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Maksoud Plaza
Tipo estrutura arquitetônica
Geografia
Coordenadas 23° 33' 47.48" S 46° 39' 4.68" O
Localização São Paulo
País Brasil

Maksoud Plaza é um hotel tradicional da cidade de São Paulo. Está localizado na Rua São Carlos do Pinhal, n° 424, a uma quadra da Avenida Paulista. Está entre os hotéis mais emblemáticos do Brasil, tendo recebido vários governantes e celebridades do mundo inteiro.

Lá aconteceram espetáculos de Frank Sinatra e um grande número de eventos com celebridades mundiais como Michel Legrand, George Shearing, Joe Willians, Billie Eckstine, Julio Iglesias, Sammy Davis Jr., Alberta Hunter, Bobby Short, Buddy Guy, entre outros.

O hotel hospedou personalidades da diplomacia, como os príncipes de Mônaco Ranier III e Albert II, Primeira Ministra da Inglaterra Margareth Tatcher[1], e personalidades do mundo artístico: Mick Jagger, David Bowie, Ray Charles, Diana Ross, Zubin Mehta, dentre tantos outros.

Índice

HistóriaEditar

O Maksoud Plaza foi construído na rua São Carlos do Pinhal, onde antes era a Abadia de Santa Maria, primeiro mosteiro beneditino feminino. Na década de 70, o mosteiro foi transferido para a região do Mandaqui. A rápida urbanização da região fez com que a vida contemplativa e de clausura se tornasse inviável na Abadia, e propostas de compra da área foram feitas, por exemplo, pela família Matarazzo. Surgida a possibilidade de despropriação pública do local, um grupo de banqueiros comprou e revendeu dois terços do terreno à Construtora Indi e um terço à Hidroservice S.A, de Henry Maksoud. No terço da Hidroservice, onde ficava a estrutura do mosteiro, o prédio foi demolido e, no espaço, foi levantado o Maksoud Plaza.[2]

Desde antes sua inauguração, o Maksoud Plaza prometia, como hotel, inserir no país algo nunca antes existente. Em julho de 1979, num anúncio de vagas de emprego veiculado no Estado de S. Paulo, o Maksoud é descrito como "planejado e executado para ser um dos melhores do mundo".[3]

A inauguração do Maksoud é o início de uma terceira geração hoteleira na cidade de São Paulo, antecedido pelo Othon Palace e o Hilton. Segundo uma nota na Folha de S. Paulo, de janeiro de 1980, o Maksoud foi inaugurado com 420 apartamentos, após uma construção que durou 18 meses em um investimento de 40 milhões de dólares. A proposta do hotel era suprir a falta de acomodações de luxo em São Paulo.[4] Em seu primeiro ano de funcionamento, o Maksoud se coloca como um novo cartão de visita da cidade de São Paulo, explicitando o objetivo de valorizar o polo cultural e econômico que a cidade representa, exportando o know-how brasileiro e importando elementos culturais sofisticados do exterior. Em uma publicidade do hotel no Estado de S. Paulo, que vangloriza a vinda de Frank Sinatra ao país, o Maksoud é descrito como "feito de capital privado e totalmente nacional numa época em que muitos temem pelo futuro".[5]

Em agosto de 1981, antes da estadia de Frank Sinatra no hotel, foi aberto o 150 night club, um bar e casa de jazz, anunciado como um ambiente sofisticado e moderno.[6]

Em 2011, por contas de dívidas trabalhistas do hotel e da Hidroservice, o prédio onde está o Maksoud Plaza foi leiloado por R$ 70 milhões para a Júlio Simões Logística, dos empresários Fernando Simões e Jussara Elaine Simões. O Maksoud, avaliado em R$ 140 milhões, tentou recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho, porém a venda não foi revertida.[7] Em nota, a direção do Maksoud afirmou que não haveria mudanças na administração com a venda do imóvel.[8]

Em 2014, morre Henry Maksoud, e a direção do hotel é assumida por Henry Maksoud Neto. A nova administração inaugura o PanAm, bar sob o heliponto do prédio, e a reformulação do restaurante do lobby, que deu lugar ao Frank Bar.[9]

