Inferno Joseon

Inferno Joseon, Inferno Chosun ou Coreia infernal (em coreano: 헬조선; em inglês: Hell Joseon, Hell Chosun ou Hell Korea) é um termo satírico sul-coreano que se tornou popular por volta de 2015. O termo é usado para criticar a situação socioeconômica da Coreia do Sul.[1] O termo ganhou popularidade pela primeira vez entre os jovens coreanos, devido aos seus sentimentos sobre o desemprego e as condições de trabalho na sociedade sul-coreana moderna.[2][3]

Uma representação da península coreana como o inferno. A atual geração de jovens da Coreia do Sul a chama de "Inferno Joseon" no sentido de autocrítica sobre a República da Coreia

EtimologiaEditar

A frase é uma mistura das palavras "inferno" e "Joseon", significando que "A Coreia (do Sul) é uma sociedade infernal e sem esperança". Embora o termo tenha começado com indivíduos particulares na Internet, foi adotado mais tarde pela mídia geral.[4]

ConceitoEditar

A frase tem sido usada em reclamações sobre políticas governamentais que são vistas como contribuindo para o desemprego dos jovens, desigualdade econômica, tempo de trabalho excessivo, incapacidade de sair da pobreza mesmo trabalhando duro, uma sociedade que favorece interesses particulares e irracionalidade na vida diária.[5] O uso deste termo aumentou através de sites de redes sociais como Twitter e Facebook, espalhando-se particularmente entre os indivíduos mais jovens em setembro de 2015.[6]

Em 2019, a frase foi substituída por um novo termo, "Tal-Jo", aglutinação composta por "sair" e "Joseon", que pode ser melhor traduzida como "escapar do infenro".[7]

HistóriaEditar

Uma razão amplamente aceita para a rápida disseminação da frase "Inferno Joseon" é o crescente discurso social e a consciência da desigualdade social na Coreia do Sul.[8]

ExércitoEditar

A Coreia do Sul opera um sistema de recrutamento militar obrigatório. O período de serviço militar atual é de 18 meses para o Exército e Fuzileiros Navais, 20 meses para a Marinha e 21 meses para a Força Aérea.[9] Os coreanos convocados passam grande parte do tempo nas forças armadas, desconectados da sociedade. Mesmo durante o serviço militar obrigatório, há desigualdade devido à classe social e os recrutas correm o risco de trote e outros abusos, apesar de ter sido oficialmente banido. Estas são algumas das razões pelas quais os coreanos tentam evitar o serviço militar obrigatório, o que, por sua vez, criou um problema com que fez as pessoas começarem a evitar o alistamento militar.[10] As pessoas começaram a usar seu poder pessoal, como riquezas ou conexões, para serem dispensados ou para "fugir" para um lugar confortável para ter uma vida confortável.[10] Coreanos com domínio da língua inglesa se candidatam a vagas competitivas para servir com soldados dos Estados Unidos no KATUSA. Artistas se candidatam ao exército como 'artistas amigáveis à vida', e homens ricos manipulam documentos para serem dispensados usando seu dinheiro.[11]

Exigências acadêmicasEditar

Na Coreia do Sul, a maioria dos jovens frequenta a faculdade, ciente da regra implícita de que faz faculdade não tem dificuldade em encontrar emprego.[12] As razões para isso incluem uma forte cultura organizacional relacionada a universidades e instituições acadêmicas ou cidades natais. Esta cultura organizacional pode ser observada ao entrevistar para entrar no local de trabalho. Se pessoas com as mesmas condições forem entrevistadas, elas serão acompanhadas por alguém da mesma escola e cidade natal que o entrevistado. Esta cultura também existe dentro das empresas. As pessoas que não são de escolas especiais são discriminadas e eliminadas do processo de contratação.[13] Isso causa desigualdade e insatisfação entre as pessoas. Dentro da empresa, pessoas da mesma escola ou da mesma região se reúnem para formar uma facção.[14] Como há uma competição feroz por empregos desejáveis, a pressão para ter sucesso e aprender na academia é imensa. Muitos alunos coreanos frequentam algum tipo de educação extracurricular, como cursinhos de inglês.

