Igreja Católica na Guiné Equatorial

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Guiné Equatorial
Catedral de Santa Isabel, em Malabo, capital da Guiné Equatorial.
Santo padroeiro Imaculada Conceição[1][2]
Ano 2010[3]
População total 700.000[3]
Cristãos 620.000 (88,7%)[3]
Católicos 570.000 (80,7%)[3]
Paróquias 86[4]
Presbíteros 171[4]
Diáconos permanentes 0[4]
Religiosos 124[4]
Religiosas 210[4]
Presidente da Conferência Episcopal Juan Nsue Edjang Mayé[5]
Núncio apostólico Julio Murat[6]
Códice GQ

A Igreja Católica na Guiné Equatorial é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé.

HistóriaEditar

A ilha que hoje é conhecida tem o nome de Bioko foi descoberta em 1471 e à época recebeu o nome de Fernando Póo, seu fundador português. Os assentamentos portugueses foram estabelecidos na região durante o século XVI e o comércio de escravos tornou-se comum. Uma missão católica formada em 1740 fracassou. A ilha foi cedida à Espanha em 1788. Somente depois de 1841, os trabalhos do capelão espanhol Jeronimo de Usera foram bem sucedidos o suficiente para trazer outros missionários católicos para a ilha. A Prefeitura Apostólica de Annobón, Corisco e Fernando Pó foi separada do Vicariato das Duas Guinés em 1855 e confiada aos jesuítas entre 1857 e 1872. Os capelães militares foram sucedidos pela restauração da prefeitura, desta vez confiada aos claretianos em 1882.[7]

Em 12 de outubro de 1968, a Guiné Equatorial se tornou um país independente. Antes de Río Muni ser destacado como vicariato em 1965, havia 180.000 católicos no vicariato, a maior porcentagem de católicos em toda a África. Infelizmente para os católicos, assim como para os demais habitantes da região, os primeiros dez anos de independência trouxeram a morte a muitos sob o regime do presidente Macias Nguema, e a repressão à Igreja Católica tornou-se um de seus principais esforços. Seu sobrinho, o general Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, executou Nguema em 3 de agosto de 1979, durante um golpe de Estado que trouxe uma era mais pacífica para a região.[7]

Cessando a repressão contra a Igreja e encorajados em esforços da Espanha para a democratização do país, a Guiné Equatorial realizou suas primeiras eleições "livres" em 1993, quando uma esmagadora maioria elegeu Teodoro Mbasogo. Ainda com esse movimento em direção à democratização, as violações dos direitos humanos, bem como um processo eleitoral questionável, permaneceram uma preocupação das Nações Unidas durante os anos 90, e a esmagadora eleição de legisladores do Partido Democrata na eleição de março de 1999 fez pouco para acalmar as suspeitas de que o processo democrático havia sido comprometido. Em julho de 1999, 50 bispos da África Central se reuniram para discutir as preocupações com a fraude, o tribalismo e a corrupção que assolaram não apenas a Guiné Equatorial, mas também vários países vizinhos africanos.[7]

No entanto, em julho de 1998, o governo da Guiné Equatorial acabou por realizar diversas medidas repressivas: além de expulsar do país três missionários estrangeiros patrocinados pelos Estados Unidos, começou a exigir que os sacerdotes pedissem permissão antes de celebrar missas ou realizar reuniões. Os líderes católicos viram essa exigência como uma retaliação do governo contra a denúncia aberta de abusos dos direitos humanos e manifestações de corrupção. A Igreja também acompanhou de perto a prisão, em janeiro de 1998, do padre Eduardo Losoha Belope, por estar supostamente ligado à uma tentativa fracassada de golpe no ano anterior; o padre ainda estava preso em 2000.[7]

Em 1991, foi promulgada uma lei que estabelece regras para o registro dos grupos religiosos, e que também oficializa o tratamento preferencial da Igreja Católica e da Igreja Reformada da Guiné Equatorial, nenhuma das quais precisa obter o registro estatal. Na prática, este tratamento preferencial também significa que é feita a celebração da Missa em todas as cerimônias oficiais, particularmente durante as celebrações do aniversário do golpe de Estado de 1979, do Dia da Independência e do aniversário do presidente.[8]

AtualmenteEditar

A Igreja Católica continua a gozar de tratamento diferenciado por parte do governo. A certidão de batismo costuma ser aceita como documento oficial de identidade. As Missas são um elemento regular em todas as principais cerimônias, como por exemplo o Dia Nacional (12 de outubro) e o aniversário do presidente no dia 5 de junho. Cerimônias religiosas e os edifícios são frequentemente financiados pelo poder público.[8]

