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Inocêncio Cybo
Cardeal da Igreja Católica
Inocêncio Cybo (direita), juntamente com o Papa Clemente VII (esquerda) e com o Papa Leão X (centro), por Raffaello.

Título

Cardeal-diácono
Ordenação e nomeação
Cardinalato
Criação 23 de setembro de 1513
por Papa Leão X
Ordem Cardeal-diácono
Título Santos Cosme e Damião (1513-1517)
Santa Maria in Domnica (1517-1550)
Santa Maria in Via Lata (1550)
Dados pessoais
Nascimento Florença, Ducado de Florença
25 de agosto de 1491
Morte Roma, Estados da Igreja
13 de abril de 1550 (58 anos)
Progenitores Mãe: Madalena de Médici
Pai: Franceschetto Cybo
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Inocêncio Cybo (em italiano: Innocenzo Cybo ; Florença, 25 de agosto de 1491Roma, 13 de abril de 1550), foi um arcebispo e cardeal Católico italiano, pertencente à família Cybo [1].

Índice

Família e educaçãoEditar

Pertencente à família Genovesa Cybo[2] que, em 1488, comprara a cidadania Florentina por uma considerável soma de dinheiro [3]   Inocêncio nasceu em Florença a 25 de agosto de 1491[4] filho de Franceschetto Cybo e de Madalena de Médici. O seu pai, Francisco Cibo, conhecido por Franceschetto (isto é Francisquinho), era filho ilegítimo de Giovanni Battista Cibo, que veio a ser eleito Papa com o nome de Inocêncio VIII (1484–1492),[5] e teve outros cinco filhos: Lourenço (Lorenzo), Catarina (Caterina), Hipólita (Ippolita), João Batista (Giovanni Battista) e Pedro (Pietro).[6] A irmã de Francisco, Theodorina, veio a casar com Gerardo Usudimari, um rico Genovês.[7]  

A mãe de Inocêncio, Madalena de Médici era filha de Lourenço, o Magnífico. Madalena tinha seis irmãos: Pedro (Piero), João (Giovanni) (eleito Papa Leão X), Juliano (Giuliano) e três outras irmãs. O seu primo co-irmão, Júlio de Médici, foi também eleito Papa (Clemente VII).

Iniocêncio foi, presumivelmente, educado pelos Médici. Quando o seu tio João de Médici (Giovanni de' Medici) foi eleito Papa em março de 1513, adotando o nome de Leão X, os Cybo foram abundantemente beneficiados.

Cardeal e ArcebispoEditar

A 17 de março de 1513, dia em que foi consagrado Bispo, Leão X nomeou Inocêncio Protonotário Apostólico [8] No primeiro consistório do Papa Leão X, que teve lugar a 23 de setembro de 1513, foi criado Cardeal ficando com a Diaconia dos Santos Cosme e Damião. A 26 de junho de 1517, trocou-a pela de Santa Maria in Domnica. A 11 de maio de 1520, foi nomeado Arcebispo de Génova por intercedência do seu tio Leão X.

Durante um breve período de três messes, em 1521, ele foi Cardeal Camerlengo da Santa Igreja Romana, tendo sido autorizado a vender o cargo pela soma de 35.000 ducados a outro favorito de Leão X, o Cardeal Francisco Armellino de Médici [9]

Participou no Conclave que decorreu de dezembro de 1520 a 9 de janeiro de 1521 e, apesar disso (ou talvez por causa disso) ficou doente e teve que votar a partir do seu leito, tendo estado próximo de ser eleito Papa. Quando o seu nome foi sugerido, ele conseguiu obter cerca de 20 votos, aparentemente de cardeais mais jovens, que desejavam a continuação dos hábitos da corte de Leão X.[10]

O rei Francisco I de França nomeou-o Abade de Saint-Victor de Lerins em 1522, com a esperança, por certo, de fortalecer os interesses franceses no Colégio dos Cardeais após a desastrosa eleição do ministro do Imperador Carlos V para o trono papal, sob o nome de Adriano VI. Foi-lhe também atribuído a Abadia de Saint Ouen, em Ruão.

