Igreja Paroquial de Santa Maria de Lagos

igreja em Lagos, Portugal
Disambig grey.svg Nota: Para consultar outras igrejas com a mesma designação, veja Igreja de Santa Maria.

A Igreja Paroquial de Santa Maria de Lagos é um edifício religioso, localizado na cidade de Lagos, em Portugal. Começou a ser construída no século XV, sendo inicialmente conhecida como Igreja da Misericórdia.[1]

Igreja Paroquial de Santa Maria de Lagos
Fachada principal da igreja, em 2020.
Início da construção 1498
Religião Igreja Católica Romana
Diocese Diocese do Algarve
Ano de consagração Século XV (N.ª Sr.ª da Assunção)
Século XIX (Santa Maria)
Website Página oficial da Paróquia de Santa Maria
Património Nacional
SIPA 2888
Geografia
País Portugal Portugal
Local Lagos
Coordenadas 37° 06' N 8° 40' 14" O
Interior da igreja, em 2014.

DescriçãoEditar

A Igreja de Santa Maria está situada no lado sudeste da Praça Infante D. Henrique, no centro da cidade de Lagos.[2] O edifício da igreja apresenta uma composição simétrica, uma só nave de planta retangular, com um batistério, uma capela-mor elevada e um coro, situado sobre a zona de entrada.[1] Salienta-se a imagem de Nossa Senhora da Piedade no seu interior.[2] A igreja tem duas torres sineiras com campanários.[1] No piso térreo, situa-se o portal de entrada, ladeado por medalhões de São Pedro e São Paulo e colunas caneladas, e duas janelas, uma de cada lado do portal, enquanto que no primeiro andar existe um janelão por cima da porta, encimado por um nicho.[2] As varandas e molduras das janelas destacam-se pelos seus elaborados trabalhos de cantaria e serralharia.[1] Para acesso à nave, também existe uma porta na fachada lateral da igreja.[1]

Anexo à igreja está o edifício do Quartel dos Remadores da Alfândega, construído no século XVII.[3]

 
Postal dos princípios do Século XX, com a Praça da Republica (futura Praça Infante D. Henrique) e a Igreja de Santa Maria.

HistóriaEditar

As obras da igreja iniciaram-se em 1498, em anexo ao antigo Hospital da Misericórdia.[1] O templo foi construído parcialmente em cima das ruínas das muralhas primitivas de Lagos, como foi comprovado pela descoberta de vestígios da muralha dentro do altar-mor, durante trabalhos arqueológicos.[4] Assim, o local onde se situa a igreja estava situado imediatamente no exterior do antigo núcleo urbano de Lagos, numa área que tinha uma grande importância por ser o local onde a Ribeira dos Touros desembocava na Ribeira de Bensafrim.[4] A moldura de cantaria na porta lateral foi instalada nos princípios do século XVI, e a igreja foi alvo de obras de expansão em 1556 e de reparação em 1657.[1] O portal provavelmente terá feito parte do primeiro edifício, enquanto que as molduras das janelas e o nicho superior podem ter sido colocadas nessa altura, ou acrescentadas posteriormente.[2]

Apesar de também ter sido danificada pelo sismo de 1755,[2] tornou-se a igreja matriz de Lagos por a Igreja de Santa Maria da Graça ter sido totalmente destruída.[1] Foi reconstruída após o terramoto, tendo as torres sineiras sido provavelmente construídas nessa altura.[2] O processo de transferência foi descrito pelo lacobrigense Domingos de Mello na sua obra Memoria sobre a decadencia, e ruina a que se acha reduzida a Cidade de Lagos, e meio de arremediar escrita em 1821 e copiada pelo investigador Joaquim Negrão: «O Terramoto de 1755 que deixou por terra quasi todo o Lagos, arruinou e demolio inteiramente a Matriz e Freguesia de Santa Maria, e por este desastroso accidente, passou a Freguesia para a Igreja de Misericordia, que tem desempenhado estas funções: Nestas circunstancias, e supposta a transferiraõ do Hospital da Misericordia, póde a Igreja deste nome ficar servindo, como já está de perpetua Freguesia.».[5] O autor propôs igualmente que o hospital da Misericórdia fosse transferido para o Convento de Nossa Senhora do Carmo, então em processo de encerramento, cuja igreja também poderia ser igualmente passada para a Misericórdia: «Subdevidir o Convento em partes proporcionadas: 1. Para Hospital Regimental ou militar: 2 Para Hospital da Misericordia; e 3. Para huma Casa d'Instruçaõ e Educaçaõ publica. A Igreja das Religiosas póde ficar servindo de Misericordia, em lugar da que fica subsistindo em Freguesia».[5]

