Homo habilis

espécie extinta de hominídeo
Como ler uma infocaixa de taxonomiaHomo habilis
Ocorrência: 2,1–1,5 Ma
Representação do Homo habilis
Representação do Homo habilis
Estado de conservação
Pré-histórica
Classificação científica
Domínio: Eukariota
Reino: Animalia
Sub-reino: Metazoa
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Infrafilo: Gnathostomata
Superclasse: Tetrapoda
Classe: Mammalia
Subclasse: Theria
Infraclasse: Placentalia
Superordem: Euarchontoglires
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Infraordem: Simiiformes
Parvordem: Catarrhini
Superfamília: Hominoidea
Família: Hominidae
Subfamília: Homininae
Género: Homo
Espécie: H. habilis
Nome binomial
Homo habilis
(Leakey et al., 1964)

Homo habilis é uma espécie de hominídeo que viveu no princípio do Pleistoceno inferior (há 2,2 milhões a 780 mil anos). Os primeiros fósseis de H. habilis foram descobertos em 1964 por Louis Leakey e seus colegas, no desfiladeiro de Olduvai, Tanzânia, que faz parte do Grande Vale do Rift, na África oriental.[1]

DescriçãoEditar

Esta espécie é, das pertencentes ao género Homo, a que menos se parece com o H. sapiens, com braços proporcionalmente muito mais longos, cavidade craniana menor e morfologia geral similar aos Australopithecus. O H. habilis recebe este nome pois acreditava-se ser o primeiro a utilizar ferramentas de pedra lascada, o que lhe valeu o nome específico: habilis, o habilidoso. Entretanto, alguns fosseis de Australopithecus garhi, que datam de há aproximadamente 2,6 milhões de anos, foram encontrados ao lado de ferramentas de pedra que seriam entre 100,000 a 200,000 anos mais antigas que os H. habilis. O H. habilis normalmente faziam suas ferramentas de ossos, madeira, e principalmente de pedra lascada.

Atualmente a maioria dos cientistas considera que o H. habilis é um dos ancestrais directos do homem moderno, mas esta opinião não é consensual. A própria classificação desta espécie, bem como do H. rudolfensis no género Homo tem sido muito discutida até os dias atuais.

Novas teorias afirmam que o Homo habilis coexistiu com outros primatas bipedes, como o Paranthropus boisei, alguns dos quais prosperaram por muitos milênios. No entanto, H. habilis, possivelmente devido à sua inovação em ferramentas iniciais e a uma dieta menos especializada, tornou-se o precursor de toda uma linha de novas espécies, enquanto o Paranthropus boisei e seus parentes robustos desapareceram do registro fóssil. H. habilis também pode ter coexistido com H. erectus em África por um período de 500 mil anos.[2]

Assumindo que a sociedade do H. habilis era semelhante à dos modernos chimpanzés e babuínos da savana, os grupos podem ter numerado de a 70-85 membros, com vários machos para se defender contra predadores da savana aberta, como grandes felinos, hienas e crocodilos.

Há evidências de que o H. habilis era um predador mas também presa, nomeadamente do Dinofelis, um felino da sub-família extinta Machairodontinae.

CulturaEditar

Normalmente, H. ergaster/'H. erectus é considerado o primeiro hominídeo a viver em uma sociedade monogâmica, e todos os hominíneos anteriores eram políginos. No entanto, é altamente difícil especular com alguma confiança a dinâmica de grupo dos primeiros hominídeos. O grau de dimorfismo sexual e a disparidade de tamanho entre machos e fêmeas costumam ser usados ​​para correlacionar entre poliginia com alta disparidade e monogamia com baixa disparidade com base em tendências gerais (embora não sem exceções) observadas em primatas modernos. As taxas de dimorfismo sexual são difíceis de determinar porque a anatomia dos primeiros hominídeos é pouco conhecida e é amplamente baseada em poucos espécimes. Em alguns casos, o sexo é arbitrariamente determinado em grande parte com base no tamanho percebido e robustez aparente na ausência de elementos mais confiáveis ​​na identificação do sexo (nomeadamente a pelve). Os sistemas de acasalamento também são baseados na anatomia dentária, mas os primeiros hominíneos possuem uma anatomia em mosaico de características diferentes não vistas juntas nos primatas modernos; os dentes da bochecha aumentados sugeririam um acentuado dimorfismo relacionado ao tamanho e, portanto, intenso conflito homem-homem em relação aos parceiros e uma sociedade polígina, mas os caninos pequenos deveriam indicar o oposto. Outras pressões seletivas, incluindo dieta, também podem impactar dramaticamente a anatomia dentária. A distribuição espacial de ferramentas e ossos de animais processados ​​nos sítios FLK Zinj e PTK em Olduvai Gorge indicam que os habitantes usavam esta área como um local de abate e alimentação comunal, ao contrário do sistema familiar nuclear dos modernos caçadores coletores, onde o grupo é subdividido em unidades menores, cada uma com seus próprios talhos e áreas de alimentação.

