Igreja Ortodoxa Estoniana do Patriarcado de Moscou

(Redirecionado de Igreja Ortodoxa da Estônia)
Disambig grey.svg Nota: Se procura pelo ramo subordinado ao Patriarcado de Constantinopla, veja Igreja Ortodoxa Apostólica Estoniana.

A Igreja da Estônia ou Igreja Ortodoxa da Estônia do Patriarcado de Moscou (em estoniano: Moskva Patriarhaadi Eesti Őigeusu Kirik), é uma igreja ortodoxa autogovernada, no território da República da Estônia, sob a jurisdição do Patriarcado de Moscou[1]. Esta Igreja contava em 2006 com cerca de 150.000 fiéis em 31 congregações e é a maior Igreja ortodoxa da Estônia.

Igreja Ortodoxa Estoniana do Patriarcado de Moscou
Catedral de Alexandre Nevsky, Taline
Catedral de Alexandre Nevsky, Taline
Fundador Santo André (Séc. I), Missionários ortodoxos de Pskov e Novgorod (Séc. X - XII), Patriarca Tikhon (1920)
Independência Autogoverno (1920)

Exarcado (1941) Autogoverno (1993)

Reconhecimento Igreja Ortodoxa Russa (1920)
Primaz Metropolita Eugene (Reshetnikov)
Sede Taline, Estônia
Território República da Estônia
Possessões
Língua Estoniano, Eslavo Eclesiástico
População 150.000 (2006)
Sítio eletrônico Igreja da Estônia - IOE-PM

O atual Primaz da Igreja é Sua Eminência Eugene (Reshetnikov), Metropolita de Taline e de Toda a Estônia, eleito em 2018[2][3].

A língua litúrgica é o eslavo eclesiástico, mas os serviços religiosos em estoniano também são realizados em congregações individuais. Os membros são principalmente da população de língua russa da Estônia.

Sob a lei da Estônia, a Igreja Ortodoxa Apostólica da Estônia (Eesti Apostlik-Õigeusu Kirik) é a sucessora legal da Igreja Ortodoxa Estoniana anterior à Segunda Guerra Mundial, que em 1940 contava com mais de 210.000 fiéis, três bispos, 156 paróquias, 131 padres, 19 diáconos, dois monastérios, e um seminário de Teologia, a maioria de seus seguidores era da etnia estoniana.

A reativação da autonomia da Igreja Ortodoxa Apostólica Estoniana subordinada ao Patriarca de Constantinopla resultou na retirada do seu nome dos dípticos da Igreja Ortodoxa Russa.

HistóriaEditar

A Ortodoxia na EstôniaEditar

Os missionários ortodoxos de Novogárdia e Pescóvia atuaram entre os estonianos das regiões sudeste das áreas próximas a Pescóvia, do século X até o XII. A primeira menção de uma congregação ortodoxa na Estônia foi em 1030, no local onde atualmente situa-se a cidade de Tartu. Por volta de 600, no lado oriental da colina Toome (Toomemägi) os estonianos fundaram a cidade de Tarbatu. Em 1030, o Príncipe Quievano, Jaroslau, o Sábio, conquistou Tarbatu e construiu seu próprio forte chamado Jurieu, bem como (alegadamente) uma congregação na catedral dedicada a seu santo patrono, São Jorge. A congregação pode ter sobrevivido até 1061, quando, de acordo com as crônicas, Jurieu foi incendiada e os cristãos ortodoxos expulsos.

Como consequências das Cruzadas do Norte no início do século XIII, o norte da Estônia foi conquistado pela Dinamarca e a parte sul pela Ordem Teutônica e mais tarde pelos Irmãos Livônios da Espada, e assim passou para o controle do Cristianismo ocidental. Porém, mais tarde, os comerciantes russos foram capazes de fundar pequenas congregações ortodoxas em diversas cidades estonianas. Uma dessas congregações foi expulsa da cidade de Dorpat (Tartu) pelos alemães em 1472, que martirizaram seu padre, Isidoro, juntamente com um número de fiéis ortodoxos (o grupo é festejado no dia 8 de janeiro).