Em 1524 foi feito Legado de Bolonha e da Romagna. Em 1529 e 1530, foi hóspede quer do Imperador Carlos V, quer do Papa Clemente VII em Bolonha, participando como Arqui-diácono na coroação do Imperador a 24 de fevereiro. Após o fim das cerimónias, ele e o Cardeal Hipólito de Médici acompanharam o Imperador na sua viagem de regresso até à cidade de Mântua.[11]

Acumulou os direitos de administração sobre algumas sés episcopais, como por exemplo. St Andrews (13 de outubro de 1513 - 13 de novembro de 1514),[12] Marselha e, Aléria, na Córsega (19 de junho de 1518 – 19 de dezembro de 1520), Ventimiglia (27 de julho de 1519 – 8 de agosto de 1519) e de numerosas outras, a maioria das quais por breves períodos de tempo.

Pouco antes do Saque de Roma de 1527, refugiou-se em Massa, como hóspede da sua cunhada e amante Ricarda Malaspina, de quem teve quatro filhos que, mais tarde, vieram a ser naturalizados.

Um relatório do Senado Veneziano, escrito por Antonio Sorano, embaixador da República em Roma, de 18 de julho de 1531, fornece uma análise do Cardeal Cibo, referindo que Inocêncio não era uma pessoa de grandes atos nem de pensamentos profundos, mais entregue aos prazeres mundanos e lascívos. O Papa Clemente não procurava os seus conselhos em matérias de Estado.[13]

Em 1532 e 1533 o Cardeal Cybo foi enviado pelo seu primo Clemente VII, para governar Florença durante a ausência do Duque Alexandre de Médici. Foi um dos quarto cardeais nomeados executores do testamento do Papa Clemente VII[14] No Conclave que se seguiu a morte de Clemente VII, ele teve esperanças no papado, mas veio a ser eclipsado por Alexandre Farnésio , que veio a ser eleito como Paulo III,[15] e, subsequentemente, decidiu regressar a Florença.[16] Mas as suas relações com o Grão-duque Cosme I de Médici deterioraram-se, e mudou-se de novo para Massa em 1540. Dois anos mais tarde a sua lealdade para com a causa imperial foi recompensada com o título de Cardeal Protetor da Alemanha.

Em Roma, o Cardeal teve4 como residência o Palazzo Altemps. Ele regressou a essa cidade em 1549 para participar no Conclave que se seguiu à morte do Papa Paulo III. O candidato favorito era Reginald Pole, mas Giovanni Maria Ciocchi del Monte, veio a ser eleito sob o nome de Júlio III.[17] Como Cardeal Deão mais antigo, Inocêncio Cybo coroou Júlio III em 22 de fevereiro de 1550. A 28 de fevereiro de 1550 ele trocou a diaconia de Santa Maria in Dominica pela de Santa Maria in Via Lata.

Veio a falecer a 13 de abril de 1550, tal como referido na sua pedra tumular, com a idade de 59 anos tendo sido cardeal 37 anos. Foi sepultado na Basílica de Santa Maria sopra Minerva, no centro do coro, atrás do altar-môr, entre os monumentos de seu tio Leão X e de seu primo Clemente VII.

Ver tambémEditar

BibliografiaEditar

  • Petrucci, Franca - Inocêncio Cybo. In: Dizionario Biografico degli Italiani (DBI), 1981
  • Dowden, John - The Bishops of Scotland, ed. J. Maitland Thomson, Glásgua, 1912

