Inscrições de Orcom

As inscrições de Orcom[1] são os mais antigos vestígios conhecidos do alfabeto de Orcom[nt 1] (também chamado alfabeto turco antigo, alfabeto goturco (göktürk ou köktürk), alfabeto Orcom-Ienissei, runas de Orcom ou runas turcas). São constituídas por cerca de duzentas inscrições epigráficas em pedra datadas dos séculos VII e X, descobertas no vale de Orcom, na Mongólia, e no curso superior do Rio Ienissei, no sudeste da Sibéria, em 1889 por uma expedição russa liderada por Nicolas Iadrintsev.[2][nt 2]

Mapa de localização do Vale de Orcom
Uma das inscrições de Orcom, atualmente na cidade de Kyzyl, na república russa de Tuva

As primeiras inscrições foram decifradas em 1893 pelo filólogo dinamarquês Vilhelm Thomsen e publicadas por Vasily Radlov, um etnologista russo nascido na Alemanha, fundador da turcologia (estudo dos povos turcos).[2][nt 2]

Além das inscrições descobertas nos vale de Orcom e do Ienissei, foram descobertas inscriçõs semelhantes na região russa de Altai e na província de Xinjiang, no noroeste da China.[2]

As primeiras inscrições decifradas encontravam-se em dois monumentos próximos um do outro. A primeira, datada de 732, é dedicada por Bilge Kağan (Mojilian nos anais chineses), o grão-cã (imperador) do Império Goturco entre 716 e 734, à memória do seu irmão Kül Tigin (ou Kultegin), morto em 731.[2][3][4] A segunda inscrição, datada de 735, foi erigida em memória de Bilge Kağan,[5][6] que, após muitos combates, restaurou a unidade do império turco oriental e celebrou a paz, igualmente após numerosos combates, como o imperador da China Xuanzong. Há outras inscrições em turco nos dois monumentos, as quais celebram a epopeia dos turcos, e outras em chinês que representa, a homenagem do imperador da China aos chefes turcos.[2]

Notas

  1. Grafias alternativas de Orcom: em russo: Orhon; em turco: Orhun; ou Orchon noutras línguas.
  2. a b Alguns trechos do texto foram baseados no artigo artigo «Inscriptions de l'Orkhon» na Wikipédia em francês (acessado nesta versão).

Referências

  1. EBM 1967, p. 143.
  2. a b c d e Poitou, Jacques (2010). «Ecriture de l'Orkhon». j.poitou.free.fr (em francês). Site langages / écritures / typographie. Consultado em 12 de janeiro de 2011. Cópia arquivada em 21 de setembro de 2010 
  3. «Kultegin's Memorial Complex, The». irq.kaznpu.kz (em rundi). Comité de Linguística do Ministério da Cultura e Informação do Cazaquistão. Consultado em 12 de janeiro de 2011. Cópia arquivada em 12 de janeiro de 2011 
  4. «The Kultegin Inscription (1-40 lines)». irq.kaznpu.kz (em inglês). Comité de Linguística do Ministério da Cultura e Informação do Cazaquistão. Consultado em 17 de janeiro de 2011. Cópia arquivada em 17 de janeiro de 2011 
  5. «Bilge kagan's Memorial Complex, The». irq.kaznpu.kz (em inglês). Comité de Linguística do Ministério da Cultura e Informação do Cazaquistão. Consultado em 12 de janeiro de 2011. Cópia arquivada em 12 de janeiro de 2011 
  6. «The Bilge Kagan inscription». irq.kaznpu.kz (em inglês). Comité de Linguística do Ministério da Cultura e Informação do Cazaquistão. Consultado em 17 de janeiro de 2011. Cópia arquivada em 17 de janeiro de 2011 

BibliografiaEditar

  • «Tártaros». Enciclopédia Brasileira Mérito [EBM] Vol. XVII. São Paulo: Mérito S. A. 1967 
  • Thomsen, Vilhelm (1896). Inscriptions de l'Orkhon déchiffrées (em francês). Copenhaga: Helsingfors, Sociedade de Literatura Filandesa 
  • Afhandliger. Samlede. III, Copenhaga, 1922
  • Barthold, Wilhelm. 12 Vorlesungen über die Geschichte der Türken Mittelasiens, Berlim, Arthur Collignon, Deutsche Gesellschaft für Islamkunde, 1935: o capítulo I trata das fontes escritas sobre a história dos povos turcos e incide nas inscrições de Orkhon.

Ligações externasEditar

 
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