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Irmandade do Santíssimo (Pirenópolis)


VENERÁVEL IRMANDADE DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO DE PIRENÓPOLIS
 
Brasão VENERÁVEL IRMANDADE DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO DE PIRENÓPOLIS
sigla
I.S.S.PIRI
Tipo: Irmandade religiosa
Local e data da fundação: Pirenópolis1728



Atividades: Religiosa e Cultural
Sede: Igreja Matriz de Pirenópolis
Site oficial: https://isspiri.wordpress.com/
Projeto Catolicismo · uso desta caixa

A Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Pirenópolis (ISSPIRI) é uma associação pública de fiéis católicos, canonicamente estabelecida na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário (Pirenópolis) reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Histórico e Artístico do Brasil [1].

Dentre as atribuições da Irmandade, está a missão de promover o culto a Eucaristia no ambiente paroquial, fazendo guarda ao Santíssimo quer seja nas exposições públicas ou no Viático além da realização da Missa In Coena Domini (Ceia do Senhor), a celebração de Corpus Christi com a respectiva procissão, além de missa semanal as quintas-feiras [2].

Por tradição, a Irmandade em Pirenópolis assumiu por responsabilidade, assim como era costume das Irmandades do Santíssimo no século XVIII, a organização e realização dos solenes atos litúrgicos e para litúrgicos da Semana Santa [3] e a festa da padroeira, Nossa Senhora do Rosário, cuja Matriz se deu às expensas da Irmandade [4].

Sua ação até hoje influência todas as manifestações tradicionais de Pirenópolis, tal como a Festa de Passos, de São Sebastião e Semana das Dores, além da Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis, que através de pedido mútuo entre a Irmandade, a Associação dos Imperadores, a Prefeitura Municipal e o IPHAN-GO, solicitaram formalmente o reconhecimento da Festa como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil [5].

Por influência da Irmandade [6], no século XVIII surgiram as orquestras sacras e em meados do século XIX, as Bandas de músicas para engrandecer as procissões. O conjunto patrimonial da Irmandade constituiu entre imagens sacras, lanternas e cruzes de procissão, turíbulos e navetas, pálios, esquifes, sinetas, alfaias, paramentos e demais objetos litúrgicos, que em sua maioria, perdeu-se no incêndio da Igreja Matriz em 05 de setembro de 2002.

OrigensEditar

 
Irmandade do Santíssimo - Procissão de Ramos - Século XIX

A Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento é uma confraria católica formada por leigos e clérigos na idade média, quando se instituiu a Solenidade de Corpus Christi pelo Papa Urbano IV, estando entre as mais antigas respeitadas Irmandades catolicismo, autorizada canonicamente pela bulla Dominus Noster Jesu Christi do Papa Paulo III, de 30 de novembro de 1539, espalhando-se por todo mundo católico [7].

O regime do Padroado proporcionou ao Brasil um sistema forte, palpado fortemente em valores do catolicismo, enraizado na Piedade popular, propagado pelas Irmandades e Confrarias em suas devoções aos santos, a Nossa Senhora e a Eucaristia, condicionando assim a rápida expansão e acepção de fiéis para a edificações dos templos, estratificando as camadas sociais ditando em qual Irmandade ou confraria tal classe social permitiria [2].

A história do Brasil colônia e império, reservou as Irmandades do Santíssimo o destaque de ser a principal Irmandade de cada lugarejo, pois sempre era instituída em templos que se tornaria a Igreja mãe da povoação, concentrando poder e riqueza, fazendo com que o membro dessa Irmandade, alcançasse grande projeção na sociedade [2].

O documento de criação da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário de Meya Ponte até hoje é desconhecido devido a conturbada povoação de Goiás, mas sabe-se que sua origem está ligada a fundação da cidade de Pirenópolis em 1727, quando os mineradores portugueses se estratificaram formando a elite local, possibilitando em 1728 [8] o pedido de criação, encaminhado e aceito por Dom Frei Antônio de Guadalupe OFM, Bispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, sendo portanto a primeira confraria fundada em terras goianas. Segundo a tradição, ela impulsionou às primeiras práticas católicas da cidade e, no mesmo ano de sua criação, iniciou a construção da Igreja Matriz de Pirenópolis para sediá-la, concentrando em seu meio riqueza e poder, influenciando todas a religiosidade católica pirenopolina até o final do século XX [9], sendo a Irmandade mais importante da região [10]. A primeira citação em documentos que atestam o comparecimento da Irmandade está em vários termos no Livro de Óbitos da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, no qual a Irmandade cortejou enterro de vários Irmãos em 1734 [11], já com as áreas de sepultamento bem definidas dentro do templo, com locais destinados ao grêmio da Irmandade na Capela-mor, o que confirma a tradição da sua fundação em 1728. Ainda segundo Jayme, já em 1899, toda documentação antes de 1757 referente a Irmandade havia desaparecido, entre estes documentos a Provisão de criação, livros de atas, de despesas e receitas. A documentação a partir de 1757 demonstra que fizeram parte na Irmandade grandes vultos da história goiana, conforme documentos de seu arquivo, um dos maiores subsídios para pesquisas acerca do catolicismo goiano, cujos registros se dão a partir de 1757.


