Camarões. O país foi renomeado República Unida dos Camarões em 1972 e a República dos Camarões, em 1984.

Em comparação com outros países africanos, os Camarões gozam de estabilidade política e social relativamente alta. Isso permitiu o desenvolvimento da agricultura, estradas, ferrovias e grandes indústrias de petróleo e madeira. No entanto, um grande número de camaroneses vivem na pobreza como agricultores de subsistência. O poder está firmemente nas mãos do presidente autoritário a partir de 1982, Paul Biya, e do Movimento Democrático Popular dos Camarões. Os territórios anglófonos dos Camarões têm crescido cada vez mais alienado do governo, e os políticos daquelas regiões têm chamado para uma maior descentralização e mesmo a separação (por exemplo, o Conselho Nacional dos Camarões do Sul) dos antigos territórios governados pelos britânicos.

HistóriaEditar

Povos indígenas, chegada dos europeus e colonizaçãoEditar

 
Camarões ao longo do tempo
  Kamerun alemão
  República dos Camarões

Há provas de que os primeiros povos que habitavam os Camarões foram os pigmeus, seguidos por vários povos que habitavam a África central. Entre esses povos citam-se em destaque os bantos e os fulas. O navegador português Fernão do Pó (ou Fernando Pó) chegou ao estuário do rio Wouri em 1472 e chamou-o "rio dos Camarões", devido à abundância de crustáceos da espécie Lepidophthalmus turneranus na região.[6]

Naquela região, desde o século XVI, os portugueses estabeleceram entrepostos de onde os escravos foram vendidos para o Novo Mundo. Os britânicos foram o primeiro povo a colonizar o sertão. Porém, em 1884, a região tornou-se protetorado da Alemanha, passando a ser chamada Kamerun.[7]

No ano de 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, os colonizadores alemães foram expulsos pelas tropas da França e do Reino Unido. Em 1919, as forças ocupantes concordaram com a divisão dos Camarões. Então, os franceses e britânicos dividiram os Camarões em duas partes: de um lado, as regiões oriental e meridional passaram à jurisdição dos franceses; de outro lado, uma pequena área, na região ocidental passou à jurisdição dos britânicos. Em 1922, os dois Camarões foram subordinados à Liga das Nações, que manteve a França e o Reino Unido como administradores das respectivas áreas. Em 1946, a Organização das Nações Unidas (ONU) transformou em tutela os mandatos francês e britânico nos Camarões.[7]

IndependênciaEditar

 
Em 26 de julho de 1982, o presidente Ahmadou Ahidjo na sua chegada para uma visita a Washington, D.C. Localização: Joint Base Andrews, Maryland, EUA.

Os Camarões franceses alcançaram sua independência em 1º de janeiro de 1960. A partir de então, como nome oficial do país foi adotado República dos Camarões. Um ano depois, a ONU foi promotora de um plebiscito ocorrido nas regiões norte e sul dos Camarões Britânicos. O assunto do plebiscito foi a incorporação dessas regiões pelo Reino Unido à Nigéria. O norte dos Camarões Britânicos unido à Nigéria foi escolhido pela maioria absoluta dos votos válidos. Com essa vitória, o norte dos Camarões Britânicos foi elevado à categoria de província da Nigéria com o nome de Sardauna. O sul realizou como escolha a sua união com a República dos Camarões.[7]

O novo país passou por ampliações. O segundo nome oficial dos Camarões foi República Federal dos Camarões. Esse novo país foi dividido em dois estados. São eles: Camarões Orientais (ex-Camarões francês) e Camarões Ocidentais (ex-Camarões Britânicos). A constituição promulgada em 1972 declarou extinto o sistema federativo e segundo a mesma constituição o terceiro nome oficial dos Camarões foi República Unida dos Camarões. Desde 1984, o quarto e atual nome oficial dos Camarões é República dos Camarões, sendo então o primeiro e último nome oficial desde a independência.[7]

GeografiaEditar

 Ver artigo principal: Geografia dos Camarões

Relevo e hidrografiaEditar

 
Topografia dos Camarões.

