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OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal

OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, S.A.
Slogan Together We Fly Higher
Atividade Aeronáutica
Fundação 29 de junho de 1918
Sede Alverca, Portugal
Presidente Marco Tulio Pellegrini
Produtos Serviços MRO e Fabricação de Aeroestruturas
Certificação Principais Certificações:

PMAR-145, EASA PART 145, FAA PART 145, EASA PART M: CAMO, EASA PART 147: EMBRAER EXTENSION, EASA PART 21J DOA, EASA PART 21G POA, QUALITY MANAGEMENT SYSTEM ISO 9001 e AQAP 2110, Lockheed Martin Hercules Service Center, Embraer Owned Service Center (EOSC), Rolls-Royce Authorized Maintenance Center (AMC).

Acionistas Embraer (65%)

Governo português (Empordef) (35%)

Website oficial http://www.ogma.pt/

A OGMAIndústria Aeronáutica de Portugal, S.A. é uma empresa portuguesa dedicada ao fornecimento de serviços de manutenção e fabricação de aeroestruturas. O seu capital é detido em 65% pelo consórcio Airholding SGPS, composto pela Embraer, sendo os restantes 35% detidos pelo Empordef (Empresa Portuguesa de Defesa SGPS, SA, composta pelo Governo português)[1].

Índice

HistóriaEditar

A história da OGMA remonta à criação do Parque de Material Aeronáutico a 29 de junho de 1918. Dez anos depois, passou a designar-se por Oficinas Gerais de Material Aeronáutico.[2] Em 1994, a empresa adquiriu a designação de OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal S.A., que mantém até hoje.[3]

Com um percurso de 100 anos de experiência, a OGMA conta com vários marcos históricos, como o início da construção sob Licença da Aeronave Caudron G-3, em 1922; a construção, sob licença inglesa, dos aviões Vickers Valparaíso em 1933;[4] a fabricação da aeronave Avro 626 DHC-82 “Tiger Moth”[5] em 1938 e a construção de 66 unidades Air Force Depot DHC-1 “Chipmunk” em 1952.[6]

Três anos depois, a OGMA assina o primeiro contrato com a Marinha dos EUA. Em 1959, é assinado um outro contrato com a Força Aérea dos EUA. Nos anos 70, a empresa recebe a manutenção dos C-130 Hercules, P-3 Orion e Pumas[7]. Em 1972, dá início ao contrato de fabricação com a Eurocopter.

No ano de 1993, a OGMA torna-se um Centro de Manutenção Autorizado (AMC) Rolls-Royce para os motores T-56, AE 2100 e AE 3007A e, cinco anos mais tarde, adquire a certificação de Centro de Manutenção autorizado (ASC) para as Aeronaves Embraer ERJ 145.[8]

Em 2001, através dos Programas “Mid Life Update” – MLU; “Falcon Up” e “Falcon Star”, a empresa dá início ao Programa de Reparação e de Modificação das 40 Aeronaves F-16 da Força Aérea Portuguesa.[9]

No ano de 2004, é aprovada a privatização da OGMA, entre 35% do capital da organização detido  pelo Governo e 65% pela Airholding (Embraer e EADS)[10][11].

Desde 2013 que a OGMA está ligada ao Programa de Desenvolvimento do KC-390[12], com a fabricação da fuselagem central, a carenagem para os trens de aterragem em ligas metálicas, materiais compósitos e os lemes de profundidade.

O envolvimento da OGMA neste programa iniciou-se durante o planeamento e projeto da aeronave, numa parceria direta com a Embraer.

A OGMA participou na fase inicial do produto (fase de definição conjunta) e foi responsável pelo desenvolvimento e gestão de uma cadeia de fornecimento competitiva e flexível, tendo como base principal empresas portuguesas. O KC-390 foi desenvolvido para uma grande variedade de missões: transporte de pessoal, lançamentos aéreos de carga e tropas, reabastecimento em voo, evacuações médicas e combate a incêndios. É a aeronave mais versátil na sua categoria associada ao ciclo de vida total mais baixo do mercado.[13].

Em 2016 a OGMA atingiu um volume de vendas de 195,4 milhões de euros, e um lucro de 10,1 milhões de euros.

A 10 de abril de 2017, Marco Tulio Pellegrini, anterior Vice-Presidente da Aviação Executiva do acionista Embraer, é nomeado o novo Presidente & CEO da OGMA.

Atualmente, a OGMA é uma das principais referências em Manutenção de Aeronaves, fabricação de Aeroestruturas e Engenharia Aeronáutica, tendo desempenhado um papel fulcral na fundação da indústria aeronáutica em Portugal[14].