Alta densidade populacionalEditar

A densidade populacional da Coreia é de 519 pessoas/km². Seul é muito densa, com cerca de 16 593 pessoas/km².[15] Esse nível de população também causa pobreza para muitos e contribui para a competição por empregos desejáveis (como aqueles com maior estabilidade ou percepção social) e espaços de moradia. Alguns perderam suas esperanças de se casarem e terem filhos (conhecida como geração Sampo), pois não podem sustentar uma família ou desejam se concentrar em suas vidas profissionais.[16]

Influência culturalEditar

Em 2015, um filme sul-coreano chamado Hell Joseon lotou os cinemas.[17] Em 3 de setembro de 2015, DC Inside abriu a Galeria Hell Joseon.[18] Desde setembro de 2015, a exposição da frase aumentou consideravelmente online.[19] Além disso, o DC Inside podem ser usado pelos jovens para expressar suas oprimidas opiniões e reclamações.[20] Vários outros documentários e filmes, como o talvez mais proeminente, Parasita (2019), relataram semelhantemente a desigualdade social na Coreia do Sul.

CríticaEditar

Críticos do termo dizem que "o homem excedente que não faz nada conta a história do Inferno Joseon".[necessário esclarecer][21] Também é apontado que a frase em si é causada pela insatisfação com a desigualdade ou o absurdo da sociedade, mas também é problemática por não causar de fato nenhuma ação política.[22] O intelectual coreano Lee Er Young disse: "Os países que [as pessoas insatisfeitas] querem [ir depois que deixam o inferno Joseon não são o 'paraíso'" e que "as atuais situações de emprego e desigualdade são um fenômeno global, que é o resultado do desenvolvimento da tecnologia da informação".[23]

Park Geun-hye, ex-presidente da Coreia do Sul que agora cumpre uma pena de 24 anos de prisão, disse: "Há um número crescente de novas palavras que negam nossa grande história moderna e depreciam nosso mundo que é invejado como um lugar para se viver", como uma forma de criticar a tendência da frase "Inferno Joseon". Ela acrescentou, "Autodepreciação, pessimismo, desconfiança e ódio nunca podem ser a força motriz da mudança e do desenvolvimento".[24] No entanto, alguns argumentaram que o governo de Park deveria pensar no porquê da frase "Inferno Joseon" ter surgido, porque o termo foi cunhado durante sua presidência.[25]

Em janeiro de 2019, o conselheiro econômico do presidente Moon Jae-in, Kim Hyun-chul, renunciou após atrair a ira do público por dizer que os jovens coreanos recém-formados desempregados que não conseguem encontrar um emprego na Coreia deveriam parar de culpar o "Inferno Joseon" e se mudar para o Sudeste Asiático para se tornarem professores de língua coreana.[26]

NotasEditar

  • Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Hell Joseon», especificamente desta versão.