Arquitetura e decoraçãoEditar

O prédio do Maksoud Plaza foi construído em um tereno de 8700m², tem 45000m² de área construída e 416 apartamentos, de acordo com Paulo Lucio de Brito, que arquitetou o hotel. É atribuído ao atrium do edifício uma marca do lugar, com um jardim suspenso, fonte de espelho d'água e iluminação natural.[10] Em 2009, a fachada do hotel é revitalizada, revestida por um desenho colorido e abstrato.[11]

Desde a inauguração, o hotel tem em sua decoração, considerada luxuosa, peças de artistas brasileiros (ou descendentes) notáveis. Uma estrutura de Yutaka Toyota foi colocada no Hall e obras de Maria Bonomi, Aldemir Martins, Volpi, Marysia Portinari, Tomie Ohtake e Emanoel Araújo decoram o interior do prédio.[4]

Maria BonomiEditar

Em 1979, Maria Bonomi finaliza dois painéis para o saguão do Maksoud Plaza.[12] A obra foi chamada de Arrozal de Benguet: Paisagem e Memória. Nos murais de concreto, Bonomi reproduz as formas dos arrozais filipinos com sulcos de madeira. Um deles representa a própria paisagem enquanto o outro a memória da "experiência dos sulcos" do primeiro painel. A obra se inclui no que Maria Bonomi chama, na tese Arte Pública - sistema Expressivo/Anterioridade, de arte pública inserida. Ou seja, arte criada e idealizada junto da construção de uma obra civil, com função estrutural e estética.[13]

Yutaka ToyotaEditar

Para o atrium do Maksoud Plaza, o brasileiro Yutaka Yotoya desenvolveu uma escultura de 40 metros de altura, em alumínio, que desce do teto ao chafariz.[4]

MúsicaEditar

O hotel hospedou personalidades da do mundo da música, promovendo shows no 150 Night Club.

Frank SinatraEditar

Frank Sinatra chega ao país e se hospeda no Maksoud Plaza no dia 12 de agosto de 1981. O cantor fez, no hotel, quatro shows para um total de 2600 pessoas, com ingressos vendidos a 62 mil cruzeiros.[14] A vinda de Sinatra ilustra a tentativa dos Maksoud de evidenciar São Paulo aos estrangeiros e torná-la um polo cultural e econômico. Para o Estado de S. Paulo, Roberto Maksoud disse que "O fundamental é que os estrangeiros saibam que existe São Paulo e que ela tem muitas coisas. Os únicos que já ouviram falar nela são os homens de negócios. Mas os turistas, um mercado importante, conhecem apenas o Rio e Brasília. Assim, não adiante termos um excelente hotel se não temos uma cidade. Esse é o ponto principal." É com a vinda de Sinatra, segundo Roberto, que a cidade passa a ser relacionada com o hotel: "quando trazemos um Frank Sinatra é para nos tornarmos conhecidos de uma maneira que fiquemos imediatamente associados ao nome da cidade, como era o caso do Copacabana Palace, o antigo cartão de visita do Rio." [15]

Earl HinesEditar

Também em 1981, Earl Hines fez residência de um mês no Maksoud Plaza. Durante o mês de dezembro, o pianista americano fez shows no 150 Night Club de terça à domingo. O show de Hines, segundo Zuza Homem de Mello para o Estado de S. Paulo, "transforma o '150' num clube de Jazz nova-iorquino, onde o ruído normal do ambiente é magicamente eclipsado pela atmosfera musical e espiritual do Jazz e suas criações inesquecíveis que não se repetem".[16]

Teatro Maksoud PlazaEditar

O teatro Maksoud Plaza recebeu peças e musicais, além de realizar produções autorais.[17] Alguns espetáculos que lá estiveram em cartaz foram:

CoraçãonabocaEditar

Com texto de Celso Luiz e direção de Sérgio Mamberti. Em cartaz de março a dezembro de 1983. O espetáculo une quatro peças curtas de Celso Luiz. Em sua crítica para o Estado de S. Paulo, Clóvis Garcia diz que "a projeção de um autor nacional, e um bom dramaturgo, nestes tempos de xerox de espetáculos estrangeiros, com a descaracterização da cultura nacional imposta à televisão e agora trazida para o teatro, diante da inércia e até complacência dos que deveriam estar lutando por uma arte cênica brasileira, é motivo de comemoração", além de elogiar a qualidade do espetáculo[18].

