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Igreja do Oriente

(Redirecionado de Igreja Nestoriana)
Sacerdotes nestorianos em processão durante um Domingo de Ramos, em pintura do século VII ou VIII de igreja nestoriana na China, Dinastia Tang

A Igreja do Oriente (em siríaco: ܥܕܬܐ ܕܡܕܢܚܐ, ʿĒ(d)tāʾ d-Maḏn(ə)ḥāʾ), também erroneamente conhecida como Igreja Nestoriana[nota 1] Rapidamente se espalhou pela Ásia; entre os séculos IX e XIV se tornou a maior igreja cristã do mundo em termos de extensão geográfica, com igrejas desde o Mediterrâneo até a China e Índia. Diversas igrejas modernas alegam continuidade com a Igreja do Oriente histórica.

A Igreja do Oriente é chefiada pelo Patriarca do Oriente, dando continuidade a uma linhagem que, de acordo com a tradição, remontava ao tempo dos apóstolos. Liturgicamente, a igreja aderiu ao rito sírio oriental. Hoje, permanecem como sucessoras desta igreja ainda recusando o Terceiro Concílio Ecumênico a Igreja Assíria do Oriente e a Igreja Antiga do Oriente, que não estão em comunhão nem com a Igreja Ortodoxa, nem com a Igreja Católica, e nem com as igrejas ortodoxas orientais. O atual Patriarca e líder máximo da Igreja Assíria é Mar Gewargis III; o da Igreja Antiga, Mar Addai II. Ambos usam o título de Patriarca Catholicós da Babilônia.

OrigemEditar

O cristianismo entre os povos de língua aramaica na Síria e Alta Mesopotâmia, tradicionalmente remonta da época dos apóstolos e teria sido fundado por Mar Toma, Mar Addai, Mar Bar Tulmay e Mar Shimun Keapa no século I.[1] Uma antiga lenda diz que Jesus Cristo teria enviado emissários ao rei Abgar V de Edessa[2]O cristianismo floresceu logo na Síria e Mesopotâmia, aos arredores de cidades como Antioquia, Edessa, Nísibis e Ctesifonte.[3] Nessa região se encontra o prédio atestado como a igreja mais antiga conhecida (Igreja de Dura Europo, a mais antiga versão do Antigo Testamento e do Novo Testamento em um só volume (a Peshitta), o mais antigo hinário cristão (as Odes de Salomão[4]) e talvez o primeiro estado majoritariamente cristão da história, o Reino de Edessa, cujo monarca, Abgar IX, teria se convertido por volta do ano 200.[5][6] O cristianismo além do Rio Eufrates desenvolveu independente do cristianismo do Mediterrâneo, ao qual nunca esteve submisso.

Com o declínio do império Romano, a região ficou sob influência persa do Império Sassânida. Em 410, o Isdigerdes I deu liberdade de culto para o cristianismo em seu domínio,[7] embora tenha depois feito uma breve perseguição. Nos sínodos de 410, 420 e 424 a Igreja do Oriente confirmou sua autocefalia em relação ao cristianismo do Mediterrâneo.[8]

ExpansãoEditar

A Pérsia há muito já era refúgio de uma comunidade cristã que vinha sendo perseguida pela maioria zoroástrica, sob a acusação de ter "inclinações" romanas. Em 424, a igreja persa se declarou independente da Igreja bizantina e de todas as outras igrejas, justamente para refutar estas acusações. Logo após o cisma, a Igreja da Pérsia cada vez mais se alinhou com os nestorianos, uma medida que foi encorajada pelas lideranças zoroástricas e que, com o passar dos anos, levou-a a se tornar mais e mais nestoriana, ampliando assim o cisma entre ela e as igrejas ocidentais.

Em 486, o metropolita de Nísibis (atual Nusaybin), Barsauma, publicamente aceitou o mentor de Nestório, Teodoro de Mopsuéstia, como uma autoridade espiritual. Em 489, quando a Escola de Edessa (em Edessa, Mesopotâmia) foi fechada pelo imperador bizantino Zenão I por suas tendências nestorianas, ela se mudou para sua cidade original, Nísibis, e se tornou novamente a Escola de Nísibis, provocando uma onda de migração nestoriana para a Pérsia. O patriarca dali, Mar Babai I (r. 497–502), reiterou e expandiu a alta estima da igreja por Teodoro, solidificando então a adoção do nestorianismo.[9]

Agora firmemente estabelecida na Pérsia, com centros em Nísibis, Ctesifonte, Bendosabora e diversas sedes metropolitas, a Igreja Persa, com influências nestorianas, começou a se ramificar para fora do Império Sassânida. Contudo, durante todo o século VI, a igreja foi frequentemente acometida por disputas internas e perseguições pelas mãos dos zoroástricos. A luta levou a um novo cisma, que durou de 521 até 539, quando os assuntos em disputa foram resolvidos. Porém, logo em seguida o conflito com os Império Bizantino levou à perseguição da igreja pelo xá Cosroes I, o que terminou em 545 A igreja sobreviveu a estas atribulações sob a liderança do patriarca Mar Abba I, que tinha se convertido do Zoroastrismo.[9]