A paisagem que se vê nos Camarões varia grandemente. O sul é composto de planícies no litoral e de colinas revestidas sob cobertura parcial das florestas. Enquanto isso, define-se a região central como uma elevação planáltica com altitudes entre 800 e 1 500 metros. O planalto central é oferecedor de boas condições para a criação de gado. Mais na região setentrional ocorre o reaparecimento das planícies. Dessa vez as planícies declivam suavemente até a bacia do lago Tchad. Finalmente, no oeste ocorre a elevação de uma cadeia de montanhas sob domínio do monte Camarões (4070 m), o ponto mais alto do país. Os dois rios mais importantes são Benue, tributário do Níger, e o Sanaga, que desagua no Atlântico.[8]

Clima e vegetaçãoEditar

Como o país está mais próximo da linha do equador, o clima dos Camarões é quente durante a totalidade do ano. A variação da média das temperaturas ao ano vai de 21 °C a 28 °C, com exceção das montanhas, onde faz mais frio. As chuvas sofrem diminuição entre o sul e o norte; no litoral sofrem queda de mais de 800 mm ao ano; no planalto central, 1 500 mm. No sul existem duas estações secas, entre dezembro e fevereiro e de julho a setembro, e no norte somente uma, entre outubro e abril.[9] Essas diferenças que ocorrem no clima são refletidas na vegetação: a selva pluvial reveste o sul, no centro é estendida uma mata na qual estão misturadas espécies de folhas perenes e de folhas caducas, e a savana arbórea domina o norte.[10]

DemografiaEditar

 Ver artigo principal: Demografia dos Camarões

O total da população nos Camarões era de 22 250 362 em 2013.[11] A expectativa de vida era de 53,69 anos (52,89 anos para os homens e 54,52 anos para as mulheres).

A população dos Camarões é quase igualmente dividida entre habitantes urbanos e rurais. A densidade populacional é maior nos grandes centros urbanos, nas montanhas ocidentais, e nas planícies do nordeste.[12] Douala, Yaoundé e Garoua são as maiores cidades. Em contrapartida, o Planalto Adamawa, a depressão Bénoué e a maior parte do Sul do país são escassamente povoadas.[12] De acordo com dados do governo, a taxa de fecundidade era de 5,0 em 2004.[13]

Há uma notável migração de habitantes das montanhas ocidentais superpovoadas e norte subdesenvolvidos para a zona costeira e principais centros urbanos.[14] Movimentos menores estão ocorrendo no sul e leste.[15]

Tanto o casamento monogâmico quanto o poligâmico são praticados, e a família camaronesa, em média, é grande e prolongada.[16]. No norte, as mulheres tendem a se dedicar ao lar, e os homens, ao gado do rebanho ou trabalhar como agricultores. No sul, as mulheres cultivam alimentos da família, e os homens fornecem carne e aumentam os cultivos. A sociedade camaronesa é dominada por homens, e a violência e discriminação contra as mulheres é comum.[17][18][19]

Estimativas identificam entre 230 a 282 diferentes grupos linguísticos e étnicos nos Camarões.[20][21] O Planalto Adamawa corta-os em divisões do norte e sul. Os povos do norte são grupos sudaneses que vivem no planalto central e nas planícies do norte, e os fulas, que estão espalhados por todo norte dos Camarões. Um pequeno número de Shuwa árabes vivem perto do lago Chade. A parte sul dos Camarões é habitada por falantes de línguas bantas e semibantas. Grupos de línguas bantas habitam as zonas costeiras e equatoriais, enquanto falantes de línguas semibantas vivem no ocidente. Cerca de 5 000 pigmeus percorrem as florestas tropicais do sudeste e litoral ou vivem em pequenos assentamentos, à beira da estrada.[22] Os nigerianos formam o maior grupo de estrangeiros.[23]

LínguasEditar

 Ver artigo principal: Línguas dos Camarões

Tanto inglês quanto francês são línguas oficiais, apesar de o francês ser muito mais compreendido (mais de 80%). O alemão, a língua dos colonizadores originais, há muito tempo foi substituída pelo francês e inglês. O pidgin inglês dos Camarões é a franca nos territórios antigamente administrados pela Inglaterra. Uma mistura de inglês, francês chamada FrancAnglais foi ganhando popularidade nos centros urbanos desde o meio da década de 1970. O governo encoraja o bilinguismo de inglês e francês e os documentos oficiais do governo são escritos nas duas línguas. Como parte da iniciativa de encorajar o bilinguismo nos Camarões, seis das oito universidades do país são inteiramente bilíngues.

As mais de 230 línguas locais são faladas por aproximadamente 20 milhões de pessoas e é por isso que os Camarões são considerados o país com maior diversidade linguística no mundo.

