Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil

A Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil (IPCB) é uma denominação presbiteriana reformada, fundada em 1940 pelos membros da Liga Conservadora dissidente da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB), que acusou a denominação de apoiar o Liberalismo teológico e Aniquilacionismo.[3][4] É atualmente a terceira maior denominação reformada no Brasil, logo após a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB)[5] e a IPIB[6], conservando posicionamentos tradicionais do presbiterianismo.

Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil
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Classificação Protestante
Orientação Calvinista
Política Presbiteriana
Área geográfica Brasil Brasil
Origem 11 de fevereiro de 1940 (81 anos)
Separado de Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
Congregações 92 (2018) [1][2]
Membros 4.371 (2018) [1]
Site oficial www.ipcb.org.br/index/

HistóriaEditar

A Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil (IPCB) surgiu em 11 de fevereiro de 1940, quando, depois de dois anos de debates e discussões internas sobre questões doutrinárias, a 2ª Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo desligou-se da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB) para tornar-se Igreja Presbiteriana Conservadora de São Paulo.[3][7]

O conflito teve início quando o Sínodo da IPIB, de 1938, reconheceu a existência de posições diferentes dentro da denominação quanto ao Aniquilacionismo e as penas eternas e nomeou comissão para elaborar nova confissão, que substituiria a Confissão de Fé de Westminster até então adotada pela denominação. A 2ª Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo não aceitou tal modificação e se deligou da denominação.[7]

Manifesto às Igrejas EvangélicasEditar

No "Manifesto às Igrejas Evangélicas", publicado pela igreja em "O Presbiteriano Conservador", logo após a separação, a igreja afirmou:

Criação do 1º PresbitérioEditar

Embora sem o propósito de provocar adesões, conforme o "Manifesto", algumas igrejas que tinham a mesma convicção, juntamente com um pequeno número de pastores, também se desligaram da IPIB e juntos organizaram, em 27 de junho de 1940, o 1° Presbitério da nova federação eclesiástica, chamada de Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil, composto por 11 igrejas e 5 ministros.[3]

EstatísticasEditar

Ano Igrejas e congregações Membros
1940 11 741
2000 44 3.243
2006 52 3.578[3]
2018 92 4.371[1]

Segundo as estatísticas da denominação, tinha 3.578 membros em 2006.[3]. Em 2018, publicou novas estatísticas, que relataram 4.371 membros (3.716 comungantes e 655 não comungantes), com um crescimento de 22,16% entre 2006 e 2018.[1] No mesmo período, a população brasileira cresceu 11,31%.[8]

A IPCB era constituída, em 2018, por 92 frentes de trabalho eclesiástico com status de igreja ou congregação: 56 igrejas locais, 19 congregações locais, 4 congregações presbiteriais, 13 congregações congregações do Departamento Missionário. Além disso, tinha 12 pontos de pregação. A denominação está, assim, presente em 11 estados da federação (CO: GO, MS; N: AC, AM, RO; Ne: AL, BA, PE; Se: MG, SP; S: PR).

Em 19 de julho de 2009, a IPCB organizou sua Assembleia Geral. Devido ao crescimento de igrejas, em 2017, a denominação já eram formada por 8 Presbitérios (Bandeirante, Brasil-Central, Centro-Sul, Guarulhos, Oeste Paulista, Paraná, Paulistano e Piratininga) e dois Sínodos (Sudeste e Centro-Oeste).

 
Municípios do Brasil, com igrejas, congregações e pontos de pregação da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil, por presbitério.

O Presbitério Centro Sul possui igrejas/congregações em: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Prata (Minas Gerais), Uberlândia, Iraí de Minas e Matupá.[9][10]

O Presbitério Brasil Central possui igrejas/congregações em: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Caldas Novas, Trindade (Goiás) e Araçu.[11]

O Presbitério do Paulistano possui igrejas/congregações em: São Paulo, Ferraz de Vasconcelos e Suzano.[12]

O Presbitério de Guarulhos possui igrejas/congregações em: São Paulo e Guarulhos.[13]

O Presbitério de Piratininga possui igrejas/congregações e pontos de pregação em: São Paulo, São Bernardo do Campo, Conceição da Feira, Feira de Santana, Senhor do Bonfim (Bahia), São Gonçalo dos Campos, Baixa Grande, Santa Bárbara (Bahia).[14]

O Presbitério do Oeste Paulista possui igrejas/congregações em: Pedrinhas Paulista, Bauru, Birigui, Palmares Paulista, Santa Fé do Sul, Presidente Prudente.[15]

O Presbitério Bandeirante possui igrejas/congregações em: Muzambinho, Cabo Verde (Minas Gerais), São João da Mata, Itapetininga, Campinas e Limeira.[16]

O Presbitério do Paraná possui igrejas/congregações em: Curitiba, Cambará, Pinhais, São Jorge do Ivaí, Paranaguá, Maringá, Jacarezinho, Ivinhema, Ibaiti e Antonina.[17]