Pouco conhece-se da história da Igreja na região até os séculos XVII e XVIII, quando muitos Velhos Crentes fugiram da Rússia para evitarem as reformas litúrgicas introduzidas pelo Patriarca Nicão de Moscou.

Nos séculos XVIII e XIX, a Estônia fez parte do Império Russo, tendo sido conquistada pelo imperador Pedro, o Grande. Em 1841, 1844-45 os camponeses estonianos tiveram más colheitas, que resultou em fome e epidemias. Em 1850 a Diocese de Riga (na Letônia) foi criada pela Igreja Ortodoxa Russa. O Bispo Irinarh de Riga astutamente iniciou um boato que a Igreja Ortodoxa tinha prometido a todos aqueles, que se convertessem à Ortodoxia, um pedaço de terra em algum lugar da Rússia. 65 000 camponeses estonianos foram convertidos à fé ortodoxa na esperança de conseguirem tais terras. Numerosas igrejas ortodoxas foram construídas.[4] Mais tarde, quando o boato provou ser uma farsa, uma grande parte dos novos ortodoxos retornaram para a Igreja Luterana.[carece de fontes?]

No final do século XIX, foi introduzida uma política de russificação, apoiada pela hierarquia russa, mas não pelo clero local estoniano. A Catedral de Alexandre Nevsky em Taline e o convento Pühtitsa (Pukhtitsa) em Kuremäe, na Estonia Oriental, foram também construídos nesse período.

Em 1917, o primeiro estoniano, Platão (Paul Kulbusch), foi ordenado Bispo de Riga e Vigário de Taline. Dois anos depois, os bolcheviques assassinaram Platão e seu diácono. 81 anos mais tarde, em 2000, o Bispo Platão foi proclamado santo pelas Igrejas de Constantinopla e Rússia, comemorado em 14 de janeiro.

Depois que a República da Estônia foi proclamada em 1918, o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Tikhon, em 1920 reconheceu a Igreja Ortodoxa da Estônia (IOE) como sendo independente. O arcebispo Alexandre Paulo foi eleito e ordenado como o chefe da Igreja da Estônia. Em setembro de 1922, o Conselho da Igreja Ortodoxa Apostólica Estoniana tomou a decisão de dirigir-se ao Patriarca de Constantinopla, Melécio IV, com uma petição para adotar a Igreja Ortodoxa Estoniana sob a jurisdição do Patriarcado de Constantinopla e declará-la autocéfala. Mais tarde o Metropolita de Taline e de Toda Estônia, Alexander, escreveu que isto foi feito sob intensa pressão do Estado. Em 7 de julho de 1923, em Constantinopla, Melécio IV apresentou o Tomos da adoção da Igreja ortodoxa Estoniana sob a jurisdição do Patriarcado de Constantinopla, como uma Igreja autônoma, a "Metrópole Ortodoxa Estoniana".

Por sugestão do Patriarcado de Constantinopla, a Estônia foi dividida em três dioceses: Taline, Narva e Petzúria. Evsevy (Drozdov) tornou-se o chefe da cátedra de Narva, João (Bulin), um diplomado da Academia de Teologia de São Petersburgo, tornou-se o bispo de Petzúria em 1926. Ele chefiou a diocese até 1932 e deixou-a por causa das discordâncias sobre as propriedades do Monastério de Pskov-Pechery. O bispo João passou vários anos na Iugoslávia e retornou para a Estônia no final da década de 1930. Ele apoiou ativamente o retorno da Igreja Ortodoxa Estoniana para a jurisdição do Patriarcado de Moscou. Em 18 de outubro de 1940, o bispo João foi preso pelo NKVD em Pechery, acusado de atividade e propaganda anti-soviéticas e foi executado em 30 de julho de 1941 em Leningrado.