Em 2017 houve protestos por parte dos anglófonos que são perseguidos pelos francófonos. Os militares foram chamados e houve mortes, centenas de prisões e milhares foram embora do país.[24]

ReligiãoEditar

Em termos religiosos o país encontra-se dividido da seguinte forma:

Cristianismo é seguido aproximadamente por 56,58% da população, as crenças tribais por 22,36% da população, Islão 20,04%, crenças tribais 0,62% e outras religiões (incluindo ateus) por apenas 1,02% da população. Aqui estão gráficos que comprovam isto:

Religião nos Camarões[25]
Religião % aprox.
Cristianismo
  
56,58%
Crenças tribais
  
22,36%
Islão
  
20,04%
Crenças tribais
  
0,62%
Outras (inclui ateus)
  
1,02%

Cidades mais populosasEditar

PolíticaEditar

 Ver artigo principal: Política dos Camarões

Os Camarões são uma república presidencialista, dividida administrativamente em 10 províncias. O chefe de estado e de governo é o presidente Paul Biya (RDPC) (desde 1982, eleito em 1984 e reeleito em 1988, 1992,1997 e 2004)

.

SubdivisõesEditar

 Ver artigo principal: Subdivisões dos Camarões

Os Camarões dividem-se em dez províncias, respetivamente:

A maior parte destas províncias foram definidas na década de 1960. As províncias Centre e Sud surgem da ruptura da província Centre-Sud em 1983, no mesmo ano, Adamaoua e Extrême-Nord surgem devido à cisão da província Nord.

EconomiaEditar

 Ver artigo principal: Economia dos Camarões

Em 2020, o país foi o 110º maior exportador do mundo (US $ 5,0 bilhões). Na soma de bens e serviços exportados, chega a US $ 7,7 bilhões, ficando em 104º lugar mundial.[26][27] Já nas importações, em 2019, foi o 118º maior importador do mundo: US $ 5,8 bilhões.[28]

Na agricultura, em 2019, o país foi o 3º maior produtor do mundo de banana-da-terra, noz de cola e taro, o 5º maior produtor mundial de cacau e o 7º maior produtor mundial de óleo de palma e inhame, além de ter grandes produções de mandioca, milho, sorgo, banana, cana de açúcar, tomate, amendoim, entre outros.[29] As maiores exportações de produtos agropecuários processados do país em termos de valor, em 2019, foram: cacau, banana, algodão, café e borracha natural.[30]

Em 2019, os Camarões tinham a 85.ª indústria mais valiosa do mundo (5500 milhões de dólares), de acordo com o Banco Mundial.[31] Em 2018, o país produziu 600 milhões de litros de cerveja, 59,6 mil toneladas de óleo de amendoim (11º maior produtor do mundo) e 27,1 mil toneladas de óleo de algodão (15º maior produtor do mundo).[32] Em 2020, o país era o 46º maior produtor de petróleo do mundo, 66,7 mil barris/dia.[33][34][35]. O país foi o 46.º maior exportador de petróleo do mundo em 2010 (55,6 mil barris/dia).[33] Em 2015, os Camarões eram o 69.º maior produtor mundial de gás natural, 600 milhões de m3 ao ano.[36]

InfraestruturaEditar

EducaçãoEditar

Em 2013, a taxa total de alfabetização de adultos nos Camarões foi estimada em 71,3%. Entre os jovens de 15 a 24 anos, a taxa de alfabetização foi de 85,4% para homens e 76,4% para mulheres. A maioria das crianças tem acesso a escolas públicas que são mais baratas do que instituições educacionais privadas e religiosas. O sistema educacional é uma mistura de precedentes britânicos e franceses com a maioria das instruções dando-se em inglês ou francês.[37]

Os Camarões têm uma das taxas de frequência escolar mais altas da África. As meninas frequentam a escola com menos regularidade do que os meninos por conta de contextos socioculturais. Embora as taxas de frequência sejam mais altas no sul, um número desproporcional de professores está estabelecido lá, deixando as escolas do norte com falta de pessoal de ensino. Em 2013, a taxa de matrícula na escola primária foi de 93,5%.[37]

A frequência escolar nos Camarões também é afetada pelo trabalho infantil. As conclusões do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos sobre o trabalho infantil relataram que 56% das crianças de 5 a 14 anos trabalhavam e que quase 53% das crianças de 7 a 14 anos combinavam trabalho e escola.[38] Em dezembro de 2014, uma Lista de Bens Produzidos por Trabalho Infantil ou Trabalho Forçado, emitida pelo Escritório de Assuntos Trabalhistas Internacionais mencionava os Camarões entre os países que recorreram ao trabalho infantil na produção de cacau.[39]

Os Camarões possuem oito universidades públicas, sendo estas: Universidade de Bamenda, Universidade de Buea, Universidade de Douala, Universidade de Dschang, Universidade de Maroua, Universidade de Ngaoundere, Universidade de Yaoundé I e Universidade de Yaoundé II. Nenhuma das instituições de ensino superior do país está listada entre as 100 melhores universidades da África, de acordo com a classificação do QS World University Rankings de 2021.[40]

CulturaEditar

 Ver artigo principal: Música dos Camarões

Música e dançaEditar

A música e a dança são parte integrante das cerimônias, festivais, reuniões sociais e narrativas dos Camarões.[41] As danças tradicionais são altamente coreografadas e separam homens e mulheres ou proíbem totalmente a participação de um sexo.[42] Os objetivos das danças variam do puro entretenimento à devoção religiosa.[43] Tradicionalmente, a música é transmitida oralmente. Em uma apresentação típica, um coro de cantores ecoa um solista.[41]

 
Dançarinos cumprimentam os visitantes na região leste do país.