A OGMA celebrou 100 anos a 29 de junho de 2018.[15] Trata-se de uma das empresas de aeronáutica mais antigas do mundo, com uma longa e conceituada tradição, tendo vários governos, forças aéreas e companhias de aviação como clientes.[16] A cerimónia comemorativa do centenário foi presidida pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, que distinguiu com a Medalha da Ordem de Mérito, e pela primeira vez na história, um trabalhador fabril, num gesto de homenagem a todos os atuais e antigos colaboradores da empresa.[17] No mesmo dia, foi inaugurado o Centro Histórico da OGMA, um projeto de revitalização do hangar edificado em 1925[18].

LocalizaçãoEditar

 
Vista aérea das instalações da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, S.A.

A OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, S.A. está sediada em Alverca, no Parque Aeronáutico de Alverca, a aproximadamente 15 km a Norte do Aeroporto Internacional de Lisboa, e próxima das autoestradas A1 e A9 e da estação de comboios de Alverca[19]. Os acessos podem ainda ser feitos via autoestrada, caminho-de-ferro, cais fluvial[20] e via aérea ICAO Runway Code – LPAR N 38º 52’ 59.80’’ W 009º 01’ 48.35’’; N 38º 53’ 22.20’’ W 009º 01’ 54.80’’.

InstalaçõesEditar

Com uma área total de 440.000 metros quadrados, dos quais 150.000 correspondem a área coberta, a OGMA é servida por uma pista de 3.000 metros, equipada com torre de controlo de tráfego aéreo disponível 24 horas por dia. Dispõe de 11 hangares para manutenção de aeronaves civis e militares, de uma oficina dedicada à reparação e ensaio de motores, uma oficina de componentes, duas grandes áreas de fabricação e múltiplas oficinas de apoio[21].

Em 2017 foi construído um hangar dedicado a pintura de aeronaves, com duas cabines equipadas com tecnologia de ponta, preparadas para pintura personalizada, decapagem química e mecânica e tratamentos de superfície para aeronaves militares, comerciais e executivas[22].

Serviços MROEditar

Os serviços de MRO (Maintenance, Repair and Overhaul – Manutenção, Reparação e Revisão Geral) em Aviação Militar, Aviação Civil, Motores e Componentes representaram, em 2017, cerca de 70% do total de negócios da OGMA.

Na aviação militar destaca-se a manutenção das aeronaves Lockheed Martin C-130H P-3 e F-16, nos Embraer 145 AEW&C e 314 Super Tucano, ao Airbus C295 e ao Leonardo AW 101.

Na aviação civil, os serviços de manutenção aplicam-se exclusivamente a aeronaves do fabricante Embraer: aeronaves comerciais ERJ Family, E-Jets E1 / E2 Family, e aeronaves executivas Legacy 600 / 650 e Lineage 1000.

Os Motores alvo de manutenção na OGMA são fabricados pela Rolls-Royce: AE 2100, AE 3007A, T-56 e recentemente o modelo AE 1107C que equipa as aeronaves Bell-Boeing V-22 Osprey.

Na oficina de Componentes são reparados trens de aterragem, travões, hélices, válvulas, atuadores, componentes elétricos e aviónicos, entre outros.

O “OGMA Executive Jets Center” é um hangar totalmente equipado, com modernas oficinas de apoio a diferentes aeronaves.[23]

AeroestruturasEditar

Como prestador de serviços integrados para OEMs (Fabricantes Originais do Equipamento), a OGMA fabrica conjuntos e subconjuntos de estruturas aeronáuticas, abrangendo um largo espetro de produtos, como estruturas em material metálico, peças em compósito, estruturas de aviónicos com integração de cablagens e peças maquinadas e em chapa[24].

A OGMA é simultaneamente um importante fornecedor de soluções integradas para fornecedores de primeira linha, como a Embraer, Dassault, Airbus Defence & Space, Lockheed Martin, Pilatus Aircraft, Leonardo e Airbus Helicopters[25].

Os programas atuais abrangem as aeronaves Pilatus PC-12, Dassault Falcon 7/8X e 2000, Lockheed Martin C-130J, Embraer KC-390, E-Jets E1/ E2 Family, Legacy e Phenom, Airbus C295, Airbus Helicopters AS365, Leonardo Helicopters AW101 e NH Industries NH-90.

Destaca-se o projeto KC-390. Numa parceria com a Embraer, a OGMA investiu cerca de 35 milhões de euros e criou mais 180 postos de trabalho para o desenvolvimento e fabrico da fuselagem central desta aeronave e dos sponsons direito e esquerdo, bem como os lemes de profundidade[26].