O Departamento Missionário da IPCB possui congregações em: Rio Branco, Cruzeiro do Sul (Acre), Cerejeiras , Ouro Preto do Oeste, Tabatinga (Amazonas), Aquidauana, Guaxupé, Agrestina, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes, Paulista (Pernambuco), Bezerros e Caruaru.[18]

DoutrinaEditar

A IPCB é uma denominação reformada, portanto, crê que a Bíblia é a única regra de fé e prática, fonte de toda doutrina ensinada na igreja. Todavia, a IPCB subscreve os Símbolos de Westminster (Confissão de Fé de Westminster – CFW, Catecismo Maior de Westminster e Breve Catecismo de Westminster), que considera ser exposição fiel das Sagradas Escrituras. Tais confissões são modificáveis, caso a igreja perceba erros em suas declarações e não são vistas como sagradas ou inspiradas por Deus.[19]

Entre as doutrinas expressas na CFW estão as doutrinas da: Trindade; diofisismo; predestinação; graça comum; Divina Providência; Queda e Pecado original; Depravação Total; Vocação eficaz; Expiação eficaz; Eleição Incondicional; Perseverança dos santos; Justificação pela fé; Ordo salutis reformada; Dois sacramentos (Batismo e Eucaristia) e a Guarda do Domingo como "sábado cristão".

Além disso, a CFW expressa uma visão positiva da Lei de Deus, afirmando que, embora não seja possível que os homens a cumpram integralmente, ela é o padrão que revela o caráter de Deus e deve ser observada por todos os cristãos. O Evangelho não anula a Lei. Assim, embora o homem não possa ser salvo por cumprir a Lei, ele deve obedecê-la por ser a revelação da vontade de Deus para os homens.

A CFW também afirma que todo poder é instituído por Deus, e portanto os cristãos devem obedecer aos magistrados. Todavia, não pode o poder político interferir na igreja, seus sacramentos, cultos e ordens.

A Confissão se opõe à bigamia, define casamento como relação apenas possível entre homem e mulher e só admite divórcio em caso de adultério e deserção irremediáveis.

O sistema de governo presbiteriano é também definido na Confissão, regulando-se por sínodos e concílios.[20]

A IPCB não admite a ordenação feminina e, portanto, somente homens podem ser pastores, presbíteros e diáconos. Desde sua fundação é uma igreja antimaçônica, cessacionista, rege o culto pelo princípio regulador do culto e não pratica a salmodia exclusiva. A denominação também se opõe à prática de bater palmas durante a liturgia.[21][3]

PosicionamentosEditar

Em 2017, a denominação se posicionou declarando que a filiação e apoio dos membros a qualquer partido político que defenda o Socialismo é incompatível com a fé cristã.[22]

Na mesma ocasião, a denominação disse que é incompatível com a fé cristã a defesa da descriminação do aborto, ideologia de gênero, feminismo, descriminalização do uso e comércio de entorpecentes.[22]

Jornal, Seminário e Departamento MissionárioEditar

A igreja publica seu jornal "O Presbiteriano Conservador" desde a sua fundação, em 1940, e tem seu Seminário, desde 1953, em São Bernardo do Campo.

Em 1983, fundou seu Departamento Missionário, através do qual tem podido expandir seu ministério de pregação e implantação de igrejas em vários pontos pioneiros, como nos estados de Rondônia, Acre, Amazonas Bahia, Alagoas, Pernambuco, Minas Gerais e entre os índios terenos, no Mato Grosso do Sul.

Relações Inter eclesiásticasEditar

A Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil não participa de nenhuma organização ecumênica a nível nacional ou internacional além de organizações estritamente fundamentalistas. Foi uma das igrejas fundadoras do Concílio Internacional de Igrejas Cristãs, da Aliança Latino-Americana de Igrejas Cristãs e da Confederação de Igrejas Evangélicas Fundamentalistas do Brasil.[3]

Igreja Presbiteriana do BrasilEditar

Logo após sua organização, a IPCB contatou a IPB para informar sobre sua fundação.[3]

Em 1946, foi elaborado um plano de unificação com a IPB, todavia o plano não se concretizou.[23]

No Século XXI, não existe comunhão oficial entre a IPB e a IPCB. Entretanto, em 2010, a última foi formalmente convidada a enviar delegados para a reunião do Supremo Concílio da primeira.[24]

O que historicamente separava as duas denominações era a visão contrária à maçonaria pelos membros da IPCB, que, a partir de 2006, foi também oficializada pela IPB. A partir de então, a IPB reconheceu a incompatibilidade entre a maçonaria e a fé cristã.[25]

A nível local, já existe integração e cooperação entre as igrejas federadas às duas denominações, sendo comum a recepção de membros entre as duas igrejas, bem como de pastores e pregadores de uma e outra denominação.[26][27][28]