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Lashing out at "Hell Joseon", young'uns drive ruling party's election beatdown». english.hani.co.kr. Consultado em 18 de abril de 2016 
  2. Fifield, Anna (30 de janeiro de 2016). «Young South Koreans call their country 'hell' and look for ways out». The Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286. Consultado em 18 de abril de 2016 
  3. hermes (7 de janeiro de 2018). «South Korea's young lament inequality in their society». The Straits Times (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2019 
  4. «나라 탓하는 '헬조선'…부모 탓하는 '흙수저'». hankyung.com (em coreano). 4 de outubro de 2015. Consultado em 6 de novembro de 2017 
  5. «최신 영상 | 연합뉴스». 연합뉴스 (em coreano). Consultado em 6 de novembro de 2017 
  6. «청년의 상실감이 만들어낸 온라인 유행어 '헬조선'». KBS 뉴스 (em coreano). Consultado em 6 de novembro de 2017 
  7. Andrew Salmon (31 de dezembro de 2019). «75% of young want to escape South». Asia Times. Consultado em 20 de setembro de 2020 
  8. «[전성원의 사람냄새] 헬조선을 만든 사람들». 인천일보 (em coreano). 23 de outubro de 2017. Consultado em 6 de novembro de 2017 
  9. «군 복무기간 21개월로 '동결'» (em coreano). 2 de junho de 2020. Consultado em 2 de junho de 2020 
  10. a b «"고위층·고소득자 병역기피 특별관리"». KBS 뉴스 (em coreano). Consultado em 6 de novembro de 2017 
  11. 실형, 병역기피위해 가짜진단서 만든 의사 (13 de setembro de 2017). «병역기피위해 가짜진단서 만든 의사 '실형'». 서울경제 (em coreano). Consultado em 6 de novembro de 2017 
  12. «[청년 리포트] ⑦ 대학 대신 내 길 갔지만…"고졸로 살기 쉽지 않아요"». KBS 뉴스 (em coreano). Consultado em 27 de novembro de 2017 
  13. «학연, 지연, 인맥이라는 그들만의 리그 - ㅍㅍㅅㅅ». ppss.kr (em coreano). 4 de fevereiro de 2017. Consultado em 17 de dezembro de 2017 
  14. «기업 10곳 중 7곳, 학연 지연에 따른 라인(파벌) 존재해». 벤처스퀘어 (em coreano). 31 de agosto de 2011. Consultado em 27 de novembro de 2017 
  15. «국가지표체계». www.index.go.kr (em coreano). Consultado em 26 de novembro de 2017 
  16. «[표지이야기]연애도 결혼도 출산도 포기한 '삼포세대'» (em coreano). 31 de maio de 2011. Consultado em 26 de novembro de 2017 
  17. «영화가 본 2015 대한민국은 '헬조선'». 한국일보 (em coreano). Consultado em 20 de novembro de 2017 
  18. «자국비하 게시판 왜 만들지…헬조선갤 개설 어리둥절». news.kmib.co.kr. 4 de setembro de 2015. Consultado em 20 de novembro de 2017 
  19. 현혜란 (18 de setembro de 2015). «<빅데이터 돋보기> 청년의 상실감이 만들어낸 유행어 '헬조선'». 연합뉴스 (em coreano). Consultado em 20 de novembro de 2017 
  20. «"현실반영 어마무시" Korea 부루마블 '씁쓸' [20대뉴스]». news.kmib.co.kr. 12 de novembro de 2015. Consultado em 20 de novembro de 2017 
  21. «아무일도 안 하며 '헬조선' 불만 댓글…'잉여'인간 160만명으로 급증» (em coreano). Consultado em 26 de novembro de 2017 
  22. «[이택광의 왜?]망한민국» (em coreano). Consultado em 26 de novembro de 2017 
  23. «대한민국이 '헬조선?' 그럼 어느나라가 천국? - 경북도민일보». www.hidomin.com (em coreano). 4 de novembro de 2015. Consultado em 26 de novembro de 2017 
  24. 강건택 (15 de agosto de 2016). «'헬조선' 정면비판한 朴대통령, 신산업창출·노동개혁에 강조점». 연합뉴스 (em coreano). Consultado em 31 de março de 2019 
  25. «[비하인드 뉴스] '헬조선' 신조어 대신 '노오력'을?». news.jtbc.joins.com (em coreano). 15 de agosto de 2016. Consultado em 31 de março de 2019 
  26. «Moon's economic adviser resigns over 'Hell Joseon' jab». Korea JoongAng Daily. 29 de janeiro de 2019. Consultado em 11 de setembro de 2020 

Ligações externasEditar