O acompanhamento musical pode ser tão simples quanto bater palmas e bater os pés, mas os instrumentos tradicionais incluem sinos usados ​​por dançarinos, bateristas e tambores, flautas, buzinas, chocalhos, raspadores, instrumentos de cordas, apitos e xilofones; a combinação exata varia de acordo com o grupo étnico e a região. Alguns artistas cantam músicas completas sozinhos, acompanhados por um instrumento de harpa.[44][45]

Os estilos de música popular incluem o ambasse bey na costa litorânea, assiko, no sul do país, mangambeu, do grupo étnico Bamileke e o tsamassi.[46] A música nigeriana influenciou artistas anglófonos camaroneses, e o hit "Sweet Mother", de Prince Nico Mbarga, é o disco africano mais vendido na história.[47]

Os dois estilos de música mais populares são o makossa e bikutsi. O makossa se desenvolveu em Douala e mistura música folclórica, highlife, soul e música do Congo. Artistas como Manu Dibango, Francis Bebey, Moni Bilé e Petit-Pays popularizaram o estilo em todo o mundo nas décadas de 1970 e 1980. O bikutsi se originou como música de guerra entre os Ewondo. Artistas como Anne-Marie Nzié a transformaram em uma música popular a partir da década de 1940, e artistas como Mama Ohandja e Les Têtes Brulées a popularizaram internacionalmente durante as décadas de 1960, 1970 e 1980.[48][49]

CulináriaEditar

A culinária camaronesa varia conforme a região, mas uma farta refeição à noite é comum em todo o país. Os pratos típicos costumam ter ingredientes como milho, mandioca, milho-miúdo, banana-comprida, batata, arroz, batata-doce ou inhame. Os pratos geralmente são servidos com um molho, sopa, ou guisado feito com vegetais, amendoim, óleo de palma ou outros ingredientes. A carne e o peixe também são adições populares, embora menos consumidas no interior do país.[12] Os pratos são, muitas vezes, servidos bastante quentes, temperados com sal e pimenta.[50][51]

Água, vinho de palma e cerveja são as bebidas mais consumidas nas refeições tradicionais, apesar da cerveja, refrigerante e vinho terem ganhado popularidade somente nos últimos anos. O uso de talheres é comum, mas a comida é tradicionalmente manipulada com a mão direita. As refeições matutinas são compostas por restos de pão e frutas, com café ou chá, além de alimentos feitos com farinha de trigo, como sopro-sopro (rosquinhas) e bolo. Carne de animais, como carneiros, são populares, especialmente nas cidades maiores, onde eles podem ser comprados de vendedores de rua.[52][53]

Feriados
Data Nome em português
1 de Janeiro Dia de ano novo
11 de Fevereiro Dia Nacional da Juventude
1 de Maio Dia do Trabalhador
20 de Maio Dia Nacional
15 de Agosto Assunção
25 de Dezembro Natal

Além destes feriados fixos, os Camarões comemoram também os seguintes feriados móveis:

