Igreja de Nossa Senhora da Estrela (Ribeira Grande)

igreja em Ribeira Grande, Portugal

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela localiza-se no largo Gaspar Frutuoso, na freguesia da Matriz, concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, nos Açores.

Igreja de Nossa Senhora da Estrela, Ribeira Grande, ilha de S. Miguel.

HistóriaEditar

Remonta a uma ermida sob a invocação de Nossa Senhora da Purificação, que existiu no local em fins do século XV. Em 4 de junho de 1507, dois meses antes da elevação da povoação a vila, deu-se início à construção de uma igreja matriz. Tendo como modelo a Igreja de São Miguel Arcanjo, em Vila Franca do Campo, a obra foi confiada ao mestre de obras biscaínho Juan de la Peña por 140 mil réis.[1]

As obras foram concluídas em 1517, sob a invocação de Nossa Senhora da Estrela. Foi sagrada pelo bispo de Tânger, D. Duarte, que à época viera a São Miguel em delegação do bispo do Funchal. Na ocasião, foi depositada no altar-mor uma caixa com relíquias sagradas.[2]

Os trabalhos de decoração prosseguiram pelo século XVI, sendo adquiridos paineis, retábulos e paramentos de grande valor artístico. O padre António Cordeiro refere-se a um altar aqui instituído por D. Mécia Pereira e seu marido, D. Gomes de Melo, que continha um painel dos Reis Magos, ainda hoje existente, e que deve datar de 1582, ignorando-se se terá sido executado na ilha ou trazido de fora.[3]

Em 1581, quando foi sagrado o novo retábulo pelo bispo de Angra, D. Pedro de Castilho, foram juntas novas relíquias às já existentes, descritas em um pergaminho que ficou guardado na antiga caixa:

"Aos nove de abril eu, D. Pedro Castilho, Bispo de Angra, consagrei este altar à honra da virgem, Nossa Senhora do Loreto, e nele meti as suas relíquias; a saber: Uma pequena partícula de pau e uma pouca terra de sua casa do Loreto e um osso das onze mil virgens e um osso pequeno de S. Sebastião. (...)"[4]

O templo foi abalado pelos terramotos de 1563, 1564, 1571, 1588 e 1591. Por volta de 1680 a derrocada da torre sineira destruiu uma das naves e arruinou as demais. O então vigário Hierónimo tavares chegou mesmo a cogitar a reedificação total, mas diante da dificuldade de recursos a mesma foi sendo adiada.[5]

A 3 de maio de 1728 foram depositados na Igreja da Misericórdia, onde permaneceriam durante um período de oito anos em que durariam as obras, o Santíssimo Sacramento, imagens e objetos da Matriz. Após a demolição do antigo templo, inciou-se a construção do atual, com projeto de Sousa Freire, então vigário da Ribeira Seca. Após o falecimento deste, as obras passaram a ser orientadas por Manuel de Vascocelos. Os trabalhos prolongaram-se até 1736, com o contributo das esmolas da população.[6]

Em 5 de setembro de 1834, o teto do templo desabou, tendo sido reconstruído a expensas da Junta da paróquia.[7]

Em 1862, o prior Jacinto do Amaral mandou restaurar as talhas de toda a igreja, tendo encomendado paramentos, imagens e pratas artísticas.[8]

Aqui assistiu como vigário, de 15 de agosto de 1565, data da sua posse, até 1591, ano do seu falecimento, o padre Dr. Gaspar Frutuoso, que chegou transferido da Igreja Matriz de Santa Cruz da Vila da Lagoa. Aqui, nos últimos anos de sua vida, redigiu a crónica que o imortalizou, as "Saudades da Terra". Os seus restos mortais aqui estiveram depositados por séculos até serem transferidos para o cemitério da vila.

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público.

CaracterísticasEditar

A igreja apresenta um largo frontespício, rasgado por três portadas, encimadas por três janelas sobre as quais, no frontão, existem outras duas, emolduradas por pedra de lavoura. Sob a silharia, o corpo central é revestido de azulejos. A torre sineira ergue-se à direita e possui duas fiadas de sinos.

Na sacristia deste templo encontra-se um museu de Arte Sacra, onde se encontram alfaias em prata e um tríptico flamengo que pertence à Ermida de Santo André e que data do século XVI.

Neste templo destaca-se ainda o altar dos Reis Magos, a talha dourada da Capela do Santíssimo, o cadeiral do coro da capela-mor (com risco de Sousa Freire), os frescos do teto dedicados à Virgem e a porta em ferro forjado que encerra o Baptistério. Com relação aos trabalhos de talha deste templo, destaca-se o nome de Pedro de Araújo de Lima, entalhador da Ribeira Grande, que aqui trabalhou de 1862 a 1865.

No coro alto deste templo encontra-se uma obra de arte de grande valor artístico: o "Arcano", um conjunto de centenas de pequenas figuras moldadas em farinhas de arroz, goma-arábica e alúmen, dispostas em diferentes planos, representando cenas do Antigo Testamento e do Novo Testamento. Este trabalho é da autoria da freira da Ordem das Clarissas, Margarida do Apocalipse que a realizou no século XIX.

Referências

  1. PONTE, 1992:30.
  2. Op. cit., p. 30.
  3. Op. cit., p. 30.
  4. Op. cit., p. 31.
  5. Op. cit., p. 31.
  6. Op. cit., p. 31.
  7. Op. cit., p. 31.
  8. Op. cit., p. 31.

BibliografiaEditar

  • PONTE, António Crispim A. Borges. Monografia Histórico-Geográfica do Concelho da Ribeira Grande (2ª ed.). Ribeira Grande (Açores): Câmara Municipal da Ribeira Grande, 1992. 40p. il.
  • COSTA, Francisco Carreiro da. "História das Igrejas e Ermidas dos Açores". Ponta Delgada (Açores): jornal "Açores", 17 abr 1955 - 17 out 1956.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar