Morte de José Kairala

Crime cometido no Senado Federal do Brasil

A morte de José Kairala foi um fato histórico ocorrido no dia 4 de dezembro de 1963 dentro do Senado Federal do Brasil, em Brasília. O fato se caracteriza por um homicídio efetuado pelo senador Arnon de Melo (PDC-AL), que tentando atingir com tiros o senador Silvestre Péricles (PSD-AL), acabou por atingir e matar o senador suplente José Kairala (PSD-AC).[1][2][3][4]

Morte de José Kairala
Morte de José Kairala
Cenas do homicídio dentro do Senado Federal
Data 04 de dezembro de 1963 (60 anos)
Local Senado Federal, Brasília, Brasil
Tipo Homicídio
Causa Briga entre os senadores alagoanos Arnon de Melo (PDC) e Silvestre Péricles (PSD)
Resultado Morte do senador acreano José Kairala (PSD) vítima de uma bala perdida
Mortes 1
Acusado(s) Arnon de Melo (PDC)
Sentenças Absolvido por legitima defesa

Precedentes

editar
  Vídeos externos
  Vídeo contendo o áudio da sessão do senado

Os precedentes do evento já estavam ocorrendo antes do fatídico dia, com discussões entre os senadores Arnon de Melo e Silvestre Péricles, por ambos pertencerem a famílias com certa notoriedade política no estado de Alagoas, a ascensão de ambas famílias na política acabava por gerar um certo conflito.[1]

Esta ascensão atingia principalmente os Péricles que estavam há mais tempo em cargos políticos regionais e federais que os Mello, que posteriormente iriam ocupar cargos mais relevantes com a chegada de Fernando Collor de Mello, filho de Arnon, à presidência do Brasil.[5]

Então Silvestre vinha provocando publicamente Arnon, que para sua defesa de uma suposta ameaça, começou a andar armado.[6]

Arnon, que havia presenciado poucas sessões do Senado, foi provocado por Silvestre à comparecer na sessão federal do dia 4 de dezembro de 1963.[7][2]

Após estas provocações, Arnon pronunciou-se e compareceu à sessão armado. Sabendo do eminente risco de um conflito, Silvestre também compareceu armado à sessão.[1]

Após pedir a palavra, Arnon começou um discurso falando sobre as ameaças que ele e sua família estavam enfrentando, assim provocando Silvestre. E quando Silvestre começou a avançar em direção à Arnon xingando-o, Arnon disparou, Silvestre jogou-se no chão sacando sua arma, porém João Agripino evitou que ele disparasse contra Arnon.[6]

Após os disparos, foi constatado que um terceiro senador que estava tentando apartar a briga havia sido atingido. O senador em questão era José Kairala, do estado do Acre e do mesmo partido de Silvestre.[3]

José Kairala estava ocupando a seção como suplente após um problema de saúde ocorrer com o senador que ocupava sua cadeira. José era orgulhoso de seu trabalho e por ser sua última sessão no Senado Federal, ele levou sua esposa e filhos para assistir à sessão.[2][1]

José foi socorrido, porém não sobreviveu aos ferimentos e acabou falecendo no hospital no mesmo dia. Pela confusão, a sessão foi cancelada até a segunda ordem pelo seu presidente, Auro de Moura Andrade.[1][6]

Consequências

editar

Ambos senadores foram conduzidos à delegacia para prestarem depoimento. Após os depoimentos, o senador Arnon permaneceu preso e em posse de seu revólver.[8]

Após algumas horas preso, Arnon foi solto com a promessa de comparecer a uma audiência, onde na mesma foi liberado por legítima defesa e a morte foi tratada como um acidente.[8][7]

A esposa do senador José tentou ainda na justiça solicitar que Arnon custeasse as despesas com o estudo de seu filho, porém não teve resultados com a requisição.[9]

Outros casos

editar

Em 26 de dezembro de 1929, quando o Distrito Federal ainda ficava no Rio de Janeiro, o deputado Ildefonso Simões Lopes matou o rival Manuel Francisco de Sousa Filho com o alegado objetivo de defender seu filho. Foi absolvido.[7]

Em 8 de junho de 1967, na Câmara dos Deputados, o deputado Nelson Carneiro revidou a um tapa que ele levou do deputado Estácio Gonçalves Souto Maior após discutirem pela presidência da União Parlamentar alguns dias antes, atirando contra Souto Maior. Ambos sobreviveram e foram posteriormente absolvidos.[7]

Referências

  1. a b c d e Casarin, Rodrigo (4 de dezembro de 2019). «Há 56 anos, o pai de Fernando Collor matava um senador dentro do Congresso». Aventuras na História. Consultado em 9 de outubro de 2021 
  2. a b c Estado', 'Agência. «De porrada a assassinato: relembre tumultos históricos dentro do Senado». Acervo. Consultado em 9 de outubro de 2021 
  3. a b «Faroeste Senado: o dia que o pai de Collor matou um parlamentar». Brasil de Fato. Consultado em 9 de outubro de 2021 
  4. «Pronunciamento de Arnon de Mello em 04/12/1963 - Pronunciamentos - Senado Federal». www25.senado.leg.br. Consultado em 9 de outubro de 2021 
  5. «Há 55 anos, pai de Fernando Collor matou um senador dentro do Congresso». br.noticias.yahoo.com. Consultado em 9 de outubro de 2021 
  6. a b c Ápyus, Marlos (12 de dezembro de 2018). «O dia em que o Senado brasileiro testemunhou um assassinato». A Agência. Consultado em 9 de outubro de 2021 
  7. a b c d «Arnon de Melo: Pai do ex-presidente Fernando Collor matou colega com tiro no Senado». Blog do Acervo - O Globo. Consultado em 9 de outubro de 2021 
  8. a b Romano, Rogério Tadeu. «UM ASSASSINATO NO SENADO - Jus.com.br | Jus Navigandi». jus.com.br. Consultado em 9 de outubro de 2021 
  9. «Assassinato no Senado: 5 fatos sobre a desgraça de senador Arnon de Mello». 1 de setembro de 2020. Consultado em 23 de novembro de 2021