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Carro alegórico da Mangueira no Desfile das Campeãs

História para ninar gente grande foi o enredo apresentado pela Estação Primeira de Mangueira no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro de 2019, com o qual a escola conquistou o seu 20º título de campeã.

Índice

EnredoEditar

Em 2018, o carnavalesco Leandro Vieira havia apresentado um desfile sobre o carnaval dos marginalizados, ao mesmo tempo que criticava a prefeitura do Rio de Janeiro pela falta de apoio ás escolas de samba. Para 2019, o conceito foi ampliado, de forma a retratar os marginalizados pela História do Brasil, defendendo os pobres, negros e indígenas[1]. Assim, vultos da história oficial, como Pedro Álvares Cabral, Dom Pedro I e a Princesa Isabel, foram substituídos por heróis vindos das camadas populares, como Cunhambebe, Maria Filipa de Oliveira e Chico da Matilde[2][3].

Segundo Vieira, a inspiração para o enredo veio do projeto Escola sem Partido, que pretendia proibir professores de falar sobre política nas salas de aula. Ele considerou que essa era uma oportunidade para a Mangueira discutir a verdade da História ensinada nas escolas[4].

DesfileEditar

A escola foi a sexta a desfilar no dia 4 de março.

A vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, foi uma das personagens principais do desfile. Além de ser citada no próprio samba-enredo, Marielle teve seu rosto estampando uma das bandeiras agitadas por uma das últimas alas da escola, ao lado de figuras como Cartola. Foi lembrada também na apresentação da comissão de frente, em que uma menina negra abria um livro para mostrar a palavra "presente" escrita em verde e rosa. O deputado federal Marcelo Freixo e a viúva de Marielle, Monica Benício, também desfilaram[5].

A comissão de frente era formada por índios e negros que tomavam o lugar de vultos históricos numa galeria de quadros[6].

Um carro alegórico representou o Monumento às Bandeiras, pichado com a palavra "assassinos" e sustentado pelos corpos de indígenas, com os nomes das diversas tribos aniquiladas. O carro do Quilombo de Palmares teve Alcione representando Dandara, Nelson Sargento como Zumbi dos Palmares e Tia Suluca como Aqualtune[7]. A rainha da bateria, Evelyn Bastos, que havia se apresentado como Escrava Anastácia no ensaio técnico[8], desfilou representando Esperança Garcia[9].

Ficha técnicaEditar

  • Enredo: Leandro Vieira
  • Carnavalesco: Leandro Vieira
  • Presidente: Aramis Santos
  • Direção de carnaval: Comissão de Carnaval
  • Direção de harmonia: Edson Góes (Edinho)
  • Direção de bateria: Wesley Assumpção
  • Rainha de bateria: Evelyn Bastos
  • 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira: Squel Jorgea e Matheus Olivério
  • Comissão de frente: Priscilla Mota e Rodrigo Neri[10]

Samba-enredoEditar

O samba-enredo foi composto por Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino[10]. Domênico afirmou que recebeu críticas pelo tom político da letra, inclusive com sugestões para mudar trechos e torná-la mais suave[11].

O intérprete foi Marquinho Art'Samba, que saiu do Império Serrano para substituir Ciganerey na Estação Primeira[12]. Na execução, a bateria adotou um tom marcial no trecho que fazia referência aos Anos de Chumbo da ditadura militar no Brasil[13].

Depois do carnaval, o refrão "Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês" foi cantado em manifestações pelo primeiro aniversário do assassinato de Marielle Franco, em 14 de março[14]. Marina Íris também cantou o samba numa sessão solene da Câmara dos Deputados em Brasília, em homenagem a Marielle[15].

ResultadoEditar

Na apuração, a Mangueira recebeu nota máxima em todos os quesitos (após os descartes) e terminou com 270 pontos, em primeiro lugar, três décimos à frente à frente da vice-campeã Viradouro.

A escola ganhou o Estandarte de Ouro[16] e o Tamborim de Ouro[17] de melhor escola.

Carlos Bolsonaro criticou a Mangueira, acusando seu ex-presidente de "envolvimento com tráfico, bicheiros e milícias"[18].

Referências

  1. Com novo enredo, Mangueira volta a jogar luz nos marginalizados. Band - Setor 1
  2. “História pra ninar gente grande” será o enredo da Mangueira em 2019. Veja Rio, 22 de junho de 2018
  3. ‘História pra ninar gente grande’ é o enredo da Mangueira para o Carnaval 2019. SRZD, 22 de junho de 2018
  4. Carnavalesco da Mangueira: "Quem não sabe história tende a repetir erros". Carnauol, 24 de janeiro de 2019
  5. Mangueira 2019: Em grande desfile, samba emociona e público aclama verde e rosa campeã. SRZD, 5 de março de 2019
  6. Mangueira mostra enredo com forte conteúdo político e emociona público. Brasil de Fato, 5 de março de 2019
  7. Mangueira canta sobre protagonistas esquecidos e homenageia Marielle . UOL, 5 de março de 2019
  8. Mangueira tem ensaio marcado por protestos e rainha Evelyn Bastos se destaca. SRZD, 18 de fevereiro de 2019
  9. Evelyn Bastos usa fantasia com tapa-seios e dispara: ‘Carnaval não é só nudez, é discurso político’. G1, 5 de março de 2019
  10. a b Mangueira - 2019. Galeria do Samba
  11. Compositor da Mangueira exalta Marielle e prevê pressão da extrema direita: ‘samba terá que ser resistência’. Band - Setor 1
  12. Estação Primeira De Mangueira Tem Novo Interprete Para O Carnaval 2019. Tudo de Samba
  13. Bateria da Mangueira prepara ‘marcha’ para trecho do samba sobre ditadura militar. Band - Setor 1
  14. Um ano depois, milhares vão às ruas e perguntam: “quem mandou matar Marielle?”. Sul21, 14 de março de 2019
  15. Solene em homenagem à Marielle Franco é marcada por cobranças sobre quem são os mandantes da execução. Rádio Câmara, 18 de março de 2019
  16. Mangueira ganha Estandarte de Ouro com enredo sobre os heróis da resistência no Brasil. G1, 5 de março de 2019
  17. Mangueira é campeã do Tamborim de Ouro 2019. O Dia, 5 de março de 2019
  18. A postura do clã Bolsonaro no caso Marielle. Vermelho, 14 de março de 2019

Ligações externasEditar