O comportamento dos primeiros Homo, incluindo H. habilis, às vezes é modelado no de chimpanzés da savana e babuínos. Essas espécies de primatas vivem em comunidades que consistem em vários machos (em oposição a uma sociedade de harém como a dos gorilas) a fim de defender o grupo no habitat perigoso e exposto, às vezes se envolvendo em uma exibição coletiva de atirar pedaços de pau e pedras contra inimigos e predadores. [3]. O pé esquerdo de OH 8 parece ter sido mordido por um crocodilo, [4] possivelmente Crocodylus anthropophagus, e a perna OH 35, que pertence a um Paranthropus boisei ou Homo habilis, mostra evidências de predação de leopardo. [5] O H. habilis e os hominíneos contemporâneos provavelmente foram predados por outros grandes carnívoros da época, como (no desfiladeiro de Olduvai) a hiena Chasmaporthetes nitidula e os felinos dente-de-sabre Dinofelis e Megantereon. [6] Em 1993, o paleoantropólogo americano Leslie C. Aiello e o psicólogo evolucionista britânico Robin Dunbar estimaram que o tamanho do grupo de H. habilis variou de 70 a 85 membros - na extremidade superior do tamanho do grupo de chimpanzés e babuínos - com base nas tendências observadas no tamanho do neocórtex e do grupo em primatas não hominídeos modernos.[7]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Faria, Felipe (2014). Memória: o homem habilidoso, Revista Ciência Hoje (SBPC), n.311, janeiro 2014. [S.l.: s.n.] ISSN 0101-8515 
  2. Urquhart, James. «Finds test human origins theory». BBC News 
  3. Willems, Erik P.; van Schaik, Carel P. (2017). «The social organization of Homo ergaster: Inferences from anti-predator responses in extant primates». Journal of Human Evolution. 109: 17. PMID 28688456. doi:10.1016/j.jhevol.2017.05.003 
  4. Njau, J. K.; Blumenschine, R. J. (2012). «Crocodylian and mammalian carnivore feeding traces on hominid fossils from FLK 22 and FLK NN 3, Plio-Pleistocene, Olduvai Gorge, Tanzania». Journal of Human Evolution. 63 (2): 408–417. PMID 21937084. doi:10.1016/j.jhevol.2011.05.008 
  5. Brochu, C. A.; Njau, J.; Blumenschine, R. J.; Densmore, L. D. (2010). «A New Horned Crocodile from the Plio-Pleistocene Hominid Sites at Olduvai Gorge, Tanzania». PLOS ONE. 5 (2): e9333. Bibcode:2010PLoSO...5.9333B. PMC 2827537 . PMID 20195356. doi:10.1371/journal.pone.0009333 
  6. Lee-Thorp, J.; Thackeray, J. F.; der Merwe, N. V. (2000). «The hunters and the hunted revisited». Journal of Human Evolution. 39 (6): 565–576. PMID 11102267. doi:10.1006/jhev.2000.0436 
  7. Aiello, Leslie C.; Dunbar, R. I. M. (1993). «Neocortex Size, Group Size, and the Evolution of Language». Current Anthropology. 34 (2). 188 páginas. doi:10.1086/204160  Parâmetro desconhecido |s2cid= ignorado (ajuda)

BibliografiaEditar

  • Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9

Ligações externasEditar

 
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