Voz do Brasil - A peçaEditar

Texto e direção de Jairo Arco e Flecha. Em cartaz de novembro de 1984 a janeiro de 1986. O espetáculo satiriza acontecimentos da vida política brasileira, "num momento da vida nacional em que se mergulhou num esgoto", como aponta Clóvis Garcia em sua crítica para o Estado de S. Paulo[19].

A Divina SarahEditar

Texto de John Murrell e direção de João Bethencourt. Em cartaz de março a abril de 1985: Fazem parte do elenco Tônia Carrero e Cecil Thiré. Em uma crítica no Estado de S. Paulo, Ilka Marinho Zanotto indica Cecil como um dos maiores atores do teatro brasileiro e escreve que, apesar de reconhecer os esforços do diretor e figurinista, "sem a garra indiscutível do grande talento de seus protagonistas, 'A Divina Sarah' poderia ter sido mais um esforço honesto do bom teatro convencional, a partir de um texto razoavelmente original".[20]

Louco circo do desejoEditar

Texto de Consuelo de Castro, direção de Vladimir Capela e cenografia de Gianni Ratto. Em cartaz dezembro de 1985 a janeiro de 1986. A peça é o retorno de Consuelo à dramaturgia, após sofrer com a censura nos anos 70. Há uma guinada temática na produção de Conseulo e a peça, em contraste com as anteriores, fala do desejo no relacionamento entre o homem e uma mulher, tirando o interesse principal da dramaturga do seu foco em problemas sociais. Clóvis Garcia, para o Estado de S. Paulo, indica os textos de Consuelo como uns dos mais importantes no teatro brasileiro e diz que Louco circo do desejo tem um "diálogo fluente e brilhante". [21]

Os Amores de Tennessee WilliansEditar

Com texto de Paulo Wolf, direção de Kiko Jaess e cenografia de Gianni Ratto. Em cartaz de abril a Junho de 1987.

Bares e gastronomiaEditar

Na década de 80, o hotel contava com quatro restaurantes principais. Jean Claude Bertinot gerenciava o La Cuisine du Soleil, onde se encontravam opções francesas. O restaurante Vikings, que servia pratos escandinavos, era supervisionado por Vera Jacobson. No Mezzanino, se almoçava informalmente e o Café Brasserie Belavista servia comida brasileira, 24 horas por dia.[22][23][24]

Em janeiro de 2015, durante uma reformulação do hotel, agora dirigido por Henry Maksoud Neto, é inaugurado o PanAm Club na cobertura do prédio, uma casa de eventos que mistura bar, lounge e casa de shows. Para o Estado de S. Paulo, o diretor do hotel disse que "O PanAm club é um presente para a cidade, dentro de um hotel que é um símbolo de São Paulo". [25] Em maio do mesmo ano, é inaugurado o Frank Bar, gerenciado por Facundo Guerra, focado em coquetéis e com Spencer Jr. como bartender principal. [26] Em 2016, o Paladar, caderno de gastronomia do Estadão, noticiou a produção artesanal dos drinques do Frank Bar. Segundo a reportagem, o bar produz cerca de 80% dos seus ingredientes artesanalmente.[27]