A igreja se expandiu rapidamente sob os sassânidas e, após a conquista islâmica da Pérsia, completada em 644 foi designada uma comunidade dhimmi protegida sob o domínio muçulmano sob o Califado Ortodoxo. A partir da século VI, se expandiu ainda mais, e foram estabelecidas comunidades na subcontinente indiano entre os cristãos de São Tomé, na Ásia Central onde tiveram algum sucesso evangélico entre as tribos mongóis, e na China, que foi sede de uma próspera Igreja do Oriente na China sob a Dinastia Tang, do século VII ao IX. Durante os séculos XIII e XIV a igreja passou por um período final de expansão, durante o Império Mongol, no qual influentes cristãos do oriente frequentaram a corte mongol. Uma fonte chinesa, conhecida como Estela nestoriana, relata uma missão sob um pregador persa chamado Alopen como tendo sido a origem do cristianismo do oriente na China em 635 Eles fizeram alguns avanços sobre o Egito, apesar da forte presença monofisista lá.[10] A igreja e suas comunidades no exterior floresceram neste período. No século X ela já tinha quinze sedes metropolitas no território do califado e outras cinco em outros lugares, inclusive a Índia e a China.[9]

Declínio e DiásporaEditar

Após atingir o seu ápice de extensão geográfica, a igreja passou por um período acelerado de declínio, a partir do século XIV, em parte devido a influências externas. O Império Mongol se fragmentou em guerras civis, a Dinastia Ming chinesa assumiu o poder, expulsando os cristãos e outras influências estrangeiras do país (como o maniqueísmo), e diversos mongóis na Ásia Central se converteram ao islã. O líder mongol muçulmano Timur (1336–1405) praticamente erradicou os cristãos restantes na Pérsia; a partir de então, o cristianismo oriental ficou confinado à Alta Mesopotâmia e à Costa do Malabar, na Índia. No século XVI, a Igreja do Oriente sofreu um cisma, do qual surgiram duas igrejas distintas; a atual Igreja Assíria do Oriente, e a Igreja Católica Caldeia, uma igreja católica oriental em comunhão com a Santa Sé.

No começo da década de 1930 houve uma campanha da Liga das Nações de transplantar a comunidade assíria para o norte do Paraná, nas terras da companhia inglesa de colonização naquele estado. Devido à oposição racista da Sociedade dos Amigos de Alberto Torres tal projeto foi abandonado em 1934.[11]

A Igreja do Oriente foi chamada pelo Papa João Paulo II, "igreja dos mártires", como nenhuma igreja inclui um número igual de mártires.

Atualmente subsistem a Igreja Assíria do Oriente e a Igreja Antiga do Oriente na Índia e no Iraque, Irã e nos Estados Unidos e em outros lugares onde haja migrado comunidades cristãs dos países citados, além de grupos originados na Igreja do Oriente, como a Igreja Católica Caldeia e os vários grupos em que se dividem os cristãos de São Tomé. Estima-se que a Igreja Assíria conta apenas com cerca de 1 milhão de fiéis.

DoutrinaEditar

 Ver artigo principal: Igreja Assíria do Oriente

Os fundadores da teologia da Igreja do Oriente foram Diodoro de Tarso e Teodoro de Mopsuéstia, que ensinaram entre o quarto e quinto séculos em Antioquia. A cristologia da Igreja foi fixada por Mar Babai, o Grande. Assim, Babai teria ensinado uma doutrina diferente da de Nestório, que foi acusado de dualismo.

Igrejas sucessorasEditar

Notas

  1. Embora a denominação de "Nestoriana" seja consagrada, ela também é contestada. Vide BROCK. The 'Nestorian Church' a lamentable misnomer

Referências

  1. Philip,T.V.| East of the Euphrates: Early Christianity in AsiaCSS & ISPCK: India, 1998
  2. Eusebius. Ecclesiastical History 1.13.
  3. Angold, M. The Cambridge History of Christianity Volume 5, "Eastern Christianity"
  4. Philip,T.V.| East of the Euphrates: Early Christianity in AsiaCSS & ISPCK: India, 1998
  5. Ball, W (2001). Rome in the East: the transformation of an empire. [S.l.]: Routledge. p. 91. ISBN 978-0-415-24357-5 
  6. David Frankfurter. Pilgrimage and Holy Space in Late Antique Egypt. Irfan Shahid. Arab Christian Pilgrimages. — BRILL, 1998 — p. 383 — ISBN 9789004111271
  7. Procopius(1.2, 8)
  8. Baum, Wilhelm; Winkler, Dietmar W . The Church of the East: A Concise HistoryThe Church of the East: A Concise History.2003; p.21
  9. a b c Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Britannica
  10. Campbell. Christian Confessions (em inglês). [S.l.: s.n.] 62 páginas .
  11. Lesser, Jeff. A negociação da identidade nacional. São Paulo: Unesp, 2001 pp.117-133

BibliografiaEditar

  • Angold, Michael (ed.) (2006). The Cambridge History of Christianity. Volume 5, Eastern Christianity. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 9780521811132 
  • Baum, Wilhelm; Winkler, Dietmar W (1 January 2003). The Church of the East: A Concise History[ligação inativa], Londres: Routledge. ISBN 0-415-29770-2. Google Print, acessado em 16 de julho de 2005.
  • Brock, Sebastian P. | The 'Nestorian Church' a lamentable misnomer Universidade de Oxford.
  • Daniel, Elton L. (2006). Culture and customs of Iran. [S.l.]: Greenwood Publishing Group. ISBN 9780313320538 
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  • Foltz, Richard, Religions of the Silk Road, Palgrave Macmillan, 2nd edition, 2010 ISBN 978-0-230-62125-1
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