CertificaçõesEditar

A OGMA é um Centro Autorizado de Manutenção de 3 fabricantes: Lockheed Martin Hercules Service Center, Embraer Owned Service Center (EOSC) e Rolls-Royce Authorized Maintenance Center (AMC).

Possui ainda certificações ao nível Militar (PMAR-145, RML V-6A (SWEDEN) / FRA 145 (FRANCE) / OMAD (ARGENTINA), Civil (EASA PART 145, FAA PART 145, EASA PART M: CAMO, CAAR-145 (CHINA), EASA PART 147: EMBRAER EXTENSION), Design (EASA PART 21J DOA), Produção (EASA PART 21G POA), Quality Management System (ISO 9001, EM / AS 9100, EM / AS 9110, AQAP 2110), Environment Management System (ISO 14001) e Occupational Health & Safety Management System (IOHSAS 18001)[27].

InternacionalizaçãoEditar

A OGMA é uma das mais relevantes empresas portuguesas no setor aeronáutico, devido à sua atuação num número crescente de mercados internacionais, com cerca de 70 clientes de 40 países, oriundos de todos os continentes[28].

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

Referências

  1. «OGMA». www.ogma.pt. Consultado em 21 de abril de 2016 
  2. «Restos de Colecção: Parque Aeronáutico de Alverca». restosdecoleccao.blogspot.pt. Consultado em 20 de abril de 2016 
  3. Figueiredo, Mário. «As Alianças Estratégicas e a sua Influência na Renovação das Competências Nucleares das Empresas» (PDF). Consultado em 20 de abril de 2016 
  4. «Dez décadas de força aérea - INCM». www.incm.pt. Consultado em 20 de abril de 2016 
  5. «ex-OGMA: As OGMA no final de 1940». ex-ogma.blogspot.pt. Consultado em 20 de abril de 2016 
  6. «ProjectoChipmunk: História». projectochipmunk.blogspot.pt. Consultado em 20 de abril de 2016 
  7. «Na aeronáutica aprende-se com a história e a OGMA já sabe muito...» (PDF). Jornal de Negócios. Consultado em 20 de abril de 2016 
  8. «OGMA. Apresentação corporativa» (PDF). Consultado em 20 de abril de 2016 
  9. «RELATÓRIO N.º 33/09-2.ª S PROC. Nº 21/09 – AUDIT» (PDF). Consultado em 20 de abril de 2016 
  10. Figueiredo, Mário. «As Alianças Estratégicas e a sua Influência na Renovação das Competências Nucleares das Empresas» (PDF). Consultado em 20 de abril de 2016 
  11. «Aprovada privatização da OGMA (actual.)». TSF Rádio Notícias. Consultado em 20 de abril de 2016 
  12. «OGMA entrega à Embraer fuselagens centrais do avião KC390». Económico. Consultado em 22 de junho de 2016 
  13. «• OGMA – ao serviço da indústria aeronáutica e da inovação desde 1918». cip.org.pt. Consultado em 22 de junho de 2016 
  14. «• OGMA – ao serviço da indústria aeronáutica e da inovação desde 1918». cip.org.pt. Consultado em 20 de abril de 2016 
  15. «Fotogaleria: Momentos que marcaram os 100 anos da OGMA» 
  16. Group, Global Media (1 de julho de 2018). «OGMA, a empresa portuguesa que voa há 100 anos». DN 
  17. «OGMA reúne colaboradores no seu 100.º aniversário | RHonline». www.rhonline.pt. Consultado em 9 de outubro de 2018 
  18. «Centro Histórico OGMA criado pela White Way - Meios & Publicidade - Meios & Publicidade». www.meiosepublicidade.pt. Consultado em 21 de dezembro de 2018 
  19. «OGMA». www.ogma.pt. Consultado em 21 de abril de 2016 
  20. «OGMA». www.ogma.pt. Consultado em 21 de abril de 2016 
  21. «OGMA». www.ogma.pt. Consultado em 21 de abril de 2016 
  22. «OGMA com novo hangar de pintura amigo do ambiente». The best project ever. Consultado em 20 de dezembro de 2018 
  23. «OGMA». www.ogma.pt. Consultado em 22 de abril de 2016 
  24. «OGMA». www.ogma.pt. Consultado em 5 de maio de 2016 
  25. «• OGMA – ao serviço da indústria aeronáutica e da inovação desde 1918». cip.org.pt. Consultado em 5 de maio de 2016 
  26. «Ogma aposta 35 milhões e 180 postos de trabalho no KC-390». PÚBLICO. Consultado em 5 de maio de 2016 
  27. «OGMA». www.ogma.pt. Consultado em 27 de dezembro de 2018 
  28. «As 100 líderes na exportação» (PDF). Diário Económico. 18 de dezembro de 2013