A Igreja de Santa Maria foi posteriormente arruinada por um incêndio, tendo sido reedificada nos finais do século XIX.[1] A 12 de outubro de 1897, os reis D. Carlos e D. Amélia visitaram a cidade de Lagos, tendo estado na Igreja de Santa Maria.[6]

Em 1983, foram feitas obras de restauro e conservação, que incluíram várias intervenções no interior.[1] Em 10 de Outubro de 1984, o Diário de Lisboa noticiou que tinha sido assinado um acordo entre o Ministério do Equipamento Social e a Câmara Municipal de Lagos para um extenso programa de reabilitação urbana no centro histórico da cidade, sendo nessa altura a Igreja de Santa Maria um dos principais monumentos a precisar de obras, principalmente no telhado, que tinha abatido parcialmente.[7]

Em 2005, foram feitas sondagens arqueológicas na fachada Sudoeste da Igreja de Santa Maria, na Rua do Castelo dos Governadores.[4] Foram encontradas várias peças antigas, incluindo fragmentos de cerâmica comum dos séculos XV e XVI e vidrada de tradição muçulmana, numismas e outras peças metálicas, uma pequena ferramenta em pedra em pedra, e restos de âncoras.[4]

 
Vista da igreja durante a noite, em 2014.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h i j PAULA, 1992:286-287
  2. a b c d e f COUTINHO et al, 2008:87
  3. CARRUSCA, Sofia (2003). «Antigo edifício da Portagem». Património Cultural. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 19 de Outubro de 2020 
  4. a b c d «Lagos - Rua do Castelo dos Governadores». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 30 de Outubro de 2020 
  5. a b NEGRÃO, Joaquim (7 de Maio de 1938). «Lagos em 1821: Memoria sobre a decadencia, e ruina a que se acha reduzida a Cidade de Lagos, e meio de arremediar» (PDF). Jornal de Lagos. Ano XIII (523). Lagos. p. 2. Consultado em 30 de Outubro de 2020 – via Hemeroteca Digital do Algarve 
  6. ROCHA, 1910:39-40
  7. «Recuperação do centro histórico de Lagos vai custar 200 mil contos». Diário de Lisboa. Ano 64 (21581). Lisboa: Renascença Gráfica. 10 de Outubro de 1984. p. 9. Consultado em 24 de Setembro de 2019 – via Casa Comum / Fundação Mário Soares 
 
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BibliografiaEditar

  • COUTINHO, Valdemar (2008). Lagos e o Mar Através dos Tempos. Lagos: Câmara Municipal de Lagos. 95 páginas 
  • PAULA, Rui Mendes (1992). Lagos: Evolução Urbana e Património. Lagos: Câmara Municipal de Lagos. 392 páginas. ISBN 9789729567629 
  • ROCHA, Manoel João Paulo (1991) [1910]. Monografia de Lagos [Monographia: As Forças Militares de Lagos nas Guerras da Restauração e Peninsular e nas Pugnas pela Liberdade]. Faro: Algarve em Foco Editora (publicado originalmente pela Typographia Universal, no Porto). 488 páginas 

Ligações externasEditar


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