Igreja Católica na Gâmbia

A Igreja Católica na Gâmbia é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé.[6] O país goza de uma convivência pacífica entre suas comunidades religiosas, notadamente entre cristãos e muçulmanos, chegando a ser considerada nos meios religiosos como um exemplo a ser seguido nesse quesito.[7]

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Gâmbia
Igreja de Nossa Senhora Estrela do Mar, em Bakau, Gâmbia.
Santo padroeiro Virgem Maria[1]
Ano 2010[2]
População total 1.730.000[2]
Cristãos 80.000 (4,5%)[2]
Católicos 50.000 (3,0%)[2]
Paróquias 20[3][nota 1]
Presbíteros 32[3][nota 1]
Seminaristas 17[3][nota 1]
Diáconos permanentes 0[3][nota 1]
Religiosos 29[3][nota 1]
Religiosas 59[3][nota 1]
Presidente da Conferência Episcopal Charles Allieu Matthew Campbell[4]
Núncio apostólico Dagoberto Campos Salas[5]
Códice GM

HistóriaEditar

O cristianismo chegou à Gâmbia com marinheiros portugueses em 1456, quando navegaram Rio Gâmbia acima e aterrissaram na Ilha James, porém com pouco êxito, já que houve também a chegada de missionários protestantes, os quais obtiveram mais seguidores.[8] Em 1849, chegam novos missionários da Congregação do Espírito Santo (conhecida como ordem dos espiritanos), de origem francesa, porém no começo do século XX, também chegaram missionários irlandeses, já que haveria a facilidade de que irlandeses e gambianos falam o mesmo idioma — o inglês. O fundador dos espiritanos também se envolveu na missão, especialmente no que dizia respeito aos escravos que eram libertados das Índias Ocidentais e da América, com a abolição da escravatura.[7] Esses escravos deram um novo impulso à religião. Apesar disso, o catolicismo só teve uma verdadeira alavanca em 1905. Em 1931, foi criado o Vicariato Apostólico da Senegâmbia, separou a hierarquia católica da Gâmbia e do Senegal. Em 1950, a população católica chegava a pouco mais de 3.000. Em 1951, o Vicariato foi elevado à Prefeitura Apostólica de Bathurst, e em 1957, à Diocese de Bathurst.[8]

AtualmenteEditar

Historicamente, Gâmbia goza de uma convivência pacífica entre suas comunidades religiosas, notadamente entre cristãos e muçulmanos, chegando a ser considerada nos meios religiosos como um exemplo a ser seguido nesse quesito. Além das principais celebrações muçulmanas, as festas cristãs do Natal, Sexta-feira Santa e Segunda-feira de Páscoa são celebradas. Há o chamado Grupo Inter-religioso para o Diálogo e a Paz, que inclui muçulmanos, cristãos e bahá’ís, e que se reúne regularmente para discutir questões importantes para todas as comunidades religiosas na Gâmbia, em particular a coexistência pacífica.[7][9] Durante uma reunião em 2001, o Papa São João Paulo II encorajou o novo núncio de Gâmbia no Vaticano a "tomar decisões corajosas que levarão as pessoas ao caminho da paz", em referência aos esforços gambianos para mediar a violência no vizinho Senegal.[10]

Em entrevista à Zenit, Dom Robert Ellison, bispo de Banjul, relata que é comum a conversão de jovens muçulmanos em missões à comunidades rurais, os quais conseguem autorização para serem batizados, mas assim que deixam o colégio e voltam à sua própria aldeia e às suas comunidades, voltam quase automaticamente à sua fé muçulmana, devido à pressão social. Ele também informou que em 2010, havia quase 20 sacerdotes gambianos e havia 4 ou 5 missionários irlandeses prestes a se aposentar.[7]

Em 17 de novembro de 2014, o Ministério do Ensino Básico e Secundário ordenou o fechamento de duas escolas cristãs porque não tinham no programa nenhuma disciplina relacionada com o Islã.[11]

Em 2015, houve crescimento da tensão no país após o então presidente, Yahya Jammeh, declarar o país como uma "república islâmica", sendo que até então o estado declarava-se como secular.[9] Os muçulmanos representam cerca de 90% da população do país. "Em linha com a identidade e os valores religiosos do país, eu proclamo a Gâmbia um Estado islâmico. A Gâmbia não pode se dar ao luxo de dar continuidade ao legado colonial", disse Jammeh. A nação conquistou a independência do Reino Unido em 1965.[12] Apesar de ter prometido respeitar o cristianismo, o ano de 2016 começou com um decreto presidencial exigindo que mulheres no funcionalismo público usassem véus, independentemente da religião que seguissem. A polêmica fez com que o governo voltasse atrás. "A conversão de Gâmbia foi uma tentativa desesperada de Jammeh de se manter no poder. Queria agradar aos países islâmicos porque sabia que, sem dinheiro, não poderia continuar governando", afirmou Baba G. Jallow, historiador da Universidade La Salle, nos Estados Unidos. A adoção da Sharia no código civil também significaria proibir a venda de álcool, o que afetaria o turismo de um país em que a principal empresa nacional é uma cervejaria.[13] Hamat Bah, do partido de oposição Reconciliação Nacional, criticou a decisão. "Há uma cláusula constitucional que diz que a Gâmbia é um Estado secular. Não se pode fazer uma declaração como essa sem passar por um referendo.", disse.[12]