Também em 2016, é inaugurado o 150 Maksoud, restaurante que substitui o La Cuisine du Soleil e o Brasserie Bela Vista, com opções variadas tanto para jantar e almoço como par ao café da manhã. O cardápio foi elaborado pelo chef Juca Duarte.[28][29]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Piquini, Marco (17 de março de 1994). «Thatcher diz que Plano FHC2 está correto». Estado de S. Paulo. Consultado em 29 de novembro de 2018 
  2. ARRUDA, Valdir (2007). Tradição e Renovação - A arquitetura dos mosteiros beneditinos contemporâneos no Brasil. São Paulo: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP. pp. 67; 116 
  3. «Anúncio Maksoud Plaza». Estado de S. Paulo. 22 de julho de 1979. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  4. a b c Valle, Paulo (27 de janeiro de 1980). «Hotéis de luxo em expansão». Folha de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  5. «São Paulo: descubra por que as pessoas se apaixonam por essa cidade». Estado de S. Paulo. 02 de agosto de 1981. Consultado em 25 de novembro de 2018  Verifique data em: |data= (ajuda)
  6. «Agora a noite é um grande número». Estado de S. Paulo. 06 de agosto de 1981. Consultado em 25 de novembro de 2018  Verifique data em: |data= (ajuda)
  7. Sampaio, Paulo (24 de novembro de 2011). «Maksoud Plaza é arrematado em leilão por lance mínimo». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de agosto de 2018 
  8. Casado, Leticia (25 de novembro de 2011). «Maksoud Plaza diz que nada mudou com a venda do prédio do hotel». Valor. Consultado em 25 de agosto de 2018 
  9. Scheller, Fernando (15 de agosto de 2015). «Sob nova direção, Maksoud tenta reviver glamour». Folha de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  10. «Hotel maksoud plaza». Consultado em 25 de novembro de 2018 
  11. Silva, Ana Lucia (28 de janeiro de 2009). «Maksoud Plaza (SP) moderniza sua fachada com desenho exclusivo». Hotelier News. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  12. «Maria Bonomi - Arte Pública». Consultado em 25 de novembro de 2018 
  13. DE OLIVEIRA, Alecsandra Matias (2008). POÉTICA DA MEMÓRIA - Maria Bonomi e a Epopéia Paulista. São Paulo: [s.n.] pp. 84; 89, 106 
  14. «Sinatra chega a SP e se esconde». Estado de S. Paulo. 13 de agosto de 1981. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  15. Ielo, Maurício (16 de agosto de 1981). «Prejuízos, os riscos de Maksoud com Sinatra». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  16. DE MELLO, Zuza Homem (4 de dezembro de 1981). «Um mês com o piano de Earl Hines». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  17. MATE, Alexandre Luiz (2008). A produção teatral paulistana dos anos 1980 - R(a)biscando com faca o chão da história: tempo de contar os (pré)juízos em percursos de andança. São Paulo: [s.n.] 
  18. Garcia, Clóvis (12 de maio de 1983). «Peça para ser apreciada e apoiada, por vários motivos». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  19. Garcia, Clóvis (08 de dezembro de 1984). «Bons exemplos de tipos de revista». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018  Verifique data em: |data= (ajuda)
  20. Zanotto, Ilka Marinho (23 de março de 1985). «"Sarah" e "Freud", sedutores». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  21. Garcia, Clóvis (03 de janeiro de 1986). «"Louco Circo do Desejo", diálogo fluente e brilhante». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018  Verifique data em: |data= (ajuda)
  22. Petri, Renato (25 de fevereiro de 1983). «Maksoud Plaza: o brilho das estrelas». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  23. Neto, Alberto Luchetti (16 de janeiro de 1987). «Nordestinos passam à cozinha». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  24. «Restaurante de plantão». Estado de S. Paulo. 30 de agosto de 1984. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  25. Reolom, Mônica (22 de janeiro de 2015). «Cobertura do Maksoud terá casa de eventos». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  26. de Menezes, Maria Eugênia. (1 de maio de 2015). «Drinques no Maksou». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  27. Lima, Isabelle Moreira (18 de agosto de 2016). «Um bar (quase) autossuficiente». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  28. Orenstein, José (07 de abril de 2016). «Discreto charme do Maksoud». Estado de S. Paulo. Consultado em 25 novembro de 2018  Verifique data em: |data= (ajuda)
  29. Lorençato, Arnaldo (13 de dezembro de 2015). «Hotel Maksoud Plaza tem novo chef e restaurante». Consultado em 28 de novembro de 2018 

Ligações externasEditar