Ligações externasEditar

ReferênciasEditar

  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Innocenzo Cybo».
  1. também escrita sob a grafia Cibo
  2. Ver Giuseppe Moroni, Dizionario di erudizione storico-ecclesiastica Volume 13 (1842) pp. 121-125.
  3. Luigi Staffetti, Il cardinale Innocenzo Cybo (Florença 1894) 14 n. 2.
  4. Staffetti, 12.
  5. Johannis Burchardi Diarium (ed. L. Thuasne) Volume I (Paris 1883) 321 n.1. Mandell Creighton, A History of the Papacy Volume III (Londres 1887) 120.
  6. Um manuscrito datado de 1548, que se encontra em Florença e pertence à coleção Magliabech (XXVI no. 16) refere a series genealogica familiae Cibo. Ver Achille Gennarelli (editor), Johannis Burchardi Argentinensis ... Diarium ... (Florença 1854) p. 196.
  7. Burchard 422. The ms. Citado por Gennarelli list os cinco filhos de Theodorina: João Batista (Giovanni Battista), Francisco (Francesco), Batistina, Aranino e Peretta.
  8. Marino Sanuto Diario Volume 16, col. 57.
  9. Luigi Gradenigo, o embaixador Veneziano, in Relazioni degli ambasciatori veneti al Senato Series II Volume III (editado por Tommaso Gar), Roma (Florença 1846) p. 71; Lorenzo Cardella, Memorie storiche de' cardinali della Santa Romana Ecclesia Volume IV (Roma 1793) p. 8, pp. 40-41.
  10. F. Petruccelli della Gattina, Histoire diplomatique des conclaves Volume I (Paris: 1864), 520-521. Esta história advem de uma carta escrita por Giovanni Maria Galiani datada de Roma, de 10 de janeiro de 1522, um dia após o fim do Conclave. Está citada em Staffetti, 35-36 n. 1, bem como em Memorie della famiglia Cybo, uma história da família escrita por ordem do Príncipe Alberico Cybo, dando a ideia de que o Cardeal Inocêncio era um candidato ativo. Mas seria pouco provável, uma vez que o Cardeal Júlio de Médici era um candidato ativo e tinha o apoio dos Florentinos.
  11. Gaetano Giordani, Della venuta e dimora in Bologna del Sommo Pontefice Clemente VII. per la coronazione di Carlo V. Imperatore (Bologna 1842) p. 179
  12. Nunca chegou a Bispo de St Andrews, apenas a Administrador. Guilelmus van Gulik & Conradus Eubel, Hierarchia catholica medii et recentioris aevi III, editio altera (Monasterii 1923), p. 108. David M. Cheney, Innocenzo Cardinal Cibo (Cybo).
  13. Eugenio Alberi (editor), Relazioni degli ambasciatori veneti al senato Volume VII (Serie IIa, Volume IIIo) (Florença 1846), 279: Questo cardinal Cibo non è persona di grande affare nè di alto spirito, ma più presto e dedito ai piaceri mondani e a qualche lascivia. È ricco di forse ventiduemila ducati d' entrata, e il papa non si serve di lui in consiglio, quanto a cose di stato; ma solo da molti anni nella legazione di Bologna. È stato popo alla corte in tempo mio; nè posso perciò molto estendermi in parlare di lui. Questo non voglio tacere obe nello andare alla mia legazione in Fiorenza [1527], lo visitai passando in Bologna, e da quel poco di maneggio che ho avuto con lui, l' ho ritrovato, col fratello Giovanni Bartolomeo, molto amorevole di Vostra Serenità.
  14. Os executores das últimas vontades e testamento foram os Cardeais Inocêncio Cybo, Hipólito de Médici, Nicolo Ridolfi, e Giovanni Salviati (F. A. Artaud de Montor, Histoire des souverains Pontifes Romains Volume IV (Paris 1851) 114).
  15. Notas do Conclave de 1534, Dr. J. P. Adams.
  16. Staffetti, 127-130, tentativas attempts to make a case, baseado nas observações de Feliciangeli, que Cybo era um candidato, embora a documentação seja fraca, e a história não está de acordo com outros factos conhecidos dessa eleição. O Cardeal Farnésio, que acordara previamente com o Cardeal Hipólito de Médici (parente de Inocêncio) para o apoio de Florença, veio a ser nomeado Papa por aclamação.
  17. Notas do Conclave de 1549-1550, Dr. J. P. Adams.


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