Em janeiro de 2017, o novo Presidente, Adama Barrow, revogou a decisão do seu antecessor, transformando novamente a Gâmbia em um estado secular.[9][14] Durante a elaboração da nova Constituição pós-Jammeh,os membros do Conselho Cristão da Gâmbia (que representam as Igrejas Católica, Anglicana e Metodista) exigiram que a nova Constituição incorporasse as palavras "Estado laico". Os incidentes religiosos caíram a zero após a chega do novo presidente. Barrow anunciou planos para a construção de 60 mesquitas no país, e foi criticado pela escolha de uma religião acima das outras.[6]

Organização territorialEditar

A Gâmbia é formada por uma única diocese, que cobre todo seu território, a Diocese de Banjul.[3][15] Em Banjul, capital do país, fica a Catedral de Nossa Senhora da Assunção.[16] Há também a Eparquia da Anunciação de Ibadan, sediada na Nigéria e presente em diversos países africanos, incluindo a Gâmbia, e é voltada para os fiéis católicos que seguem o rito maronita.[17]

Conferência EpiscopalEditar

A Conferência Interterritorial do Bispos Católicos da Gâmbia e de Serra Leoa é a reunião dos bispos católicos da Gâmbia e de Serra Leoa, e foi criada no ano 1971.[4]

Nunciatura ApostólicaEditar

 Ver artigo principal: Nunciatura Apostólica da Gâmbia

A Delegação Apostólica do Gabão foi criada em 1975, e elevada a nunciatura apostólica em 25 de agosto de 1979.[5]

Visitas PapaisEditar

O país foi visitado por São João Paulo II em 1992, juntamente com outros países: Guiné e Senegal.[18]

SantosEditar

BeatosEditar

Notas

  1. a b c d e f Os números não incluem a Eparquia Maronita da Anunciação de Ibadan, por estar sediada na Nigéria, e abranger os territórios de diversos países africanos.

Referências

  1. «patrons of Gambia». Catholic Saints. Consultado em 23 de junho de 2019 
  2. a b c d «Religions in the Gambia». Pew Forum. Consultado em 23 de junho de 2019 
  3. a b c d e f g «Diocese of Banjul». GCatholic. Consultado em 21 de abril de 2021 
  4. a b «Inter-territorial Catholic Bishops' Conference of the Gambia and Sierra Leone». GCatholic. Consultado em 23 de junho de 2019 
  5. a b «Apostolic Nunciature - Gambia». GCatholic. Consultado em 23 de junho de 2019 
  6. a b «Gâmbia». Fundação ACN. Consultado em 21 de abril de 2021 
  7. a b c d «O único bispo de Gâmbia». Zenit. 12 de setembro de 2010. Consultado em 2 de agosto de 2019 
  8. a b «Christians in Gambia». Access Gambia. Consultado em 2 de agosto de 2019 
  9. a b c «Gâmbia». Fundação ACN. Consultado em 2 de agosto de 2019 
  10. «Gambia, The Catholic Church In». Encyclopedia.com. Consultado em 21 de abril de 2021 
  11. «Gâmbia: Escolas cristãs encerradas pelo ministério da educação». Agência Ecclesia. 18 de novembro de 2014. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  12. a b «Gâmbia: presidente declara que país é república islâmica». Correio Braziliense. 12 de dezembro de 2015. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  13. «Gâmbia». BBC. 17 de janeiro de 2016. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  14. «Gâmbia celebra derrota do líder eleito por "mil milhões de anos"». Diário de Notícias. 4 de dezembro de 2016. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  15. «Gambia». Catholic-Hierarchy. Consultado em 23 de junho de 2019 
  16. «Cathedrals - Gambia». GCatholic. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  17. «Maronite Diocese of Annunciation of Ibadan». GCatholic. Consultado em 30 de abril de 2020 
  18. «Special Celebrations in a.d. 1992». GCatholic. Consultado em 23 de junho de 2019 
  19. «Saints and Blesseds of Gambia». GCatholic. Consultado em 21 de abril de 2021 

Ver tambémEditar