Irmandade do Santíssimo Sacramento


IRMANDADE DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO
 
Confraternita Santíssimi Sacramenti



Tipo: Irmandade religiosa
Local e data da fundação: nível paroquial
Aprovação: Paulo III




Projeto Catolicismo · uso desta caixa
Irmandade do Santíssimo Sacramento de Pirenópolis, atuante desde 1728, em cortejo acompanhando o Santíssimo

A Irmandade do Santíssimo Sacramento é uma confraria católica originada ainda na Idade Média, está entre as mais respeitáveis e antigas irmandades religiosas do catolicismo. Sua origem está ligada piedade e devoção eucarística. Sabe-se que a celebração de Corpus Christi, criada por Urbano IV em 1264 teve a participação da citada confraria [1].

Porém, sua autorização canônica veio através da Bulla Dominus Noster Jesu Christi do Papa Paulo III, de 30 de novembro de 1539, na qual concedia grandes privilegiativos a Irmandade do Santíssimo existente na Santa Maria sopra Minerva, e de lá, espalhou-se por todo mundo católico [2]. Atualmente é formada por todas as raças, se faz presente em quase todas as paróquias e é geralmente no Brasil, responsável ou associada as tradições da Semana Santa e Corpus Christi.

OrigensEditar

 
Membros da Irmandade do Santíssimo de Mafra antecedidos pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel II, 1930.

Tratando-se de uma confraria presente em quase todas as Paróquias, existe várias lendas, histórias e folclore quanto ao surgimento da Irmandade, porém, todas estão ligadas a piedade e devoção a Eucaristia. Dentre os relatos mais antigos estão a celebração de Corpus Christi, em 1264 [1].

Em Portugal, sabe-se que em 1403 já existia na Arquidiocese de Braga a Confraria do Corpo de Deus, e que a mesma congregava naquele ano mais de cem irmãos. Em 1457 também em Ponte da Barca e demais locais de Portugal [2].

Após tomar parte no Concílio de Trento, o frei dominicano Tomás de Stella O.P, italiano de Veneza, preocupado com o estado no qual se encontravam os sacrários de Roma, agrupou na Igreja de Santa Maria Sopra Minerva, um grupo de clérigos e leigos, dentre eles Inácio de Loyola fundador dos Jesuítas, grande defensor e propagador desta Irmandade.[3]

Com os grandes frutos e benefícios obtidos na Irmandade, Stella é ordenado Bispo de Justinópolis[3] e o Papa Paulo III aprovou sua Confraria, concedendo-a através da Bula Dominus Noster Iesus Christus (Nosso Senhor Jesus Cristo) de 30 de novembro de 1539, privilégios e indulgências, bem como as demais que se fundasse em iguais condições, espalhando-se por todo mundo católico.

Ao ter conhecimento da Confraria de Roma, o então arcebispo de Braga Cardeal-Rei D. Henrique obteve autorização para que em sua Diocese tivesse o mesmos privilégios da de Roma, o que foi autorizado em 1540. Em senso de 1918 tal diocese possua 803 Irmandades do Santíssimo [2]. Com a transferência para Évora tal bispo também fundou Irmandades do Santíssimo com estes mesmo privilégios, ficando a Irmandade associada a elite e a realeza espalhando-se pelos territórios portugueses.

BrasilEditar

 
Irmandade do Santíssimo Sacramento em Sousa, Paraíba

No Brasil, a Irmandade se faz presente desde a ocupação branca do território brasileiro e formada pela elite branca, sobretudo no período colonial, responsável pela construção das Igrejas Matrizes nas regiões do Ciclo do Ouro[4].

Até o presente momento, não existe o documento que comprove o local da criação da primeira Irmandade em terras brasileiras, mas há uma carta escrita em 09 de agosto de 1549 por Manuel da Nóbrega solicitando a concessão das mesmas indulgências as Irmandade de Minerva [5]. Segundo Serafim Leite, não há elementos bastantes para se ver a consequência imediata do pedido de 1549, mas vinte e poucos anos mais tarde, as confrarias do Santíssimo Sacramento já existiam no Brasil até nas aldeias dos índios, depois de elas se organizarem em bases de continuidade [6].

No Rio de Janeiro teve um papel fundamental no âmbito cristão, quando ajudou a igreja a levantar fundos para grandes obras, destacando-se a Igreja de Nossa Senhora da Candelária, sede da mais antiga Irmandade do Santíssimo da cidade. Em âmbito assistencial, a Irmandade em 1763, fundou o venerável Hospital Frei Antônio no bairro de São Cristóvão, com autorização de frei Antônio, então bispo do Rio de Janeiro que delegou a Irmandade como responsável pela administração do hospital. Assistindo os cidadãos cariocas, o hospital é um exemplo das relações estreitas entre o papel da Igreja e do Estado na cidade. A Irmandade e o hospital existem até os dias atuais.[7]

Em Minas gerais, dentre as principais construções destaca-se a Matriz do Pilar e a Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias em Ouro Preto [4] e a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar em São João Del Rei.

No Nordeste há várias Igrejas construídas pela Irmandade. Em sobral a Irmandade está presente há 260 anos

Em Goiás, foi inicialmente fundada na cidade de Pirenópolis, onde construiu a Igreja Matriz local [8], e até hoje se faz influente na cultura da Cidade [9], sendo a Irmandade mais importante da região [10]. Em 2019, recebeu o título de Patrimônio Cultural e Imaterial do Município.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b Dom Beto Breis, OFM (2018). Francisco de Assis e Charles de Foucauld: enamorados do Deus humanado. [S.l.]: Paulus. Consultado em 19 de maio de 2020 
  2. a b c AJ Costa (1989). A Santíssima Eucaristia nas Constituições Diocesanas Portuguesas desde 1240 a 1954 (PDF). [S.l.]: LUSITÂNIA SACRA, 2.» série, :1 (1989). Consultado em 29 de junho de 2018 
  3. a b Pe. Armando Cardoso, S.J. (1988). Cartas de Santo Inácio de Loyola. [S.l.]: Edições Loyola. Consultado em 2 de julho de 2018 
  4. a b Oliveira, Monalisa Pavonne; (2013). Devoção e poder : a Irmandade do Santíssimo Sacramento do Ouro Preto (Vila Rica, 1732-1800). [S.l.]: UFOP). Consultado em 30 de junho de 2018 
  5. NÓBREGA, Manuel da. Cartas do Brasil: 1549-1560. Rio de Janeiro: Officina Industrial Graphica, 1931, pp. 79-87.
  6. LEITE, Serafim; (1965). Novas páginas de história do Brasil (PDF). [S.l.]: COMPANHIA EDITORA NACIONAL. Consultado em 21 de maio de 2020 
  7. FROTA, Herbet Carneiro (2010). Irmandade do Santíssimo Sacramento - Uma História de Fé e Honra. Fortaleza: Instituto Executivo. pp. 18–19 
  8. CAVALCANTE, Silvio (2019). «CAVALCANTE». Barro, Madeira e Pedra: Patrimônios de Pirenópolis. Consultado em 7 de novembro de 2019 .
  9. Nascimento, Lucas P. do; Santos, Marcos V. R. dos; D'abadia, Maria I. V. (2017). «As Dores de Maria reatualizadas na Festa de Passos em Pirenópolis - Goiás.». UFRGS. Consultado em 29 de junho de 2018 
  10. Paulo Henrique Ferreira Ceripes, pág. 06 (2014). «Fontes para a história da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos pretos em Pirenópolis» (PDF). UNB. Consultado em 29 de junho de 2018 
  Este artigo sobre cristianismo é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.