Antes de 1941, um quinto do total da população da Estônia (que era de maioria luterana desde a Reforma Protestante no início da década de 1500, quando o país era controlado pela Ordem Teutônica) era de cristãos ortodoxos subordinados ao Patriarcado de Constantinopla. Existiam 158 paróquias na Estônia e 183 clérigos na Igreja estoniana. Havia também uma Cadeira de Ortodoxia na Faculdade de Teologia da Universidade de Tartu. Existia um Monastério de Pescóvia-Petzúria em Petzúria, dois conventos em Narva e Kuremäe, a priorado em Taline e um seminário em Petzúria. O antigo monastério de Petzúria foi preservado da destruição em massa que ocorreu durante a ocupação soviética da Estônia.

Em 1940, a Estônia foi ocupada pela União Soviética, que governou empreendeu um programa geral de dissolução de toda independência eclesiástica dentro de seu território. De 1942 a 1944, contudo, a autonomia sob o controle de Constantinopla foi temporariamente reavivada. Em 1945, um representante do Patriarcado de Moscou despediu os membros do sínodo da Igreja Ortodoxa da Estônia que tinham permanecido na Estônia e fundou uma nova organização, o Conselho Diocesano. Os crentes ortodoxos na Estônia ocupada estavam então subordinados a ser uma diocese dentro da Igreja Ortodoxa Russa.

Logo após o início da Segunda Guerra Mundial, o Metropolita Alexandre declarou seu rompimento com a Igreja-Mãe e a subordinação ao Patriarcado de Constantinopla. O Bispo de Narva, Paul, permaneceu leal à Igreja Ortodoxa Russa. Durante a ocupação alemã da Estônia, o Metropolita Alexandre continuou a cuidar de suas paróquias e o bispo Paul a tomar conta da diocese russa em Narva e de muitas outras paróquias leais à Igreja Ortodoxa Russa.

Próximo da libertação de Taline, o Metropolita Alexandre deixou a Estônia, o Sínodo da Igreja Ortodoxa Apostólica Estoniana dirigiu-se a Alexy (Simansky), Metropolita de Leningrado e Novgorod, com uma petição para retornar a jurisdição ao Patriarcado de Moscou.

Um pouco antes da segunda ocupação soviética em 1944 e a dissolução do sínodo da Estônia, o primaz da Igreja, o Metropolita Aleksander, foi enviado para o exílio juntamente com 21 clérigos e cerca de 8.000 fiéis ortodoxos. A Igreja Ortodoxa da Estônia no exílio, com seu sínodo na Suécia, continuou com sua atividade de acordo com os estatutos canônicos, até a restauração da independência da Estônia em 1991. Antes dele morrer em 1953, o Metropolita Aleksander fundou sua comunidade como um exarcado subordinado a Constantinopla. A maioria dos outros bispos e clero, que permaneceram na Estônia, foi deportada para a Sibéria. Em 1958, um novo sínodo foi fundado no exílio, e a Igreja organizou-se na Suécia.

Em 1978, a pedido do Patriarcado de Moscou, o Patriarca Ecumênico declarou a carta (tomos) da Igreja, concedida em 1923, inoperante. A igreja deixou de existir até a dissolução da União Soviética, quando surgiram divisões dentro da comunidade ortodoxa na Estônia entre aqueles que afirmavam que o Patriarcado de Moscou não tinha jurisdição na Estônia e aqueles que desejavam retornar à jurisdição de Moscou. A disputa freqüentemente ocorria entre linhas étnicas, já que muitos russos haviam imigrado para a Estônia durante a ocupação soviética. Longas negociações entre os dois patriarcados não produziram nenhum acordo.