Em outubro de 2013, o presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo foi ao Vaticano, e se encontrou com o Papa Francisco e com Dominique Mamberti, secretário de Estado para as Relações com os Estados. Nesta visita o presidente guineense e a Santa Sé assinaram um acordo, que debate vários temas, como o reconhecimento da contribuição da Igreja para o desenvolvimento do país, especialmente na educação e assistência "para melhorar o nível de vida da população", de acordo com um comunicado do Vaticano. Nos 19 artigos e protocolo adicional "reconhece-se a personalidade jurídica da Igreja (...) e trata também do casamento canônico, dos lugares de culto, das instituições educativas e a assistência espiritual aos fiéis católicos nos hospitais e nas prisões".[9][10] Um Protocolo Adicional, foi assinado na cidade guineense de Mongomo no dia 13 de outubro de 2012 e "sela as boas relações bilaterais existentes e reconhece a personalidade jurídica da Igreja e das suas instituições" na Guiné Equatorial.[11]

No dia 4 de abril de 2015, o Ministério da Justiça, Assuntos Religiosos e Prisões decretou que todas as atividades religiosas que ocorram fora do período das 6 às 9 horas da manhã, ou que forem realizadas em locais de culto não registrados apenas podem realizar-se com autorização. O decreto também proibiu atos religiosos ou de pregação em casa privadas e requer que os representantes ou autoridades religiosas estrangeiras obtenham autorização antecipada do ministério para participarem de atividades religiosas.[8]

Organização territorialEditar

O catolicismo está presente no território com cinco dioceses, sujeitas à Província Eclesiástica de Malabo:[4]

Circunscrições eclesiásticas católicas da Guiné Equatorial[4]
Diocese Ano de ereção Catedral Foto Ref.
Diocese de Bata 1965 Catedral de São Tiago e Nossa Senhora do Pilar [12]
Diocese de Ebebiyín 1982 Catedral de Ebebiyín [13]
Diocese de Evinayong 2017 Catedral de São José [14]
Arquidiocese de Malabo 1855 Catedral de Nossa Senhora da Candelária   [15]
Diocese de Mongomo 2017 Catedral da Imaculada Conceição   [16]

Conferência EpiscopalEditar

A reunião dos bispos do país foram a Conferência Episcopal da Guiné Equatorial, que foi criada em 1983.[5]

Nunciatura ApostólicaEditar

A Delegação Apostólica da Guiné Equatorial foi criada em 1971, e elevada a nunciatura apostólica em 1982.[6]

Visitas PapaisEditar

O país foi visitado pelo Papa São João Paulo II em 18 de fevereiro de 1982, juntamente com outros países: Gabão e Benim, Nigéria.[17]

A todos vós, queridos irmãos da Guiné Equatorial ou vindo do exterior, quero apresentar-vos o meu profundo agradecimento pelo empenho consagrado à vossa tarefa evangelizadora. Com muito fervor peço ao Senhor que ilumine o vosso coração "a fim de saberdes que esperança constitui o Seu chamamento, que tesouros de glória encerra a Sua herança entre os santos" (Ef 1, 18). Estais comprometidos, guineanos de origem ou de adoção, numa obra para a qual Deus vos chama indistintamente.
 
Discurso de São João Paulo II no encerramento de sua visita pastoral à Guiné Equatorial[18].

Referências

  1. «The new Basilica of Mongomo, about to be inaugurated». Guinea Ecuatorial Press. 30 de novembro de 2011. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  2. «Equatorial Guinea». GCatholic. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  3. a b c d «Religions in Equatorial Guinea». Pew Forum. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  4. a b c d e f g «Equatorial Guinea - Current Dioceses». Catholic-Hierarchy. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  5. a b «Conferencia Episcopal de Guinea Ecuatorial». GCatholic. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  6. a b «Apostolic Nunciature - Equatorial Guinea». GCatholic. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  7. a b c d «Equatorial Guinea, The Catholic Church In». Encyclopedia.com. Consultado em 9 de agosto de 2019 
  8. a b c «Guiné Equatorial». Fundação ACN. Consultado em 9 de agosto de 2019 
  9. «Papa e PR da Guiné - Equatorial ratificam acordo entre Igreja e Estado». Angop. 25 de outubro de 2013. Consultado em 9 de agosto de 2019 
  10. «Papa Francisco recebe presidente da Guiné Equatorial». Canção Nova Notícias. 25 de outubro de 2013. Consultado em 9 de agosto de 2019 
  11. «Guiné Equatorial: Presidente da República agradece ao Papa apoio social e humano da Igreja Católica no país». Agência Ecclesia. 25 de outubro de 2013. Consultado em 9 de agosto de 2019 
  12. «Diocese of Bata». GCatholic. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  13. «Diocese of Ebebiyín». GCatholic. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  14. «Diocese of Evinayong». GCatholic. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  15. «Diocese of Malabo». GCatholic. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  16. «Diocese of Mongomo». GCatholic. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  17. «Special Celebrations in a.d. 1982». GCatholic. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  18. São João Paulo II (18 de fevereiro de 1982). «SANTA MISSA EM BATA, GUINÉ EQUATORIAL». Vaticano.va. Consultado em 8 de agosto de 2019 

Ver tambémEditar