Existem também ações de cooperação missionária conjunta entre membros das duas igrejas. A Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT) da IPB assumiu, em 2010, uma congregação no Japão, formada por imigrantes brasileiros oriundos da IPCB, após o Departamento Missionário desta última não ter mais podido atender aos seus membros naquele país.[29]

Referências

  1. a b c d «Estatísticas da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil em 2018». Consultado em 12 de outubro de 2020 
  2. «Estatísticas da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil em 2018». Consultado em 18 de abril de 2018. Cópia arquivada em 18 de abril de 2018 
  3. a b c d e f g h «Igreja Presbiteriana Conservadora, estatísticas» (PDF). Consultado em 7 de Agosto de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 16 de agosto de 2016 
  4. «Igreja Presbiteriana Conservadora». JCNET. Consultado em 18 de abril de 2018. Cópia arquivada em 18 de abril de 2018 
  5. «Estatísticas da Igreja Presbiteriana do Brasil em 2016». Consultado em 18 de abril de 2018. Cópia arquivada em 19 de abril de 2018 
  6. «Estatísticas da Igreja Presbiteriana Independente». Consultado em 18 de abril de 2018. Arquivado do original em 1 de outubro de 2016 
  7. a b LACERDA, Gerson Correia de (2002). «1º Caderno do Centenário da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil». O Estandarte. p. 9-20. Consultado em 22 de maio de 2021 
  8. «Projeção da população do Brasil entre 2000 e 2020». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 22 de outubro de 2020 
  9. «Igrejas do Presbitério Centro Sul da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil». Consultado em 9 de junho de 2021 
  10. «Igreja Presbiteriana Conservadora de Matupá». Consultado em 27 de julho de 2021 
  11. «Igrejas do Presbitério Brasil Central da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil». Consultado em 9 de junho de 2021 
  12. «Igrejas do Presbitério do Paulistano da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil». Consultado em 9 de junho de 2021 
  13. «Igrejas do Presbitério de Guarulhos da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil». Consultado em 9 de junho de 2021 
  14. «Igrejas do Presbitério de Piratininga da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil». Consultado em 9 de junho de 2021 
  15. «Igrejas do Presbitério do Oeste Paulista da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil». Consultado em 9 de junho de 2021 
  16. «Igrejas do Presbitério Bandeirante Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil». Consultado em 9 de junho de 2021 
  17. «Igrejas do Presbitério do Paraná da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil». Consultado em 9 de junho de 2021 
  18. «Missionários da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil». Consultado em 9 de junho de 2021 
  19. «Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil». Reformiert Online. Consultado em 7 de agosto de 2017. Cópia arquivada em 19 de julho de 2018 
  20. «Confissão de Fé de Westminster». Monergismo. Consultado em 3 de agosto de 2017. Cópia arquivada em 3 de agosto de 2017 
  21. «As influências do Culto do Antigo Testamento na Liturgia». Consultado em 7 de agosto de 2017. Arquivado do original em 3 de julho de 2015 
  22. a b «Posicionamento da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil»  Texto "https://www.ipcb.org.br/index/posicionamento-da-igreja-presbiteriana-conservadora-do-brasil-em-relacao-a-esquerda/" ignorado (ajuda);
  23. «Brasil Presbiteriano: Edição, Ano 51, Número 665, Página 5» (PDF). Consultado em 3 de Agosto de 2017. Arquivado do original (PDF) em 8 de agosto de 2017 
  24. «Relações Inter eclesiásticas da Igreja Presbiteriana do Brasil» (PDF). Consultado em 3 de Agosto de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 8 de agosto de 2017 
  25. «Igreja Presbiteriana do Brasil e a Maçonaria». Consultado em 8 de Agosto de 2017. Cópia arquivada em 28 de maio de 2014 
  26. «Igreja Presbiteriana do Brasil em Rio Preto recebe membros vindos da Igreja Presbiteriana Conservadora». Consultado em 8 de Agosto de 2017. Cópia arquivada em 21 de agosto de 2017 
  27. «Reverendo Moysés Moreira Lopes, pastor da Igreja Presbiteriana Conservadora, recebido como pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil». Consultado em 8 de Agosto de 2017. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2017 
  28. «Relatório da Secretaria Executiva da Igreja Presbiteriana do Brasil sobre jubilação do Reverendo Moysés Moreira Lopes, pastor vindo da Igreja Presbiteriana Conservadora». Consultado em 8 de Agosto de 2017. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2017 
  29. «Agência Presbiteriana de Missões Transculturais da Igreja Presbiteriana do Brasil assume congregação missionária formada por memb ros da Igreja Presbiteriana Conservadora» (PDF). Consultado em 8 de Agosto de 2017. Arquivado do original (PDF) em 8 de agosto de 2017 

Ligações externasEditar