Referências

  1. Instituto de Linguística Teórica e Computacional. «Dicionário de Gentílicos e Topónimos dos Camarões». Portal da Língua Portuguesa. Consultado em 17 de junho de 2021 
  2. Estimation officielle d'après recensement de 2005, in Annuaire statistique du Cameroun arquivo, Institut national de la statistique du Cameroun, consulté le 23 juillet 2015
  3. «Human Development Report 2019» (PDF) (em inglês). Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. Consultado em 17 de dezembro de 2020 
  4. CIA World Factbook, Lista de Países por Coeficiente de Gini (em inglês)
  5. «Ambazonia». Wikipedia (em inglês). 26 de maio de 2018 
  6. Holthuis 1991.
  7. a b c d Governo dos Camarões. «Aperçu historique du Cameroun». Embaixada dos Camarões na Espanha. Consultado em 22 de janeiro de 2015 
  8. Governo da França. «Géographie». France Diplomatie (em francês). Consultado em 20 de maio de 2014 
  9. «Le climat au Cameroun» (em francês). Consultado em 20 de maio de 2014 
  10. «Végétation, sol et faune du Cameroun» (em francês). Consultado em 20 de maio de 2014 
  11. «Cameroon - Country ant a glace» (em inglês). Banco Mundial. Consultado em 5 de agosto de 2013 
  12. a b c Neba 1999, pp. 109-111.
  13. La Population du Cameroun en 2010 (PDF) (Relatório) (em francês). République du Cameroun. Consultado em 13 de setembro de 2014 
  14. Neba 1999, pp. 105–106.
  15. Neba 1999, p. 106.
  16. Mbaku 2005, p. 139.
  17. Mbaku 2005, p. 141.
  18. Freedom in the world - Cameroon (Relatório) (em inglês). Freedom House. Consultado em 13 de setembro de 2014 
  19. «Cameroon» (em inglês). Departamento de Estado dos Estados Unidos. Consultado em 13 de setembro de 2014 
  20. Neba 1999, pp. 65-67.
  21. West 2004, p. 13.
  22. Neba 1999, p. 48.
  23. Neba 1999, p. 108.
  24. Deaths and detentions as Cameroon cracks down on anglophone activists The Guardian, 2018
  25. [1]
  26. Trade Map - List of exporters for the selected product in 2018 (All products)
  27. Market Intelligence: Disclosing emerging opportunities and hidden risks
  28. «International Trade Statistics». International Trade Centre. Consultado em 25 de agosto de 2020 
  29. Agricultura dos Camarões, pela FAO
  30. Exportações dos Camarões, pela FAO
  31. Fabricação, valor agregado (US $ corrente)
  32. Beer and Oils production by FAO
  33. a b Annual petroleum and other liquids production
  34. Statistical Review of World Energy, June 2020
  35. The World Factbook — Central Intelligence Agency
  36. CIA. The World Factbook. Natural gas - production.
  37. a b «Statistics» (em inglês). UNICEF. Consultado em 4 de fevereiro de 2018. Cópia arquivada em 24 de dezembro de 2017 
  38. 2013 Findings on the Worst Forms of Child Labor -Cameroon Arquivado em 2015-03-03 no Wayback Machine.. Dol.gov. 29 de junho de 2015.
  39. List of Goods Produced by Child Labor or Forced Labor Arquivado em 2015-06-10 no Wayback Machine.. Dol.gov. 29 de junho de 2015.
  40. QS World University, ed. (2021). «Classificações da QS World University». Consultado em 8 de abril de 2021 
  41. a b Mbaku, p. 189
  42. Mbaku, p. 204
  43. West, p. 18
  44. Mbaku, p. 191
  45. West, p. 18–19
  46. DeLancey, p. 184.
  47. Mbaku, p. 200.
  48. Nkolo, Jean-Victor, and Graeme Ewens (2000). "Cameroon: Music of a Small Continent". World Music, Volume 1: Africa, Europe and the Middle East. London: Rough Guides Ltd., p. 43, ISBN 1858286352.
  49. DeLancey and DeLancey, p. 51
  50. Hudgens & Trillo, p. 1047.
  51. Mbaku 2005, p. 122.
  52. Mbaku 2005, p. 121.
  53. Hudgens & Trillo, p. 1049.

BibliografiaEditar

  • DeLancey, Mark W.; DeLancey, Mark Dike (2000). Historical Dictionary of the Republic of Cameroon (em inglês) 3ª ed. Lanham, EUA: The Scarecrow Press. ISBN 978-0810837751 
  • Holthuis, Lipke B. (1991). «Callianassa turnerana». FAO Species Catalogue. Col: FAO Fisheries Synopsis, 125 (em inglês). 13. Marine Lobsters of the World. Roma, Itália: Food and Agriculture Organization. ISBN 92-5-103027-8. Consultado em 24 de Junho de 2014. Arquivado do original em 24 de Julho de 2011 
  • Hudgens, Jim; Trillo, Richard (1999). West Africa: The Rough Guide (em inglês) 3ª ed. Londres, Reino Unido: Rough Guides. ISBN 978-1858284682 
  • Mbaku, John Mukum (2005). Culture and Customs of Cameroon (em inglês). Westport: Greenwood Press. ISBN 978-0313332319 
  • Neba, Aaron (1999). Modern Geography of the Republic of Cameroon (em inglês) 3ª ed. Bamenda: Neba Publishers 
  • West, Ben (2004). Cameroon: The Bradt Travel Guide (em inglês). Guilford, EUA: The Globe Pequot Press. ISBN 978-1841620787 

Ver tambémEditar

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