Em 1993, o sínodo da Igreja Ortodoxa da Estônia no Exílio foi novamente registrado como a sucessora legal da autônoma Igreja Ortodoxa da Estônia, e em 20 de fevereiro de 1996, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I formalmente reativou o tomos garantido para a IOE em 1923, restaurando sua subordinação canônica ao Patriarcado Ecumênico. Esta ação trouxe protesto imediato do Patriarca Alexei II do Patriarcado de Moscou, que considerava a Igreja estoniana como sendo parte de seu território. O Patriarca de Moscou temporariamente retirou o nome do Patriarca Ecumênico do dípticos.

Nesta situação difícil, a Igreja Apostólica da Estônia recebeu ajuda e apoio da Igreja Ortodoxa Finlandesa, especialmente de sua eminência, o arcebispo Johannes (Rinne) da Arquidiocese da Carélia e de Toda a Finlândia e do bispo auxiliar Ambrosius (Jääskeläinen) de Joensuu. Este último tornou-se desde 1996 metropolita de Oulu e de 2002 em diante metropolita de Helsinki.

Um acordo foi alcançado, no qual as congregações locais podiam escolher qual jurisdição seguir. A comunidade ortodoxa da Estônia, que conta com cerca de 14% do total da população, permanece dividida, com a maior parte dos fiéis (a maioria de etnia russa) permanecendo subordinados a Moscou. Segundo um anúncio do governo de novembro de 2006, cerca de 18.000 fiéis (a maioria da etnia estoniana) em 60 paróquias fazem parte da Igreja autônoma, com 150.000 seguidores em 31 paróquias, juntamente com a comunidade monástica de Pühtitsa, sendo subordinados a Moscou.

Em 6 de novembro de 2000, o Arcebispo Cornelius tornou-se o Metropolita de Taline e de Toda a Estônia.

O Metropolita Cornelius faleceu em 19 de abril de 2018[3][5].

Em 3 de junho de 2018, o Arcebispo de Verey, Eugene, foi elevado ao posto de Metropolita[2].

PrimazEditar

Eugene (Reshetnikov), Metropolita de Taline e de Toda a Estônia (nome secular Valery Germanovich Reshetnikov), nasceu em 9 de outubro de 1957 no Cazaquistão. Ele passou sua adolescência e juventude em Kirov. Depois de terminar oito turmas do ensino médio, ele estudou no Kirov Construction College. Em 1977-1979. serviu nas fileiras do exército soviético[6].

O arcebispo Eugene de Verey foi eleito pelo Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa da Estônia em uma sessão extraordinária na Catedral de Santo Alexandre Nevsky de Tallinn em 29 de maio de 2018[7]. Ele sucedeu a Sua Eminência o Metropolita Cornelius, que faleceu em 19 de abril de 2018[3].

FontesEditar

Referências

  1. «Устав Русской Православной Церкви». Отдел внешних церковных связей. Московского Патриархата. (em russo). Consultado em 7 de fevereiro de 2021 
  2. a b «В Неделю 1-ю по Пятидесятнице Предстоятель Русской Церкви совершил Литургию в Храме Христа Спасителя и возглавил хиротонию архимандрита Феоктиста (Игумнова) во епископа Городищенского / Новости / Патриархия.ru». Патриархия.ru (em russo). Consultado em 17 de agosto de 2020 
  3. a b c «Abp. Evgeny of Verey confirmed and elevated to rank of Metropolitan of Estonian Church». OrthoChristian.Com. Consultado em 17 de agosto de 2020 
  4. "Eesti Apostolik Oigeusu Kirik, History" (www.eaok.ee/eng/cat-501/cat-519)
  5. «Head of Estonian Orthodox Church of Moscow Patriarchate reposes in the Lord». OrthoChristian.Com. Consultado em 17 de agosto de 2020 
  6. «Митрополит | Orthodox» (em russo). Consultado em 17 de agosto de 2020 
  7. «Archbishop Evgeny of Verey elected head of Estonian Orthodox Church». OrthoChristian.Com. Consultado em 17 de agosto de 2020 

Ligações externasEditar