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Inspiração (teologia)

O evangelista Mateus inspirado por um anjo (1661): pintura de Rembrandt

Inspiração é o conceito teológico segundo o qual obras e feitos de seres humanos intimamente ligados a Deus, sobretudo as Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, receberam uma supervisão especial do Espírito Santo, de tal sorte que as palavras ali registradas expressam, de alguma maneira, a revelação de Deus.

Índice

EtimologiaEditar

A palavra "inspiração" vem do termo latino inspiratio e do verbo inspirare. Inspirare é composto pelo prefixo in (em português, "em") e o verbo spirare (soprar). Inspirare significa "soprar em" ou "insuflar". Já no tempo clássico do Império Romano, inspirare recebeu a conotação de "respirar profundamente" e o sentido figurativo de "insinuar algo no coração de alguém".

Inspiração verbalEditar

O texto é inspirado diretamente de Deus. Isso pode ser em forma de um ditado, ou em forma de uma supervisão, que deixa o autor usar o seu estilo próprio, mas interfere para o autor não cometer erros. Se a Bíblia é considerada inspirada verbalmente, ela é infalível. Evidentes contradições e equívocos da Bíblia são ou erros de copiadores ou mistérios de Deus, ou os defensores da inspiração verbal falam que as passagens contraditórias se referem a assuntos diferentes. A inspiração verbal é doutrina para muitas igrejas evangélicas.

 
"A compositora e poeta Hildegarda de Bingen recebe inspiração divina" (ilustração no Codex de Rupertsberg, no Liber scivias Domini, do ano 1180)

Inspiração geral ou inspiração limitadaEditar

O autor é inspirado por Deus de alguma forma. Deus se manifesta ao autor por meio de sonhos, palavras insinuadas, pessoas, anjos, entre outros, e o autor recebe, assim, uma mensagem. Muitas vezes, ele anota-a muito mais tarde. Se o autor errar em detalhes, o Espírito Santo não se intromete. Ou então o Espírito Santo não se intromete nunca. Assim, se explicam pequenos equívocos na Bíblia, assim como erros ortográficos e notas erradas em músicas inspiradas. Na visão neo-ortodoxa, se acha a frase: "A Bíblia é a palavra de Deus", mas não "palavras de Deus."[1]

Visão liberal e progressivaEditar

Teólogos liberais e progressivos negam a inspiração como fonte principal de obras sacras e veem, nelas, somente criações de pessoas profundamente religiosas, que certamente sabem muito de Deus em relação a outras pessoas, mas pouco diante da grandeza do mistério de Deus.

Visão católicaEditar

Na Igreja Católica, existem várias correntes teológicas, mas a opinião oficial é que a Bíblia é inspirada na forma geral e não verbal.[2] A Bíblia tem que ser vista no contexto histórico e na luz da tradição católica.[3] Por outro lado, o papa reclama, para si mesmo, uma inspiração divina infalível, se ele fala ex cathedra.

Visão da Reforma EvangélicaEditar

Os reformadores fortaleceram as Escrituras e rejeitaram a tradição católica como fontes divinas. Martinho Lutero, que nasceu católico, partiu, no início da Reforma, da teoria de que nem todas as partes da Bíblia seriam inspiradas. Mais tarde, ele reconheceu todas as partes como inspiradas, assim como os outros reformadores. Ele falou também sobre várias músicas que seriam inspiradas (de forma geral e limitada, destacando, porém, o hino em latim Veni, sancte spiritus (em alemão, Komm, heiliger Geist, Herre Gott. Em português, "Venha, Espírito Santo".)[4][5]

Referências

  1. «Dicionário teológico enciclopédico: Inspiração». Books.google.com.br 
  2. Durand, Alfred (1910). «Inspiration of the Bible». The Catholic Encyclopedia. Nova Iorque: Robert Appleton Company. Consultado em 15 de novembro de 2010 
  3. «Karl Keating: Inspiration». Respostas Católicas, em inglês. Catholic.com 
  4. «O hino "Komm, heiliger Geist" no site da Igreja Evangélica da Alemanha» (em alemão). Ekd.de 
  5. «Veja Axel Bergstedt: Como o Espírito Santo fala com seus filhos». Axelbergstedt.blogspot.com.br 

Ligações externasEditar