Estrutura e organizaçãoEditar

 
Grêmio da Irmandade do Santíssimo reunida na Festa do Rosário em 2017

A Irmandade de Pirenópolis ortodoxamente segue as disposições de seu Compromisso, o qual diretriz a hierarquia, deveres e fazeres.

O primeiro compromisso (atualmente chamado de estatuto) segundo JAYME perdeu-se com o tempo. No arquivo da Irmandade possui 2 Estatutos históricos o mais antigo aprovado em Mesa em 23 e maio de 1874, e o atual, de 21 de abril de 1911, autorizado por Dom Prudêncio Gomes da Silva, Bispo de Goiás, a qual diocese pertencia a Paróquia Nossa Senhora do Rosário, consequentemente a Irmandade. Está sendo elaborado pela Diretoria o novo Estatuto da Irmandade, tendo em vista as novas diretrizes da Igreja, Constituição Brasileira, Código de Direito Canônico e o Concílio Vaticano Segundo.

A hierarquia segue tradicionalmente o modelo dos primeiros documentos da instituição, sendo dirigida por uma Mesa Diretora, que tem o ordinário diocesano local como seu prior. A administração compete a Mesa Diretora eleita pelos membros da Irmandade a cada 02 anos. A presidência é exercida pelo Provedor, auxiliados pelo Tesoureiro, Secretário, Procurador, 4 zeladores e formada pelo grêmio da Irmandade ao qual compete a continuidade da mesma.

Referências

  1. «Arquivo Noronha Santos - IPHAN». Livros de Tombo. Consultado em 7 de novembro de 2019 .
  2. a b c OLIVEIRA, Monalisa Pavonne (2010). Devoção e poder: a Irmandade do Santíssimo Sacramento do Ouro Preto (Vila Rica, 1732-1800). [S.l.]: UFOP, Tese de Mestrado, 2010). Consultado em 7 de novembro de 2019 
  3. CASTRO, José Luiz de (1998). A organização da igreja católica na capitania de goiás ( 1726 – 1824 ). (PDF). [S.l.]: UFG, Tese de Mestrado, 1998). Consultado em 7 de novembro de 2019 
  4. CAVALCANTE, Silvio (2019). «CAVALCANTE». Barro, Madeira e Pedra: Patrimônios de Pirenópolis. Consultado em 7 de novembro de 2019 .
  5. «Dossiê 17 - IPHAN» (PDF). Festa do Divino de Pirenópolis. Consultado em 7 de novembro de 2019 .
  6. PINA, Maria Lúcia Mascarenhas Roriz e (2010). Concerto dos sapos: um patrimônio musical goiano (PDF). [S.l.]: UCG, Tese de Mestrado, 2005). Consultado em 7 de novembro de 2019 
  7. AJ Costa (1989). A Santíssima Eucaristia nas Constituições Diocesanas Portuguesas desde 1240 a 1954 (PDF). [S.l.]: LUSITÂNIA SACRA, 2.» série, :1 (1989). Consultado em 29 de junho de 2018 
  8. Citado em: Unes, Cavalcante,, Wolney; Silvio. ICBC,, ed. Fênix. Restauro da Igreja Matriz de Pirenópolis. 2008. Goiânia: [s.n.] 240 páginas 
  9. Nascimento, Lucas P. do; Santos, Marcos V. R. dos; D'abadia, Maria I. V. (2017). «As Dores de Maria reatualizadas na Festa de Passos em Pirenópolis - Goiás.». UFRGS. Consultado em 29 de junho de 2018 
  10. Paulo Henrique Ferreira Ceripes, pág. 06 (2014). «Fontes para a história da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos pretos em Pirenópolis» (PDF). UNB. Consultado em 29 de junho de 2018 
  11. Citado em: Jayme, Jarbas. UFG, ed. Esboço Histórico de Pirenópolis. 1971. Goiânia: [s.n.] 167 páginas 

BibliografiaEditar

  • CAVALCANTE; Silvio. Barro, Madeira e Pedra: Patrimônios de Pirenópolis. IPHAN, 2019. 352. p.: il.
  • JAYME, Jarbas. Esboço Histórico de Pirenópolis. Goiânia, Editora UFG, 1971. Vols. I e II.
  • MORAES, Cristina de Cássia Pereira. Do Corpo Místico de Cristo: Irmandades e Confrarias de Goiás 1736 – 1808. 1ª edição. E-book. Jundiaí, SP: Paco Editorial, 2014.
  • UNES, Wolney; CAVALCANTE, Silvio Fênix. Restauro da Igreja Matriz de Pirenópolis. Goiânia: ICBC, 2008. 240. p.: il.


Ligações externasEditar