Ichnotáxon

Um ichnotáxon (plural ichnotaxa) é "um táxon baseado no trabalho fossilizado de um organismo", isto é, o equivalente um artefato não humano. Ichnotaxa vem do grego ίχνος, ichnos, que significa rastro e ταξις, táxis, que significa ordenação.[1]

Ichnotaxa são nomes usados para identificar e distinguir icnofósseis morfologicamente distintos, mais comumente conhecidos como rastro-fósseis. Eles são designados por gênero e espécie por ichnologistas, bem como organismos na taxonomia lineana. Estes são conhecidos como ichnogênero e ichnospécie, respectivamente. "Ichnogenus" e "ichnospecies" são comumente abreviados como "igen". e "isp". Os nomes binomiais das icnospécies e seus gêneros devem ser escritos em itálico.[2]

A maioria dos pesquisadores classifica rastro-fósseis apenas até a classificação ichnogenus, com base em rastro-fósseis que se assemelham na morfologia, mas têm diferenças sutis. Alguns autores construíram hierarquias detalhadas até a superclasse ichnos, reconhecendo detalhes tão finos que identificam a superordem ichnos e a ichnoinfraclasse, mas essas tentativas são controversas.[3][4]

NomeaçãoEditar

Devido à natureza caótica da classificação de traços fósseis, vários ichnogenera possuem nomes normalmente afiliados a fósseis de corpos de animais ou fósseis de plantas. Por exemplo, muitos ichnogênero são nomeados com o sufixo -phycus devido à identificação incorreta como as algas.[5] Edward Hitchcock foi o primeiro a usar o agora normal sufixo -ichnus em 1858, para Cochlichnus.[5]

HistóriaEditar

Devido à história difícil de classificar os fósseis, houve várias tentativas de reforçar a consistência na nomeação de ichnotaxa.

Em 1961, a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica determinou que a maioria dos táxons rastreados com nome de 1930 não estaria mais disponível.[6]

BrasilEditar

Durante o início do Cretáceo, uma grande área no Brasil e em outros países da América do Sul foi coberta por um extenso campo de paleoergs, o deserto de Botucatu. O município de Araraquara, em São Paulo, contém algumas das mais diversas assembléias icnológicas da Formação Botucatu. Os fósseis vestigiais de mamíferos da Formação Botucatu são de grande interesse, pois podem representar o único registro de Mammaliamorpha do Baixo Cretáceo do Brasil. Esses rastros fósseis podem ser agrupados em duas classes distintas, com base nas dimensões das pegadas. O morfotipo maior é descrito e classificado como ichnotáxon, Aracoaraichnium leonardii igen. nov. isp. nov.. Esse morfotipo pode ser diferenciado de Brasilichnium Leonardi, 1981 por morfologia de dígitos.[7]

Referências

  1. BROMLEY, R. G. (1981). «Concepts in ichnotaxonomy illustrated by small round holes in shells» (PDF). ACTA GEOL~GICA HISPANICA. Concept and method in Paleontology. 16 nos 1-2, pags. 55-64 
  2. Frängsmyr, Tore; Lindroth, Sten (1994). Linnaeus, the man and his work Revised ed. Canton, MA, USA: Science History Publications/USA. ISBN 978-0881351552. OCLC 30154266 
  3. Woodley of Menie, Michael (1 de janeiro de 2011). «Introducing aequivotaxa: A new classification system for cryptozoology». KRAKEN: Archives of Cryptozoology. 3: 63–85 
  4. Díaz-Martínez, Ignacio; Pereda-Suberbiola, Xabier; Pérez-Lorente, Félix; Canudo, José Ignacio (12 de fevereiro de 2015). «Ichnotaxonomic Review of Large Ornithopod Dinosaur Tracks: Temporal and Geographic Implications». PLoS ONE. 10 (2). ISSN 1932-6203. PMC 4326173 . PMID 25674787. doi:10.1371/journal.pone.0115477 
  5. a b Häntzschel, Walter (1975). Moore, Raymond C., ed. Miscellanea: Supplement 1, Trace Fossils and Problematica. Col: Treatise on Invertebrate Paleontology. [S.l.]: Geological Society of America. ISBN 9780813730271 
  6. Donovan, Stephen K., ed. (28 de março de 1994). The Palaeobiology of Trace Fossils. [S.l.]: John Wiley & Sons. ISBN 0-471-94843-8 
  7. Buck, Pedro Victor; Ghilardi, Aline Marcele; Fernandes, Luciana Bueno dos Reis; Fernandes, Marcelo Adorna (1 de novembro de 2017). «A new ichnotaxon classification of large mammaliform trackways from the Lower Cretaceous Botucatu Formation, Paraná Basin, Brazil». Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology (em inglês). 485: 377–388. ISSN 0031-0182. doi:10.1016/j.palaeo.2017.06.027 
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