Invasão de Chiquitos

A invasão brasileira de Chiquitos foi uma expedição do Império do Brasil contra a República de Bolívar como uma demonstração de força para Simón Bolívar não apoiar as Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina) durante a Guerra da Cisplatina.

Invasão de Chiquitos
Guerra da Cisplatina
Data 1825
Local Chiquitos e Moxos, Bolívia
Desfecho Vitória brasileira
Beligerantes
Império do Brasil Império do Brasil Civil flag of Bolivia (1825-1826).svg Bolívia
Flag of the Gran Colombia.svg Grã-Colômbia¹

Apoiados por:

Comandantes
Flag of Brazil (1822–1870).svg Pedro I do Brasil
Flag of Brazil (1822–1870).svg Manuel Alves
Flag of Brazil (1822–1870).svg Manuel de Araújo
Civil flag of Bolivia (1825-1826).svg Antonio Sucre
Flag of the Gran Colombia.svg Simón Bolívar
¹Apenas na parte política

AntecedentesEditar

Com os preparativos da Guerra da Cisplatina em 1825, as lideranças políticas e militares rio-platenses começaram a se preocupar que o Brasil pudesse vencer as forças argentinas, tendo em vista que o Brasil detinha oficiais veteranos da Guerra Peninsular, da Guerra Contra Artigas e da Guerra de Independência, além disso, as forças das Províncias Unidas do Rio da Prata estavam frágeis por conta das cansativas expedições militares no Alto Peru (atual Bolívia). Isto acabou fazendo com que o comandante em chefe das forças argentinas, Carlos María de Alvear, enviasse uma carta a Simón Bolívar solicitando ajuda na guerra contra o Brasil. A troca de correspondências entre rio-platenses e colombianos começou a levantar a suspeita das autoridades brasileiras, em especial do governador do Mato Grosso, Manuel Alves da Cunha. Em março de 1825, o coronel Sebastián Ramos envia o tenente-coronel José María Velasco ao Mato Grosso, então província do Império do Brasil para oferecer o controle das regiões de Chiquitos e Moxos ao controle brasileiro, algo que Cunha viu como uma oportunidade não apenas para aumentar a presença brasileira na região mas também para ser uma demonstração de força para as forças de Sucre e Bolívar.[1]

A expedição brasileiraEditar

Após a visita do tenente-coronel, Alves da Cunha enviou tropas sob o comando de Manuel José de Araújo para ocupar e posteriormente anexar as regiões à Província do Mato Grosso, uma ação realizada sem o conhecimento do então imperador do Brasil, D. Pedro I. Essa ação enfureceu as lideranças regionais bolivianas, especialmente o general Sucre, que começou a planejar uma ação de resposta e uma eventual invasão da província do Mato Grosso, algo que Bolívar impediu, já que acreditava que o imperador brasileiro não sabia dessa ação.[2]

Missão diplomática entre argentinos e bolivianosEditar

Com a expedição brasileira, as lideranças argentinas realizaram uma missão diplomática na República de Bolívar, para discutir a situação brasileira, já que agora se tratava de um problema para ambas as nações. Os argentinos defendiam que colombianos, bolivianos e argentinos deveriam se unir contra o Brasil e posteriormente dividir a nação em várias repúblicas, tornando assim, a Grã-Colômbia como a potência dominante na América do Sul, além disso, as Províncias Unidas iriam anexar parte do Mato Grosso e do sul do Brasil, algo que iria facilitar uma expedição contra o Paraguai para derrubar o caudilho paraguaio José Gaspar Rodríguez de Francia, além de eventualmente anexar o Paraguai. Esse plano também viria a acabar com o sistema monárquico constitucional europeu na América do Sul, fortalecendo o modelo republicano na região, algo de interesse do líder venezuelano. Porém, Bolívar recusou e manteve uma certa prudência, querendo resolver tudo na diplomacia.[3]

Fim da questãoEditar

Com o aumento das tensões, o imperador brasileiro, D. Pedro I, ficou sabendo da situação da fronteira e do aumento das movimentações políticas dos vizinhos, com isto, ordenou a imediata retirada das forças brasileiras da região, que antes de se retirarem acabaram por saquear algumas localidades nas fronteiras, além disso, Pedro substituiu Alves Cunha por José Saturnino da Costa Pereira, para evitar eventuais problemas. A ação do imperador brasileiro foi vista por bons olhos pelo libertador venezuelano, que se comprometeu a negar a proposta dos argentinos e de manter relações cordiais com o Brasil. Essa solução da questão é vista como uma vitória política brasileira, que além de garantir seus interesses na região evitou uma possível resposta afirmativa por parte de Bolívar.[carece de fontes?]

ConsequênciasEditar

A expedição brasileira alertou os países da América do Sul que os mesmos estavam vulneráveis após a guerra contra a Espanha, algo que viria a ser um dos motivos para o Congresso do Panamá.[4]

Ver tambémEditar

Notas

  1. «La Invasión Brasileña a Chiquitos». Gobierno Autónomo Departamental de Santa Cruz. Consultado em 28 de fevereiro de 2018 
  2. «La Invasión Brasileña a Chiquitos». Gobierno Autónomo Departamental de Santa Cruz. Consultado em 28 de Fevereiro de 2018 
  3. «La misión Alvear-Díaz Vélez a Bolivia: la discusión de una política común hacia Brasil». Historia General de las Relaciones Exteriores de la Republica Argentina. 3 de março de 2005. Consultado em 28 de Fevereiro de 2018 
  4. La invasión brasileña a Bolivia en 1825: Una de las causas del Congreso de Panamá

BibliografiaEditar

  • F.S. Constancio. História do Brasil.
  • Alejandro Ovando Sanz, Jorge. La invasión brasileña a Bolivia en 1825: Una de las causas del Congreso de Panamá . 1977.
  • LA INVASIÓN BRASILEÑA A CHIQUITOS Y LA RESPUESTA DEL MARISCAL SUCRE, Historias de Bolívia.
  • LA INVASIÓN DE BRASIL A CHIQUITOS Y SU DESALOJO POR ANTONIO JOSÉ DE SUCRE, Historias de Bolívia.
  • SIMON BOLÍVAR E O BRASIL, José Carlos Brandi Aleixo